
My Good Cultivator Friend
Capítulo 3
Por um momento, William achou engraçado essa brincadeira do fofo gambá que perseguia o bonito cavalo. Para ele, essa cena era um tanto divertida e, por causa dessa animação, ele passeou por vários lugares a fim de conhecer cada costume. Também se distraiu com algumas apresentações que tinham na rua e, por fim, acomodou-se numa taberna, na intenção de beber um pouco de chá quente.
Ainda era dia e essa pessoa da realeza sabia que, se bebesse álcool, iria embebedar-se e vagar inconsciente para algum lugar desconhecido.
Enquanto saboreava o seu chá, ele resolveu entrar na sua matriz de comunicação espiritual, onde sabia que seus pais e irmãos lhe esperavam. Com sua boca, sussurrou a senha e fechou os olhos, ao adentrar uma sala em seu subconsciente, onde estava totalmente silencioso. Não demorou muito até que uma voz furiosa invadiu o espaço e uma pessoa apareceu, franzindo as sobrancelhas.
"William, você fugiu novamente. Quando vai crescer?" Aquele que gritava era seu pai, o Grande Imperador Thomson, e o garoto sorriu, um tanto sem jeito.
"Meu pai, eu avisei que iria em busca de aventura por alguns meses, mas você estava tão ocupado que não me ouviu, novamente", confessou em suspiro. Não era a primeira vez que isso acontecia e William, por isso, já estava acostumado. "De qualquer forma, estou me comunicando para avisar que estou bem."
"Will! Finalmente você apareceu!" Ao ouvir essa voz gentil e feminina, William Thomson se animou, ao ver sua Jiejie aparecer na sala da matriz, e ele sorriu animadamente, enquanto seu pai reclamava desgostoso sobre o seu filho desobediente. Ele ignorou o imperador e dedicou sua atenção à sua irmã, perguntando por sua mãe e irmão.
"Nosso irmão está numa caçada, já mamãe está comigo, irei chamá-la..." William concordou e, depois, tentou acalmar seu pai, que permanecia irritado. Ele não sabia se ria ou ignorava os sermões que o Grande Imperador jogava nas suas costas. Esse ancião Thomson, tinha a voz estridente, e se ele pudesse, iria até seu filho caçula desobediente e o estrangularia, mas, ali dentro, os corpos eram apenas espirituais, e não físicos.
"Marido, deixa estar, William ainda é jovem, deixe ele conhecer o mundo." A imperatriz entrou na matriz, cortando o barulho de vozes que sobrecarregavam o lugar. Ela desviou o olhar do Grande Imperador e sorriu gentilmente para seu filho, desejando abraçá-lo, mas como ali dentro não existia corpo físico, contentou-se em apenas vê-lo. "Querido, não ligue para seu pai, aqui está tudo bem, então se cuide aí onde está, certo? E se divirta."
"Obrigado, mãe. Bem, irei sair. Em caso de algum problema, entrarei em contato, tá bom?" Antes mesmo dele se despedir, seu pai saiu da matriz. Sua irmã e sua mãe despediram-se. William abriu os olhos e percebeu que o chá que estava em sua xícara havia esfriado, devido ao tempo frio; disfarçadamente, ele espiou entre os cílios e viu aquele garoto escondido. Ele continuava lá, olhando para o chão, enquanto chutava algumas pedrinhas.
William sorriu e chamou a senhora que, alguns minutos atrás, levou-o até a mesa; ao se aproximar do cliente, ela anotou o pedido que o jovem fez.
O príncipe comeu tranquilamente, sem se importar com os longos minutos que passavam diante de si. Satisfeito, ele pagou pela comida e chá. Depois que deixou a mesa para trás, William saiu da taberna com a mão esquerda encostada nas costas e a outra balançando o seu leque, enquanto olhava para a rua movimentada. Ele andou por aquela cidade, curioso em conhecê-la, visitou cada canto, sempre atento naquele garoto que aparentava ter seus dezesseis anos, seguindo-o.
Por um momento, William estranhou, achou isso curioso e percebeu que essa brincadeira de gato seguindo o rato já não era tão engraçada assim. Decidido, o príncipe resolveu montar uma armadilha. Ele entrou num terreno abandonado e rapidamente pulou para o telhado de uma taverna de três andares. Ao ver o garoto entrar, o jovem Thomson pulou de encontro ao menor, empurrando-o contra a parede e posicionando a sua espada, que ainda estava dentro da bainha, no pescoço alheio.
— Por que está me seguindo? — apertou a espada, mas não o machucou, pois a lâmina estava guardada no interior da bainha. Ele somente queria assustar, mas se sentiu surpreso ao ver que o rosto infantil não demonstrava nenhum sentimento, além de frieza.
