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Capa do romance Meu pior Inimigo

Meu pior Inimigo

Amanda enfrenta um destino indesejado ao ser forçada a um matrimônio por conveniência. Sua frustração atinge o ápice quando ela percebe que o noivo escolhido é seu maior rival. Em meio a esse conflito, ela descobre que as hostilidades do passado escondiam verdades inesperadas. Agora, obrigada a conviver com seu pior inimigo, Amanda aprenderá que as aparências enganam e que o ódio pode ser apenas a superfície de algo muito mais profundo.
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Capítulo 3

Mais um dia “normal” se iniciava, a chuva resolveu se fazer presente hoje tornando o dia ainda mais difícil de ser vivido, cada segundo que passava eu só conseguia me lembrar da enorme confusão onde havia me metido.

Essa tinha sido a pior semana da minha vida, a ansiedade resolveu me corroer de novo, mas não estava disposta a voltar atrás em minha decisão.

A manhã escura e fria não parecia do tipo que nos fazia querer ficar debaixo da coberta apenas curtindo, assistindo ou lendo algo, era mais como uma forma de mostrar como eu me sentia, chegava a ser cômico.

Me casar com esse monstro, parecia o fim pra mim, eu nunca nos meus pesadelos mais assustadores imaginei que um dia isso poderia acontecer, na verdade, eu cheguei a acreditar que nunca mais veria ele.

Eu tentei muito não pensar em como vai ser, mas é inevitável, tenho pensado muito e isso está me destruindo, não sei se estava dormindo ou acordada ou quase dormindo quando ouvi dois toques na porta, afinal, estar dormindo ou acordada eram quase a mesma coisa, aquele vazio e escuro de quando você fecha os olhos, é o que eu sinto o tempo todo, mesmo quando eles estão abertos.

— Entra! — eu disse.

Uma das empregadas, Jacinta, colocou a cabeça para dentro da porta e disse:

— Senhorita Amanda, seu pai pediu que se vestisse e fosse até a sala de recepção, Jasiel Lindermayer está aqui.

— Obrigada Ananda, avise que já estou descendo.

Eu não queria descer, não queria sair da cama, muito menos ver o pai do meu terrível inimigo e agora futuro marido.

Eu levantei vagarosamente, tomei um banho rápido, penteei meu cabelo e vesti uma calça de moletom azul-escuro, cropped rosa, o casaco que é par da calça, pois já que tive que levantar da cama, decidi que iria sair de casa depois que meu pai falasse o que ele tinha para falar e ver o tal do Jasiel Lindermayer, então usei um pouco de base, rímel e um lip tint nos lábios, calcei uma sapatilha vermelho-escuro e desci as escadas de madeira, respirando fundo e encontrando dentro de mim a melhor expressão e o sorriso mais genuíno que consegui.

Avistei meu pai na sala, que sorriu quando me viu, e o homem de costas então se virou e olhou para mim, Jasiel Lindermayer, será que ele sabe o quão detestável é o filho dele?

— Aqui está ela, minha menina linda! — disse meu pai.

— Olá, papai. — sorri para o homem, que aparentava ter a mesma idade que meu pai, porém visivelmente com algumas injeções de Botox, os olhos verde água, levemente azulados nas bordas, que seriam lindos se não me lembrassem do filho odioso dele.

— Prazer, Amanda. — eu disse sorrindo amigavelmente, torcendo para não estar tão falso quanto realmente era, e então estendi a mão.

— Prazer, futura nora. — disse em tom de brincadeira.

— Ela não é linda? — meu pai disse

E, só falta me tratar como uma mercadoria agora, na qual ele precisa apresentar “qualidades” e evidenciá-las.

— Realmente linda, a propósito, não se parece nada com você, Ricardo. — Ele disse em tom de brincadeira, e eles riram.

— Eu espero que você e Jonas se deem bem, saiba que vamos prosperar muito com esta parceria.

Querido, se você soubesse o risco de morte que seu filho corre morando na mesma casa que eu você não diria isso.

Tentei demonstrar um sorriso, mas era difícil agora.

— Nós vamos nos entender. — menti.

— Estou aqui para tratar detalhes sobre o casamento, e marcar um encontro para vocês dois…

Ele continuou falando por muito tempo, eu não via a hora que isso tudo acabasse, cada detalhe desinteressante não me convinha, mas quando ele mencionava seu filho, meu corpo gelou, era até estranho, uma mistura de medo e raiva.

Ele falou que temos que ser visto juntos algumas vezes durante 2 meses para o casamento não parecer falso, parece que ele, de uma forma assustadora, já tem tudo planejado, inclusive cada um dos encontros e onde eles seriam, tudo o que eu consigo pensar é que a certeza de que vou estar perto daquele nojo de ser humano me dá vontade de vomitar.

