
My Fake Boyfriend
Capítulo 2
[Lucas Pov].
Desço do carro e vou ver se a garota está bem, tivemos sorte da rua está completamente vazia.
Fui em direção a ela que estava deitada no asfalto, chorando.
- Ei você é maluca? Poderia ter morrido!
Ela não diz nada, apenas me olha e continua no chão chorando.
Que droga.
- Vem, levanta daí. - Estendi minha mão para ela, que aceitou.
Quando ela se levantou, limpou a areia que havia em seu corpo e enfim olhou pra mim.
Como a rua era escura eu nem tinha a reconhecido antes, mas agora, frente a frente vejo que atropelei Bianca Martinez, a nerd do colégio.
- Obrigada pela ajuda... E por frear também. - Ela diz sem graça.
- Tudo bem, preste atenção da próxima vez. Está bem?
- Sim estou, mas a petúnia não! - Ela fala levantando a bicicleta do chão, que estava com o pneu torto e o aro meio amassado.
- Petúnia? Que nome ridículo. - Disse tirando sarro e ela apenas me olha séria.
- Você vai pagar o conserto da minha bike!
- Não vou não, você que se jogou na frente do meu carro!
- Mas você está na contramão!
- Eu não estou... - Levanto o olhar e vejo que realmente estava na contramão. - Tudo bem eu compro uma bicicleta nova pra você.
- Não quero uma nova, quero que mande consertar Petúnia! - Retruca batendo o pé, como uma criança mimada.
- Esse pedaço de ferro velho não vale a pena mandar consertar, é mais simples te dar uma nova!
- Pode não valer nada para você, mas têm valor sentimental pra mim seu idiota. Levarei ela numa oficina e enviarei a conta pra você. - Ela diz me dando as costas enquanto coloca a bicicleta velha em cima da calçada e se senta no chão.
- Se é a assim que você quer, tudo bem.
Dou de ombros e volto ao meu carro, ligo e passo para faixa certa, fico observando pelo retrovisor a garota sentada na calçada daquela rua escura e vazia, alguém pode aparecer para fazer algum mal pra ela, é melhor voltar. Pensando assim, dou a ré.
Paro o carro, desço e vou em sua direção, ela não percebe minha presença até eu sentar ao seu lado, e levanta o rosto para observar o asfalto a sua frente.
Estava chorando.
- Sei que não somos amigos, mas, o que houve com você?
Ela fica em silêncio alguns minutos e pensei que não iria me responder.
- Muito provável que saiba que eu namoro né? Namorava no caso.
- Sim, namora o engomadinho do Cedric Green.
- Então... Ultimamente ele andava bem estranho sabe, principalmente hoje, decidi ir até a casa dele para conversar e quando chego lá, ele estava na cama com minha melhor amiga. - Ela fala enquanto soluça por causa do choro.
Que desgraçado!
Bianca não é o tipo de garota que faz todos os caras suspirarem de desejo, eu particularmente nunca nem reparo sua existência, definitivamente não faz meu tipo. Mas ela é bonita e meiga do seu jeito, até porquê aos olhos de Deus somos todos bonitos. Mas enfim, o namorado dela é um idiota.
Ninguém merece passar por isso, inclusive com sua melhor amiga.
- Eu sinto muito Bianca, mas não fique se lamentando por isso. Quem perdeu foi ele.
- Você acha? - Ela finalmente fala me olhando e os olhos da garota estão brilhando, e não era apenas pelo choro.
- Para ser sincero não sei nada sobre você e nem te conheço, mas na minha opinião se ele não quis esperar você, ou ficava com as outras mesmo comprometido, o mau caráter é ele e não você. Tenho certeza que você merece mais que isso. - Digo dando de ombros.
- Obrigada Lucas... Apesar de ter me atropelado, eu agradeço pelas palavras e companhia!
Soltei uma risada fraca.
- Eu sou uma ótima companhia, eu sei. Você também não é tão insuportável como eu pensei. Mesmo que a gente não tenha conversado muito, acredito que seja uma garota legal.
- Apesar de sua fama e cara de mau, também é um garoto legal.
- Não, não sou.
