
Laçada por um Alfa
Capítulo 3
Durante a semana, Dash foi a faculdade, reuniu dados para sua pesquisa e trabalhou muito e não se encontrou mais com ela. Anya. Que tipo de lobo ele seria se a perseguisse? Sentiu que ela tinha medo dele, por isso se manteve um pouco afastado dela, apesar de tê-la visto diversas vezes quando caminhava na avenida principal, próximo ao restaurante onde a encontrou a primeira vez. Sempre que sentia seu cheiro ele se distanciava um pouco. Não queria que ela achasse que ele estava cercando ela.
Karine, sua mais nova amiga, falava muito sobre Anya para ele, mas ele nunca perguntava a ela coisas específicas. Ele pensava que ela falava apenas porque era um assunto no qual ela ficava tranquila de falar com ele, ou para ter sobre o que conversar, já que ela havia enviado ele para entregar o celular de Anya no outro dia. Perguntou a ela porque fez isso, porque confiar nele e ela disse que viu bondade nos olhos dele. Dash achava que ela estava bancando a cupido, ela e a mãe dela, a chef de cozinha do restaurante. A senhorinha mais fofa que ele já havia conhecido, e que fazia uma comida muito saborosa. Dash estava viciado na culinária do restaurante e ia todos os dias após o trabalho lá.
Hoje era sábado e resolveu sentar e bebericar um café na cafeteria de uma biblioteca que ele achou ali perto. Era um prédio enorme, tão grande quanto o do campus e embora fosse antigo, era o prédio mais arquitetonicamente lindo que ele viu na cidade. Suas colunas eram impressionantes, com pé direito alto de mais ou menos oito a dez metros de altura, até o andar de cima, onde havia outra coluna e em cada uma delas uma estátua de alguns deuses e deusas segurando o teto, e o teto, era uma abóbada com vidros curvados para fora e intrincados galhos e flores esculpidos com algum metal dourado, entre um vidro e outro. Aos fundos, via-se um outro paredão envidraçado com vitrais transparentes e dourados formando imagens de deuses e deusas de diversos panteões.
Uma enorme escada circular no centro e um elevador bem no meio dela subia e descia do térreo até o sexto andar. E isso ele só havia visto de dentro do café que era no mesmo prédio, um pouco antes da entrada. Iria entrar, fazer o cadastro para retirar livros e estudar e aproveitar a magnífica arquitetura de um prédio tão antigo.
Pagou o café e levantou-se caminhando distraído até a entrada da biblioteca. Sentiu o cheiro dela, sua companheira. Onde ela estaria? Seguindo o cheiro, parou em frente do balcão de atendimento da biblioteca. Olhou para frente e viu atrás abaixada alguém, falando algo baixinho. O corpo inclinado para frente, a cabeça de baixo do móvel onde havia duas máquinas com luzes azuis, uma delas piscando em vermelho, o traseiro redondo de Anya estava inteiramente marcado pela calça preta naquela posição e Dash não conseguiu não olhar.
- Olá. - Ele disse. Ela levantou a mão, o dedo em riste sinalizando para que ele esperasse.
- Um minuto por favor senhor! - abaixou a voz de novo, sussurrando - O que está acontecendo com você hoje? Funciona impressora maldita. - Ele riu
- Ok. - Ele disse e ela se virou para ele ao ouvir sua voz.
- Pois não senhor. - ela ficou séria e ele sorriu para ela, que se levantou alisando a roupa amassada pela posição em que estava.
- Olá, tudo bem? Gostaria de fazer o cadastro para usufruir da biblioteca. - Dash murmurou.
- Olá senhor... Dash Kavanaugh, não é? O senhor me levou o celular no outro dia.
- Sim, eu me lembro disso. Não a vi mais no Shangai.
- Oh, eu.. Estava um pouco ocupada... Bem vindo a Biblioteca municipal. - Estendeu o Omini para que colocasse a digital de sua mão. - Coloque sua mão no Omini por favor. - Ele estendeu a mão direita e colocou a mão na tela do aparelho. - Agora olhe para a tela.
- Sim, senhorita. - Ele olhou a tela que imediatamente já o conectou com a biblioteca, o identificando. - É um prazer revê-la. Ele olhou cada pequeno detalhe de seu rosto. Os olhos amendoados e levemente arqueados para cima nos cantos externos, os cílios curvados dourados e longos emoldurando e dando mais beleza a eles. A cor da íris era incrível, mesclada de verde e marrom claro, salpicada de pintinhas marrom escura. E quando ela levantava o olhar e encontrava o seu, sua pele dourada do sol e cheia de sardas, ficava corada e então ela baixava novamente o olhar. Extremamente profissional e séria ela falou.
- Está pronto senhor Kavanaugh, pode entrar e se precisar basta chamar pela tela que fica na mesa que você escolher. Boa leitura e tenha um bom dia. - Ela se virou para sentar na cadeira, o olhou e esperou que ele se afastasse, quando ele não o fez ela perguntou. - Alguma dúvida senhor?
- Não há dúvidas. Obrigado Anya - Ele sorriu para ela e caminhou até uma mesa próxima para que pudesse ficar de olho nela. Não no sentido de vigiá-la, mas sim de apreciá-la, ver todos os seus movimentos mesmo que fosse de longe. Não sabia porque estava evitando encontrá-la antes, agora que estava no mesmo local que ela, suas razões para lhe dar espaço, se tornaram ridículas. Sentiu saudade de olhar para ela. Os movimentos delicados que fazia com o corpo, como se ela pensasse diversas vezes antes de fazer qualquer coisa, o cuidado que ela teve para não tocá-lo nas mãos enquanto fazia o seu reconhecimento e cadastro. O jeito que ela se vestia ocultava seu corpo mas a beleza natural dela era tão atraente que de nada adiantava o esforço. Ela era a mais linda mulher que ele havia visto.
Deixou suas coisas na mesa, nela havia um dispositivo IA que o ajudaria a localizar os livros que queria. Ele pesquisou, achou os arquivos digitais e físicos e caminhou até as estantes especificadas para retirar os livros que precisaria. Voltou com todos empilhados nos braços e se sentou na poltrona confortável. Dash desviou o olhar para ela novamente, Anya estava tentando fazer a máquina voltar a funcionar. Levantando, ela deu uma olhada disfarçada para ele e teclou algo no aparelho de IA em sua mesa. Após dez minutos um rapaz entrou na biblioteca e se dirigiu a ela, que mente abriu a porta e o deixou entrar no espaço em que estava. Ela voltou a se sentar na cadeira e continuou a atender as pessoas que entravam ou saíam enquanto o rapaz retirava a máquina defeituosa e recolocava uma nova máquina no lugar. Ele sorriu para ela, falou algo e ela testou a máquina. Sorriu para ele e ele ficou olhando a boca dela, ela parecia amigável com ele mas ele a desejava. Dash ficou tenso. Ele seria ou pretendia algo com ela? Anya pertencia a ele. Mesmo que ela ainda não soubesse disso.
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