O casamento já tem data marcada, 30 de abril, meu pai vai nos dar de presente um apartamento e Jasiel, nossa viagem de lua de mel, vamos para Paris, todas as lembranças boas que eu tinha sobre a cidade vão simplesmente ser estragadas.

Conforme eles iam falando eu pensei em até mesmo desistir disso tudo, mandar o Sr. Lindermayer se ferrar com o filho dele e tanto faz como fosse daqui para frente, mas sempre tinha as ongs, me segurando, me mantendo firme, "precisam de mim" eu repetia mentalmente...

Aproveitei o momento em que ele foi embora para ir em direção ao meu carro, pretendia correr um pouco para espairecer a mente, nem me importei em estar usando um dos meus croppeds favorito.

Eu me lembrei da primeira vez que fui à academia, eu já estava com bulimia há alguns anos por culpa do Jonas e seus amiguinhos nojentos, eu comecei a vomitar tudo o que eu comia, me senti péssima.

Eu realmente era uma criança gordinha, bem acima do peso, mas eu nunca tinha me importado com isso, até que de repente ele estava no refeitório do colégio com seus amigos rindo de mim, me chamando de gorda e outros nomes piores, tudo porque eu amava comer bolo, doces e outras guloseimas, mas por um tempo passei a odiá-los de coração, hoje já consigo comer sem me sentir mal.

A bulimia não me ajudava a emagrecer, na verdade, eu comia até mais, compulsivamente, porque sabia que podia vomitar tudo depois, mas depois descobri que vomitar não removia as calorias e foi aí que conheci a anorexia.

Quando tinha 15 anos, já estava extremamente cansada de todo o bullying, que só tinha piorado, acabei perdendo alguns amigos, eles passaram a me evitar e eu acreditava que emagrecer seria a solução dos meus problemas, porém estava errada, óbvio, tudo o que consegui foi desenvolver problemas alimentares, entrei para a academia e me forçava a treinos intensos, apenas para chegar em resultados inalcançáveis.

O pior de tudo, é a depressão e a ansiedade que inevitavelmente surgiram com tudo isso, perdi 15 kg em 2 meses, tinha dias que passava sem comer nada, e isso começou a me empolgar, eu queria mais, muito mais, eu me sentia obesa, todos diziam que eu era obesa, eu precisava perder peso e ser uma garota normal.

Um dia eu estava na academia, e desmaiei, bati a cabeça em um dos aparelhos e acordei no hospital, eu recebi atendimento psicológico depois disso, questionários e exames de todo tipo para saberem o que aconteceu, e então descobriram sobre a anorexia, a bulimia, os problemas emocionais e até sobre o bullying.

Comecei o tratamento com a psicóloga e a nutricionista, que me recomendaram internação em uma clínica específica para esse tipo de problema, porque sabiam que se eu voltasse para casa e permanecesse sem supervisão constante, os problemas iriam piorar, o acompanhamento devido era necessário para o meu bem, apesar de estarmos já com problemas familiares naquele tempo, meu pai não recusou a ajuda psicológica.

Quando ele disse isso, eu acabei cedendo e assim foram 3 meses internada, eu tentei fazer truques de todo tipo na clínica, para não comer ou para vomitar, mas era observada o tempo todo, não podia sair da mesa enquanto não comesse, assim eu ganhei grande parte do peso que havia perdido.

Quando voltei para casa, tinha me livrado dos transtornos alimentares, uma pena que todo o bullying voltou quando eu voltei para escola.

Implorei ao meu pai que me trocasse de escola, eu não aguentei uma semana com todo o bullying de novo em cima de mim, até alguns antigos “amigos” se juntaram a Jonas, isso me deixou ainda muito triste.

Eu continuei o tratamento com a mesma nutricionista e pedi que me ajudasse a emagrecer de forma saudável, e hoje tenho um corpo considerado padrão, mas o melhor de tudo é que minha mente está mais saudável, tenho certeza que jamais voltarei a fazer isso de novo.

Eu percebi algumas lágrimas quando cheguei ao lugar onde costumo correr, lembrar disso tudo me deixa um pouco sentimental, mas enquanto corria tentei não pensar mais nisso, haviam outras pessoas por ali, todos pareciam bem animados.

O tempo ainda continuava fechado, apesar de ter chovido durante o tempo em que estive na “conversa” com meu pai e o Sr. Lindermayer, agora apenas um vento frio se fazia presente, minhas bochechas ficaram geladas rapidamente, não ia conseguir ficar muito tempo, apenas uma meia hora seria suficiente.

Depois que saí de lá, passei na ong dos animais, mesmo não sendo dia de ir lá, e me senti ótima estando ali, fiquei pensando, como pode haver um contraste tão grande na minha vida, entre o caos dentro de casa e a paz quando estou fazendo o que gosto.

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