- Se não fosse... acho que nem estaria aqui.
Fico em silêncio.
- Acho que vou para casa, amanhã temos aula. - Ela diz se levantando indo em direção a bicicleta, e também fico de pé.
- Vem, eu te dou uma carona.
- Não precisa, eu vou andando.
- Claro que não, vem logo, eu te levo pra casa.
- Mas o que eu faço com Petúnia?
- Cabe no meu porta malas, vem.
Ela concorda, vamos até o carro e eu pego a bicicleta, abro o porta malas e a coloco lá.
Entramos no carro, ela me diz seu endereço e o trajeto foi feito em silêncio, mas não um silêncio constrangedor, estava confortável.
Os dois perdidos em seus próprios pensamentos. Me lembro da proposta dos meus pais e penso que tenho que conseguir alguém para me ajudar o mais rápido possível.
Olho para o lado e percebo que estou com a rainha dos CDFs.
- Bianca, posso te fazer uma proposta? - Digo quebrando o silêncio assim que estaciono em frente de sua casa.
- Depende do que se trata.
- O que acha de ser minha professora particular? Preciso de uma ajuda nas aulas para entrar na faculdade, e acho que você seria uma boa.
Ela me olha com a testa franzida, então continuo.
- Eu posso te pagar por isso!
- Lucas, para você tudo se resume em dinheiro e pagar?
Praticamente sim, mas ela não precisa saber disso.
- Bom, você estaria "trabalhando" então eu pagaria você.
- Não quero seu dinheiro obrigada, a não ser que seja para o conserto de Petúnia, fora isso não quero. Você não tem fama de uma pessoa boa influência.
- Não vai me ajudar?
Ela faz que não com a cabeça e desce do carro.
- Abre o porta malas pra mim tirar minha bike, por favor.
Apertei o botão para abrir o porta malas, e ela retirou a bicicleta fechando a traseira do carro em seguida, veio até mim que estava sentado no banco do motorista.
- Obrigada pela carona, até outra vez.
Se vira e vai até a porta, entrando na casa.
Dou partida no carro e vou para casa, já estava tarde e eu espero que aquela festa tenha acabado.
[Bianca Pov].
Depois de entrar em casa decido subir para o banheiro, e tomar um banho para ir dormir.
Após o banho estou aqui sentada na cama enquanto penso em tudo que aconteceu.
O caso de Cedric foi realmente difícil para mim, mas eu também não posso ficar me lamentando, ele não foi forçado a fazer aquilo.
Lucas estava certo, ele não me merece.
Apesar de ser um arrogante, até que hoje ele estava diferente.
Acho que fui um pouco rude em não aceitar sua proposta para ajudá-lo com os estudos, mas já passou, talvez amanhã ele nem se importe e procure outro ou outra para o ajudar.
[...]
Amanheceu e aqui estou eu, já pronta tomando meu cereal para ir a aula.
São 7:40 e nesse horário eu ainda estaria saindo do banho, mas sem Petúnia terei que pegar o ônibus escolar que passa às 8 em frente da minha casa.
O ônibus começa a ficar lotado muito rápido, chegamos na escola às 8:50, então praticamente corro para a aula de literatura do professor Adolf.
Quando entro na sala, a grande maioria já estava com suas duplas, olho para a mesa que costumo ficar e lá estava Caty, não queria ficar perto dela nem um segundo, então decido ficar sozinha na mesa no fim da sala.
A aula havia começado há uns 20 minutos, e eu só conseguia ficar de cabeça baixa em meus próprios pensamentos, rejeitando ligações e ignorando mensagens.
Cedric não parou de mandar mensagens nenhuma só vez, e já não estava mais suportando.
A porta da sala é aberta por uma pessoa que chegou atrasada. Não fiz questão de ver quem era, até ele parar do meu lado.
- O que está fazendo sentada no meu lugar? - Ele fala sentando do meu lado. Fazendo minha dupla, que anteriormente estava vazia.
- Eu vou ficar aqui apenas hoje, não se preocupe. - Digo e meu celular toca, desligo a chamada sem nem olhar de quem se trata, porquê já sabia.
