
Mentiras Doces Contadas por Você
Capítulo 2
O coração de Maya guardava um profundo ressentimento pela vergonha que passou no incidente com aquele lindo homem e sua cadelinha Preciosa. Após procurar por meia hora e se perder umas tantas vezes, ela finalmente encontrou a clínica veterinária.
Com um longo suspiro de alívio, ela abriu a porta de vidro e entrou. O vento que soprava em suas costas era congelante, de forma que não pôde deixar de soprar sobre suas mãos, em luvas de algodão, para tentar esquentá-las. O nariz de Maya estava avermelhado por causa do frio, mas seus lindos olhos escuros permaneciam alertas. Só quando fechou a porta atrás de si que pôde sentir o calor do ambiente fechado.
Durante aquele mês de dezembro, os dias estavam excepcionalmente frios na cidade T. De acordo com as notícias, aquele inverno estava sendo o mais frio dos últimos trinta anos. Enquanto tentava esquentar as mãos, Maya deixou seus olhos vagarem pelo lugar. As gaiolas enfileiradas nas paredes continham vários animais de estimação, a maioria sendo gatos, coelhos e outros roedores. Os animais pareciam felizes com a chegada dela. Maya não gostava muito desses tipos de animais, então, continuou em frente com o passo apressado.
"Você é o doutor Chen?", perguntou ela, ao encontrar um homem alto vestindo um casaco branco. Ela imaginou que esse deveria ser o veterinário daquela clínica particular.
Apesar do homem estar de costas para ela, Maya o avaliou de cima abaixo, discretamente. 'Suas pernas são retas e compridas, e por trás parece ser magro', pensou ela consigo mesma. 'Ele é bem alto, deve ter mais de um metro e oitenta e cinco!'
Ao ouvir a pergunta de Maya, o homem virou a cabeça para ela. Ele era o homem que ela estava tentando esquecer desde que o viu pela primeira vez um pouco antes. Seus olhos claros e visivelmente indiferentes não vacilaram nem um pouco quando ele apontou para algum lugar atrás dela, sem proferir uma palavra.
A garota franziu a testa, sem entender direito. A presença daquele homem a fazia se lembrar do grande constrangimento que tinha sofrido a não muito tempo atrás, fazendo-a endurecer o coração. O olhar da garota vagou novamente pelo lugar e acabou pousando sobre a samoieda chamada Preciosa.
O silêncio entre os dois começava a ficar incômodo e Maya observou o homem se inclinar ligeiramente para consolar a cadela na mesa de operações.
Maya mantinha ainda o olhar sobre o animal, uma grande cadela branca. Na verdade, a cadela era gorda mesmo.
Quando seus olhos voltaram a focar no lindo homem, Maya até se sentiu aliviada de ver a indiferença estampada no rosto dele. Era melhor que ele não se lembrasse de já ter a visto, caso contrário, ela morreria de vergonha.
Então, Maya se virou na direção que lhe tinha sido apontada anteriormente e viu um outro homem com óculos de armação dourada, vestindo um jaleco branco. "Você é o doutor Chen?", perguntou.
Ao ouvir a voz de Maya, Yusuf a olhou sem nenhuma expressão no rosto.
O doutor Chen sorriu gentilmente para Maya. "Olá, senhorita, onde está o animal?", perguntou.
Maya tirou cuidadosamente uma caixa de sua bolsa e a abriu lentamente com seus lindos olhos negros cheios de preocupação. "Não sei o que há de errado com a minha tartaruga, ela não se mexe há dias", informou ela. "Eu dei comida e água como deveria, mas ela simplesmente não se move."
Dentro da caixa, uma tartaruga com a cabeça recolhida permanecia imóvel. Esse era o animal de estimação da sua melhor amiga, Crosby. Ela tinha deixado a tartaruga para que Maya cuidasse, pois sua amiga teve que viajar ao exterior por um tempo. No início, Maya não gostou muito da ideia, já que nunca tinha tido um animal de estimação. No entanto, por ser uma tartaruga, ela acabou aceitando, pois pensou que esse tipo de animal não morreria mesmo que não dedicasse tanto tempo para seu cuidado. No entanto, o animal havia inesperadamente escondido a cabeça na casca dias atrás e, para desespero de Maya, não tinha mais se movido. A garota ficou bastante preocupada e, no desespero, saiu à procura de um veterinário sem se preocupar com o frio. Ela não se atreveria a negligenciar a preciosa tartaruga, deixada a seus cuidados pela amiga.
Doutor Chen ouviu atentamente a explicação de Maya enquanto observava a tartaruga de perto. Ao terminar, ele soltou uma risada espontânea. "Imagino que você nunca teve uma tartaruga antes, certo?", perguntou ele, casualmente. "Não precisa se preocupar. Como está muito frio, sua tartaruga está hibernando."
Os olhos de Maya se arregalaram ao ouvir essa informação e ela pôde sentir o rubor subir para seu rosto, junto com uma forte sensação de calor. Lembrando-se do lindo homem que estava na clínica, ela se sentiu ainda mais humilhada e ficou ainda mais vermelha.
Tudo tinha sido culpa dela. Maya tinha ficado tão ansiosa pela tartaruga que acabou não conseguindo pensar direito. Por que não lhe passou pela cabeça que o bicho estava hibernando? Ela simplesmente deu de ombros, repreendendo-se mentalmente.
O que mais a deixava com vergonha era ter feito um papel ridículo na frente daquele homem duas vezes no mesmo dia!
Enquanto isso, doutor Chen notou que Yusuf pegou Preciosa e estava pronto para sair dali. "Senhor Yusuf, você já está indo embora?", perguntou ele no mesmo momento. "Sua cadela já se encontra bem. Lembre-se de não lhe dar muita carne crua e fria nesses dias, prefira lhe dar comida quente. Se possível, controle a quantidade, ela está engordando demais."
Ao ouvir isso, Maya olhou para o homem com curiosidade, pensando em como ele era indiferente. Ele franziu a testa, um pouco desconcertado com o conselho do veterinário. "Tudo bem", respondeu com uma voz agradável, apesar de fria.
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