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Capa do romance NAS TERRAS DE MACUNAIMA – PARTE 1

NAS TERRAS DE MACUNAIMA – PARTE 1

Ana Luz troca o cruzeiro dos sonhos por um trabalho em Roraima. Acostumada à cidade, ela enfrenta a vida rural em uma fazenda repleta de lendas e seres fantásticos. Lá, conhece Pedro José, um peão que foge de romances após decepções. Entre mistérios da Região Norte e perigos inesperados, surge uma paixão intensa e erótica. Neste cenário místico, Ana descobre que o campo esconde aventuras e sentimentos muito além do que imaginava para o seu verão.
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Capítulo 2

Depois de descer do avião no estado de Roraima a Ana teve que pegar a estrada para seguir em uma zona de mata quase fechada e para conseguir fazer isto sem maiores problemas ela comprou um jipe e contratou um motorista que conhece a região mais distante de qualquer lugar do Brasil da qual ela tem lembranças.

A Ana está viajando a trabalho por este território ao Sul do estado de Roraima. Ela não tem a mínima noção de onde se encontra dentro deste lugar perdido na selva.

"Este parece ser um lugar onde sempre chove, pois desde que cheguei por aqui e desci do avião não parou de chover uma única hora. Se eu não tivesse com um motorista estaria completamente perdida!" – Ana refletiu.

O jipe em que a moça está seguindo é de cor azul escuro e ela não parece estar muito segura com a situação. O veículo que está sendo dirigido por seu Vicente, um rapaz de aproximadamente 40 anos com olhos e cabelos pretos e aparência de indígena.

- Moço, o jipe parece está derrapando. O que podemos fazer? – Falou como se estivesse assustada.

- Dona Ana não se preocupe, este "possante" aguenta. Não vai brecar de jeito nenhum. Pode confiar nas minhas habilidades.

Neste momento passa algo grande em frete ao carro o que parece ser um animal bem grande.

- Seu Vicente, olhe!!! – Ana se assusta completamente e grita puxando o braço do homem.

Ele conseguiu desviar do animal, porém perdeu o controle do veículo, que derrapa sobre a lama de barro alaranjado, dando dois giros e quando volta ao eixo está derrapando e seguindo em direção a uma vala que está cheia de uma lama também alaranjada.

- Socorro! Nós vamos morrer! Tô perdida. Não mereço morrer no meio da selva e cheia de lama!

O jipe continua por algum tempo patinando sobre a lama.

- Calma dona, muita calma! – Ele mesmo não está calmo.

- Como o senhor tem coragem de me pedir calma!?

- Vamos bater! Tomara que não afunde. – Disse ele.

E o veículo caiu no buraco ficando com uma parte dentro e a outra fora da água.

- Meu coração. Eu estou quase tendo um ataque de tão acelerado que ele esta. E agora o carro está dentro de sabe lá o quê!

- Dona olhe pelo lado bom. Pelo menos não afundou!

- Isto só pode ser um pesadelo! Moço o senhor está bem?

- Sim dona. Temos que ver se não quebrou nada. Tá sentindo alguma dor?

- Não moço nenhuma dor. E o senhor?

- Também não senhora. Só tô um pouco tonto. Mas parece que tá tudo bem comigo.

- E agora seu Vicente o que faremos? Aqui perdidos no meio do nada!

- Não pense muito sabe que sou mateiro (o que sem bússola se orienta pelas matas) e conheço bem esta região. Vamos ver se eu consigo dar a ré.

- Pelo visto a única perdida por aqui sou eu!

Ele tentou ligar o carro uma vez e nada.

E continuou tentando por várias e várias vezes.

E nada de conseguir sair de dentro da vala.

- Dona o carro não brecou, isso é um bom sinal. Agora, a não ser que eu consiga puxar ele daí com meus braços não vamos conseguir sair neste carro hoje. Para dar certo vou ver se consigo ir na fazenda mais próxima para pedir ajuda.

- Moço como vou ficar aqui sozinha neste lugar? – Ela fala com certo medo no tom de voz.

- Não se preocupe que vai dar certo, confie. O bom é que não precisamos ir ao médico que fica bem longe daqui. O ruim é que com esta chuva que está fazendo hoje, até a fazenda mais próxima fica muito distante para quem não está acostumado.

- Moço ela fica longe? Muito longe? Como podemos sair daqui?

