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O Império Do CEO E A Secretária Marcada

8.3 / 10.0
Hellen vê seu sonho na Blackwell Corporation virar pesadelo ao trabalhar para Gustavo, um CEO frio e calculista. Entre o desejo proibido e o controle absoluto dele, ela recebe avisos anônimos de que corre perigo naquele andar. Alvo de uma trama sombria que visa derrubar o império de Gustavo, Hellen fica entre a fuga e a entrega. Agora, o temido executivo deve decidir se protege seu legado ou a secretária que marcou seu destino em um jogo de poder.

O Império Do CEO E A Secretária Marcada Capítulo 1

Eu sempre achei que prédios altos demais pareciam ameaças veladas.

Como se dissessem, silenciosamente:

"Aqui em cima é o topo. Poucos chegam, menos ainda sobrevivem."

E naquele dia, parada na calçada, eu tinha certeza de que o prédio da Vasconcellos Holding estava rindo de mim.

Vinte e cinco andares de vidro e aço.

Logotipo dourado.

Porta giratória que parecia engolir gente.

E eu ali na frente, com meu currículo amassando na pasta, a mão suando e a única pergunta ecoando na minha cabeça:

O que eu estou fazendo aqui?

Respirei fundo.

- Você precisa desse emprego, Hellen - sussurrei para mim mesma. - Entra logo antes que desista.

Entrei.

O ar frio do saguão me cortou a pele, como se o prédio tivesse seu próprio clima. O mármore brilhava a ponto de refletir meu rosto tenso. Recepcionistas impecáveis, ternos caros, saltos que batiam no piso com segurança demais.

Eu me senti deslocada na mesma hora.

- Bom dia - disse para a moça da recepção, tentando parecer confiante. - Eu... sou a nova secretária do senhor Gustavo Vasconcellos.

Ela me analisou de cima a baixo. Não com desprezo, mas com curiosidade. Como se estivesse testando se eu servia para aquele mundo.

- Nome?

- Hellen... Hellen Morgan.

Ela digitou algo, assentiu e sorriu - um sorriso profissional, treinado.

- Sim, seu cadastro já está aqui. Pode subir, vigésimo quinto andar. A assistente executiva vai recebê-la.

Vigésimo quinto.

O topo.

Ótimo. Se fosse pra cair, pelo menos seria de bem alto.

O elevador subiu rápido demais. Meus ouvidos chegaram antes da minha coragem. A cada andar que passava, eu me lembrava do pouco que sabia sobre ele.

Gustavo Blackwell .

Frio.

Temido.

Implacável.

CEO mais jovem a dominar o mercado em tão pouco tempo.

Matérias de revista falavam sobre números, fusões, poder.

As fofocas... falavam de outras coisas.

"Ele não sorri."

"Demitiria alguém no meio do corredor sem piscar."

"Nunca mistura trabalho com prazer... mas quando mistura, não volta atrás."

O elevador apitou. Vigésimo quinto.

As portas se abriram e, por um segundo, eu quase apertei "térreo" de novo.

O andar da presidência era diferente do resto da empresa. Mais silencioso. Mais amplo. Menos gente circulando. Vidros, salas envidraçadas, mesas bem alinhadas. Tudo parecia caro. Tudo parecia organizado demais.

Uma mulher alta, de coque perfeito e roupa social impecável se aproximou de mim com uma prancheta na mão.

- Você deve ser a Hellen. - A voz dela era firme, mas não hostil.

- Sou sim.

- Eu sou a Camilla, assistente executiva do senhor Blackwell . Trabalho diretamente com ele há cinco anos. - Ela me examinou com atenção. - A partir de hoje, você será a secretária dele. Isso significa que vai ver coisas que os outros funcionários não veem. Erros aqui em cima não existem, entendido?

Engoli seco.

- Entendido.

Ela fez um sinal com a cabeça, satisfeita.

- Ótimo. Vou te mostrar sua mesa.

Caminhamos por um corredor que levava a um espaço menor, mas ainda luxuoso. Minha mesa ficava exatamente em frente à porta do escritório principal.

