
Meu Rival, Minha Única Esperança
Capítulo 2
A água era um peso esmagador, um cobertor frio e escuro me puxando para baixo. Meus pulmões ardiam por ar. Eu estava morrendo. De novo.
Mas isso não era uma memória. Isso era real.
Uma vontade feroz e desesperada de viver surgiu em mim. Eu não morreria aqui. Eu não os deixaria vencer. Não desta vez.
Eu lutei para chegar à superfície, meus músculos gritando em protesto. Minha cabeça rompeu a água e eu arquejei, sugando uma dolorosa lufada de ar.
Do outro lado da piscina, eu os vi. Alexandre estava envolvendo Sofia, que tremia, com seu paletó, sussurrando em seu ouvido. Ricardo, Daniel e Felipe estavam ao redor deles como guardas, de costas para mim.
Eles nem se deram ao trabalho de me procurar.
Na minha vida passada, eu nunca entendi por que Alexandre me odiava tanto. Eu o amava. Eu lhe dei tudo. Agora eu sabia. Ele nunca me viu como uma pessoa. Eu era um prêmio, um degrau. Meu amor era um inconveniente, minha própria existência uma jaula da qual ele queria escapar.
Eu tinha que sobreviver. Eu tinha que viver para ver todos eles caírem.
Bati as pernas, meus movimentos desajeitados e pesados, e lentamente me arrastei para a borda da piscina. Meus dedos rasparam no concreto enquanto eu puxava meu corpo encharcado para fora. Fiquei ali, tossindo e tremendo no chão frio, um amontoado de membros trêmulos.
Ninguém veio ajudar.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, Daniel se virou. "Ah, Isabela. Você saiu. Estávamos tão preocupados."
Ele se aproximou, seu rosto uma máscara perfeita de preocupação. "Tivemos que pegar a Sofia primeiro. Ela não sabe nadar. Você é uma ótima nadadora, sabíamos que você ficaria bem."
Ricardo e Felipe assentiram em concordância, suas expressões igualmente falsas.
"Você está bem?" Ricardo perguntou, estendendo a mão.
Eu me afastei de seu toque. Olhei para seus rostos, esses homens que um dia chamei de amigos. Suas mentiras eram tão praticadas, tão fáceis.
"Estou bem", eu disse, minha voz rouca. Levantei-me, meu vestido molhado grudado em mim. Eu estava com frio, mas minha raiva queimava o suficiente para me manter aquecida.
Recusei suas ofertas de uma toalha, de uma troca de roupas. Eu não queria seu falso conforto. Eu não queria nada deles, nunca mais.
Afastei-me, deixando-os perto da piscina. Podia sentir seus olhos nas minhas costas.
"Isabela, espere!" Alexandre chamou.
Eu não parei. Voltei para a cobertura, pingando água nos tapetes caros, e fui direto para o meu quarto. Tranquei a porta atrás de mim.
Tirei as roupas molhadas e fiquei sob um chuveiro quente, tentando lavar a sensação da água da piscina, a sensação da traição deles. Mas era uma mancha na minha alma, uma que só poderia ser limpa com vingança.
Mais tarde, meu celular vibrou com mensagens.
De Ricardo: Espero que esteja se sentindo melhor. Me avise se precisar de qualquer coisa.
De Daniel: Sinto muito pelo que aconteceu. Deveríamos ter sido mais rápidos. Deixe-me levá-la para jantar para compensar.
De Felipe: Pensando em você. Aqui está um presentinho para te animar. Uma notificação se seguiu. Um depósito de cem mil reais na minha conta.
Eles achavam que podiam comprar meu perdão. Achavam que eu era a mesma garota ingênua que se acalmaria com palavras vazias e presentes caros.
Apaguei as mensagens sem responder.
Os dias seguintes foram um borrão de desculpas falsas e gestos grandiosos. Flores chegavam aos montes. Ricardo me enviou uma pulseira de diamantes que eu havia admirado no ano passado. Daniel se ofereceu para me levar a Paris para uma maratona de compras. Eles estavam tentando apaziguar a garota da minha vida passada, mas ela estava morta e enterrada.
Ignorei tudo.
Eles me convidaram para um leilão de caridade de alto perfil, um evento que eu costumava amar. Eu sabia que Alexandre e Sofia estariam lá. Eu sabia que era uma armadilha, outro palco para o pequeno drama deles.
Eu aceitei o convite.
Eu os vi no momento em que entrei. Alexandre estava com o braço em volta de Sofia, que usava um vestido simples, mas elegante. Ela parecia deslocada, um ratinho entre leões, mas a presença de Alexandre lhe dava um ar de importância.
Ele me viu e seu sorriso se contraiu. Ele sussurrou algo para Sofia, e ela olhou para mim, seus olhos arregalados com uma inocência ensaiada que me revirou o estômago.
Ele a afastou, um desprezo claro e deliberado.
Ricardo e Daniel estavam ao meu lado em um instante.
"Não ligue para ele", disse Daniel, colocando uma mão reconfortante em meu braço. "Ele só está sendo um idiota."
"Ele não te merece", acrescentou Ricardo.
Eu queria rir. Queria gritar com eles, expor sua hipocrisia para toda a sala. Mas segurei a língua. Ainda não era a hora.
Olhei para a mão de Daniel em meu braço e senti uma onda de náusea. Esta era a mesma mão que um dia ajudaria a me empurrar de um barco.
Puxei meu braço. "Eu sei me virar."
Eles trocaram um olhar, confusos com a minha frieza.
"Isabela", disse Ricardo, sua voz suave. "Estamos todos esperando sua decisão. Quem você vai escolher?"
Dei a eles um sorriso pequeno e enigmático. "Vocês descobrirão em breve."
A incerteza em seus olhos foi uma pequena e satisfatória vitória. Deixe-os se contorcer. Deixe-os se perguntar.
Alexandre estava claramente tentando provar algo. Ele desfilou com Sofia pela sala, comprando-lhe champanhe caro, apresentando-a a pessoas influentes. Para cada olhar que eu lançava em sua direção, ele a puxava para mais perto, ria um pouco mais alto.
Era tudo uma performance para o meu benefício. Uma maneira de me mostrar o que eu estava perdendo, de me deixar com ciúmes e desesperada.
Na minha vida passada, teria funcionado. Eu teria ficado de coração partido.
Agora, eu sentia uma estranha sensação de paz. O homem que eu amava era um fantasma. O verdadeiro Alexandre Monteiro era este estranho cruel e manipulador. E eu estava livre dele.
Então, o item final do leilão foi anunciado. Um colar de safiras, conhecido como "A Lágrima da Imperatriz". Não era apenas uma joia. Era lendário, pertenceu a uma rainha, dizia-se que trazia amor eterno ao seu dono.
Mais importante, era o colar que meu pai havia dado à minha mãe no dia do casamento deles. Depois que ele faleceu, ela o doou para esta instituição de caridade em sua memória.
Eu tinha que tê-lo. Era um pedaço da minha família, um pedaço de um amor que era real e verdadeiro. Era tudo o que minha vida com Alexandre teria sido uma mentira.
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