Capa do romance Cativa do Submndo

Cativa do Submndo

8.9 / 10.0
Lilith Ferretti Belladonna, a temida Rainha de Copas, exige o pagamento de uma dívida ancestral. Para salvar sua linhagem, a família La Notte entrega a primogênita, Eliza Angie, como quitação viva. Nesse cenário de máfia e poder, o contrato evolui para uma tensão obsessiva. Entre ordens e silêncios, a resistência de Eliza colide com o desejo sombrio de Lilith, que agora busca a entrega voluntária de sua cativa. Um romance sáfico dark onde a posse se torna a única lei.

Cativa do Submndo Capítulo 1

"Eu sei o que é ter alguém que você ama preso em outro mundo, querendo uma coisa e tendo outra, mas na verdade não tendo nada. Com medo de encarar a verdade" E.P.

AVISO

Esta é uma obra de dark romance contemporâneo, destinada exclusivamente ao público maior de 18 anos.

O enredo aborda temas sensíveis e controversos, incluindo, mas não se limitando a questões relacionadas à consentimento, agressão física e verbal, linguagem imprópria e conteúdo sexual explícito. Trata-se de uma narrativa ficcional, construída dentro de um universo literário sombrio, intenso e extremo.

A autora não apoia, incentiva ou romantiza qualquer tipo de violência, abuso ou comportamento retratado nesta obra quando transposto para a vida real. Os elementos apresentados fazem parte da construção narrativa e emocional do gênero dark romance, com foco em conflito, tensão psicológica e relações de poder.

A leitura não é recomendada a pessoas sensíveis a esse tipo de conteúdo ou que não se sintam confortáveis com temas obscuros e perturbadores, uma vez que a obra contém gatilhos emocionais relevantes, que podem causar desconforto durante a leitura.

Gatilhos presentes na obra:

-Violência física e psicológica

-Cativeiro e privação de liberdade

-Manipulação emocional

-Conteúdo sexual explícito

-Linguagem sexual, dominação e submissão

-Erotismo com elementos de humilhação

-Morte explícita

-Temas sombrios relacionados a desejo, posse e poder.

Ao prosseguir com a leitura, o leitor declara estar ciente do teor da obra e assume total responsabilidade por sua experiência.

Lilith Ferretti Belladonna 

Lilith não foi feita para passar despercebida, foi moldada para ser inevitável.

Há nela uma beleza fria, quase indomável, que não pede aprovação nem se oferece em troca de nada. Alta, de postura ereta e movimentos calculados, impecável, Lith ocupa qualquer espaço como quem já nasceu pertencendo a ele. Não há pressa em seus gestos; tudo nela transmite controle, como se o mundo precisasse se ajustar ao seu ritmo, e não o contrário.

Seus cabelos loiros, longos, ondulados, pesados, quase sempre soltos emolduram um rosto de traços firmes, belos de um modo perigoso. O maxilar marcado denuncia determinação e os lábios, sempre contidos, raramente se curvam em sorrisos verdadeiros. Quando o fazem, é porque alguém já perdeu. Seus olhos são claros demais para o que ela se tornou, um contraste cruel. Observadores, atentos, carregam uma frieza estratégica que aprendeu a esconder emoções e a ler fraquezas com precisão cirúrgica.

Ela se veste como quem constrói uma armadura elegante. Alfaiataria impecável, tecidos escuros, cortes que valorizam o corpo sem jamais expô-lo por completo. Nada é casual: saltos firmes, joias discretas, perfumes marcantes usados com parcimônia. Cada detalhe comunica poder, autoridade e ameaça velada. Ela não precisa levantar a voz para ser obedecida.

Por dentro, porém, ela é feita de camadas mais perigosas do que qualquer arma que carrega. Há nela um conflito constante entre a mulher que aprendeu a sobreviver no submundo e a agente que um dia acreditou em justiça. Essa divisão a tornou mais dura, mais silenciosa e profundamente solitária. Lith sente pouco, mas quando sente, é em excesso. Não ama com leveza; ama como quem possui, protege e destrói, se necessário.

Ela não se vê como vilã, tampouco como heroína,  Lith é resultado de escolhas que não admitem arrependimento. No xadrez que move, ela nunca é o peão, é a mão que decide quem será sacrificado.

No submundo, seu nome é pronunciado com respeito e medo. Entre aliados, inspira lealdade silenciosa. Entre inimigos, antecipa a derrota. Ela não grita, não ameaça em vão, não perde o controle. Sua violência é fria, estratégica e exatamente por isso, mais aterradora.

Ainda assim, existe nela uma contradição perigosa: sob o gelo, algo pulsa. Um desejo que ela mantém trancado. Uma necessidade de posse que vai além do poder. Quando Lilith deseja, não é de forma leve ou passageira, é absoluta, obsessiva, transformadora. Ela não quer tocar. Quer marcar.

Lilith é o tipo de mulher que não pede permissão e quando ela fixa o olhar em alguém, não é curiosidade.

