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Capa do romance •MINHA MULHER•

•MINHA MULHER•

Hanna Blunt fugiu por anos da violência do pai, Alaric. Ao retornar a Nova York com a mãe, ela teme reviver o passado sombrio. Contudo, um encontro inesperado muda tudo: após uma noite intensa com Declan Goode, irmão de sua amiga e líder de um clã mafioso, Hanna descobre que se envolveu com um homem perigoso. Agora, além de escapar das garras do pai, ela precisa lidar com a perseguição obsessiva do possessivo e sedutor Declan.
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Capítulo 2

HANNA • NARRANDO -Lanchonete-

— Não quero sair, ainda mais para uma boate, que seja aqui em casa mesmo. Podemos nos divertir aqui — Digo contrariada a ideia de Agatha e Carla.

— Deixa de ser chata, vamos sair! — diz Agatha, quando quer consegue ser uma megera assim como Carla.

— Para quê ir para festa? Sabem que não gosto de barulho e gente encostando em mim — digo emburrada.

— Faz isso por nós, Han! — Carla e sua carinha de pidona. — Poxa, passamos tanto tempo sem você. Só queremos aprontar como antigamente, dançar, fazer tudo que tínhamos vontade de fazer e agora legalmente podemos.

Quando mais nova, falávamos sobre a vontade de ir a uma boate, uma festa de verdade. Sem ninguém para ditar regras, simplesmente beber, dançar, beijar sem ninguém para te julgar. Com tantos ocorridos acabei por esquecer que ainda sou jovem que devo aproveitar a vida, com as loucuras do meu pai acabei por me fechar para essas coisas, o medo dele nos encontrar me deixava apavorada. E cá estamos nós onde tudo começou, onde ele a qualquer momento pode aparecer.

— Não seja uma amiga má, tenho até a roupa que usará essa noite — essa Agatha não tem jeito. — Hoje você vai tirar esse atraso.

— Não concordei em ir — pego o resto dos copos da última mesa da lanchonete. — Vocês vão acabar me fazendo ser demitida.

— Pode ter certeza que não. Passo as nove na sua casa, esteja pronta ou serei obrigada a arrastar você. Antes que diga qualquer coisa, tenho seguranças e sabe?! Eles fazem tudo que mando — avisa, na verdade isso pareceu mas como uma ameaça. Olho para Carla que apenas dá de ombros.

— Estou do lado dela. Você tem que se divertir um pouco, e nada melhor que com suas melhores amigas — Carla se despede com um beijo no meu rosto.

Respiro fundo. Quero me divertir mas uma parte minha diz para que fique em alerta, estamos em território inimigo. Alaric nunca fez mal a mim, nunca moveu um dedo para me machucar, mas ele me feria do pior jeito que era fazendo coisas absurdas com minha mãe.

◇◇◇

Mais tarde naquele dia que parecia não ter fim, consegui finalmente acabar com tudo que tinha para fazer, não pensei que fosse ser tão cansativo.

Derek passou por aqui mas não parecia ter a intenção realmente em me ver, procurava por alguém que deduzir ser Carla, ainda não os questionei. Como estava na hora do meu expediente não pude lhe dar a devida atenção, então não nos falamos muito.

Quando fui atender uma mesa que fica do lado de fora, deu tempo de ver com clareza para confirmar minhas suspeitas. Carla e Derek estavam tendo um caso, mas porque não me falaram nada? Será que Agatha sabe de alguma coisa?

◇◇◇

Chego em casa já se passavam das sete horas estou cansada e tenho vontade apenas de tomar banho e dormir. Acordar cedo nunca foi meu forte mas com o tempo me acostumei, isso faz parte da minha rotina diária desde criança.

— Filha, como está no trabalho? — mamãe está na sala. — Aconteceu alguma algo por lá?

Estranho sua última pergunta

— Está tudo muito bem mãe — sento do seu lado, mas ela não fez movimento algum para me abraçar como de costume. — Aconteceu alguma coisa? Porque a última pergunta?

— Não há nada filha. Só quero saber, você sabe o porquê — fala normal.

— E no seu trabalho, tudo normal? — pergunto, ela está um pouco estranha.

— Sim, sim filha. Tudo está indo bem até demais — franziu de leve a testa.

— Isso não é bom mãe?

— Não sei filha.

— Acha que ele sabe da nossa volta?

— Tenho certeza que sim filha... — não termina de falar .

— O que é, mãe? Porque está com semblante abatido?

— Nada filha, só estou um pouco preocupada, nada demais — sorri — Agatha disse que vão sair hoje.

Muda de assunto, prefiro fazer isso também, no momento.

— Sim, mas não estou afim de ir.

— Como não filha?

— Não quero deixar você aqui sozinha. E não quero sair.

— Nada disso! Você vai! Precisa se divertir — se levanta, e me puxa.

— Mas mãe...

— Sem essa. Você tem que sair.

— Quero ficar com a senhora!

— Ficarei feliz se for. Quero ficar um pouco sozinha — bufo.

— Está bem!

◇◇◇

Tomo um banho demorado, faço tudo que preciso fazer, não sei o que me espera essa noite. Hoje irei me divertir, acho que mereço. Faço depilação deixando tudo no zero, é assim que gosto, faço hidratação e foco na hora pois não tenho muito tempo. Agatha disse que tem uma roupa para mim.

Saiu do banheiro enrolada na toalha, olhei para cama e ela parecia me chamar para seu encontro.

Caminho na direção dela.

— Nem pense nisso! — sou interrompida por Agatha que entra no meu quarto.