A porta de Gustavo Blackwell .

Minha barriga revirou.

Camila apontou para a mesa.

- Aqui você vai atender ligações, organizar a agenda, controlar acesso à sala dele e filtrar tudo o que chega até o senhor Blackwell . Ninguém entra sem passar por você. Se ele disser "não quero ser incomodado", nem Deus entra.

Dei um sorriso nervoso.

- E eu... já posso conhecê-lo? - me odeiei por soar tão ansiosa.

Camila fez algo parecido com um sorriso curto.

- Ele sabe que você entrou hoje. Mas não pediu para chamar você ainda. - Ela olhou para o relógio. - E um aviso: pontualidade é tudo. O senhor Blackwell odeia atrasos, odeia desculpas e odeia improviso.

"Perfeito. Igualzinho ao tipo de gente com quem nunca deu certo na minha vida."

Assenti.

- Eu entendo.

- Ótimo. Comece organizando essa agenda. - Ela colocou um tablet e alguns documentos sobre minha mesa. - E lembre-se: você pode não estar sendo vista... mas sempre está sendo observada. Principalmente aqui.

Era para ser apenas um comentário profissional. Mas algo na forma como ela disse "observada" me deu um arrepio estranho.

Passei a primeira hora olhando a agenda lotada dele. Reuniões, jantares, conferências, viagens. A vida de Gustavo parecia uma sequência interminável de compromissos. Nada de horário livre. Nada de descanso.

Nem uma linha que dissesse "respirar".

- Mr. Blackwell vive mais aqui do que em casa - ouvi uma voz masculina atrás de mim.

Me virei.

Um homem de sorriso fácil, barba bem feita e gravata frouxa encostava na divisória ao lado da minha mesa.

- Você deve ser a nova.

- Sou - respondi, um pouco desconfiada. - Hellen.

- Lucas. Diretor financeiro. - Ele estendeu a mão. - E antes que pergunte: não, eu não sou como ele.

- Como... O senhor Blackwell?

Ele riu.

- Frio, intimidador e alérgico a sorrisos. - Deu de ombros. - Mas é um gênio. E é por isso que essa empresa é o que é.

- Dizem que ele é... difícil.

- Dizem pouco. - Lucas piscou. - Não se assuste. Se você chegou até aqui, é porque aguenta mais do que parece.

Eu arqueei a sobrancelha.

- Isso é um elogio ou um aviso?

- Os dois. - Ele ia saindo, mas parou e virou o rosto de novo. - Ah, e outra coisa, Hellen...

- Sim?

- Aqui em cima, nem todo mundo fica feliz quando alguém novo entra. - Ele apontou com o queixo para o corredor. - Se começar a notar olhares estranhos, cochichos ou coisa assim... não leve para o pessoal. Ou... leve. Depende.

- Isso é muito tranquilizador, obrigada - murmurei, com uma ironia que o fez rir.

- Bem-vinda ao topo - disse, antes de ir embora.

Fiquei sozinha de novo.

Mas, pela primeira vez, tive a sensação incômoda de que não estava só.

E então, eu ouvi.

- Camilla. - A voz veio de dentro da sala à minha frente. Grave. Firme. Com um tipo de autoridade que parecia uma ordem mesmo quando era apenas uma chamada.

Meu coração disparou.

A porta dele se abriu. E, por um instante, o mundo realmente parou.

Ele era ainda mais impressionante do que nas fotos.

Alto. Ombros largos. Terno escuro sob medida. Relógio caro no pulso. A barba bem feita marcando o maxilar. Os olhos... ah, os olhos.

Escuros. Profundos. Avaliadores.

Olhos de quem estava acostumado a mandar - e a ser obedecido.

Os olhos de Gustavo Blackwell pousaram em mim.

E minha respiração esqueceu como funcionava.

- Essa é a nova secretária? - ele perguntou, sem desviar o olhar.

Camilla se aproximou.

- Sim, senhor. Essa é a Hellen Morgan.