- Não, só uns cinco quilômetros em direção ao norte, vou lá ver se encontro a fazenda que avistei aqui perto. Vou pedir para eles nos ajudarem a tirar o jipe dali o mais rápido possível com o trator que eles têm.

- Moço, parece que logo vai escurecer e com esta chuva não tem como eu passar a noite aqui.

- Não se preocupe senhora, não vai. Eu ando rápido.

- O senhor vai me deixar aqui sozinha!? Não demore, por favor! - Ana se sente muito amedrontada.

- Tudo bem dona, acho que a fazenda que vi não fica mesmo a mais de cinco quilômetros daqui. Vou tentar voltar logo. Melhor a senhora trocar estes saltos por umas botas. Eles não são confortáveis para este lamaçal.

- Pior que eu nem tenho botas meu senhor!

- Já estou indo. Volto antes do anoitecer, assim espero. Se não conseguir vou enviar ajuda. Há e se ouvir um barulho estranho fique dentro do veículo. A vala é rasa e o carro não vai afundar.

- Isto o senhor nem precisava dizer. Sabe lá que bichos podem ter por aqui! – Neste instante a Ana sente um arrepio na espinha.

- Não se preocupe. O pior que poderá acontecer é aparecer uma onça, mas, como está chovendo...

- Era melhor o senhor não ter dito nada, seu Vicente.

- Já estou indo trazer ajuda. Apenas não se preocupe dona.

E para o desespero da Ana o seu Vicente resolveu realmente ir buscar ajuda na fazenda próxima e ela fica completamente só.

"Se tudo der certo o trator vai resgatar o jipe que está afundado na vala. Se não der tenho que conseguir ajudar, pois esta moça que não sabe onde é que se meteu." – Pensou seu Vicente enquanto saia.

E Ana ficou quase plantada as margens de um igarapé, notou que passou mais de uma hora e nada de seu Vicente voltar.

A Ana olha para cima mesmo com o dia nublado ela percebeu.

- Agora realmente está quase escurecendo mesmo!

Ela começa a se preocupar de verdade e caminha escorregando na lama barrenta perto de onde o jipe está.

Olha em direção ao norte e nada de encontrar nem rastro do rapaz que se perderam na lama.

Já quase no desespero de tanta angústia pega algumas coisas e coloca em sua bolsa bege de mão, ela começa a caminhar na mesma direção que seu Vicente foi ou pelo menos acredita que está indo para a mesma direção.

E vai refletindo com seus botões enquanto gotas enormes de chuva caem sobre sua cabeça.

- Não acredito que nos meus 32 anos de vida, estou me perdendo no meio do mato, com toda esta lama. Meu vestido está só os farrapos e meu salto nem se fala. Bem que seu Vicente disse para calçar umas botas. Que a inútil aqui não trouxe, lógico. Será que cinco quilômetros são muito longe? Meu Deus! Se aparecer uma onça. Sou jovem demais para morrer! – Diz aflita.

Ela sorri com preocupação.

- Não pense besteira Ana, logo vai aparecer um morador de uma fazenda. No meio dessa chuva! É mais fácil cair um raio na minha cabeça. Calma, nem guarda-chuva eu tenho e não está trovejando, o que é um bom sinal com relação aos raios.

Suas lágrimas escorrem misturadas com água da chuva em seu rosto.

- Sozinha neste deserto de lama, contanto que não apareça me uma cobra vai ficar tudo bem.

Ela respira fundo e para um pouco tremendo de frio.

- Vamos ver quanto tempo estou caminhando... 30 minutos!!! E, parece que nem sai do lugar. Este telefone deve ter pifado! Não consegue sinal nem por decreto. – Angustiada ela bate no celular.

De repente Ana levanta a cabeça e. ... escorrega na lama, caindo sentada no chão de barro alaranjado, terminando de sujar o pouco que ainda restava sem lama em seu vestido florido de grife e, ... quebrando um dos saltos de seus sapatos.

- Agora sim, é o fim! E se não aparecer ninguém vou achar ainda melhor, pois agora pelo menos de vergonha eu não morro. A minha make já era, minhas roupas se foram, nem quero falar dos sapatos que ainda nem terminei de pagar. Devem ser falsos, para quebrarem tão fácil com esta quedinha. Nestas horas é que fico feliz de estar só, há, há! Isolada no meio do nada.

- Tá tudo bem por aí? Dona, vim aqui para ajudar...

- NÃOOOOOO!!!

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