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Capa do romance MEU BOMBEIRO MAFIOSO E BILIONÁRIO

MEU BOMBEIRO MAFIOSO E BILIONÁRIO

Laura refez sua vida nos Estados Unidos como bombeira, longe do ex-marido assassino e do passado sombrio na Bahia. Ao lado do filho Joca, ela encontra segurança até conhecer Dom, seu capitão. Rico e atraente, ele esconde ser o herdeiro de uma poderosa máfia. Quando seu antigo perseguidor a localiza, Laura decide lutar em vez de fugir. Em meio ao caos, ela precisará confiar em Dom para sobreviver, sem saber se ele é o seu salvador ou um novo perigo.
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Capítulo 1

O melhor presente que Rubens já me deu foi o meu João Carlos, a razão da minha existência. Sempre digo que cada parte do meu coração é dele. Eu o amo de uma forma inigualável e quero que ele saiba disso todos os dias de sua vida.

— Que saudade! — Pego Joca no colo ao entrar no apartamento e sinto um enorme alívio no peito. — Ah, como eu senti sua falta! Parece que fiquei anos longe de você.

Deito-o no sofá e ele sorri mostrando aquelas covinhas lindas. Acaricio o seu cabelo cacheado.

Rachel, a babá do Joca, sai do quarto dele e vem até à sala. É uma adolescente de 16 anos, mora em um apartamento do prédio ao lado, mas prefere passar a maior parte do tempo fora de casa. A culpa disso são dos seus pais, são pessoas horríveis.

Joca me contou como foi o seu dia e contei a ele sobre o meu.

— Eu vou me inspirar na senhora para ter os meus sonhos realizados — Rachel diz se sentando ao nosso lado no sofá. — E você quer ser o que quando crescer, Joca?

Joca olha para mim e depois para ela.

— A Rachel te fez uma pergunta. Você entendeu?

Ele ainda não fala muito bem inglês, mas está estudando muito para quando começar a ir para a escola.

— Sim. Mais ou menos. Eu acho que quero construir casa igual o pai.

— Igual seu pai? Então será um pedreiro. Você vai fazer casas muito bonitas, eu tenho certeza. — Sorrio.

Rubens era pedreiro de dia e de noite um... Ele era um homem sem coração, sem medo da morte, sem medo do que podia perder, um assassino frio. Mas, na linda cabecinha do meu filho, Rubens sempre será um pedreiro dedicado e um pai de família também dedicado.

Sempre pergunta quando vai poder voltar a ver o pai. Nunca dei justificativa sobre o porquê saímos da Bahia, pois não consigo pensar em uma boa. Sobre poder ver o pai: digo que estamos muito longe da Bahia e que o pai está muito ocupado trabalhando. Ele não acredita, mas não me contesta, só fica chateado.

Sinto até que eu sou uma péssima mãe por o ter tirado dos braços do pai, mas como eu poderia continuar com um homem que não me valorizou? Quando eu descobri que ele era um assassino me bateu porque pedi que ele parasse de matar. Fui embora mesmo e, para cobrir a ausência do pai, eu dou o melhor de mim...

Depois de conversarmos, Joca sentiu sono. Ele mamou e depois o coloquei para dormir. O meu filho tem 7 anos e ainda mama. Ele também come comidas sólidas, então nenhum pediatra vê problema nisso.

Dou um beijo em sua testa e encaro por alguns segundos o seu rosto angelical. Vou até a porta e a abro.

— Mãe!

— O que foi? — Olho para trás e sorrio. — Achei que estivesse dormindo. — Coloco as mãos na cintura.

— Você acredita em Deus? — Ele se senta na cama.

— Não. Por quê? — Estreito os olhos. Aproximo-me e sento na beirada da cama. Onde ele descobriu sobre um deus?

— A Rachel disse que nesse final de semana foi... mergulhada na água e agora é uma mulher de Deus. O que isso significa?

— Meu filho, a Rachel agora tem uma religião. Sua avó me obrigava a ser cristã, mas depois que eu cresci deixei essa religião, porque eu nunca quis estar nela e não acredito no deus deles. Apesar disso, eu aprendi várias coisas boas lendo a Bíblia.

— Você tem outra religião agora?

— Não, mas eu creio em algo. A minha tia sempre me dizia que eu nunca deveria abaixar a cabeça e desistir de lutar pela minha felicidade, do contrário a energia negativa faria minha vida ser pior do que já... — Tusso. — A energia negativa faria minha vida ser ruim. Entendeu?

— Não sei. — Ele engatinha até mim e deita a cabeça no meu colo. — Tia... Avó... E o meu pai?

— Seu pai acredita que exista um deus, mas ele não sabe quem esse deus é e não tem certeza da sua existência. Minha tia...

— Tia pra cá... Tia pra lá... — Ele faz um bico. — Quem é ela?

— Fátima, irmã da sua avó. Você não se lembra dela? Ela estava sempre conosco quando morávamos na Bahia. Tratava você como filho.

— Quando a gente vai voltar pra Bahia?

— Bom...

Eu não tenho o que dizer para ele. Não vamos voltar. Nunca. Mas não posso dizer isso. Joca morreria de tristeza.

