Capa do romance Meu Rival, Minha Única Esperança

Meu Rival, Minha Única Esperança

9.2 / 10.0
No meu aniversário, recebo a missão de escolher um noivo. Minha mãe sugere Alexandre Monteiro, o homem que amei e que me traiu cruelmente em minha vida passada, forjando a própria morte para fugir com outra. Após ser assassinada por ele e seus cúmplices, renasço uma semana antes da escolha fatal. Recordando que apenas meu rival de infância, Dário Castilho, chorou sinceramente por mim, decido mudar meu destino. Rejeito o traidor e escolho Dário como meu futuro marido.

Meu Rival, Minha Única Esperança Capítulo 1

No dia do meu aniversário, minha mãe me disse que era hora de escolher um noivo entre os solteiros mais cobiçados de São Paulo. Ela insistiu que eu escolhesse Alexandre Monteiro, o homem que amei com uma paixão cega na minha vida anterior.

Mas eu me lembrava de como aquela história de amor terminou. Na véspera do nosso casamento, Alexandre forjou a própria morte em um acidente de jatinho particular.

Passei anos como sua noiva em luto, apenas para encontrá-lo vivo e bem em uma praia, rindo com a estudante bolsista que eu mesma havia patrocinado. Eles até tinham um filho.

Quando o confrontei, nossos amigos — os homens que fingiram me consolar — me seguraram.

Eles ajudaram Alexandre a me jogar no oceano e assistiram do píer enquanto eu me afogava.

Enquanto a água se fechava sobre a minha cabeça, apenas uma pessoa demonstrou alguma emoção real. Meu rival de infância, Dário Castilho, gritava meu nome enquanto o seguravam, seu rosto contorcido em agonia. Ele foi o único que chorou no meu funeral.

Ao abrir os olhos novamente, eu estava de volta à nossa cobertura, apenas uma semana antes da grande decisão. Desta vez, quando minha mãe me pediu para escolher Alexandre, eu lhe dei um nome diferente. Eu escolhi o homem que chorou por mim. Eu escolhi Dário Castilho.

Capítulo 1

"Falta só uma semana para o seu aniversário, Isabela. Você sabe o que isso significa." Minha mãe, Lúcia Sampaio, bebericou seu chá, com os olhos fixos em mim do outro lado da polida mesa de mogno.

O sol da tarde entrava em nossa cobertura nos Jardins, em São Paulo, mas eu não sentia seu calor. Esta era minha segunda chance, e eu não a desperdiçaria.

"É hora de escolher", ela continuou, sua voz leve, mas firme. "Alexandre, Ricardo, Daniel, Felipe ou Dário. As mães de todos eles estão esperando."

Eu olhava pela janela, a cidade um borrão. Uma frieza se espalhou por mim, um contraste gritante com o luxo do cômodo. Era uma memória — não um sonho, mas uma vida que eu já tinha vivido e perdido.

Na minha vida passada, eu escolhi Alexandre Monteiro. Amei o charmoso magnata da tecnologia com uma paixão cega e tola. Mas na véspera do nosso casamento, seu jatinho particular "caiu" sem sobreviventes. Passei anos como a noiva em luto, uma mulher quebrada agarrada a um fantasma, enquanto seus amigos — Ricardo Almeida, Daniel Medeiros e Felipe Guedes — fingiam ser meus pretendentes devotados, segurando minha mão e oferecendo seus ombros para eu chorar. Eram todos mentirosos.

Eventualmente, um sussurro de uma pista me levou a uma cidade litorânea isolada, onde o encontrei. Alexandre estava vivo e bem, rindo em uma praia ensolarada com Sofia Barros — a estudante pobre e brilhante que eu pessoalmente patrocinei. Eles até tinham um filho. Quando os confrontei, o choque deles rapidamente se transformou em fúria fria. Meus "amigos" apareceram, não para me ajudar, mas para ajudá-lo a me silenciar para sempre.

Eles me arrastaram para um barco. "Um acidente de barco", eles diriam. Lembro-me da água fria se fechando sobre minha cabeça, seus rostos inexpressivos observando do píer enquanto eu me afogava. Apenas uma pessoa demonstrou alguma emoção real. Dário Castilho, meu rival de infância, tinha me seguido até lá. Enquanto o seguravam na praia, ele gritava meu nome, seu rosto contorcido em agonia. Ele foi o único que chorou no meu funeral.

Aquela morte, aquele fim horrível, não foi meu capítulo final. Foi minha segunda chance.

"Isabela? Você me ouviu?" minha mãe perguntou, sua paciência se esgotando.

Eu me virei da janela. Olhei para ela, minha mãe bem-intencionada, tão presa às tradições e aparências.

"Eu já tomei minha decisão", eu disse. Minha voz estava calma, uma linha reta e morta.

Ela sorriu, aliviada. "Maravilhoso. É o Alexandre? A mãe dele ficará emocionada."

"Não."

Seu sorriso vacilou. "Ah. Ricardo, então? Ou Daniel?"

"Não."

