Capa do romance Tarde Demais Para Arrependimento: A Fugitiva do Rei da Máfia

Tarde Demais Para Arrependimento: A Fugitiva do Rei da Máfia

9.8 / 10.0
Enganado por sua própria negligência, o implacável Don da máfia de São Paulo assina o divórcio sem notar, focado apenas em sua amante, Sofia. Enquanto ele me abandona na chuva para socorrê-la, não percebe que os documentos que validou me dão a liberdade. Agora, legalmente livre de seu desamor e das sombras de sua traição, planejo sumir em Florianópolis. Quando ele descobrir que assinou o fim da nossa união, eu já terei partido, deixando para trás apenas o seu arrependimento.

Tarde Demais Para Arrependimento: A Fugitiva do Rei da Máfia Capítulo 1

Eu vi meu marido, o Don mais temido de São Paulo, assinar o fim do nosso casamento com a mesma indiferença glacial que ele normalmente reservava para ordenar uma execução.

A ponta da sua caneta Montblanc arranhava o papel, um som que abafava a chuva batendo na janela da cafeteria.

Ele não se deu ao trabalho de ler uma única palavra.

Ele achava que estava assinando manifestos de transporte de rotina para os negócios da família.

Na verdade, ele estava assinando os papéis de "Dissolução de União" que eu havia escondido sob a folha de rosto.

Ele estava distraído demais para verificar. Seus olhos estavam grudados em seu celular criptografado, digitando freneticamente para Sofia — a viúva, a beleza trágica, a mulher que assombrava nosso casamento há três anos.

"Pronto", ele resmungou, jogando a pilha de papéis em seu SUV blindado sem sequer olhar para mim.

"Negócio fechado, Helena. Vamos embora."

Momentos depois, o celular dele tocou com o toque especial de emergência dela.

Sua postura mudou de chefe frio para protetor frenético instantaneamente.

"Motorista, desvie. Ela precisa de mim", ele rugiu.

Ele me olhou com zero afeto e ordenou: "Saia, Helena. O Luca te leva para casa."

Ele me chutou para fora do carro na chuva torrencial para correr para sua amante, completamente inconsciente de que acabara de me conceder legalmente a minha liberdade.

Eu fiquei na calçada, tremendo, mas sorrindo pela primeira vez em anos.

Quando o Don perceber que acabou de assinar o próprio divórcio, eu serei um fantasma em Florianópolis.

E ele não terá nada além de seus registros de carga e seu arrependimento.

Capítulo 1

Eu vi meu marido assinar o fim do nosso casamento com a mesma indiferença glacial que ele normalmente reservava para ordenar uma execução.

A ponta da caneta Montblanc preta arranhava o papel grosso, um som áspero que se erguia acima da chuva que martelava o vidro à prova de balas da cafeteria.

Dante Moretti, o Chefão da Família de São Paulo, não se deu ao trabalho de ler o documento. Ele não verificou as cláusulas. Ele não perguntou por que seu Consigliere não estava presente para supervisionar a transação.

Ele estava ocupado demais digitando uma mensagem em seu celular criptografado, a testa franzida daquela maneira sombria e letal que fazia homens adultos se borrarem de medo.

Mas eu não estava com medo. Eu estava apenas com frio.

"Pronto", ele disse, sua voz um trovão baixo que parecia vibrar através da mesa de mogno.

Ele jogou a pilha de papéis pela janela aberta, mirando perfeitamente no banco do passageiro de seu SUV blindado que o aguardava. Ele nem sequer olhou para mim.

"Negócio fechado, Helena. Vamos embora."

Eu encarei o interior de couro onde os papéis aterrissaram. A página de cima tinha o título "Dissolução de União". Escondido sob uma folha de rosto sobre manifestos de transporte de rotina, era a certidão de óbito de nós dois.

E ele tinha acabado de assinar.

Meu coração deveria estar batendo forte. Eu deveria estar suando. Mas depois de três anos sendo a esposa invisível, o troféu na prateleira, o canário engaiolado, eu não sentia nada além de um frio oco.

Dante Moretti, o Ceifador, o homem que controlava o sudeste com mão de ferro, tinha acabado de me conceder, sem saber, a minha liberdade.

Mia, minha irmã, sentou-se à minha frente, com os olhos arregalados. Ela olhou de Dante para os papéis, depois de volta para mim.

"Ele não leu", ela sussurrou, sua voz tremendo de incredulidade. "Ele simplesmente assinou."

"Ele está distraído", eu disse, minha voz completamente morta. "É um Código Vermelho."

Mia zombou, embora mantivesse a voz baixa. "Código Vermelho? Você quer dizer Sofia."

O nome pairava no ar como fumaça tóxica. Sofia Rossi. A viúva. A beleza trágica. A mulher que ligava para o meu marido às duas da manhã porque ouviu um barulho. A mulher que era o fantasma na minha cama de casamento desde a noite de núpcias.

