Capa do romance A amante do chefe do meu marido

A amante do chefe do meu marido

9.5 / 10.0
Sofía e Daniel enfrentam uma crise financeira após o marido perder, em um assalto, o empréstimo feito com seu chefe, Ramírez. A dívida cresce e o credor passa a perseguir Sofía, exigindo pagamentos impossíveis. Para proteger o lar, ela toma uma decisão drástica, mas acaba presa em uma rede de chantagens. Agora, escondendo a verdade de Daniel, ela descobre que Ramírez não aceita o fim do acordo e ameaça destruir sua vida se ela tentar escapar.

A amante do chefe do meu marido Capítulo 1

O pequeno apartamento de Daniel e Sofia era modesto, com móveis de segunda mão e paredes decoradas apenas com fotografias do casamento e alguns desenhos que Sofia fazia em seu tempo livre. Estavam casados há seis meses e, embora a situação financeira não fosse das melhores, eram felizes por terem um ao outro.

Daniel trabalhava como assistente em uma empresa de logística, um emprego que, embora estável, mal lhes dava o suficiente para pagar o aluguel e cobrir as necessidades básicas. Sofia, por sua vez, havia deixado o emprego em uma cafeteria para se dedicar a um pequeno negócio de confeitaria em casa, esperando que, com o tempo, pudesse crescer. Mas os meses passavam e as contas se acumulavam.

Numa manhã, enquanto analisavam as contas sobre a mesa de jantar, Daniel suspirou e olhou para a esposa com uma mistura de preocupação e determinação.

- Conversei com o senhor Ramírez, meu chefe. Ele disse que pode me emprestar três mil dólares. Não é muito, mas vai nos ajudar a colocar as contas em dia e comprar alguns insumos para o seu negócio.

Sofia segurou sua mão com delicadeza, sentindo o peso da responsabilidade que Daniel carregava nos ombros.

- Tem certeza? Não quero que se endivide por isso.

- É a única opção que temos agora. Posso ir pagando aos poucos com meu salário - respondeu ele com um sorriso cansado, tentando transmitir calma.

Naquela tarde, depois do expediente, Daniel foi até o escritório do senhor Ramírez. O homem, um empresário de meia-idade com expressão séria, mas condescendente, entregou o dinheiro em espécie dentro de um envelope amarelo.

- Não quero atrasos nos pagamentos, Daniel. Confio que você vai cumprir com o combinado.

- Com certeza, senhor Ramírez. Não vou decepcioná-lo - disse Daniel com firmeza enquanto guardava o envelope no bolso interno do paletó.

Ao sair do prédio, a noite já havia caído e as ruas estavam mais desertas. Caminhou até a estação de ônibus, segurando firme o casaco fechado sobre o peito, sentindo o volume do dinheiro como um peso enorme. Sabia do perigo de andar com dinheiro àquela hora, mas não tinha escolha.

Ao virar em uma rua pouco iluminada, duas sombras saíram de um beco. Daniel mal teve tempo de reagir quando uma delas o empurrou com força contra a parede. O impacto sacudiu seu corpo e, antes que pudesse gritar, sentiu o frio de uma faca encostar em seu lado.

- Não faz barulho e entrega tudo o que tem - rosnou uma voz rouca.

O coração de Daniel disparou. Sabia que não devia reagir, que o mais importante era sair vivo. Com as mãos trêmulas, tirou o envelope do bolso e o entregou ao homem com a faca.

- Por favor... é dinheiro emprestado, eu preciso disso...

O assaltante riu com desdém e, sem perder tempo, arrancou o envelope de suas mãos. Antes de fugir, o segundo homem deu um soco em seu estômago, fazendo-o cair de joelhos no chão, contorcendo-se de dor.

Quando Daniel levantou a cabeça, os homens já haviam desaparecido na escuridão. O ar frio da noite queimava seus pulmões enquanto tentava recuperar o fôlego. Encostou-se à parede e sentiu o pânico e a impotência o invadirem.

Tinha perdido todo o dinheiro antes mesmo de chegar em casa.

Com o corpo dolorido e a mente tomada pelo desespero, Daniel conseguiu voltar ao apartamento. Ao abrir a porta, encontrou Sofia esperando por ele com uma expressão ansiosa. Assim que o viu, levantou-se de imediato.

- Daniel! O que aconteceu? Você está pálido! - exclamou, correndo para ampará-lo.

Ele abaixou o olhar, incapaz de manter a compostura. Um nó se formou em sua garganta e, com a voz embargada, pronunciou as palavras que mais temia dizer:

- Fui assaltado, Sofia... Perdi o dinheiro...

O rosto da esposa se desfigurou. A princípio, parecia não entender, mas quando a realidade a atingiu, levou as mãos à boca, sufocando um soluço.

- Não... não pode ser... - murmurou, sentindo o chão sumir sob seus pés.

Daniel se deixou cair no sofá, apoiando os cotovelos nos joelhos e segurando a cabeça com ambas as mãos.

- Agora não só estamos mais endividados, Sofia... Como seu negócio também não vai pra frente. E os juros do empréstimo são altos... Vou trabalhar o dobro se for preciso, mas... não vejo saída.

Sofia ajoelhou-se à sua frente, segurando suas mãos com força.

- Não podemos desistir, Daniel. Vamos encontrar uma solução... O mais importante é que você está bem.

Mas, por dentro, ambos sentiam que o mundo estava desabando.

Sofia sentiu o ar lhe faltar, mas se forçou a manter-se firme. Não podia cair, não quando Daniel precisava dela mais do que nunca. Sentou-se ao lado dele e acariciou seus cabelos com delicadeza, tentando acalmá-lo enquanto ele escondia o rosto nas mãos.

- Daniel... - sussurrou. - Isso é horrível, mas precisamos pensar no que fazer. Não podemos ficar parados.

Ele levantou a cabeça, os olhos vermelhos de angústia.

- Eu não sei o que fazer, Sofia. Todo esse esforço... Tudo o que planejamos... Sumiu em segundos.

Sofia engoliu em seco e respirou fundo.

- Primeiro, temos que falar com o senhor Ramírez. Não podemos nos esconder. Temos que contar o que aconteceu.

Daniel soltou uma risada amarga.

- E o que eu vou dizer? "Desculpa, senhor Ramírez, fui assaltado e levaram o dinheiro que o senhor me emprestou. Mas confie em mim, vou pagar de algum jeito"?

- Talvez ele nos dê mais tempo - insistiu ela. - E se não der... vamos encontrar outro jeito.

Daniel a olhou com incredulidade.

- Outro jeito? Mal conseguimos pagar as contas do mês, Sofia. Agora temos uma dívida ainda maior e nenhum plano.

Ela sentiu o peso das palavras dele, mas se recusou a deixar o medo dominá-la.

- Eu posso tentar fazer mais encomendas, vender mais doces. Você poderia... procurar um segundo emprego.

- Trabalhar mais de doze horas por dia?

- Se for preciso, sim - disse Sofia, embora sua voz tremesse um pouco.

Daniel passou a mão pelo rosto, sentindo o desespero apertar o peito. Mas então viu a determinação nos olhos da esposa, o amor e a confiança com que ela o olhava.

- Eu não sei como vamos sair dessa - admitiu. - Mas vamos tentar.

Sofia segurou sua mão e apertou com força.

- Juntos, Daniel. Vamos sair dessa juntos.

Apesar da incerteza, naquele momento entenderam que, enquanto tivessem um ao outro, ainda havia uma pequena esperança.

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