Capa do romance Meu pior Inimigo

Meu pior Inimigo

9.0 / 10.0
Amanda enfrenta um destino indesejado ao ser forçada a um matrimônio por conveniência. Sua frustração atinge o ápice quando ela percebe que o noivo escolhido é seu maior rival. Em meio a esse conflito, ela descobre que as hostilidades do passado escondiam verdades inesperadas. Agora, obrigada a conviver com seu pior inimigo, Amanda aprenderá que as aparências enganam e que o ódio pode ser apenas a superfície de algo muito mais profundo.

Meu pior Inimigo Capítulo 1

Eu sempre me senti sozinha dentro de casa, principalmente depois que minha mãe resolveu nos abandonar quando eu era criança, as coisas entre meu pai e eu só pioraram desde então.

Sei que no começo ele tentou se manter firme e manter a nossa relação como estava, porém, as coisas não saíram como esperado e eu nem posso culpá-lo por isso, sou extremamente parecida com minha mãe e isso deve ser difícil para ele.

Apesar de não demonstrar mais, eu sinto grande mágoa pelo que ela fez conosco, sempre me pergunto o que a levou a fazer isso, sua relação com meu pai aparentemente era boa e ela sempre fora uma ótima mãe, cuidava muito bem de mim e tinha amigos incríveis.

Bom, nunca saberei a verdade, já que há alguns anos soubemos que ela sofreu um acidente de carro e não sobreviveu, o que despertou uma frieza incomum em meu pai, nos distanciamos ainda mais depois disso.

Inexplicavelmente fui chamada por meu pai para entrar em seu escritório, sendo que nunca posso entrar lá, talvez pelo fato de nunca ter me interessado pelos negócios da empresa, apesar de meu pai ter me feito estudar vários cursos que me preparavam justamente para isso.

Não é fácil ser filha única.

Caminhei calmamente, na verdade, nem tão calma assim, mas precisava manter as aparências, meu pai havia me chamado a sua sala, era algo que eu realmente não esperava.

A ansiedade por saber do que se tratava tomava conta da minha mente, fiquei parada na entrada, por precaução, podia ser uma notícia tão ruim quanto boa.

— Mandou me chamar?

— Sim, entre filha, temos algo a tratar.

Ele me deu um olhar preocupado, automaticamente comecei a me lembrar de todas as coisas que poderia ter feito para que me chamasse aqui, mas eu não sou do tipo que faz besteiras por aí, pelo menos não de propósito, e sua expressão denunciar algo bem sério, e estava me deixando apreensiva…

— Aconteceu algo… ruim? — perguntei

Então ele gesticulou para que eu sentasse na cadeira à frente da sua mesa, onde havia um computador e muitos papéis espalhados desajeitadamente.

— Estamos com grandes problemas. — resmunga.

Permaneci em silêncio reparando que ele não me encarava de forma alguma, parecia evitar contato visual.

— Na empresa.

Por alguns instantes tive certeza do que se tratava, ele estava pedindo para que eu trabalhasse com ele novamente, e isso estava fora de questão.

— Olha Pai, se me trouxe aqui para pedir que eu faça parte da empresa da família, não adianta eu estou decidida a permanecer afastada e nada do que você dis…

— Não é nada disso. — me cortou abruptamente.

— Estamos falindo, e a equipe de administração está quase certa de que será necessário vender tudo, ou declarar falência e se afundar ainda mais em dívidas!

O encarei, perplexa!

Como poderíamos estar falindo? Meu pai não era sempre responsável e tão dedicado?

Essa empresa estava na família há gerações, embora eu não queira fazer parte dos assuntos relacionados a ela por motivos pessoais, reconheço o quanto ela significa para o meu pai e a sua história na minha família.

Sei também que é devido aos seus bons lucros, que possuímos uma vida boa e confortável, o que tem me ajudado com meus projetos de caridade, não tenho medo de ficarmos pobres, mesmo não sendo apegada aos bens materiais, tenho ciência do quanto seria péssimo perder todos os nossos bens!

Seria um grande escândalo na mídia, é verdade, e isso poderia deixar meu pai ainda mais afogado em mágoas, seria mais uma consequência da cicatriz que minha mãe deixou em nossas vidas.

Eu nunca presenciei meu pai chorando, nem mesmo fungando, mas o encarando pude perceber o quanto ele estava abalado e isso me entristecia ainda mais, queria realmente poder ajudar de alguma forma.

— Mas... como? Por quê?

— É um império caindo, uma soma de muitas decisões ruins, desvios de dinheiro… a lista é imensa.

— Mas não há solução?

Apesar de meu pai ter os defeitos dele, eu o amo, e neste momento até pensei na possibilidade de passar por cima do meu orgulho e entrar na empresa, se eu pudesse ajudá-lo de alguma forma...

— Na verdade... tem sim!

