
JACK - O DANÇARINO DA NOITE
Capítulo 2
PARTE 1:
AMOR E PERDA
CHELSEY
E MINHA ALÇA ARREBENTOU.
Não só isso foi uma merda, mas o zíper na minha bolsa não estava completamente fechado, o que significava que meus livros e papéis saíram voando por todo o corredor cheio de gente.
Bons tempos. Não, sério... o melhor dos tempos.
Era a segunda mochila de livros que eu estava usando, e estávamos apenas no quarto mês do ano letivo. Foi minha culpa, considerando que eu nunca visitei meu armário. Era mais rápido transportar todos os meus livros comigo em todos os momentos. Chegar atrasada na aula não era algo que gostaria que me acontecesse.
— Droga. — eu xinguei baixinho.
Eu caí de joelhos e comecei a enfiar as minhas coisas em minha mochila rasgada. A alça arrebentada bateu ao lado como um animal morto enquanto eu pegava tudo ao meu alcance.
Os alunos passavam por mim, quase pisando nos meus dedos em sua corrida para chegar a aula. Sapatos de todas as cores e tamanhos passaram na minha frente, pisando em meus trabalhos e empurrando meus livros mais longe de meu alcance.
Então a campainha tocou, enchendo o corredor com um lembrete barulhento de que o tempo tinha se esgotado e oficialmente tinha me atrasado pela primeira vez na história.
— Droga. — eu xinguei novamente, enfiando meu cabelo castanho ondulado atrás da minha orelha para tirar da frente do meu rosto.
Em seguida, um par de mãos masculinas entrou na minha vista e começou a me ajudar. Seus dedos eram longos e bronzeados enquanto eles agarravam meu livro de economia e colocavam dentro da minha bolsa. Uma pequena tatuagem de caveira aparecia entre o polegar e primeiro dedo e meus olhos ficaram colados sobre o desenho verde e descolorido rebelde.
Veias grossas subiam pelos seus braços musculosos logo abaixo da pele, como se ele tivesse acabado de malhar. Eu segui estas veias até elas desaparecerem dentro dos cotovelos. Sua pele oliva era suave e ondulada sobre os músculos dele enquanto ele me ajudava.
Meus olhos subiram os braços, passando por seus ombros largos e pescoço, pousando em um conjunto de lábios grossos, com uma camada leve de cabelos escuros ao redor deles. Foi onde parei. Ele não estava olhando para mim, ele estava olhando para baixo. Seu cabelo escuro e despenteado caía em seu rosto enquanto ele me ajudava a pegar meus artigos e livros, bloqueando o resto do rosto completamente.
— Obrigada, — eu disse, chocado que ninguém mais parou para me ajudar.
Engoli duro com o desconforto de falar com um estranho e limpei minha garganta, que estava fechada com meus nervos.
Então ele olhou para cima, seus ardentes olhos azuis se movendo sobre meu rosto e efetivamente mudando o meu universo. Eles eram os olhos de um lobo, selvagem e irresponsável, e eles brilhavam como se eles tivessem sido acesos por dentro - claro e gelado na cor, no entanto tão sombrio e misterioso.
O lado da sua boca levantou em um sorriso, e seus lábios grossos chamaram a minha atenção, enquanto uma adorável covinha apareceu ao lado de sua bochecha, destruindo brevemente sua personalidade de bad boy.
Ele assentiu. — Não se preocupe, — ele respondeu.
Sua voz era profunda e forte, como a de um homem mais velho. Ela ressoava de dentro como se tirasse pedaços de sua alma para falar. O mais estranho foi que eu senti a voz dele como se ele tivesse falado contra minha pele. Arrepios viajaram por todo meu corpo, me forçando a esfregar meus braços como se estivesse com frio.
Ele fechou o zíper da minha mochila e amarrou a alça esfarrapada com dedos hábeis, antes de levantá-la como se ela não pesasse nada. Ele estendeu a mão para mim, e eu olhei para ele, me sentindo confusa. Meu rosto pegou fogo quando eu percebi o que ele estava oferecendo. Eu coloquei minha mão na dele, e ele me puxou de joelhos para ficar em pé.
Ele calculou mal meu peso quando ele puxou e caí nele, me envergonhando além do imaginável. Meu nariz roçou sua camiseta e eu o respirei. Ele cheirava a colônia e óleo de motor, e embora os dois não soem como uma combinação vencedora, parecia celestial.
Para mim, ele cheirava a perigo e algo misterioso - como o odor pungente dos elementos desconhecidos que faltavam na minha vida protegida - como um conjunto único de feromônios produzido somente para mim.
