
Laços de Família - O viúvo e a CEO
Capítulo 3
Angeline
Observo minhas meninas prontas para sua festinha. As duas estão parecendo duas princesas com o vestido cheio de babados em tule na saia e uma tiara fina de flor na cabeça. Embora goste de vestir as duas iguais, prefiro que cada uma esteja com uma cor diferente, de modo que hoje a Elle está com roupa pink e a Evie está na cor violeta. E para combinar com elas, estou usando um vestido tubinho frente única com gola alta, a cor dele é um tom de vinho, que fica entre as tonalidades das meninas.
Com todas já prontas, descemos para o apartamento de Lohan, que é logo abaixo do meu. Foi uma grande sorte ele conseguir se mudar para o meu prédio.
Apesar de ser 7 anos mais novo, nós sempre fomos apegados e cuidamos um do outro. Quando me divorciei, ele quem esteve ao meu lado, e quando ele quis morar na França, eu fui a primeira em apoiar. A princípio a mudança seria só para fazer faculdade de gastronomia e se tornar um chef de cozinha, mas depois de um tempo acreditei que ele nunca voltaria para Los Angeles, até por ter uma namorada lá e parecer estar bem estabelecido, mas então, três dias depois que fiz a fertilização, ele voltou para ficar e cuidar de mim, e até as meninas completarem 3 meses, morou em meu apartamento e a sua companhia era muito boa, mesmo me provocando diariamente, principalmente após descobrir meu segredo.
Durante a gravidez, eu tive muito receio que terminar com Candice fosse abalar o Loy, mas ele se manteve firme. Também me senti culpada, afinal ele tinha vindo para cuidar de mim. Mas então entendi que eles tinham planos diferentes para o futuro, e que o Lohan preferiu ser honesto com a Candice e terminar. Eu só quero que os dois sejam felizes, pois ela era uma boa moça, que só não quis ficar longe da família, o que entendo, porque também não sei se iria para longe dos meus pais.
Assim que entramos, Lohan já pega Evie do colo de Nate.
— Olá minha princesinha, vamos para a cozinha provar o jantar?
Seguimos até a cozinha, e colocamos cada uma em sua cadeirinha presa à ilha, assim elas podem ficar nos olhando e ir comendo, coloco o babador nelas para não sujar o vestido e logo Lohan entrega uma tigela com a papinha delas para que Nate vá alimentando as duas. Fico olhando as panelas, aqui tem comida demais, o que me faz suspeitar que ele convidou mais pessoas para o jantar.
— Lohan, exatamente quantas pessoas você está esperando?
— Não muitas, além de nós e nossos pais, o César, a Ayumi, a Ashley e o Petrus, que dessa vez o namorado irá conseguir vir.
— Espera, a Ashley vai vir mesmo sabendo que o César estará aqui? — Pergunto surpresa.
A Ashley era concierge no hotel, e tinha um romance com o César, que não queria assumir que estavam juntos, mas ficava de birra se ela saísse com outro. Então, no ano passado a Ashley pediu transferência para o Silver Lake e terminou de vez o caso deles, pois se cansou de ficar esperando uma atitude e decidiu seguir com sua vida. Infelizmente isso afetou nosso grupo de amizades, já que ela não queria ficar próxima ao César, o que achei bem razoável.
— Com certeza, vai ser interessante ver a reação do César ao vê-la depois de tanto tempo.
Pois é, alguns só dão valor ao perder. Foi o que aconteceu com o César, que nos últimos meses vem pedindo transferência para o resort. Só não fiz nada, pois o Lohan insiste que o homem precisa sofrer mais para nunca mais magoar a Ashley.
— O César sabe que ela vai estar aqui?
— Por que acha que ele aceitou vir? — Seu tom é debochado.
— Talvez para me ver. — Dou uma piscada, o que faz ele rir.
Lohan sabe que é brincadeira, pois mesmo se estivesse aberta para um novo relacionamento, o que não estou, jamais ficaria com alguém que trabalha para mim.
— Não custa sonhar maninha. Mas e aí, está procurando um pai para as meninas?
Não nego que às vezes sinto falta de ter um companheiro ao meu lado, porém, as meninas são minha prioridade e não irei me arriscar em colocar qualquer pessoa em suas vidas. E nem mesmo me arrisco a sair com alguém e extravasar o tesão, que está mais do que acumulado depois de 20 meses sem ter um homem me tocando.
— Não mesmo, estou muito bem assim.
— Tem certeza, nem se encontrar o seu guindaste?
Esse foi um termo que a Nate nos apresentou no ano passado, é de origem brasileira e significa que um rapaz é muito gostoso, e quando uma moça senta nele, nem um guindaste tira de cima. Na ocasião acabei confessando que existia alguém assim, um homem que só vi uma vez na vida e evitava a qualquer custo pensar no assunto novamente, mesmo sendo impossível de esquecer aquele bendito momento. O maior problema é que Lohan ouviu nossa conversa de garotas, e desde então não me dá sossego.
— Muito menos com ele, e você sabe bem o motivo. — Digo encerrando a conversa.
— Sei também que as coisas mudam… — Ele me lança um olhar significativo, que me deixa confusa. — Mas olha, se quiser sair e procurar algum, eu fico de babá para você procurar um.
— Ei, nada de roubar meu trabalho. — Nate olha brava para ele.
— E você acha que eu daria conta dessas duas sozinho? — Sua expressão é de horrorizado. — Eu não sou louco.
— Que belo padrinho minhas filhas têm. E quando a sua afirmação, sim você é muito louco.
— Mal de família, maninha. — Fala nos fazendo rir.