Ele parou e respirou fundo

— Eu juro, minha filha, que eu pensei em todas as possibilidades possíveis, mas essa é a única que daria certo de forma mais imediata.

Comecei a me questionar o que seria, e acredito que chegamos a parte que me diz respeito, receio até mesmo em saber do que se trata, pela forma como está se comportando, dificilmente será algo ruim.

— Você conhece a maior empresa de tecnologia de Lindermayer certo?

Assenti vagarosamente, então ele continuou sem devaneios.

— O diretor dela, Jasiel Lindermayer, me... nos fez uma proposta.

Me encarando temerosamente, ele fez uma pausa, o que me deixou ainda mais receosa do que poderia ser.

De onde reconheço este sobrenome? Talvez já tenha visto por aí visando que é a segunda maior empresa da cidade depois da nossa.

— Ele propôs um empréstimo, onde eu compro a parte de todos os que pretendem aceitar a venda da empresa, e ao invés de pagá-lo de volta, ele se torna o segundo proprietário.

Não me parecia uma proposta ruim, mas sempre há algo por trás e nem consigo imaginar o que seria.

— Isso é bom, a empresa vai aumentar a visibilidade, ele pode melhorar o setor de tecnologia, mas creio que não seja apenas isso.

Ele assentiu.

— E as chances de ela cair com essa parceria são ínfimas, na verdade, podemos crescer ainda mais.

— Então... pretende aceitar?

— Não temos opção melhor!

Voltei a questionar mentalmente o que tudo isso tem a ver comigo, por acaso isso significa que eu serei obrigada a participar mais ativamente nos negócios da empresa? Estar a par de tudo?

— Lindermayer tem outra condição.

— E qual seria?

— Seu filho... Jonas Lindermayer...

Lembrei-me automaticamente de onde lembrava deste sobrenome, maldito Jonas Lindermayer, o garoto que fez bullying comigo durante os últimos anos do fundamental, que me causou anorexia por me chamar de gorda, que me fez ter acompanhamento psicológico e passar meses internada, e que mesmo após eu ter passado pelos piores momentos da minha vida, fora tanto sofrimento que meu pai precisou me trocar de escola.

Desde aquele momento, eu decidi fingir que ele nunca existiu e recomeçar, mas eu não o perdoei, a sede de vingança passou, mas eu ainda o odeio por tudo o que ele fez e causou em minha vida, mesmo tendo se passado alguns anos.

Meu pai continuou explicando, tentei prestar atenção.

— Ele anda causando muitos problemas para a reputação da sua família, do seu sobrenome e consequentemente da empresa.

Eu olhei para ele para prestar mais atenção, me desviando das memórias ruins.

— Ele quer que ele se case.

Não pode ser o que estou pensando, meu pai jamais faria isso…

— …com você. — finalizou.

Minha expressão foi o suficiente para ele entender nitidamente minha resposta.

— FICOU LOUCO? — berrei me levantando e inclinando em sua mesa — CASAR COM ELE? POR ACASO VOCÊ SE ESQUECEU TUDO O QUE PASSEI POR CAUSA DESSE GAROTO IMBECIL?

— Além de salvar a empresa, isso também nos ajudaria visualmente, a não parecer que foi apenas um contrato entre uma empresa que estava caindo e outra com uma reputação ruim por causa do filho, vai parecer que nos unimos por família, por vocês terem se casado, tenho certeza que parece algo ruim, mas 2 anos são o suficiente para que tudo se acerte e então você estará livre para fazer o que bem entender.

— ESCUTA O QUE O SENHOR ESTÁ DIZENDO! QUER QUE EU CASE COM MEU PIOR PESADELO? NA VERDADE, CASAR COM QUALQUER PESSOA, SEM ANTES PLANEJAR TUDO E CONHECÊ-LO BEM SERIA RUIM, IMAGINA ISSO? LOGO ELE?

Ele permaneceu em silêncio sem saber o que dizer, olhei no fundo dos seus olhos, antes de sair da sala e fiz questão de bater a porta bem forte, fui para o meu quarto e me tranquei.

Era inacreditável!

Não queria pensar nisso, mas comecei a me lembrar de todo o mal que sofri e meu coração começou a acelerar, comecei a sentir um desespero, ficar sem ar, e corri pro meu banheiro procurando meus remédios, precisava tomar logo, meu tempo se esgotava, sentia o peito acelerado e grande falta de ar, era como se estivesse tendo um infarto.

Raiva e ódio era o que me resumia no momento, sentimentos que tentei manter longe de mim e agora voltavam com tudo.

Eu coloquei 2 comprimidos na boca e deitei fazendo os exercícios de respiração que a psicóloga me ensinou e me concentrei nas minhas mãos tremendo, tentando controlá-las e fazer parar.

Em algum tempo que não sei ao certo se foram minutos ou horas, eu apaguei completamente, a calmaria e a escuridão me envolveram, como um cobertor aconchegante.

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