
Meu Monstro Protetor
Capítulo 2
Meu coração martelava em meu peito, o suor se acumulava em meu rosto e tinha certeza que estava prestes a ter uma parada cardiorespiratória.
Eles andam na minha direção, decididos, determinados. E algo em suas expressões, me deu a impressão de que não queriam conversar.
- Saiam do meu bar - Ouço uma voz máscula, um pouco rouca e rude soar não muito longe de mim, atraindo meu olhar.
Ambos param e olham para o homem de cabelos grisalhos atrás do balcão, com o semblante séria.
- Não se mete, vovô, não é com você - diz o homem da esquerda, voltando a atenção para mim.
Dou um passo para trás, quando voltam a andar na minha direção, porém meu corpo treme levemente quando um disparo ecoa pelo ambiente e as vozes restantes cessam de uma vez.
- Mandei sair da porra do meu bar - diz o homem atrás do balcão, recarregando uma espingarda, enquanto saia do local onde estava.
Um dos homens havia sido atingido no pé e antes mesmo que o outro conseguisse atirar, é atingido no braço e a espingarda carregada novamente, com toda calma do mundo.
- Velho desgraçado! - O homem no chão grita, segurando o tornozelo.
- Se colocar meu dedo no gatilho, vou atirar nas suas bolas - ameaça, nem um pouco preocupado.
O homem olha para a arma não muito distante dele e no instante seguinte, se joga no chão tentando pegá-la. Entretanto, a arma é chutada para longe por um dos ocupantes da mesa ao lado.
- É melhor sair daqui - Ele respira entre dentes, antes de levantar com dificuldade.
- Ainda não acabou - diz o homem baleado no braço, pouco antes de sair do bar com o amigo.
Olho atentamente para o homem na minha frente com uma espingarda, enquanto suspira e olha para os clientes em silêncio.
- Uma rodada por minha conta - diz sem emoção na voz, voltando em seguida para trás do balcão.
Sentindo alguns pares de olhos em mim, me vejo na obrigação de ir até o balcão e agradecer pelo o que acabara de fazer por mim.
- Oi - digo colocando um sorriso no rosto.
Ele continua servindo as pessoas, a medida que chegam para pegar suas bebidas de graça.
- Por que está aqui ainda? - Ergo as sobrancelhas surpresa.
-... queria agradecer pelo o que fez - murmuro pausadamente.
- Não arrisquei minha vida por você - Ele continua servindo as bebidas, como se eu não estivesse ali.
- Ah. Entendi - digo sem jeito, evitando de olhar para qualquer um ali, fingindo procurar meu celular, apesar de já o ter sentindo dentro da bolsa.
- E se ouve conselhos, deveria ir embora da cidade. Aqueles homens não pareciam estar brincando em relação a ameaça - Ele me olha por uma fração de segundo, antes de encher outra caneca com cerveja.
- Foi tudo um engano - digo sorrindo, minha voz se tornando trêmula por um momento - Devem ter me confundido com algo. Will já deve ter explicado - Sorrio, pegando meu celular, percebendo só então que 5% de bateria não me ajudaria a me comunicar com ninguém, principalmente com Will. - Ergo o olhar, percebendo que o olhar penetrante dele estava fixo em mim - Algum problema? - pergunto baixo.
- Você está fodida.
- O quê? Não! - Franzo o cenho, balançando a cabeça de um lado para o outro - Só foi um mal entendido.
- Você está redondamente fodida.
Cruzo os braços sob o peito.
- Está óbvio que não sabe o que está falando.
- Está óbvio para mim que não tem ideia de onde se meteu e que provavelmente estará morta até amanhã neste mesmo horário.
O sorriso congela em meu rosto, enquanto m dou conta de que ele estava falando sério e que não era nenhuma brincadeira de mal gosto.
- Vou ligar para a polícia - Penso alto, decidindo que usaria meu 5% de bateria para ligar para a polícia.
- Não acho que vá resolver seu problema.
- Claro que vai - digo pressionando o celular contra a orelha - É a polícia.
- 911. Qual é a emergência?
- Oi! - digo rapidamente - Acabei de ver um homem sendo baleado e... alô? - Olho para o visor apagado do celular frustrada e em seguida para o homem na minha frente que secava uma caneca - Tem um cabo USB?
- Não.
Inclino a cabeça para o lado.
- Posso usar seu celular?
- Não tenho.
- Seu telefone então - sugiro. Ele para e sustenta meu olhar, sem demonstrar nenhuma emoção que estava sentindo.
- É melhor ir embora.
- Mas aqui é um bar e... - Olho para fora, imaginando que deveriam estar me esperando sair e duvidava que conseguisse explicar alguma coisa para eles - realmente tinha que falar com a polícia.
- Então deveria procura alguém que está disposto em entrar em problema por causa de você - Seu tom de voz se torna mais ácido, o que me faz encolher os ombros e acabar optando em fazer o que ele estava gentilmente sugerindo.
- ... obrigada mesmo assim - digo tentando ignorar a queimação em meus olhos e a sensação de que nunca deveria ter entrado ali.
Estava perto da porta, quando um homem segura levemente meu braço.
- Tome cuidado lá fora e não confie em ninguém - diz com voz quase suave, pouco antes de olhar para trás e ver que o dono do bar nos encarava.
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