É cálculo.

É desejo.

É sentença.

Eliza Angie La Notte

Ela é o tipo de presença que não impõe medo, impõe silêncio.

Há nela uma delicadeza que parece deslocada do mundo em que vive, como algo que sobreviveu por engano às rachaduras de uma estrutura prestes a ruir. Não é frágil no sentido comum, é contida, moldada por anos de apagamento. Aprendeu cedo a ocupar pouco espaço, a baixar o olhar no momento certo, a falar apenas quando necessário. Ainda assim, existe algo nela que resiste. Algo que não se dobra por completo.

Seus cabelos claros caem macios sobre os ombros, quase sempre presos de forma simples, como se nunca tivesse tido permissão para vaidade. O rosto é suave, de traços gentis, marcado por uma beleza que não foi cultivada para ser vista. Os olhos grandes, atentos, carregam uma mistura inquietante de cautela e curiosidade. É neles que mora sua contradição mais perigosa: Eliza observa mais do que deveria, sente mais do que demonstra.

Ela se veste como foi ensinada a se vestir: roupas discretas, cores neutras, tecidos corretos demais para alguém tão jovem. Nada grita quem ela é, tudo parece feito para escondê-la. Ainda assim, quando caminha, há uma graça involuntária em seus movimentos, uma feminilidade que não pede permissão, apenas existe. E isso a torna visível, mesmo quando tenta desaparecer.

Lizzie foi criada para obedecer, não para escolher. Acostumou-se a aceitar decisões alheias como destino, a engolir palavras e a chamar isso de maturidade. Mas por trás da docilidade há uma mente sensível, inteligente, capaz de perceber nuances emocionais que outros ignoram. Ela sente o peso dos olhares, entende o subtexto dos silêncios mesmo sem jamais ter sido treinada para o jogo de poder.

O que ela ainda não sabe é que sua maior fraqueza, essa mistura de doçura, resistência e vulnerabilidade também é sua força mais perigosa. Porque ela não nasceu para o submundo...

mas o submundo a notará.

E quando ela erguer o olhar pela primeira vez sem pedir permissão, alguém vai perceber tarde demais que a inocência também pode ser uma forma de ameaça.

Dimitry Benjamin Jones

Dimitry era o tipo de homem que inspirava confiança antes mesmo de abrir a boca e talvez fosse exatamente por isso que fosse tão perigoso.

Comissário da polícia de Nova Orleans, carregava o cargo como uma insígnia moral. Alto, postura impecável, ombros largos moldados por anos de academia e pela disciplina quase militar que fazia questão de exibir. Os cabelos castanho-escuros, sempre bem aparados, começavam a mostrar fios grisalhos nas têmporas, detalhe que reforçava a imagem de experiência e autoridade. O rosto era anguloso, bonito de um jeito clássico, endurecido apenas o suficiente para parecer sério, mas suavizado por um sorriso ensaiado, aquele sorriso que dizia "você pode confiar em mim".

E as pessoas confiavam.

Dimitry sabia ouvir. Sabia baixar o tom de voz no momento certo, tocar o ombro de quem sofria, usar palavras como justiça, dever e proteção com a naturalidade de quem acredita nelas. Em público, era o defensor incansável da lei, o homem que não tolerava abusos, que discursava sobre ética policial e aparecia em eventos comunitários ao lado de famílias humildes, sempre com uma criança no colo ou uma viúva agradecida apertando sua mão.

Nos bastidores, porém, Dimitry era outra coisa.

Seus olhos, de um castanho profundo, quase negro, não perdiam nada. Observavam, calculavam, avaliavam riscos e oportunidades com frieza cirúrgica. Ele não era impulsivo como os corruptos comuns. Não se sujava com pequenas propinas. Dimitry operava em silêncio, em camadas. Protegia quem lhe rendia lucro, abafava investigações inconvenientes, desviava provas com a mesma naturalidade com que assinava relatórios oficiais.

Fingia ser bom porque entendia o valor da aparência.

Acreditava que a verdadeira corrupção não estava em quebrar a lei, mas em controlá-la.

Para ele, o crime era apenas um mercado paralelo e a polícia, a ferramenta perfeita para regulá-lo. Sabia exatamente até onde ir, quem sacrificar, quem salvar. Nunca deixava rastros diretos. Nunca levantava a voz. Nunca ameaçava abertamente. Dimitry não precisava intimidar, bastava sugerir.

Com mulheres, era cuidadoso. Gentil demais. Um cavalheiro que abria portas, oferecia ajuda, se colocava como porto seguro. Gostava de ser visto como o homem confiável em um mundo podre. Gostava, sobretudo, de ser desejado por quem acreditava estar segura ao seu lado.

Por trás do distintivo polido e do discurso exemplar, Dimitry era um homem que vendia a própria alma em parcelas bem calculadas e dormia tranquilamente todas as noites, convencido de que não era um vilão.

Afinal, vilões não usam uniforme. E heróis... raramente fingem tão bem.

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