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Capa do romance Meu Monstro Protetor

Meu Monstro Protetor

Testemunha de um crime, Lottie vê sua vida ruir e acaba sob a guarda de John, um homem sombrio que a culpa pelo caos. A tensão inicial entre eles dá lugar a um desejo latente enquanto enfrentam perigos mortais. Tudo muda quando ela revela estar grávida do sobrinho de John, um homem perigoso e de vida dupla. Agora, para proteger o bebê e sobreviver a segredos do passado, o recluso John deve aceitar esse laço familiar e lutar por um futuro ao lado de Lottie.
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Capítulo 1

Minhas costas batem contra a parede, e o impacto súbito tira meu fôlego por um momento.

Um gemido involuntário de dor escapa da minha boca, ecoando no vazio. As lágrimas começam a brotar dos meus olhos, turvando minha visão e se misturando com o gosto salgado da tristeza que preenche minha boca.

- Não foi por quê eu quis - Minha voz treme, enquanto o vejo ir até a outra extremidade do cômodo.

- Acha mesmo que vou acreditar nisso? - Sua voz soa fria, indiferente - Não tinha outra ideia melhor? - pergunta se virando para mim.

Abro e fecho minha boca, me sentindo incapaz de rebater suas perguntas. Sua reação... sua atitude ... não era justamente o que estava esperando naquela manhã.

Eu só não sabia como reagir à tudo aquilo. Não ainda.

- Quer saber de uma? - Ele continua - Dá o fora daqui. Não quero mais ouvir o que tem para dizer. Não quero perder meu tempo com toda essa merda, isto é problema seu agora - Ele passa por mim, indo em direção da porta, conseguindo em poucos segundos, quebrar ainda mais o meu coração.

- Não, espera...

Ele para abruptamente, fixando o olhar no meu.

- E se me seguir, irei enfiar uma bala no meio da sua cabeça - diz com a voz firme, não deixando qualquer tipo de dúvida do que faria.

Quando ele passa pela porta, sinto como se algo tivesse sido arrancado de mim. Eu sei, é estranho e complicado de se imaginar, mas a sensação de que não havia oxigênio suficiente ao meu redor, fez com que começasse a hiperventilar rapidamente, inspirando o ar bruscamente enquanto as lágrimas continuavam a molhar meu rosto.

Você é emocionalmente dependente dele, ouvi certa vez e ignorei completamente o comentário. Claro que eu não era! ( sorriso amarelo) Eu só... não conseguia ver a minha vida sem ele. Ele era a porra do meu oxigênio e tinha certeza que iria morrer, caso não revertesse aquela situação.

Não penso muito quando minhas pernas se movem atrás dele, meu coração acelerado no peito e meus lábios entre abertos tentado me manter respirando. Consciente.

Aquelas escadas pareciam intermináveis, a impressão que tinha era que nunca chegaria no fim. Precisei ignorar o pensamento de me jogar de onde estava, apenas para chegar mais rápido no térreo, para estar novamente com ele.

Meus passos continuam decididos quando finalmente todos aqueles degraus terminam e entro no estacionamento.

Estou vasculhando minha bolsa, procurando meu celular para ligar para ele, quando ouço vozes. Normalmente não há ninguém no estacionamento, quase não morava ninguém naquele prédio, pois já tinha ordem de despejo por motivo de demolição.

Então, eu diminuo os passos e vejo seis homens do outro lado do estacionamento, incluindo o homem que eu amava.

- Cara, não faz isso. Vamos conversar - Implora um homem.

- Você achou mesmo que nada iria acontecer? - O outro homem diz com a voz divertida.

Tudo em mim dizia para sair dali, qualquer pessoa escutaria seus próprios instintos. Eu nunca participei das reuniões de trabalho dele por algum motivo não especificado, mas naquele momento, entendi o por quê.

- Não atire, por favor - Implora o primeiro homem.

Vejo Will tirar uma arma da cintura e entregar para o homem ao seu lado.

O quê?

Eu assisto em choque quando o primeiro homem cai de joelhos, antes de bater no chão.

Puta merda.

Então o segundo homem, o que está segurando a arma, olha na minha direção. Nossos olhos se encontram.

Sem emoção, ele levanta a arma e aponta para mim. Minha boca abre para gritar, mas nenhum som sai.

Diante de uma situação de testemunhar um crime, a primeira reação mais idiota e inútil que qualquer ser humano poderia ter seria correr. Então, lá estava eu, agindo de maneira instintiva e imprudente, correndo entre os poucos carros no estacionamento. O aço frio de uma arma estava apontado diretamente para o meu corpo.

Os saltos da bota contra o chão, ecoa no vazio do estacionamento, mas a sensação de desamparo era avassaladora. Sabia que correr não iria me salvar, que era a atitude mais tola que poderia tomar.

Eu podia sentir o olhar do atirador que me seguia com a arma, cada passo que eu dava parecia trazer a mira mais próxima do meu corpo.

Diante do perigo iminente, mais uma ideia brilhante - ou talvez mais um instinto de sobrevivência - toma conta de mim. Abandono a corrida sem linha de chegada no estacionamento e me jogo na multidão que se movimenta pela rua. Me misturo às pessoas, mantendo o ritmo frenético das ruas da cidade, mas sem ter a menor ideia para onde estou indo.

Olho para trás enquanto continuo a manter o ritmo, e percebo com um calafrio de medo que pelo menos dois homens estão fazendo o possível para passar pela multidão que se move na direção oposta para chegar até mim. A adrenalina retorna instantaneamente, e sei que não posso continuar correndo indefinidamente.

Em um movimento desesperado, vejo um bar e, sem hesitar, entro bruscamente, me afastando rapidamente da porta. A atmosfera quente e abafada do bar me envolve, e por um momento, sinto um alívio momentâneo.

Minhas mãos tremem, e minha respiração está pesada, mas tento manter a calma. Observo cautelosamente a entrada, esperando que os homens que me perseguiam não tenham me visto entrar aqui.

Mas a porta se abre poucos segundos depois e os dois que estavam logo atrás de mim entra varrendo o local com seus olhos afiados, até que os pares de olhos se fixam nem mim.

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