— Eu só desejo conhecer melhor a pessoa que me ajudou um tempo atrás — disse sem pressa e observou o outro arquear a sobrancelha. William se afastou e sorriu.
— Seguir um desconhecido não é tão legal assim, não tem nada mais interessante para fazer?
Anthony pensou por alguns segundos e não mudou a feição.
— Essa pessoa tem muito tempo livre, para observar de perto o jovem mestre que o ajudou. E como em agradecimento, me tornarei um devoto fiel ao seu templo. — Na realidade, Anthony estava impressionado, afinal, nunca ninguém fez isso antes, nunca ninguém o ajudou, pois, para todos daquela vila, ele era um gambá mal-agradecido que causou a morte de toda a sua família adotiva. Claro que isso era mentira, esse pobre rapaz de dezesseis era apenas uma vítima desde pequeno, nunca teve culpa dos acidentes que aconteceram em sua vida miserável. Ele perdeu tudo, até sua dignidade.
Anthony Diniz perdeu os pais legítimos ainda novos; na época, ele tinha uns cinco anos de idade, depois foi morar nas ruas de Ilha Azul, até ser adotado por uma família boa e bem pobre. Ele ganhou uma nova mãe e um novo pai, sem esquecer que também ganhou uma irmã, e sua vida se tornou novamente agradável.
Anos se passaram; quando Anthony completou os seus quatorze anos, recebeu de presente um acidente gravíssimo na sua casa, onde todos morreram queimados. Dali em diante, ele foi apontado como culpado, foi expulso da vila, passou a ser comparado com um gambá, repleto de infortúnio, de modo que ninguém queria se aproximar, e se viu obrigado a viver nas montanhas como um cultivador arredio, sem uma espada para se defender e com poderes espirituais fracos. Então, sim! Ele tinha muito tempo livre no seu dia a dia. — Gostaria de te seguir daqui para frente!
William sorriu e guardou a sua espada ao lado da sua cintura.
— Por que eu?
— Porque o jovem mestre foi o único que me tratou bem desde que... — Ele ficou mudo e pensou nas palavras certas para usar. — Desde que cheguei aqui nesta montanha — mesmo que a face desse garoto estivesse um tanto sombria e neutra, seus olhos refletiam um brilho de admiração ou algo que chegava quase nisso.
Sua Alteza observou atentamente aquele cultivador em sua frente e sentiu a aura que transmitia de dentro dele. Essa aura não era de um didi² que cometia atos maldosos como aqueles moradores disseram horas atrás, e sim o contrário. Anthony exalava uma essência bondosa. Então, por que ele foi acusado de ser um monstro? Ele ficou curioso, queria descobrir tudo sobre a pessoa à sua frente.
— Me torne seu devoto fiel ou um servo, eu realmente não me importo, só quero ter a possibilidade de andar ao seu lado, ou atrás de você.
William Thomson pensou por um momento ao ouvir essas palavras; em toda sua vida, ele viajou sozinho de aldeias a aldeias, nunca teve alguém ao seu lado para conversar, ensinar o cultivo ou a usar espada. Ao pensar nisso, seus olhos brilharam, seu rosto se iluminou e a sua voz saiu mansa.
— Ter um irmãozinho ao meu lado não é de todo mal — sorriu — Ainda mais esse sendo um pequeno didi. Que seja um bom companheiro de viagem e que me ouça com atenção enquanto conto as minhas histórias de aventuras! — William pegou seu leque dentro da sua manga e abanou lentamente o vento diretamente em seu belo rosto. Ele estava disposto a ter a companhia desse jovem cultivador arredio ao seu lado, pois queria entender um pouco da sua jornada e entender o motivo dos moradores terem tal pensamento negativo acerca dessa pessoa, Anthony Diniz.
Afinal, Anthony carregava uma aura da cor azul, isso mostrava que o garoto em sua frente era ingênuo, inocente e que nunca desviou do caminho da virtude em toda a sua vida. Esse príncipe Thomson nunca errou nas suas deduções, e essa não era a primeira vez que isso iria acontecer.
Anthony sentiu desejo de sorrir, mas não se permitiu fazer isso, pois ele não conhecia esse jovem que carregava mil faces totalmente e verdadeiramente. A única coisa que ele percebeu foi que William Thomson era de sangue nobre; suas vestes verdes eram de um tecido fino e delicado, seus longos cabelos castanho-claros estava uma parte presa no topo e o restante solto, ele enfeitava a cabeça com grampos e joias pequenas. É... a diferença entre os dois era gigantesca, mas a beleza de ambos batia de igual a igual.
NOTA:
Didi – Significa irmão mais novo.
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