— Um dia nós conversaremos sobre isso. Agora, eu só peço paciência e que saiba que nada do que eu faço é para o seu mal, apenas para o seu bem. — Acaricio a sua cabeça e vejo tristeza nos seus olhos. Meu coração se aperta.

— Tá bom. — Ele respira fundo e se levanta saindo do quarto. — Vou ao banheiro.

Suspiro. Está cada vez mais difícil. Uma hora ou outra Joca vai exigir explicações.

Saio do quarto dele.

— Joca, eu vou ao terraço. Já volto! — Abro a porta do apartamento e saio de casa.

Subo para o terraço e pego o celular no bolso da minha calça.

Eu ainda lembro o número da minha confidente. A minha tia, Fátima. Só ela me entende. Só ela me apoia e me protege. Ela e o meu filho.

O céu está cheio de nuvens e a cidade é completamente diferente daquela pequena cidade do interior da Bahia, Taperuçu. A tia gostaria de conhecer Souls.

Ligo para ela. Enquanto espero ela atender o meu coração bate forte e as minhas tremem.

— Alô, quem é?

— É a Laura. — Prendo a minha respiração como se isso fosse ajudar a conter os meus sentimentos.

— Ai, meu Deus! Minha filha, onde você tá? E meu Joca?

— Estamos bem. — Aperto os olhos tentando não chorar e sorrio. — Eu tenho um emprego, moro num apartamento e trabalho como bombeira. Agora eu moro nos Estados Unidos, em Souls. Aqui é lindo, tia. Você iria adorar conhecer. — Enxugo uma lágrima e respiro fundo. — Senti tanto a sua falta, minha tia.

— Meu amor, volta pra...

— Laura?! — ouço a voz do Rubens no celular. Meu coração dá uma pontada e sinto um embrulho no estômago. A voz desse homem me causa arrepios e me lembra dos piores momentos da minha vida.

Minha tia desliga a chamada. Ligo novamente para ela e começo a me desesperar quando ela não atende.

Não, não, não. Isso não pode estar acontecendo. Não!

Caiu na caixa postal. Ligo novamente, ela não atende... Ligo de novo e ela finalmente me atende.

— Tia?!

— Cadê você? — Rubens pergunta gritando. — Porra, fala onde você tá!

Sinto a raiva me possuir e aperto com certa força o celular. Se ele tiver feito algo com ela...

— Minha tia... — Contenho-me para não começar a gritar com esse desgraçado.

— Quem vai falar com você é eu. Sai de fininho e leva o meu filho embora. Parabéns pelas suas atitudes, Laura! Faz anos que eu não vejo meu filho. Quando foi que eu fui um mau pai? Quando foi que eu deixei de cumprir minhas obrigações como marido? Agora você vai se ver comigo. — Ele desliga.

Seguro-me para não chorar. Ligo para a minha mãe. Ela precisa ir atrás da tia.

A ligação cai na caixa postal várias vezes, mas persisto e ela atende.

— Mãe, sou eu. Por favor, me escuta. O Rubens...

— Laura?! — fala o meu nome com surpresa e incredulidade. — Seu demônio! Sua desgraçada! Como liga assim, de repente?

— Por favor, mãe. Não é hora pra isso. Guarda os xingamentos e me escuta! — Respiro fundo. — O Rubens ouviu a tia falando comigo e tomou o celular dela. Eu não faço ideia de como ela tá, você precisa procurar por ela. Você e o pai. Vê se ela tá em casa, por favor.

— Eu vou, mas depois você vai me ouvir. Vai ouvir e muito! — Ela desliga.

Sento no chão e passo a mão pelo meu rosto. Se ele tiver feito algo com a minha tia, eu nunca vou o perdoar. Esse desgraçado morre.

O meu celular toca e atendo rápido ao ver ser tia Fátima.

— Alô?!

— Me perdoa, Laura. — Ouço tia Fátima chorar. — Ele me ameaçou, eu tive que contar o que eu sabia.

— Ele te bateu?

— Bateu não. Eu tive medo dele bater e acabei contando antes que ele tocasse em mim.

— Você fez bem. — Respiro sentindo um alívio fluir do meu peito.

— Ai, meu amor... Ele tá louco! Tá dizendo que vai te trazer nem que seja arrastada pelos cabelos.

— Se ele quer o filho dele vai ter que me matar.

— Não só o filho. Quer você também. Laura, eu acho que se você não voltar ele te mata mesmo. Ele não sabe seu endereço, não sabe onde é sua casa, mas tá dizendo que vai te procurar. Faz o que ele pedir, vai ser melhor. Volta pra cá e deixa eu cuidar de você como eu sempre fiz, pelo amor de Deus — ela implora e o meu coração dói ao ouvir o seu choro.

— Não, tia. Eu não quero voltar. Hoje eu sou uma nova pessoa. Seus conselhos me deixaram mais esperta, mas o tempo se passou e eu aprendi algumas coisas sozinha. Eu estou construindo uma vida. Agora, aqui é minha terra. E se ele vir... Se ele me achar, ou eu morro, ou ele morre. Eu vou lutar com os meus próprios punhos e vamos ver quem vai viver.

Mato ou morro, não tem terceira opção.

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