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Capa do romance Laços de Família - O viúvo e a CEO

Laços de Família - O viúvo e a CEO

Angeline é uma CEO próspera que se fechou para o amor após uma traição. Sua vida muda ao vivenciar a maternidade solo, um desafio inesperado. Raphael, um confeiteiro viúvo, descobre por uma carta que o embrião de sua falecida esposa foi doado e deseja conhecer a criança. Ao compartilharem a criação das filhas, surge uma conexão profunda. Resta saber se a doçura de Raphael será capaz de derreter o gelo no coração de Angeline e permitir que ela ame de novo.
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Capítulo 2

6 anos depois

Angeline

Sentada no chão do quarto de brinquedos, fico olhando encantada para minhas duas princesas, meus milagres.

Às vezes ainda é difícil acreditar que depois de tudo que passei, consegui realizar o sonho de ser mãe. Um sonho que por muito tempo acreditei que nunca iria se tornar real, principalmente depois da traição de Leôncio.

Aquela é uma época que não gosto de lembrar muito, o golpe de ser traída por quem eu amava me marcou profundamente, e não foi fácil me reerguer. Depois de finalizado o divórcio, me fechei totalmente, para nunca mais dar a chance para alguém destruir meu coração. Sei que isso me fez ficar com a fama de alguém fria e arrogante, mas os poucos amigos que tenho, sabem que não sou assim.

O único lado bom daquela decepção foi que ao me focar no trabalho, fiz nossa empresa prosperar muito, e me tornei a maior CEO no ramo hoteleiro, e a mais jovem em conquistar tantos prêmios. Atualmente, a rede Campion está presente em 35 países, e conta com 385 hotéis e resorts, sendo que desses, 218 ficam nos Estados Unidos. E, embora meu preferido seja o Resort Silver Lake, meu escritório fica no Playa Vista, até por ser mais perto de meu apartamento em Ocean Park.

No entanto, desde o ano passado que não tenho mais colocado a empresa como prioridade em minha vida. Tudo mudou para mim quando o destino decidiu me mostrar que eu poderia realizar meu maior sonho sozinha.

Essa esperança veio através da Dra. Cloé Bastet, uma médica reprodutivista, que lida especificamente com fertilização. Eu a conheci quando reservou o auditório do hotel para uma palestra, e como sempre tive o costume de ir dar boas-vindas, fui conversar com ela e ao saber o teor de seu trabalho, acabei por assistir a palestra inteira. Por lidar com fertilização in vitro, ao longo dos anos a dra. viu muitos embriões sendo descartados e não se sentia bem com isso, então criou um projeto de doação desses embriões para quem não pode ter filhos biológicos.

Eu achei a iniciativa linda, pois sei que existem mulheres como eu, que apenas a doação permite uma gestação. Não sei bem o que aconteceu, mas saber do projeto acendeu uma chama dentro de mim, que se tornou impossível ignorar. No entanto, eu ainda tinha medo, pois vivia presa no conceito de família, julgava impossível ter um filho sem ter um homem do meu lado, e assim não poder dar um lar bem estruturado. Mas minha família me mostrou que não era bem assim, que por mais importante que um pai seja, eu poderia ser mãe solo e nunca estaria sozinha, pois tinha eles ao meu lado.

Apesar do medo de falhar ou não dar conta de ser uma boa mãe, o desejo foi mais forte e eu não quis mais lutar contra ele, quis me sentir completa e realizar meu maior sonho, e assim, decidi que me tornaria mãe.

Após a decisão tomada, as coisas não se tornaram mais simples, foram dias de angustia, onde precisei fazer muitos exames para ver se depois de tanto tempo, e já estar com 32 anos, eu poderia gerar uma vida. Mas então tudo mudou rápido demais, no dia que recebi os exames positivos, também já tive a chance de fazer a fertilização, pois a doadora era contra a criopreservação do embrião e o tempo estava correndo.

Embora minha gravidez tenha sido uma grande bênção, não foi simples, pois por serem gêmeas, tornou mais complicado o que já era difícil, mesmo assim, fui até o final lutando por minhas meninas. Descobrir que seriam gêmeas foi uma surpresa e tanto, afinal eu tinha recebido apenas um embrião, mas a vida não me queria mãe de apenas uma bebê, era amor em dobro.

Para o bem delas, eu precisei ficar a gravidez toda em repouso, pois os riscos eram muitos. E não me importei, por elas se preciso fosse eu me mudaria para um hospital, mas apenas precisei ficar em casa, onde fazia alguns trabalhos online para auxiliar meu pai, que voltou a cuidar dos hotéis. Meu pré-natal era a cada 15 dias, e a médica estava sempre atenta a cada avanço delas, e cuidando para uma possível ruptura do meu útero, por segurança precisei fazer uma cerclagem, que é um procedimento em que se costura o colo uterino para evitar o nascimento antes da hora prevista, mesmo que eu não chegasse às 40 semanas, cada semana a mais para as meninas era fundamental para suas vidas. Ao completar 28 semanas, as consultas passaram a ser semanal, foi também nessa ocasião que comecei a tomar injeções para ajudar no amadurecimento dos pulmões delas e as preparar para a vida fora de mim. E quando completei 33 semanas, meu útero estava em seu limite, era o momento de fazer a cesariana.