"Ele prometeu te honrar", Mia sibilou. "Ele te ignora por três anos e agora isso?"

"Ele protege o que valoriza", respondi. "Eu sou apenas um tratado de paz com pulso."

Lá fora, a rua havia se esvaziado. A presença de Dante Moretti fazia isso. Quatro SUVs pretos estavam parados na calçada, os motores roncando como feras esperando para atacar. Homens de ternos escuros estavam na chuva, as mãos pairando perto de suas cinturas.

Este era o mundo dele. Violência. Poder. Silêncio.

E eu era apenas um móvel nele.

Dante se virou para mim. Seus olhos eram da cor de café expresso, escuros e amargos. Eles me percorreram, procurando por ameaças em vez de afeto.

"Mamãe nos espera para a macarronada de domingo", ele disse. "Entre no carro."

Ele não pediu. Ele comandou. Esse era Dante. Ele se movia pelo mundo assumindo que este se curvaria à sua vontade sem questionar.

Eu me levantei, alisando a saia do meu vestido. Inclinei-me para Mia.

"Diga à Isabella para adiantar o cronograma", sussurrei.

Mia apertou minha mão. "Florianópolis é território neutro, Helena. Mas ele virá atrás de você."

"Deixe-o vir", eu disse. "Ele não encontrará uma esposa. Ele encontrará uma estranha."

Eu saí para a chuva. Um soldado imediatamente segurou um guarda-chuva sobre mim, mas a umidade se infiltrou em meus ossos.

Entrei na parte de trás do SUV principal, e o cheiro me atingiu instantaneamente: Chanel Nº 5. Pesado, floral e enjoativo.

O perfume de Sofia.

Ele se agarrava aos assentos de couro. Ele se agarrava ao ar. Era sufocante.

Dante deslizou para o meu lado, preenchendo o espaço com sua estrutura maciça e o cheiro de tabaco caro e óleo de arma. Ele irradiava calor, uma fornalha de masculinidade crua que costumava deixar minhas pernas fracas.

Agora, apenas me dava náuseas.

"Você protocolou os manifestos?", ele perguntou, seus olhos ainda grudados no celular.

Ele se referia aos papéis. Os papéis do divórcio que ele pensava serem registros de carga.

"Sim", menti.

"Bom. A Comissão se reúne na próxima semana. Serei confirmado como o Don absoluto. Não preciso de pontas soltas."

Eu olhei pela janela para a cidade cinzenta se tornando um borrão. *Eu sou uma ponta solta, Dante. E você acabou de me soltar.*

O celular dele tocou. O toque áspero e estridente que ele reservava para emergências.

Sua postura mudou instantaneamente. O Don frio e calculista desapareceu. Em seu lugar, surgiu um protetor frenético.

"Sofia?", ele latiu para o telefone. "Devagar. Onde você está?"

Eu fechei os olhos. Claro.

Ele ouviu por um momento, sua mandíbula se contraindo com força suficiente para quebrar um osso.

"Motorista, desvie. Vila Madalena. Agora."

O motorista hesitou. "Chefe, a Sra. Moretti está no carro. A Matriarca está esperando."

"Eu disse para virar a porra do carro!", Dante rugiu.

O SUV desviou, os pneus cantando no asfalto molhado. Agarrei a maçaneta da porta para me firmar.

Dante se virou para mim. Não um pedido de desculpas. Uma ordem.

"Saia na próxima esquina. O Luca te leva para casa no carro de trás."

Eu olhei para ele. Realmente olhei para ele. A cicatriz acima de sua sobrancelha. O contorno cruel de sua boca. O homem que eu amava desde os dezesseis anos. O homem que nunca me olhou com metade da intensidade que acabara de mostrar para a tela de um celular.

"Ela está sendo ameaçada", ele disse, notando meu olhar.

"Ela está sempre sendo ameaçada, Dante", eu disse suavemente.

"Saia, Helena."

O carro parou. A chuva estava caindo mais forte agora.

Eu abri a porta. O vento frio bateu no meu rosto.

Eu pisei na calçada. O carro de Luca estava parando atrás de nós, mas por um momento, eu fiquei sozinha na tempestade.

Dante não olhou para trás. Ele já estava gritando ordens em seu celular.

Antes de bater a porta, olhei para ele uma última vez.

"Você assinou os papéis, Dante", eu disse.

Ele não me ouviu. Ele acenou com a mão displicentemente, sinalizando para o motorista ir.

O comboio acelerou, espirrando água suja nos meus sapatos. Eles corriam em direção à Vila Madalena, em direção a Sofia, em direção à mulher que importava.

Eu fiquei ali, tremendo, observando as luzes traseiras vermelhas desaparecerem na névoa cinzenta.

Eu estava molhada. Eu estava com frio. Eu estava sozinha.

Mas pela primeira vez em três anos, eu estava finalmente livre.

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