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Capa do romance My Good Cultivator Friend

My Good Cultivator Friend

William Thomson trocou o trono pela liberdade de explorar o mundo, enfrentando monstros e vivendo prazeres mundanos apenas com sua espada. Ele era como um animal selvagem e indomável até encontrar Anthony Diniz, um jovem rejeitado por todos, como um gambá. Essa amizade transforma ambos: Anthony descobre a beleza da vida através do cavaleiro, enquanto William vê suas rédeas serem puxadas por esse novo e fofo companheiro de jornada homoafetiva.
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Capítulo 2

"Pisar em Ilha Azul, agita qualquer coração tranquilo. Os olhos vibram ao ver de perto essa bela cidade da Irmélia. Que belo dia, céu limpo e aroma leve das árvores. Perfeito para esse príncipe humilde!".

Foi isso que o príncipe aventureiro de um reino mágico distante pensou, enquanto caminhava calmamente pela rua movimentada por moradores que trabalhavam e davam duro de si para vender as suas mercadorias na Ilha Azul. Ele era um visitante novo que resolveu passar algumas semanas naquela pequena vila da cidade e sorriu pleno quando finalmente chegou, após longas semanas viajando.

William Thomson parou em frente a uma barraquinha, a qual vendia belos acessórios femininos, e passou os seus dedos longos e delgados à procura de um item que lhe impressionasse.

Tudo era fofo e delicado, e os seus olhos se iluminaram enquanto um sorriso se formou nos seus lábios. Esse belo rapaz estava agitado, seu corpo ainda aguentava uma maratona, pois mesmo que tenha acabado de chegar e tenha ficado meses viajando, seu qigong¹ estava equilibrado, e a sua força vital, controlada. Por fim, ele comprou um colar com uma concha valiosa da cor branca na ponta e colocou entre um pano para não danificá-lo.

Aquele presente não era para ele, ao contrário, era para a sua jiejie², que abraçou suas coxas pedindo que lhe trouxesse algum mimo fora do reino Hein. A voz da sua irmã agradecendo pelo colar era tudo o que esse jovem da realeza queria ouvir quando voltasse para o seu palácio.

William era comparado a um Ikemen, que tinha o mesmo significado de 'um rapaz muito bonito'. Ele era alto, com seus um e oitenta e oito de comprimento, seus cabelos eram castanho-claros, lisos e se estendiam até um pouco acima das suas nádegas. Com toda certeza, um deleite aos olhos de todos, um príncipe de sangue puro da família real Thomson. Esse espadachim era um bom cultivador, que carregava sempre a sua espada sagrada na bainha, do lado direito de sua cintura.

Além disso, ele também amava se aventurar, não era comum que ficasse em um único lugar, por vários anos, governando; ele era considerado um príncipe aventureiro de mil faces, que lutava contra cadáveres malignos, monstros mágicos e outras criaturas míticas. Algumas vezes se aventurava nos bordéis em busca de uma noite de primavera e ajudava alguns nobres que passavam em seu caminho. Realmente um bom menino de vinte e três anos.

Seu título (Príncipe aventureiro de mil faces) lhe foi concedido por conta dos seus sentimentos, da sua personalidade alegre, bondosa, caridosa, às vezes um príncipe herdeiro sério, outra calmo, também animado, sorridente, faladeiro, amoroso... Todas as personalidades que os aldeões conheciam: as mil faces de seu coração.

Dentro de um belo robe longo e verde-claro, William retornou a caminhar alegremente pela rua de Ilha Azul. Os moradores curvaram a cabeça enquanto passavam por si; outros ofereciam mercadorias feitas com as próprias mãos, mas ele negava, pois naquele momento resolveu procurar por alguma taverna para comer, já que sua barriga chorava de fome. Ele virou a esquina e seus passos pararam ao observar, um tanto à frente, um grupo de homens ao redor de outro menor que refletia toda a beleza para si. Essa beldade de vestes escuras abaixou a cabeça e olhou os próprios pés cobertos por um par de botas escuras de panos inferiores, enquanto os outros pareciam intimidá-lo.

— HAHAHAH... Que bela comparação Jonas — a pessoa cruzou os braços, divertido, enquanto os outros gargalhavam e mexiam, enojados, no cabelo do pequeno garoto.

— Eca, esse gambá fede! HAHAHAH, tão lamentável. Esse infortúnio insiste em sujar nossa vila. Quantas vezes temos que pedir para você não aparecer mais por aqui? Não nos contamine com suas imundices, ba!

— ... Noah, não adianta falar com esse maldito fantasma faminto. Ele não tem noção e muito menos vergonha, pois aqui ninguém o quer, não depois das coisas horríveis que fez. Mas mesmo que o expulsem, ele tem a ousadia de voltar — suas palavras foram cuspidas, enquanto seu olhar de desprezo queimava aquele garoto. Todos murmuraram irritados.