E foi assim, que depois de uma gravidez difícil, no dia 20 de janeiro, nasceram meus anjinhos, Eveleen e Elleonor. A Evie medindo 39,4 centímetros e pesando 1,570 gramas e Elle medindo 39,6 e pesando 1,550 gramas. Minhas pequenas guerreiras tiveram que lutar pela vida desde o início, e não foram poucas batalhas que elas enfrentaram, depois de passar a gestação com a luta semana a semana para crescer em um espaço tão pequeno dentro de mim, foram os dias sem fim na UTI. Por nascerem prematuras, elas precisaram ficar por um mês na UTI e por conta das injeções, não precisaram ser intubadas, graças a Deus, nenhuma das duas teve complicações e se desenvolveram muito bem.

O que me ajudou muito a passar esse mês sem as duas foi o apoio de minha família, não era fácil ir à maternidade vê-las e não poder trazê-las comigo, muitas vezes eu chegava em casa e chorava pela separação. E mesmo com a dificuldade de ir até lá, eu fazia o trajeto duas vezes por dia para ver minhas meninas. A equipe também me ajudava muito, sendo sempre gentis e amorosos, explicando com calma cada procedimento que faziam com elas e como estava sendo a evolução de cada uma.

Por mais difícil que fosse tudo, eu sabia que precisava ser forte por elas, para poder cuidar de minhas meninas e dar a elas todo amor que tenho. Eu retirava o leite todos os dias e levava para elas, era uma alegria sem tamanho saber que meu leite estava alimentando as duas e ajudando-as a crescer.

Após saírem da UTI, elas ainda ficaram alguns dias no hospital, pois precisavam de monitoramento, e para que eu pudesse ficar mais tempo com elas, acabamos ficando todas em um quarto da maternidade, e assim, fui aprendendo o melhor modo de dar de mamar e a cuidar das duas.

Nunca me esquecerei da emoção que senti quando segurei cada uma pela primeira vez, era a concretização de meu maior sonho, minhas princesas em meus braços, eu havia conseguido e elas haviam vencido.

Aqueles lindos olhos verdes me olhavam com tamanha adoração, que era como se meu coração estivesse aprendendo pela primeira vez sobre o amor, e de certa forma era, pois era o amor de mãe. Era incrível como duas pessoas tão pequenas já me tinham na palma da mão, por elas eu sou capaz de lutar uma guerra e enfrentar o mundo.

Saio de minhas pensamentos e volto a prestar atenção no presente ao ouvir o choro de Elle, ela é a mais manhosa e sempre a primeira a chorar quando chega o horário de mamar. Em cada mamada, faço um rodízio para uma mamar no peito e a outra receber a fórmula, é melhor assim, pois não tenho leite suficiente para ambas.

Agora é a vez de Evie mamar no peito, e enquanto Nate não vem com a mamadeira de Elle, pego as duas nos braços e vou verificar as fraldas, porém, como sempre a Elle está inquieta e não me deixa olhar direito, o que me faz rir, minha pequena bravinha.

Azenate Horowitz, ou Nate como gosta de ser chamada, é a babá das meninas, mas antes disso, foi minha enfermeira durante a gestação. Ela havia se formado há pouco tempo em enfermagem, quando a contratei, e apesar de jovem, se mostrava ser esforçada e dedicada. A contratação dela foi a melhor coisa que fiz, não apenas pelo cuidado, mas por ter ganhado uma amiga incrível, o convívio diário nos aproximou muito, de modo que em 3 meses ela já era minha confidente.

Finalmente Nate chega e pega a Elle, assim me sento com Evie e a coloco em meu peito esquerdo, que é só dela e começo a lhe dar de mamar. Fico segurando sua mãozinha e brincando com a pulseira que Lohan deu, ele fez isso para diferenciar as meninas, a da Evie fica no braço esquerdo e a da Elle no direito. Ajuda até na hora de deitar para mamar, já que cada uma tem seu lado e não aceitam de outro jeito.

Quando terminamos, ambas estão dormindo, então as colocamos em sua cama montessoriana que fica neste quarto, ela fica bem próxima ao chão e dá mais liberdade a elas, mesmo que por enquanto ainda não estejam engatinhando, embora estejam começando a tentar e as vezes conseguem se arrastar.

Fecho o mosquiteiro da cama e após verificar a babá eletrônica, saímos em silêncio do quarto.

— Angie, você confirmou com o Lohan o jantar de hoje? — Nate pergunta quando sentamos na sala.

Hoje as meninas completam 8 meses e como ocorre todo mês desde que elas nasceram, iremos comemorar mais um mês de vida delas, com um jantar e um bolinho para festejar. E o Lohan faz sempre questão de preparar tudo, pois embora apenas o padrinho, ele meio que assumiu o lugar de pai das meninas, e sou muito grata por tudo que ele faz pelas sobrinhas.

— Confirmei sim, iremos descer lá pelas 19 horas.

Decido aproveitar a soneca das meninas e vou dormir um pouco também, com duas pequenas que necessitam sempre de cuidados, todo descanso é bem-vindo, mesmo com a Nate me ajudando, ainda é cansativo, pois elas acordam 2 vezes por noite para mamar, e assim meus sonos são curtos e pouco relaxantes.

Vou sentir falta disso na próxima semana, quando finalmente voltarei a trabalhar no hotel, já estou há tempo demais afastada, mas por enquanto irei trabalhar só meio período, pois não quero ficar muito tempo longe das meninas. Foi uma decisão difícil de tomar, mas como as meninas já estão comendo, poderei ficar por algumas horas fora.

Em meio aos pensamentos de como será o momento da separação, acabo adormecendo.

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