Minha mãe pousou a xícara de chá com um clique seco. "Isabela, o que é isso? Não o Felipe... certamente não o Dário?" Sua voz era uma mistura de descrença e frustração. "Você e o Dário não se suportam. Ele não tem nada a ver com os outros."

Um pequeno sorriso amargo tocou meus lábios. "Você está certa. Ele não tem nada a ver com os outros."

Minha mãe me encarou, o rosto pálido de choque. "Você não pode estar falando sério."

"Estou." Eu tinha perseguido uma mentira enquanto estava cercada por cobras. Ignorei a única pessoa cujos sentimentos eram reais. Eu tinha sido tão estúpida. Tão cega.

"É ele que eu quero", eu disse. "Ele está na Europa a negócios, não está?"

Minha mãe assentiu, atordoada.

"Preciso que você ligue para ele pessoalmente", instruí. "Diga a ele para voltar. Diga que eu o escolhi para ser meu noivo."

Uma ligação da minha mãe, a matriarca da dinastia Sampaio-Menezes, era uma ordem que ele não podia ignorar. Era uma jogada de poder, e era o único jeito.

"Mas... Isabela..."

"Faça", eu disse, meu tom não deixando espaço para discussão.

Ela me encarou por um longo momento, vendo uma dureza em meus olhos que nunca tinha visto antes. Finalmente, ela assentiu, seus ombros caindo em derrota. "Tudo bem. Eu vou ligar para ele."

Quando ela saiu, caminhei até a lareira. Na prateleira, havia uma foto emoldurada minha e de Alexandre sorrindo em um baile de caridade. Sem pensar duas vezes, joguei-a na lareira vazia. O vidro se estilhaçou, o som ecoando na sala silenciosa.

Era um começo.

Virei-me para sair, mas parei ao ouvir vozes do corredor.

"Ela vai mesmo escolher o Dário Castilho? Isso é loucura", ouvi a voz de Ricardo.

"Ela só está sendo difícil", respondeu Daniel. "Ela sempre amou o Alexandre. Ela vai cair em si."

Recuei para a sombra da porta, ouvindo.

"O Alexandre está ficando impaciente", acrescentou Felipe, sua voz baixa. "Ele quer que isso acabe logo para que possa pegar os ativos imobiliários dos Sampaio e finalmente dar uma vida de rainha para a Sofia."

Meu sangue gelou. Estava acontecendo tudo de novo, exatamente como antes.

Alexandre entrou no campo de visão deles. "Não se preocupem. A Isabela é obcecada por mim. Um pequeno chilique não vai mudar isso. Ela vai me escolher."

Ele me viu então, parada na porta. Seu rosto mudou imediatamente, a ambição fria substituída por seu sorriso charmoso de sempre.

"Isabela, querida. Estávamos falando de você."

Eu não disse nada. Apenas olhei para ele, para todos eles, os homens que um dia pensei que eram meu mundo. Agora, tudo que eu via eram cadáveres ambulantes.

"Você está pronta para o seu aniversário?" Alexandre perguntou, aproximando-se. "Grande decisão a tomar."

Sofia apareceu atrás deles, escondendo-se um pouco, seus olhos grandes fingindo inocência. Os mesmos olhos que me veriam afogar. Ela esbarrou em Alexandre, um movimento desajeitado.

"Ah, me desculpe, Sr. Monteiro!" ela exclamou, tropeçando.

Ele a segurou, suas mãos demorando um pouco demais, com uma familiaridade excessiva. "Está tudo bem, Sofia."

Era um teste. Na minha vida passada, eu teria ficado furiosa. Agora, eu não sentia nada. Apenas os observei, e meu silêncio os deixou desconfortáveis.

"Isabela, vamos dar uma volta perto da piscina", disse Alexandre. Não era uma pergunta.

Acabamos perto da piscina da cobertura. Os quatro, e eu. Sofia pairava por perto.

"O que é essa história sobre o Dário Castilho?" Alexandre perguntou, seu tom leve, mas seus olhos eram duros. "Está se fazendo de difícil?"

Eu não respondi. Apenas olhei para a água.

Sofia, vendo sua chance, "acidentalmente" tropeçou de novo, desta vez cambaleando em direção à borda da piscina, bem ao meu lado.

"Oh, meu Deus!" ela gritou. Ela agarrou meu braço, me puxando com ela enquanto caía na água.

O choque do frio era familiar. "Socorro!" Eu me debatia, meu vestido me puxando para baixo.

Através da água, eu vi Ricardo, Daniel e Felipe mergulharem. Eles passaram nadando por mim, sem nem olhar. Todos foram até Sofia.

"Sofia, você está bem?" A voz de Alexandre estava cheia de pânico enquanto ele a embalava.

Ninguém olhou para mim. Eu estava afundando, a água enchendo meus pulmões. Estava acontecendo tudo de novo. A memória e a realidade estavam se fundindo em um momento horrível.

Eles estavam me deixando para morrer.

Meu último pensamento claro antes que a escuridão ameaçasse me tomar foi o rosto de Dário Castilho, contorcido em agonia.

Desta vez, eu não o deixaria sofrer sozinho. Desta vez, eu os faria pagar.

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