— Cada dia mais miserável!

Ouviam-se risadas e ironia.

— Sua face é grossa, devemos ensinar uma lição a ele — os quatro (que estavam rodeando e intimidando o garoto menor) concordaram e continuaram com o falatório. William Thomson assistiu por alguns minutos aquela cena diante de si; seu coração parecia cinzas mortas, não se sentiu incomodado e nem nada do tipo, mas, mesmo assim, depois de alguns segundos, abriu o seu adorável leque que estava na sua mão e jogou, como um disco afiado, na direção daqueles moradores.

O leque rodopiou cada um, contornando as faces de todos que estavam intimidando aquele pobre irmão. O elegante objeto retornou para a mão do dono que o levou até a metade do seu rosto delicado e sorriu. Todos olharam em sua direção e, quando o príncipe mostrou a sua face, não foi reconhecido, e isso o deixou feliz. Mas o que ajudou aqueles moradores a saberem que se tratava de um alguém importante, foi um tipo de medalhão com franja que estava pendurado no cabo do leque.

Esse tipo de medalhão da cor prata era diretamente um símbolo que a família e familiares da realeza Thomson usavam para se identificar. Então, apenas ao ver aquele objeto, os guerreiros perceberam que se tratava do jovem mestre do palácio Hein. Todos deram alguns passos para trás, afastando-se da vítima.

— Sua Alteza, por que fez isso? — um perguntou, enquanto assistia-o se aproximar do bando e se acomodar ao lado do garoto, que usava um robe barato da cor cinza-escuro, totalmente velho. — P-Por favor, não se incomode com essa pessoa... — gaguejou.

— Então esse mestre deveria fingir que nada está acontecendo? Impossível... — William fingiu lamentar. Ele batia o canto do leque fechado no seu queixo, enquanto percebia que aquela cena diante de si não mostrava atitudes corretas, já que o garoto parecia ser tão novo, diferente dos restantes, que já eram adultos. — Por que estão dizendo coisas horríveis ao nosso pequeno irmão?

— IRMÃO? — outro gargalhou histérico. — Ele não merece ser chamado assim. Não depois das coisas horríveis que esse monstro fez!

William sentiu-se curioso ao ouvir tais palavras, e seu rosto iluminado virou na direção daquele garoto, que estava um tanto espantado. Talvez o menor não esperasse que alguém intervisse nessa discussão, e essa reviravolta na sua vida o deixou surpreso. O garoto olhou para esse jovem repleto de caridade e observou atentamente aquele rosto muito bonito. Foi ali que esse príncipe herdeiro de mil faces em seu coração se tornou um Deus da perenidade aos olhos alheios.

Para ele, aquele jovem príncipe era um mortal que merecia subir ao céu; já William desejava tudo, menos se tornar uma divindade. Ele ignorou as palavras que aquela pessoa havia dito, afinal, não tinha nada a ver com ele; o que seu coração desejava era simplesmente ter um ótimo dia naquela cidade. Era a sua primeira vez naquele lugar tão bonito, e não queria ser recebido com desordem.

— Meu coração se comove com qualquer pessoa, independente dela ser boa ou ruim. Então, a única coisa que peço é que vocês sigam os seus caminhos — Ele pediu educadamente e todos pararam por alguns minutos para olhá-lo. No fim, alguns daqueles mortais não eram barraqueiros, e demonstraram gestos de menção de que iriam obedecer, já que eles sabiam de qual reino esse jovem veio e não eram bobos de enfrentá-lo.

Alguns deles deram as costas, porém, sempre existia um rebelde entre a roda de amigos e ali não era diferente. Noah Green era essa pessoa e não ousou obedecer. Ele era um homem alto, com boa aparência e não permitiria que seu orgulho fosse ferido por causa de um nobre mimado, e muito menos se diminuísse diante de um infortúnio como aquele gambá covarde.

— Para onde vocês pensam que vão?! — bufou irritado, sem tirar os olhos afiados de William. — Que cara eu terei em dar as costas? Não importa quem seja essa pessoa. Tenho dignidade e meu orgulho fere se eu fugir — ironizou com seu ar de deboche.

William Thomson o encarou pleno, sem mudar suas expressões. Seu olhar era penetrante, a ponto de assustar o grupinho que estava atrás de Noah. Esses moradores sussurraram para que seu o amigo se acalmasse e fosse embora todos juntos, entretanto, o mais velho ignorou irritado ao constatar o tal nobre proteger um assassino.

Isso realmente era muito ridículo!

— Só irei embora, depois que eu acertar as contas com esse gambá repleto de infortúnio — encarou com desprezo o garoto que tinha o porte pequeno e sem aviso prévio, ou mesmo preparação, Noah agarrou uma adaga afiada, que estava escondida entre sua vestimenta vermelha e avançou violentamente na direção de sua vítima, na intenção de feri-la gravemente, e deixar permanentemente uma grande e feroz cicatriz, para nunca ser esquecida.