Ele não veio até mim. Não sorriu. Não estendeu a mão.

Apenas me analisou. Como se estivesse decidindo se eu servia ou não.

- Já leu meu contrato de confidencialidade, senhorita Morgan?

- Sim - menti. Eu só tinha assinado, na verdade.

- Ótimo. - Ele cruzou os braços. - Tudo o que entra e sai dessa sala passa por você. Ligações, nomes, documentos. Se algo vazar daqui, eu não vou atrás da imprensa, nem da concorrência. Vou atrás de quem deixou escapar.

Engoli em seco.

- Não vou decepcionar, senhor.

Um canto da boca dele quase se moveu. Quase.

- Veremos. - Ele se virou para voltar à sala, mas parou na porta. - Ah, e Hellen...

Meu nome na boca dele causou um efeito estranho em mim.

- Sim?

- Eu detesto atrasos. - Seus olhos desceram até o relógio no meu pulso. - Hoje você chegou três minutos antes do horário. Continue assim. Um minuto de atraso, e você está demitida.

Ele entrou. A porta se fechou.

Eu só então percebi que estava prendendo o ar.

O restante da manhã foi uma mistura de caos e adrenalina. Telefonemas, recados, confirmações de reunião. Gustavo não saiu da sala, mas sua presença parecia ocupar o andar inteiro.

Era como trabalhar na porta da jaula de um animal selvagem. Você não o vê o tempo todo, mas sabe que ele está ali. E, em qualquer momento, ele pode sair.

No início da tarde, Camilla me chamou para levar alguns documentos para ele.

Minhas mãos suavam quando bati na porta.

- Entre.

Entrei.

A sala dele era grande, mas não excessiva. Tons escuros, mesa ampla, uma parede inteira de vidro mostrando a cidade lá embaixo. Ele estava em pé, de costas para mim, olhando pela janela.

- Os relatórios, senhor - falei, me aproximando.

Ele se virou devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo.

- Deixe aqui. - Apontou para a mesa, os olhos deslizando pelo meu rosto por um segundo a mais do que o necessário.

Senti meu estômago revirar. Um tipo de tensão elétrica. A sensação de que eu estava onde não deveria estar - e, ao mesmo tempo, exatamente onde queria.

Coloquei os papéis sobre a mesa.

Quando me virei para ir embora, ele falou de novo:

- E, Hellen...

Parei.

- Sim?

- Evite conversas desnecessárias com diretores no horário de trabalho. Algumas pessoas confundem cordialidade com intimidade.

Demorei um segundo para entender.

Lucas.

Ele tinha visto Lucas conversando comigo.

- Não vai se repetir, senhor - respondi, a voz um pouco mais firme do que eu esperava.

Por um instante, algo brilhou nos olhos dele. Como se tivesse gostado da minha resposta.

- Pode sair.

Saí, o coração aos pulos.

"Ele é possessivo até com o ar que as pessoas respiram", pensei, voltando à minha mesa.

Foi então que vi.

Um papel pequeno, dobrado, em cima do teclado.

Eu tinha certeza de que, quando levantei para ir à sala dele, não havia nada ali.

Olhei em volta.

O corredor estava vazio.

Peguei o papel, com o coração estranhamente acelerado, e o abri.

A mensagem era curta.

Letras maiúsculas, traçadas com força.

VOCÊ NÃO DEVERIA ESTAR AQUI.

ALGUMAS PESSOAS DESAPARECEM NESSE ANDAR.

Um arrepio gelado percorreu minha coluna.

Por um segundo, achei que fosse alguma piada idiota de corredor. Mas havia algo naquelas letras... algo sombrio.

Dobrei o papel rápido e o guardei na gaveta, tentando engolir o medo.

Mas era tarde demais.

Porque, a partir daquele momento, eu soube:

Alguma coisa naquela empresa não era apenas sobre negócios.

E, sem querer, eu tinha acabado de entrar no lugar mais perigoso da minha vida.

Entre o lobo...

E quem queria me ver sangrar.

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