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Capa do romance MEU BOMBEIRO MAFIOSO E BILIONÁRIO

MEU BOMBEIRO MAFIOSO E BILIONÁRIO

Laura refez sua vida nos Estados Unidos como bombeira, longe do ex-marido assassino e do passado sombrio na Bahia. Ao lado do filho Joca, ela encontra segurança até conhecer Dom, seu capitão. Rico e atraente, ele esconde ser o herdeiro de uma poderosa máfia. Quando seu antigo perseguidor a localiza, Laura decide lutar em vez de fugir. Em meio ao caos, ela precisará confiar em Dom para sobreviver, sem saber se ele é o seu salvador ou um novo perigo.
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Capítulo 3

O capitão me ignorou e fomos para o local da chamada. Após três horas lá, voltamos para o quartel para trocar de turno. Tirei o uniforme, tomei banho e coloquei uma roupa normal.

Não vejo a hora de chegar em casa para ver o meu filho e lidar com meus seios doloridos. Tenho certeza que o leite ficou empedrado, mas eu já sabia que isso ia acontecer. Não tirei leite hoje e ultimamente não venho doando para o hospital.

Beijo a foto do meu filho pendurada na porta do meu armário e o fecho.

— Você foi bem. — O bombeiro que parece o Eminem entra no vestiário sem eu perceber e abre o seu armário.

Olhando agora para ele, percebo uma cicatriz de queimadura no seu pescoço. Ele é tão alto e branco que eu diria ser um jogador de basquete alemão e o cabelo está descolorido num tom de loiro que claramente não é natural.

Ele me elogiou, não é?

— Obrigada, pretendo melhorar mais.

— Não se cobre muito. Vá com calma. — Ele estende a mão e eu a aperto. — Meu nome é David.

— É um prazer conhecê-lo.

— Digo o mesmo. — Ele olha por um segundo para os meus seios e volta a olhar para os meus olhos.

Sinceramente, eu nem ligo mais quando fazem isso. Acostumei. Quem não olha para seios fartos? Eu admiro os meus e até os das outras mulheres.

— Não quero te constranger, mas tá vazando leite.

— O quê? — Olho para minha blusa. Os dois seios estão vazando. Ainda bem que eu trouxe outra blusa.

— Você tem filhos?

— Tenho um filho. — Suspiro ao lembrar que não trouxe outro sutiã.

— Legal. Eu vou ter um filho em breve. O nome dele vai ser Brian. A minha esposa está tão nervosa, será o nosso primeiro filho. Eu não sei cuidar de crianças, nem ela. Ela também não tem ninguém para auxiliar, dar dicas... Está completamente perdida.

— Eu... — Não sei o que dizer, pois não prestei muita atenção no que ele disse. — Preciso cuidar do meu acidente.

— Ah! Desculpa. — Ele fecha o seu armário e sai daqui...

Após retirar um pouco do leite e trocar de blusa, saí do quartel.

Mal vejo a hora encher meu filho de beijos e descansar. Meus músculos estão doloridos.

— Ei! — O capitão corre e começa a caminhar ao meu lado. — Sobre hoje, acho que eu te devo satisfações.

— Bom… — Paro de andar e cruzo os braços. — Eu não ia pedir. Com certeza o senhor não é um criminoso, não é? — Penso em dar um riso para minha fala parecer mais verdadeira, mas lembro que não sou uma boa atriz e deixo para lá.

— Pois é. — Ele me mostra um jogo de RPG. — Quando falo: matar, é com relação ao jogo. Meu amigo quer que eu "mate" um cara. Na verdade, ele quer juntar forças comigo para banir esse cara completamente do jogo e, eu jogo isso há anos, esse cara também. Se o jogo for tão importante para ele quanto para mim, eu não vejo possibilidade alguma em fazer essa atrocidade.

Pior que eu acredito. Já conheci homens de 40 anos, com filhos, que ficam presos nesses jogos de RPG como se fossem adolescentes sem vida social.

— Já estou no nível 143.

— Legal… Vou para casa agora. Boa sorte com seu jogo.

É feio eu ter preconceito com homens na casa dos trinta que jogam? Porque neste momento eu fiquei completamente desencantada com essa descoberta. Acho que isso infantiliza os homens. Não os fazem parecer maduros.

