
Noiva Abandonada, Mulher Libertada
Capítulo 3
Eu não fui para casa.
Não fui para a casa dos meus pais, onde minha mãe certamente estaria me esperando com acusações e críticas.
Fui para o hotel mais próximo, paguei por uma suíte com o cartão de crédito que eu mesma administrava e tranquei a porta.
Meu celular não parava de vibrar na bolsa. Mensagens e ligações de Pedro, da minha mãe, dos pais dele. Ignorei todas.
Tirei o vestido de noiva pesado e o joguei no canto do quarto. Ele caiu no chão como um corpo sem vida.
Entrei no banheiro, me olhei no espelho. A maquiagem perfeita estava borrada pelas lágrimas silenciosas que eu não tinha percebido que estavam caindo.
Liguei o chuveiro na temperatura mais quente e fiquei embaixo da água por um tempo que pareceu uma eternidade. A água lavava a maquiagem, o laquê do cabelo e, eu esperava, a sujeira daquele dia.
Quando saí, enrolada em um roupão branco e macio, o celular ainda tocava. Era Pedro. Desta vez, atendi.
"Onde diabos você está, Maria?"
Sua voz não era de arrependimento. Era de pura fúria.
"Volte aqui agora! Você não tem ideia da vergonha que me fez passar!"
Eu ri. Uma risada seca, sem humor.
"Eu te fiz passar vergonha? Isso é uma piada?"
"Você abandonou seu próprio casamento! Deixou centenas de convidados olhando para a minha cara! O que você quer que eu pense?"
"Eu quero que você pense no que você fez, Pedro. Mas acho que isso é pedir demais."
"Foi um erro! Quantas vezes eu tenho que dizer? Eu me confundi!"
"Não, Pedro. Não foi um erro." Minha voz era firme. "Chega de desculpas. Acabou."
"Você não pode terminar comigo. Nossas famílias..."
"Nossas famílias que se danem." Eu disse, e a força nas minhas próprias palavras me surpreendeu. "Nosso noivado, nosso casamento, tudo, acabou. Exatamente às três e quatorze da tarde, quando você enfiou a língua na boca da Sofia na frente de todo mundo."
Desliguei na cara dele e bloqueei seu número.
Minutos depois, ouvi batidas fortes na porta.
"Maria! Abra a porta! Eu sei que você está aí! Eu rastreei seu celular!"
Claro que ele rastreou. Controle sempre foi o forte dele.
Fiquei em silêncio, esperando que ele desistisse. Mas as batidas se tornaram mais altas, mais desesperadas.
Então, silêncio. E o som de um cartão-chave sendo inserido na fechadura. A porta se abriu.
Pedro entrou no quarto, o rosto vermelho de raiva.
E logo atrás dele, como uma sombra, estava Sofia.
Ela usava o mesmo vestido de madrinha, os olhos vermelhos e inchados, uma expressão de pura preocupação no rosto. Uma preocupação que não chegava aos seus olhos.
"Maria, graças a Deus!" ela disse, a voz trêmula. "Nós estávamos tão preocupados. Por favor, não seja assim. O Pedro está sofrendo muito."
Nós.
Ela usou "nós" de novo. Como se eles fossem uma frente unida.
Pedro caminhou até mim, o cheiro de álcool vindo dele. Ele tentou me abraçar.
"Querida, por favor. Vamos esquecer isso tudo. Foi um momento de estupidez. Eu te amo. Eu te compro o que você quiser. Um carro novo? Aquela bolsa que você queria? Uma viagem para Paris?"
Ele tentou me beijar.
A imagem dele beijando Sofia invadiu minha mente. O mesmo homem, a mesma boca. Senti meu estômago revirar.
Empurrei-o com toda a minha força.
"Não me toque!"
Ele pareceu chocado com a minha reação.
"Maria..."
"Saia daqui. Vocês dois." Minha voz era um rosnado baixo. "Agora."
Você pode gostar