Aquele garoto arregalou os seus olhos negros com resquícios roxeados em suas íris. Ele não se moveu para se defender, pois por um momento seu corpo desejou que aquela lâmina afiada fosse enfiada bem no centro do seu coração. Então a imagem deste gambá sufocando com o próprio sangue não lhe abalou e seu rosto neutro continuou sem emoção.

Na realidade, esse gambá maltratado estava, cansado; faminto; sujo; e sozinho. Seus dias não tinham cor, ele não queria viver assim, preferia o fim.

Mesmo que no início, tenha se assustado com o ataque, desta vez ele esperou até que a adaga o ferisse, e quando ela estava perto do seu corpo, os seus olhos quase se fecharam, contudo, o que aconteceu logo em seguida o deixou totalmente e completamente sem reação.

Quando a lâmina estava perto de feri-lo, um corpo muito alto se colocou à sua frente, se tornando num escudo humano. Porém, a adaga não atingiu William, pois o recém-chegado usou o seu elegante leque fechado para bloquear o ataque.

A lâmina era bem afiada, mas nenhuma fatalidade aconteceu, nem um corte foi deixado no objeto que estava na mão do príncipe. Isso deixou todos surpresos, até mesmo Noah Green que, por um momento, se viu sem reação, entretanto, no mesmo segundo, ele voltou a si e novamente tentou golpear, e William bloqueou todos os ataques com seu leque dobrável.

Anthony estava sem reação, aquela era a segunda vez que aquele desconhecido lhe protegia, sem ao menos conhecê-lo, ou até mesmo pedir algo em troca, mas se no final ele pedisse? O garoto abaixou a cabeça e desse jeito ficou sem piscar ou sem se mover, enquanto os dois maiores lutavam.

A luta era totalmente injusta, já que um, era um mortal comum, e o outro um cultivador habilidoso. William não gostava de brigar com pessoas comuns e para dar um basta, ele abriu seu leque que estava a todo momento fechado.

O príncipe levantou o seu belíssimo leque para o alto da sua cabeça, e um vento rodopiou o seu corpo, balançando seus cabelos e seu robe verde-claro. Depois ele apontou o objeto na direção do morador, que foi jogado para longe, de encontro a um muro. O impacto não era forte, já que William nunca planejou machucá-lo, somente queria assustá-lo e se sentiu satisfeito, quando viu o grupinho correr ao encontro do amigo.

O morador estava tonto, ele tentou lutar, mas no final, ele era apenas um mortal comum, sem poderes e cultivo. Foi então que percebeu que se continuasse ali, iria acabar morrendo. Depois que os amigos o ajudaram a levantar, todos fugiram para o fim do beco e viraram a esquina, deixando os dois sozinhos.

Tudo se tornou quieto, William Thomson, totalmente satisfeito, observou seu robe e notou que tudo estava perfeitamente alinhado, como se nunca tivesse entrado numa pequena luta. Ele fechou o leque e observou ao redor tranquilamente, com o coração calmo e o rosto sereno, afinal, aquele ocorrido de um minuto atrás era muito comum no seu dia a dia. Bem diferente dos perigos reais que já enfrentou algumas vezes.

Então, com tranquilidade, ele se voltou para o garoto que estava atrás de si e percebeu que o menor era bem simples.

Os seus cabelos longos eram pretos e estavam soltos sem nenhum enfeite além de uma fita trançada e fininha, da cor cinza-escuro, que estava amarrada no meio da testa conferindo-lhe um certo charme. Seu rosto era jovem e muito bonito. Sua Alteza sorriu, esperando pelo "obrigado" do outro, todavia, para sua surpresa, foi ignorado. De qualquer forma, isso não o abalou.

— Qual é o seu nome, pequeno jovem? Meu nome é William e sobrenome Thomson, sou de um reino distante, e você?

— Meu… meu sobrenome é Diniz — ele se referiu a si mesmo de um jeito simples, preferindo não dizer seu nome. William sorriu. Ele não tinha nada mais a falar, então resolveu seguir o seu caminho. Curvando a cabeça, pediu que o garoto se cuidasse e se afastou. Enquanto andava pela rua de areia, ele observava as Pagodas à procura de algum lugar para comer.

Mas, conforme andava pela cidade, seu corpo o alertou de uma presença em seu encalço. Chegou a cogitar ser coisa de sua cabeça, mas teve certeza de que era real quando o vento soprou em seu rosto e pôde sentir um familiar aroma de incenso, o mesmo que havia sentido mais cedo. Ele estava sendo seguido, e quem o seguia era o jovem que acabara de resgatar.

NOTA:

Qigong¹ – Qigong é um termo de origem chinesa que se refere ao trabalho ou exercício de cultivo da energia.

Jiejie² – quer dizer "irmã mais velha."

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