O grito da Elle me assusta e me viro preocupada para ela, mas logo vejo que foi apenas porque Nate prestou atenção em nossa conversa e não deu comida para ela, a pequena está se esticando na cadeira para tentar pegar o prato e não conseguiu.
— Meu Deus, essa menina é igual a você com fome.
Se tem uma coisa que adoro, é ver cada coisinha que elas tem parecido comigo, principalmente no comportamento, já que fisicamente são só os olhos verdes e sei que não é mérito meu isso. Às vezes me pergunto de quem elas terão herdado os cabelos com de mel, um belo contraste com meus fios pretos. Já pensei em pintar de loiro para ficar mais parecida com elas, mas por amamentar não é recomendado, e desde o meu divórcio jurei nunca mais clarear os cabelos, que era algo que o Leôncio sempre amava que eu fizesse.
— É sim. — Falo com orgulho.
Com todos nós ainda sorrindo, Nate volta a dar comida a elas, Evie é mais calminha quando quer as coisas, normalmente só fica com os dá-dá dela. O que acaba sendo bom, pois se fossem as duas com o temperamento forte da Elle, eu teria muito mais trabalho.
A campainha toca e vou atender, são nossos pais e após darem um beijo em mim, entram e já vão logo dar um beijo nas meninas.
— Nossa mãe, primeiro se cumprimenta o dono da casa.
— Olha o drama menino. — Mesmo assim, Mel vai abraçá-lo.
— Mãe, não sabe que ele ainda é seu bebezinho?
— Um bebê de barba na cara, primeira vez que vejo isso. — Nosso pai é mais brincalhão que nós dois juntos.
— Vocês dois parem ou ficarão sem jantar. — Apenas lhe mostro a língua, o que faz a Mel revirar os olhos.
Como qualquer mãe, ela nem leva a sério as briguinhas entre o Lohan e eu, e embora ela seja mãe apenas dele, nunca tomou partido, não que algum dia isso foi necessário. Ela é o melhor exemplo que tenho de mãe, e prova que amor materno está bem acima de ser apenas por sangue.
— Afinal filho, o que teremos para o jantar?
— De aperitivo teremos canapés de salmão defumado com cream cheese e para o jantar será uma Paella com muito camarão. Deveria ter mais cenouras nela, porém, tem duas gatinhas comendo tudo.
— O que faz elas muito bem. — Mel faz toda semana uma cardápio de alimentação para elas. — Angie, elas estão comendo tudo que oferece?
— Estão sim, mãe, ontem as deixei comerem um pouco de macarrão sozinhas e elas fizeram uma bela bagunça, tirei até uma foto delas. — Pego o celular e mostro.
— Quanta fofura em uma foto. — Mel fala com tanto carinho.
— O bom de comerem assim, é que elas vão comendo e descobrindo ao mesmo tempo, se adaptando com as diferentes texturas. — Nate comenta.
— Sim, e elas adoram isso.
Como ambas já pararam de comer, meus pais as pegam e vão mimar um pouco as netas, enquanto vou ajudando Lohan a terminar de arrumar os canapés na bandeja.
Quando olho meus pais com as meninas, só penso que queria que meus avós fossem assim comigo, mas eles nem sequer se importam com minha existência. Ao menos tenho os pais de Melina, que me tratam como sua neta, sem diferença entre mim e o Lohan.
Minha mãe, Claire, morreu quando eu tinha 6 anos, e um ano depois meu pai se casou com a Melina, com quem logo me apeguei muito. Sentimento esse que se fortaleceu quando ela engravidou do Lohan, ela me incluía em tudo e ele se tornou o meu menininho. Ao menos até os 15 anos, quando os papéis se inverteram, ainda mais com ele se tornando maior que eu.
Aos poucos nossos convidados vão chegando e ficamos conversando ao redor da ilha e comendo os canapés. Quando Ashley chegou, fiquei reparando a atitude de César, que fez questão de sentar perto dela e ficou todo solícito, oferecendo canapé e cerveja.
Os últimos a chegarem são Petrus e seu namorado Emmett, essa é a segunda vez que o vejo, pois por ser policial, normalmente ele está de plantão, e Petrus acaba vindo sozinho.
Mesmo só tendo o visto uma vez, já ouvi muitas histórias do Emmett, que quando está de farda é um policial bem sério, mas quando está com os amigos, adora brincar e com isso se dá muito bem com meu irmão. Gosto muito de ver como os dois são companheiros, e pensar que foi justamente por Petrus ser gay que nos conhecemos.
Foi pouco antes de eu descobrir o projeto e começar o processo para ter as meninas, em um jantar com meus pais, a Melina me contou sobre o Petrus, que estava sendo contratado por um resort de luxo em Bel-Air, mas quando o proprietário descobriu que ele é gay, o dispensou na hora, humilhando muito o rapaz. Fiquei tão revoltada com a situação, e como precisava de um novo concierge, o chamei para uma entrevista, querendo de alguma forma desfazer a injustiça que ele sofreu. Acertei em cheio, pois Petrus tem um currículo incrível, ele é fluente em espanhol, italiano e francês, além de ter conhecimento básico em russo e português, e um diferencial importante é que ele sabe a língua de sinais. Mesmo sentindo muito por toda situação com o preconceito que Petrus sofreu, agradeço
É como dizem, o erro de uns, é a sorte de outros. E eu só tenho a agradecer por agora ele trabalhar comigo e ser nosso amigo.
Podem julgar que sou fria, mas tenho tudo que preciso bem aqui. Minha família e bons amigos. O que mais eu poderia querer?
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