- Por que não está sentada lá na frente com seus amigos nerds como sempre? - Ele pergunta com tédio.
- Minha dupla era Caty, e não quero ficar perto dela depois do que aconteceu.
Ele respira fundo quando meu celular toca novamente, rejeito a ligação pela 5° vez desde que ele sentou ao meu lado.
- Não vai atender?
- Não quero falar com ele. Acredita que ontem ele me mandou inúmeras mensagens dizendo que deveríamos voltar, estava arrependido da merda que fez e disse, mas eu não ligo. Ele está agindo como se eu fosse dependente dele e não é isso que acontece. - Falo, e só aí me dei conta de que dei mais informação do que deveria.
Por que me sinto tão confortável para desabafar com ele, sendo que nem somos amigos?
Acho que ele é um bom ouvinte, deve ser isso.
- Acho que deveria atender e conversar com ele, você não é obrigada a voltar.
- Será que devo? - Pergunto e ele assente. - Você está certo! Acho que vou ao banheiro e atendo a chamada.
- Vai lá. - Responde do jeito desinteressado de sempre, e me dá espaço para passar.
Me levanto e peço ao professor para sair, ele autoriza e já fora da sala atendo a ligação de Green.
- O que quer? - Digo assim que atendo.
- Quero que me perdoe e volte para mim, só isso!
- Não me faça rir Cedric, você sabe o que fez, não tem perdão ou desculpa que conserte ou me faça esquecer. Não vou voltar com você.
- Bibi, você sabe que tem que voltar para mim. Somos uma boa dupla lembra?
- Não me chame de Bibi. E sim exatamente, fazíamos uma boa dupla e não um bom casal, não irei voltar. Agora para de me ligar!
- Tudo bem, se é assim vou deixar você em paz, mas eu sei que você não vai me esquecer. E irá voltar atrás de mim uma hora outra. Nenhum cara vai amar você como eu amei, Bia. Se lembre disso.
- Isso é o que você acha!
E foi a minha vez de desligar na cara dele.
Cretino, se ele acha mesmo que não vou esquece-lo, está muito enganado.
Volto para sala e a aula já está terminando, vou para meu lugar e Lucas se vira pra mim.
- E aí? Deu certo? - Ele pergunta curioso.
- Aparentemente sim, não voltei com ele, mas continua alegando que não o esquecerei e que ninguém vai "me amar como ele amou".
- Então você tem que provar para ele que nem se lembra que um dia namoraram. Que a traição dele não te afetou. E que já superou, faça ele saber que não é tão importante assim, e que não está nem aí para o término. Você tem que ferir o ego.
- E como eu faço isso?
- Mostrando para ele que você já está em outra, arranjando outro namorado.
- Tá, isso é fora de cogitação, acabei de sair de um relacionamento e já vou entrar em outro? Quero distância.
- Use seus dois neurônios Martinez. Não precisa ser um namorado real, arranje um namorado falso apenas para ele sair do seu pé.
- Você acha que isso daria certo?
- Claro que sim, não há nada melhor a fazer do que ferir o ego elevado dele, que está achando que você está sofrendo e nunca vai esquece-lo.
- Talvez você tenha razão, mas não é uma opção para mim.
- Você que sabe, foi só uma sugestão. - Ele diz dando de ombros.
A aula terminou e saímos a caminho das outras que faltam.
Hoje decidi almoçar sozinha, não deveria estar me "escondendo", até porque a vítima fui eu, mas também queria evitar o interrogatório de Hannah.
Ela se tornou uma amiga importante pra mim, me protege de tudo, com certeza ia surtar depois de eu contar. Éramos um trio inseparável, sempre nós três, até que Caty se afastou de Hannah fazendo nosso trio inseparável, se separar.
Apesar de Hannah ter seu outro grupinho de amigos, ainda somos muito íntimas. Nunca perdemos a conexão.
Preferi evitar o interrogatório, e ir almoçar em qualquer outro lugar que não seja o refeitório.
Passei o dia pensando no que Lucas havia me dito. Até pensei em considerar a ideia, mas achei melhor deixar para lá, não gosto de mentir.
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