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Capa do romance Laçada por um Alfa

Laçada por um Alfa

Dash Kavanaugh é o alfa encarregado de restaurar sua casta de lobisomens após anos de destruição. Em um mundo onde a ONU tenta pacificar o conflito entre humanos e seres sobrenaturais, Dash recebe uma missão crucial: viver na sociedade humana para encontrar sua companheira predestinada. Seu objetivo é unir as raças e encerrar as guerras secretas de vez. Contudo, ele não esperava que a mulher escolhida pelo destino abalaria todas as suas estruturas.
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Capítulo 2

Anya caminhou pela calçada larga em frente da biblioteca da faculdade.

A noite estava quente, mas uma brisa fresca e deliciosa soprava, refrescando sua pele suada. Precisava ir para casa jantar e dormir. Havia fugido do convite de festa de aniversário da melhor amiga, não gostava dos ambientes em que ela geralmente fazia a festas e nem das pessoas que ela convidava. Ao contrário de Danica, Anya não costumava ser a garota popular. Havia sido um dia, não havia dado muito certo. Então, ela abandonou as coisas supérfluas e focou nos estudos e no trabalho na biblioteca. Já havia se formado em biblioteconomia fazia um ano e agora fazia ciência da informação. Anya era uma leitora e estudiosa voraz e Danica sempre a criticou por ficar "mofando" no quarto ou na biblioteca. Ela ficava as vezes mais tempo na biblioteca do que em casa. Seu cheiro preferido era o cheiro dos livros e homens, não a atraíam. Não depois que foi encurralada por um babaca popular do colégio, havia desistido de se vestir atraentemente ou frequentar locais em que poderiam pensar que ela estava a procura de sexo. Havia sido só um beijo e iam mão boba nas suas nádegas, mas ela não queria isso e ele a deixou enojada e traumatizada. Se sentiu um objeto e não uma mulher de livre escolha. Infelizmente o machismo ainda persistia em uma parcela mínima da população, mesmo sendo crime. Anya nunca contou a ninguém sobre essa péssima experiência, nem a Danica. Somente sua psicóloga sabia, e havia feito um denúncia formal sobre. Com as tecnologias em todos os locais do planeta, tudo que acontecia nas ruas ou era falado em clínicas, era reportado. O governo pegava a gravação de câmeras do local e procedia contra o criminoso. As leis eram efetivas e condenava seriamente o contraventor.

Ela havia se afastado ainda mais de homens. Os via como uma ameaça.

Caminhou rapidamente em direção a praça erguida em comemoração ao centenário do final da guerra civil. A praça jazia inóspita a essa hora, no final de tarde, e Anya caminhou rapidamente segurando sua arma branca dentro da bolsa. Por precaução apenas. Após o incidente, além de andar armada, ainda fez diversos cursos de artes marciais. Foram oito anos de cursos. Não se arrependia nem um pouco. Saiu de dentro da praça diretamente para a avenida Santa Lúcia que estava abarrotada de pessoas, andando para lá e para cá nas festividades de meio de ano e Anya teve que desviar de várias pessoas que dançavam a música tocada por músicos de rua. Havia igrejas, mas essas apenas serviam para ajudar pessoas que vinham de outros continentes ou regiões em busca de novos lares. Não haviam mais pastores ou padres que faziam disso sua profissão. Portanto os locais eram apenas de alento e ajuda a quem precisava. Então todos os anos, pelo menos quatro vezes ao ano, as igrejas faziam as trocas de lares, de pessoas de continentes diferentes, ou que queriam trabalhar na comunidade e comprar suas casas por ali. Era eficiente e realmente, a maioria conseguia suas casas assim. Terminou de descer a rua e entrou na Rua Madisson. A rua dos bares, discotecas e restaurantes. Era ali que iria. Apenas entraria no restaurante, pegaria seu jantar e iria para casa a duas quadras dali. Ela avistou o restaurante Shangai, viu pela vitrine que estava com uma pequena fila de oito pessoas. Teria que esperar. Mas não tinha pressa, empurrou a porta de vidro e sentiu o cheiro da comida maravilhosamente temperada, inspirou fundo com fome e se posicionou na fila atrás de uma rapaz alto, bem vestido, de cabelos lisos jogados pra trás. Ela reparou que seu perfume era gostoso mas baixou os olhos para o celular para fazer o pedido antes de chegar no caixa, daí somente pagaria, pegaria e levaria para casa, para comer tranquila assistindo algum seriado. Fez o pedido para dois dias, pagou e esperou. Abriu o arquivo no qual estava trabalhando e se concentrou nos pés do rapaz da frente, enquanto lia, se ele andasse, ela andava também mas não olhava para cima. Concluiu a leitura e correção dos erros e retirou a caneta do bolso pondo-se a escrever.

- Genética? - Ela ouviu e congelou. Levantou a cabeça e encarou os olhos dourados mais lindos que já havia visto, no rosto mais impressionante. Ele sorriu. - Desculpe, não tive a intenção de olhar. Apenas virei a cabeça e me deparei com o que eu trabalho.

- Oh, sim ? Trabalha com genética?

- Sim. Geneticista e cientista. Estou concluindo meu doutorado com os avanços atuais da ciência para levar a minha empresa.

- Tem uma empresa? Especializada em genética?