— Não quer sair e beber com a galera? Vamos num bar aqui perto, Liliam Bar. É ao lado de uma funerária.

— Eu não bebo.

— Mas gosta de amendoim? No bar tem amendoim e refrigerante.

— Gosto dos dois, mas hoje tenho que voltar para casa cedo. Talvez outro dia. — Dou um sorriso singelo.

— Podia aumentar esse sorriso. Deixar de sorrir não vai fazer você virar casca-grossa e enfrentar com mais facilidade o trabalho.

— Com todo o respeito, eu não preciso fingir ser casca-grossa. Eu sou. — Sorrio. É meio brega, mas às vezes gosto de me gabar, mesmo que eu não seja isso que estou dizendo ser. Só espero que as pessoas não me achem arrogante.

— Agora eu gostei. — Ele sorri de lado. — Da próxima vez quero ver quando tiver uma ocorrência muito séria. Fez um bom trabalho hoje, mas não fiquei de olho em você. Da próxima eu ficarei e vamos ver se você só fala ou sabe agir.

— Vamos ver. — Espero ele ir embora para seguir o meu caminho, mas ele não vai. Continua a me olhar. — O senhor quer algo?

— Na verdade, eu... — Ele para de falar quando um homem mal-encarado toca no seu ombro. Não parece ser uma pessoa qualquer, usa terno e tem cara de segurança ou coisa do tipo. Também percebo que possui uma tatuagem de teia vermelha no dedo indicador.

O capitão fica sério.

— É... Até mais, Dias. — Ele me dá as costas e começa a andar em direção a um carro preto. Entretanto, se vira ao ver que o homem de terno ainda está parado aqui. — Vem agora!

O homem sorri de lado e se vira indo em direção ao carro com capitão. Eles entram e vão embora.

Vejo Jin sair do quartel e vir em minha direção.

— Era o capitão que saiu de carro? A gente ia sair para beber.

— Sim. Ele foi embora com um homem estranho.

— De terno? — Ele franze as sobrancelhas.

— De terno.

— Que ótimo... Inferno! — murmura.

— É preocupante? — Cruzo os braços. Agora estou achando bem estranho. Parece que o homem perfeito da Dubois tem sérios problemas.

— Não. — Olha para baixo colocando as mãos na cintura, mas logo volta a me encarar. — Mais ou menos. O capitão é um cara muito gente boa e é foda ver ele com problemas.

— Ele matou alguém?

— O quê? — Ele me olha com indignação. — Claro que não.

— Roubou? Estuprou? Assediou? Espancou?

— Não. Eu acabei de dizer que ele é gente boa.

— Então eu vou indo. — Dou de ombros. — Tchau!

Se o capitão não é uma pessoa ruim, eu não tenho com o que me preocupar. Não preciso ficar longe dele...

No trem, eu vejo pessoas entrando e saindo. Não tive vontade de ser a atenção e usar uma roupa sem nada por baixo. A minha blusa está um pouco molhada pelo sutiã que não troquei. Não é igual aos olhares de quando amamento em público, então não me importo.

Uma vez vi um homem excitado me vendo amamentar o meu filho. Não ligo se uma pessoa gosta de lactofilia, mas eu ligo que olhem com excitação para quando eu estou fazendo algo tão doce. Amamentar o meu filho é um momento tão emocional e lindo que eu não consegui continuar o alimentando após ver a marca nas calças daquele ser. Nunca impedi que ele mamasse o quanto quisesse. Ele até pediu para continuar mamando, mas tive que negar.

Sabe, às vezes eu penso que a vida é uma merda e isso nunca irá mudar. Tudo que quero é viver em paz, viver feliz ao lado do meu filho.

Olhando agora para o movimento no trem, para as pessoas entrando e saindo de estação em estação, sinto que sou pequena e insignificante. 

Tantas pessoas estão sofrendo, tantas pessoas estão no fundo do poço e não conseguem sair de lá. Eu não estou lá, mas eu sinto que vou acabar voltando para o poço. Por que isso acontece? Será que vale a pena continuar a lutar? Talvez sim. Afinal, eu já batalhei tanto e conquistei tantas coisas, não é possível que tudo se complique de novo.

Suspiro e fecho os olhos. Estou cansada mental e fisicamente.

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