— Uau! Quem vai ser o sortudo dessa noite? — a elogio pois está muito linda.

— O de sempre! — revira os olhos.

— Quem é o de sempre? — pergunto. Ela bate na própria testa.

— Logo conhecerá. Agora se vista logo, quanto mais cedo chegar, mais tempo teremos para aproveitar a noite.

Ela me entrega uma sacola onde tem a roupa que escolheu para mim.

— Espero que não seja nada muito indecente.

— Que isso? Desde quando uso algo indecente e ainda faço isso com alguém?

Faz cara de indignada. Ela às vezes veste roupas nada grandes, pelo menos era assim quando morava aqui.

— Você sabe, Agatha!

— Ah! Vai logo se vestir .

◇◇◇

Olho-me no espelho e gosto do que vejo. Saiu do meu mini closet e Agatha que até então estava no celular, direcionou seus olhos para mim.

— Eita que hoje esse atraso sai de vez — fala Agatha mostrando uma expressão maliciosa. — Hoje a noite é toda nossa.

Respiro fundo, expulsando o receio e nervosismo. Saímos do quarto ao encontro da mamãe e a Carla.

— Minha filha é tão linda! — diz admirada.

— Tive para quem puxar — digo sorrindo, minha mãe é linda.

— Filha tome cuidado, se divirta mas com sabedoria. Assim como você, Ágatha, cuide do meu bebê.

Aconselha sábia.

— Claro, tia, Hanna está em ótimas mãos.

Mamãe fez uma expressão engraçada de quem sabe como as coisas funcionam numa boate.

— Aliás, qual a boate que iremos?

— Numa da minha família, ela é a melhor. Meu irmão é o dono de lá, então a área vip nos espera — diz eufórica.

Alguns minutos depois..

— Meu irmão vai pirar! — diz Agatha quando estamos indo para o carro. Iremos passar na casa de Carla.

— Parecem gêmeas, estão divinas! — elogia Derek, e sorri.

— Realmente — digo.

— Tenho que concordar. Mas claro que eu estou mais bonita — gargalha Agatha, e eu a acompanho, essa mulher não se acha mais porque é só uma. — Espera até ver a Carla, seremos as trigêmeas mais lindas.

— Ela está que nem nós duas? —

pergunto animada.

— Basicamente sim, só muda o modelo porque os detalhes são os mesmos. Pensei em tudo, sabia que não iria se importar.

Partimos rumo a casa de Carla. No caminho ouvindo música e comentando sobre os homens da cidade ela comentou um pouco sobre seu irmão pelo qual não recordo muito, logo que fiquei amiga de Agatha, ele partiu para Itália. Nunca o vi nem mesmo por foto, mas Ágatha sempre comenta a respeito.

Pegamos Carla que estava uma deusa num vestido que moldou suas curvas. Percebi o olhar duro de Derek para ela, pareceu não gostar da roupa dela.

◇◇◇

Assim que chegamos ao nosso destino, a fila estava imensa mas era bem diferente de tudo que já vimos. Tudo de maneira organizada e chique.

Como esperado, entramos logo. O som da música cai sobre meus ouvidos de imediato fico um pouco incomodada, a cada passo que dou para dentro do lugar. Não estou acostumada com isso.

— Hanna, não suma da minha vista — Agatha fala por cima da música. — Tem gente aqui, que como posso dizer?!. Não tem boa índole.

— Como? — fico confusa.

— Só fique perto de mim. Não se preocupe, nada acontecerá. Derek está nos vigiando — pisca para mim, mas fiquei desconfiada com o que disse.

— Não devia ter vindo —murmuro para mim mesmo. A maioria das pessoas aqui parecem ricas, e não era de se estranhar pois o dono é um Goode.

— Relaxa, Hanna, estamos seguras. Só comentei para não dar confiança para qualquer homem. Vou pegar umas bebidas. Já sabe — sai me deixando com Carla que está mais calada que o normal.

— Algum problema? — pergunto.

— Não, claro que não — responde sem jeito.

— Tem certeza? — insisto.

— Sim, cabrita! — confirma, e estranho me chamar daquela forma, sendo que somente Derek usa esse apelido.

— Você parece distante e nervosa — digo, é notável em seu rosto isso.

— Não é nada, não se preocupe. Que tal dançarmos? — muda de assunto, e a entendo.

Agatha volta com as bebidas, e puxa eu e Carla para dançarmos, descemos as escadas já que não me dou muito bem com elevadores. Entramos no meio dos demais que estão dançando. Resolvo aproveitar. Fecho meus olhos e me entrego às batidas da música. Danço sensualizando se tem algo que sei fazer é dançar, nem lembrava disso.

Meu corpo está suado pelos movimentos que faço de acordo com o som. Paro por um momento e me ajeito para amarrar meu cabelo.

— Não os prenda!

Os bicos dos meus seios enrijeceram, ao ouvir uma voz extremamente rouca e sensual no meu ouvido.

Fico parada ainda pegando os fios do meu cabelo, sinto mãos ásperas e pesadas passarem por meus braços os abaixando, fazendo-me parar o que fazia.

O desconhecido de mãos grandes e quentes passaram por minha cintura, apertando. Ele me virou para si e precisei de todo meu autocontrole para não babar olhando para a paisagem perfeita.

Olhos claros um pouco sombrios, boca desenhada. Sobrancelhas grossas, barba por fazer. Forte. Tinha o corpo grande e musculoso.

Seu olhar é intenso e sedutor, sentindo-me incendiar por dentro

Hoje tiro o atraso.

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