- Sim, sou Dash Kavanaugh. Prazer conhecê-la, senhorita.... - Ele estendeu a mão. Ela olhou para as mãos estendidas para ela.

- Anya, sou Anya Sklyar. - Ela disse pegando a mão dele e aceitando o cumprimento. Levou um choque tão grande que derrubou o celular.

- Opa! Desculpe! - Ele se abaixou e recuperou seu aparelho entregando a ela. Ela estava chocada. Viu a surpresa nos olhos dele mas ao mesmo tempo achou que estava maluca, pois ele teve a mesma reação que ela e seus olhos se iluminaram como ouro líquido, suas pupilas se dilatando com o choque que suas mãos deram, mas ele apenas se abaixou e quando levantou seu olhar estava normal. Ela pensou que podia passar por doida se mencionasse o choque, que ainda passava pelo seu corpo, e ele dissesse que não sentiu nada. - Aqui senhorita.

- Obrigada. - Ela disse com um frio na barriga e a respiração acelerada.

- Você está bem?

- Claro! É... o meu pedido saiu. Com licença. - Passou por ele e pegou a sacola que Karine lhe estendia do balcão.

- Aqui está Anya. Boa noite e até quarta feira.

- Obrigada Karine. Até. Diga a sua mãe que passo mais cedo na quarta.

- Ah, não se preocupe, direi. - Ela olhou para Dash que estava no caixa dois, a três caixas de nós e sussurrou. - O que foi aquilo hein? Que homem é esse? Ele não para de olhar para você. Acho que se interessou. Sorte grande, espero que você tenha pego o telefone dele Anya.

- Ah, não, apenas conversamos brevemente. Ele é cientista. Eu... Bem você sabe, eu não costumo sair. Obrigada e boa noite Karine.

Ela saiu dando um ultimo olhar para Dash.

Viu que ele pegava a sacola para sair também e caminhou mais rápido . Desviou de algumas pessoas que estavam na calçada se apressando para não ser seguida. Apesar da beleza e do sorriso inesquecível dele, ela não queria correr o risco de se envergonhar e ter uma crise ou atacá-lo sem querer. Homens era gatilhos para ela. Traziam de volta a lembrança do abuso. Virou a esquina e atravessou a rua. Estava agora em uma área semi residencial e a próxima quadra seria a rua em que morava. Suspirou tranquila. Havia conseguido se safar de mais um rapaz. A maioria não a olhava tão intensamente, mas quando olhavam percebendo que ela era bonita, começavam a querer cortejá-la. Havia acontecido por duas ou três vezes, o que a fazia se afundar ainda mais em roupas horríveis e que escondiam suas formas. Não queria que se interessassem por ela. Só queria ser deixada em paz. Mas achou estranho o choque. O que foi aquilo? Entrou em sua rua e abriu o portão com sua digital. Tateou na calça para pegar o celular e acender as luzes e não achou. Oh droga! O celular! Ela deixou no balcão do Shangai. Ficou tão afobada para sair logo e não ter que conversar mais com Dash Kavanaugh que...

- Senhorita Anya! - Ela gritou assustada. - Desculpe assustá-la, sou eu, Dash Kavanaugh, esqueceu seu celular no balcão. A senhorita Karine me enviou para entregar. Desculpe segui-la. Eu só vim entregar seu celular. - Disse ele olhando para ela do portão. Estava parado e estendia a mão com o aparelho.

- Obrigada. - Ela respondeu e caminhou até o portão, abriu apenas uma fresta. - Eu me dei conta neste instante que o esqueci lá. Iria voltar para buscá-lo. Obrigada. Ela pegou o celular da mão dele, quando seus dedos se tocaram e ela sentiu o choque de novo. Seu coração acelerou e o choque vagou pelo seu corpo, alcançando cada nervo e cada pedacinho dela. O que era aquilo?

Ele a encarou.

- Você também sentiu isso, não é mesmo? - Ele falou olhando em seus olhos. Ela percebeu que as pupilas dele haviam se dilatado com o choque, assim como ela havia visto da primeira vez.

- Não sei do que está falando. Obrigada por ter trazido meu celular senhor Kavanaugh. - Ela disse fechando o portão aos poucos. - Estou muito agradecida. Boa noite. Obrigada, mais uma vez. Tchau.

Ele deu dois passos para trás e ela fechou o portão.

- O que está acontecendo comigo? - ela sussurrou enquanto entrava na casa. - Luzes. - Falou e encostou na porta fechada. Flexionou a mão, ainda sentia o choque correr pelo seu corpo. Olhou na tela do celular. - Câmeras externas.

A tela abriu nas câmeras da garagem e da rua. Ela o viu caminhando devagar pela calçada, não havia reparado mas ele carregava uma sacola também. Antes de virar a esquina ele parou e olhou mais uma vez na direção de sua casa. Ela tirou print da tela, aproximou e pintou mais uma vez. A rua era bem iluminada e os olhos dourados dele estavam brilhantes. Ele voltou a caminhar e desapareceu, atravessando para o outro lado, fora da visão das câmeras. Sinceramente, o homem era lindo e sexy e obviamente iria esquecê-la logo que chegasse em casa, ou nem isso. Mas não estava interessada que ele se lembrasse dela. Não mesmo!

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