
Mentiras Doces Contadas por Você
Capítulo 3
Maya ficou observando o homem levar seu animal de estimação para fora de lá. De repente, a cadela deu meia volta e latiu como se estivesse zombando dela.
Ao que parecia, o homem percebeu que tinha alguma coisa errada e virou a cabeça para ver o que fez sua cachorra latir, percebeu que Maya os estava olhando. No mesmo instante, ele desviou calmamente o olhar e se inclinou, com um sorriso, para acariciar a cabeça do animal. Logo em seguida, os dois continuaram seu caminho em direção à porta.
Maya tinha ficado imóvel, sem palavras. 'Meu Deus!', pensou. Ela tinha passado por dois momentos de constrangimento na frente daquele homem desconhecido.
'O que foi que você fez?', perguntou-se mal-humorada.
Maya balançou a cabeça e saiu dali direto ao supermercado. Não queria voltar para casa com as mãos vazias. Ela aproveitou a oportunidade para comprar algumas coisas gostosas para se acalmar, principalmente depois de ter feito papel de boba.
Depois de encher o carrinho com itens que considerou serem suficientes para uma semana, Maya pegou uns salgadinhos, doces e uns absorventes íntimos. Maya observou um grupo de idosas, animadas, fazendo compras para o Festival da Primavera antes de pegar um aquário e colocar cuidadosamente em seu carrinho. Tinha acabado de decidir dar uma nova casa para a tartaruga.
Finalmente, ela estava se sentindo feliz e animada com os braços cheios de sacolas grandes e pequenas. Ela tinha vindo de uma família pobre e, apesar de não ter muito dinheiro quando nova, gostava de fazer compras de vez em quando. Mesmo assim já se sentia muito satisfeita naquela época. Agora ela estava indo muito bem no trabalho e ganhando o suficiente para se manter.
Além do mais, já não tinha mais medo de ficar sem dinheiro por ter que pagar as contas de compras que inconscientemente tinha feito em excesso.
No caminho para casa, a temperatura ainda estava tão baixa que ela começou a ficar com o corpo dormente. Ao sair do táxi, ela sentiu o vento gelado cortar o seu rosto como se fosse uma faca. Maya não queria mais sair de casa, agora só depois do Festival de Primavera. Ela também já tinha pagado o suficiente de água e eletricidade para poder ligar o climatizador todos os dias.
Seus pais tinham lhe perguntado quando voltaria para casa para comemorar o Festival da Primavera, mas ela não pretendia voltar naquele ano. Ela se sentia quase como uma intrusa todas as vezes que voltava para casa. Talvez se sentisse assim por não estar mais acostumada a lidar com sua família.
Seus pais sabiam muito bem como ela podia ser teimosa quando queria. Não importava o quanto eles insistissem, Maya não iria ceder. Eles só conseguiram convencê-la a voltar durante os primeiros dias do Festival da Primavera.
"Olá garota, você voltou!", cumprimentou um velho vizinho.
Maya tinha morado ali por dois anos. Durante esse tempo, só saía de casa quando era realmente necessário, assim, não tinha esperado que alguém a fosse reconhecer. Ela tinha ficado um pouco atônita e só conseguiu esboçar um sorriso forçado ao velho.
"Voltei", respondeu ela, entrando imediatamente no elevador para ir direto para casa.
Maya era uma garota muito caseira e não saía muito. Ela tinha 24 anos e trabalhava como roteirista profissional. Ela veio de uma cidade muito pequena, a Cidade S, mas depois de se formar na faculdade, preferiu permanecer na Cidade T.
Embora estivesse trabalhando como roteirista atualmente, ela tinha sido uma escritora desconhecida da Internet por quatro anos, e tinha conseguido um emprego como roteirista somente no ano anterior. Por estar no início de sua carreira, seu salário ainda não era suficiente para ela sobreviver na Cidade T, uma cidade de primeira linha. Felizmente, ela tinha uma amiga rica que sempre a ajudou.
Essa amiga era Crosby Liu. Elas se conheceram no ensino médio, quando tinham sido colegas de mesa. Crosby era conhecida por ter um temperamento frio e distante. No entanto, quando se tornaram amigas e Maya passou a conhecê-la melhor, descobriu que ela não era apenas bonita, mas também inteligente e engraçada.
Além disso, Crosby gostava de arte, mais especificamente de pintura, e de vídeo games. Ao contrário de Crosby, Maya era tímida, principalmente com desconhecidos. Só quando conhecia melhor as pessoas que se comportava de uma maneira mais espontânea e divertida.
A amizade delas era tão improvável e inexplicável que parecia um filme de ficção científica. Para começar, nunca tinham tido os mesmos gostos. A única coisa que tinham em comum era que as duas eram pessoas caseiras.
Bem, voltemos para Maya.
A casa em que morava era bastante grande, com dois quartos e uma sala de estar. Maya adorava ficar por lá, sem fazer nada além de escrever roteiros, dia após dia. E sempre usava o tempo livre para limpar e arrumar a casa.
Naquela noite, decidiu preparar um delicioso bife para o jantar. Além de escrever roteiros e gostar de assistir novelas à televisão, esta roteirista profissional também tinha estudado gastronomia. Pouco depois de se formar, ela chegou a aprender quase todas as receitas da gastronomia chinesa e internacional.
Maya era muito confiante em sua habilidade culinária. Tão confiante que tinha certeza de que Crosby, caso se casasse, iria visitá-la de vez em quando só para poder comer de sua culinária impecável.
Depois de um tempo, Maya finalmente terminou o último capítulo do roteiro e enviou para o editor chefe. Logo, resolveu tomar um banho e ir para cama, ela adormeceu em seguida.
No meio da noite, um barulho repentino, vindo do lado de fora, a despertou bruscamente.
Apesar do bom isolamento acústico da casa, ela podia ouvir os latidos de um cachorro ressoarem pelo ambiente. De repente, a campainha tocou, fazendo seu coração perder o compasso.
"Quem poderia ser? Já é tão tarde!", sussurrou Maya, passando as mãos pelos cabelos e indo em direção à porta de chinelos. Ainda um pouco surpresa, ela espiou pelo olho mágico da porta e ficou perplexa com o que viu.
'O que ele faz aqui?', perguntou para si mesma, sem entender o que se passava. O homem que estava tocando sua campainha era o dono da cadela samoieda que tinha encontrado naquele dia.
Ela pegou o taser cautelosamente de dentro do armário de sapatos e o segurou, escondido, atrás das costas. Só então que ela abriu a porta, limpando a garganta. "Oi, em que posso ajudar?", perguntou ela para o homem alto e atraente que estava à sua porta.
Ao que parecia, ele não a tinha reconhecido. O homem apontou para uma pilha de coisas atrás de si e para dois homens da empresa de mudança. "Sou novo aqui", respondeu ele. "Será que você poderia cuidar do meu cachorro por alguns minutos? Venho buscá-la assim que terminar de limpar e colocar as coisas em ordem."
Pega de surpresa, Maya ficou sem saber o que responder por um momento.
Ela olhou, relutante, para o animal gordo e de volta para o homem, que a observava com um olhar inocente, quase suplicante. Ele parecia ter medo de que ela se recusasse e acrescentou rapidamente, a critério de justificativa: "Minha cadela não suporta poeira. Prometo que vou terminar de limpar tudo logo!"
Maya realmente não sabia o que responder.
Esta seria a primeira vez que cuidaria de um cachorro tão delicado, que se chamava Preciosa e não suportava poeira.
'Espere um pouco! Ele é novo aqui? Isso significa que será meu vizinho?', pensou.
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