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Capa do romance Meu Casamento Forçado Com Um Cavaleiro Comatoso

Meu Casamento Forçado Com Um Cavaleiro Comatoso

Eleanore foi obrigada a se casar com Kayson Knight, um homem em coma, para resgatar o legado familiar. Após sofrer abusos físicos e perder um rim para a irmã adotiva, Josie, ela enfrenta uma nova armação: a acusação de roubo de uma joia. Durante a humilhação pública orquestrada por seus pais e irmão, Eleanore decide reagir. Diante dos convidados, ela revela gravações secretas que expõem as mentiras de Josie, transformando sua sentença em um ato de vingança.
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Capítulo 1

Ponto de Vista de Eleanore:

Minha família me forçou a casar com Kayson Knight, um homem que estava em coma há cinco anos. Foi um sacrifício para salvar o legado da nossa família, uma sentença de vida que aceitei por eles.

Mas no aniversário da minha irmã adotiva, Josie, ela me incriminou por roubar uma joia de família. Meus pais, que sempre a favoreceram, não hesitaram. "Guardas! Revistem-na!", meu pai berrou.

Eles me seguraram na frente de todos os convidados. Meu irmão segurou meus braços enquanto meu amor de infância desviava o olhar. Eles já tinham me empurrado escada abaixo e me deixado para morrer uma vez. Tinham tirado meu rim para Josie. Esta era apenas a humilhação final.

Mas eles não sabiam do meu segredo. Eu vinha gravando as mentiras de Josie há semanas.

Quando as mãos dos guardas se fecharam em mim, eu gritei: "Vocês querem a verdade? Então vamos ouvi-la!" e apertei o play no gravador escondido.

Capítulo 1

Minha mão, tremendo levemente, alcançou a caneta. Parecia mais pesada que qualquer fardo que eu já havia carregado, mas mais leve que o peso esmagador de suas expectativas. "Eu farei isso", eu disse, minha voz mal passando de um sussurro, um eco estranho na opulenta sala de estar em São Paulo. "Vou me casar com Kayson Knight." As palavras, que antes eram um pesadelo de infância, agora soavam como um apelo desesperado por liberdade.

Minha mãe, com o rosto uma máscara de preocupação ensaiada, suspirou aliviada. "Eleanore, querida, você é tão corajosa. É para o bem de todos, sabe." Seus olhos, no entanto, dispararam nervosamente em direção ao retrato do meu avô pendurado acima da lareira, um juiz silencioso.

"Corajosa?", eu queria gritar, mas o som ficou preso na minha garganta. Addison, meu amor de infância, se mexeu desconfortavelmente no sofá de veludo ao meu lado. Ele não encontrou meu olhar. Seu silêncio era mais alto que qualquer acusação.

Colbert, meu irmão mais velho, pigarreou. "Não é o ideal, El, mas é o legado da nossa família. Você entende, não é? A família do Kayson vai apreciar seu sacrifício." Sacrifício. Eles faziam parecer um ato nobre, não uma sentença de vida.

Eles não entendiam. Nunca entenderam.

Eu me lembrava dos dias de verão, não muito tempo atrás, quando esta casa era cheia de risadas. Addison e eu, envolvidos em segredos e amor juvenil, caçando vaga-lumes no vasto jardim. Meu irmão, Colbert, sempre protetor, sempre presente. Meus pais, carinhosos e orgulhosos. Nossas vidas, um retrato da perfeição paulistana.

Então veio meu aniversário de dezoito anos. Uma celebração que rapidamente se transformou em uma declaração solene. Nossos avôs, em sua infinita sabedoria, haviam arranjado um casamento para fundir nossos impérios. As famílias Alencar e Knight, unidas por contrato. Kayson Knight, o herdeiro de uma dinastia de tecnologia do Rio de Janeiro, era meu prometido. Sempre foi para mim.

Mas então, a reviravolta do destino. Um acidente de carro, um coma de cinco anos. Kayson, o homem com quem eu estava destinada a me casar, tornou-se um fantasma. Meus pais, atormentados pela culpa, não suportaram enviar sua "filha querida" para se casar com um homem que talvez nunca acordasse. Eles temiam os sussurros, o julgamento da sociedade.

Então, eles encontraram uma solução. Josie Lima. Uma garota com um passado conturbado, um rosto bonito e nenhum lugar para ir. Eles a adotaram, a cobriram de afeto, a prepararam para ser a noiva substituta. Um bode expiatório, um escudo contra sua própria vergonha. Eles se convenceram de que era bondade.

Eles ficaram tão aliviados, tão felizes com Josie. A culpa dos meus pais pela condição de Kayson, somada ao desejo de proteger sua filha "amada" (que um dia fui eu), transformou-se em um poço sem fundo de supercompensação por Josie. Presentes luxuosos, elogios intermináveis, todos os caprichos atendidos. Lenta e sutilmente, fui deixada de lado. Josie, com seus olhos inocentes e coração venenoso, prosperou. Ela sistematicamente virou todos contra mim, me incriminando por seus próprios erros, roubando o amor deles, pedaço por pedaço agonizante.

Meu rim. Eu dei a ela meu rim quando ela de repente desenvolveu uma doença rara. Eles a elogiaram por ser "tão fraca", me elogiaram por meu "amor de irmã". Lembro-me da dor, do esgotamento, da maneira como olhavam para ela, não para mim, quando acordei da cirurgia.

Então veio o ato final de crueldade. Josie, fingindo mais uma fuga dramática, os deixou em frenesi. Meu irmão e Addison, desesperados para acalmá-la, me encontraram na grande escadaria. "Apenas peça desculpas a ela, Eleanore", Colbert havia implorado, seus olhos desprovidos do antigo calor. "Ela só quer se sentir amada."

"Mas eu não fiz nada", eu disse, minha voz falhando. "Ela mentiu."

Addison, com o rosto uma máscara de frustração, se aproximou. "Apenas peça desculpas, El. É sempre você. Por que você não pode facilitar as coisas uma vez na vida?"

"Eu não vou mentir", sussurrei, as lágrimas embaçando minha visão.

Foi quando aconteceu. Um empurrão. Não forte, não intencional, mas o suficiente. Colbert, eu acho. Ou talvez Addison. Não importava. Eu rolei escada abaixo, um estalo doentio ecoando na casa silenciosa enquanto minha cabeça batia no chão de mármore polido. A dor, aguda e cegante, explodiu. Eu vi seus rostos acima de mim, não de horror, mas de aborrecimento.

A voz de Josie, doentiamente doce, perfurou a névoa. "Oh, Eleanore, o que você fez? Você vai estragar tudo!"

Colbert olhou para minha cabeça sangrando, depois de volta para Josie. "Não se preocupe, Josie", ele disse, sua voz monótona, "Nós vamos cuidar disso. Eleanore sempre exagera."

Addison se ajoelhou, não ao meu lado, mas pegou o celular. "Josie está morrendo de preocupação, ela está chorando de novo. Precisamos ir encontrá-la."

Minha visão turvou. Eles me deixaram lá. Meu próprio irmão. Meu amor. Eles me abandonaram pela garota que havia usurpado minha vida. Enquanto a consciência se esvaía, uma clareza arrepiante atravessou a dor. Este era o fim de Eleanore Alencar, a filha que eles conheciam. Uma nova se ergueria das cinzas, ou não se ergueria de forma alguma.

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