Ele me deixou reta com mãos fortes, seus dedos calejados cavando ligeiramente na pele macia da parte superior dos meus braços.
Ele me pegou olhando para ele, e eu me virei, batendo a sujeira dos joelhos da minha calça jeans antes de pegar minha mochila. Mas antes que eu pudesse pegar a mochila, ele se afastou e tirou-a de meu alcance.
— Eu vou levá-la para você. — ele sorriu, jogando seu cabelo escuro de seus olhos com um movimento da cabeça dele.
E, por mais clichê que pareça, eu derreti ali mesmo. Não haveria nenhuma caminhada para aula desde que eu tinha certeza de que era uma grande geleia no chão. Eu tinha certeza que eu tinha sido liquefeita do calor de seu sorriso e precisava ser esfregada para sair do chão.
— Mas você vai se atrasar, — eu insisti.
Ele riu, balançando a cabeça enquanto diversão dançava nos olhos dele. — Qual é seu nome, doce garota? — ele perguntou.
Doce garota. Desmaiei.
Minhas bochechas vibraram enquanto eu corava mais forte do que já tive, o calor correndo para o meu cérebro e retardando meu processo de pensamento.
— Chelsey. — eu engoli.
— Bem, Chelsey, odeio apontar o óbvio, mas eu tenho certeza de que já estamos atrasados.
Meu rosto inflamou mais brilhante e mais quente e eu sorri.
— Acho que você está certo, — eu sufoquei.
Estendendo sua mão novamente, ele acenou com a cabeça para o final do corredor. — Vá na frente, Chelsey.
Ele disse meu nome, como se ele estivesse experimentando para ver como ele sentia na língua dele — como se isso trouxesse prazer na sua boca e passasse por seus lábios. Foi erótico e sensual. Meu nome nunca havia soado picante antes. Na verdade, não havia nada sexy sobre mim em tudo.
Mordendo meu lábio, virei e me dirigi a minha próxima aula. Ele me seguiu até a sala do Sr. Master, e eu senti seus olhos na parte de trás da minha cabeça, descendo pelas minhas costas e pousando na minha bunda, me tornando ainda mais autoconsciente. Quando chegamos a porta, me virei para encará-lo, mantendo meus olhos baixos, e ele me entregou minha mochila.
— Desfrute da aula, Chelsey, — ele disse, se abaixando até me olhar por baixo do cabelo que deixei cair em volta do meu rosto.
Seu sorriso era largo e sugestivo, como se soubesse o que ele estava fazendo para mim. Sua sobrancelha levantada em questionamento como se esperando eu dizer alguma coisa, mas eu era tímida, eu sempre tinha sido. Eu não estava acostumada aos rapazes me dando muita atenção, especialmente não os rapazes como este parado na minha frente.
Ele era alto e bonito como se ele tivesse sido moldado pelas mãos de um maravilhoso artista. Suas bochechas eram altas, suas sobrancelhas perfeitas e seus olhos... não havia suficiente palavras na língua inglesa para descrever sua beleza. Ele era magnífico.
O fato de que eu tinha notado essas coisas sobre ele disse muita coisa. Rapazes sempre foram a última coisa na minha mente. Metade do tempo, a menos que eu estivesse trabalhando diretamente com um, eu quase não prestei atenção aos homens na escola.
Mas este aqui... foi diferente com ele.
Me senti como se eu estava engasgando quando ele olhou para mim - como se cada palavra que eu tinha aprendido desde a escola primária de repente fugiu de minha memória. Perdi a minha capacidade de juntar até as palavras menores, e pela primeira vez na minha vida, eu gaguejava. Ele me transformou da garota inteligente com o GPA 4.0 e a possível oradora para Weathersby Escola Secundaria, em uma cabeça de vento sem qualquer tipo de conhecimento.
Eu não gostei. Eu odiava me sentir estúpida e inadequada.
— Você também, — respondi.
Cheguei para a maçaneta, pronta para alçar voo e estar longe do rapaz que me surpreendeu, mas então me lembrei que eu não te agradeci. Rapidamente me virando, meus olhos se movendo sobre suas costas - sobre sua escura e enrugada camiseta e jeans que pareciam ter sido feitos apenas para ele.
Correntes estavam penduradas em seu bolso de trás e sacudiam contra sua bunda com seu passo, e, quando ele estendeu a mão para bater divertidamente no marco da porta acima dele, a camisa dele levantou me dando uma visão minúscula das boxers cinza acima de sua calça de cintura baixa.
Ele era todo problema. Quem olhasse para ele sabia disso. E ainda assim, ele parou para me ajudar quando todo mundo passou por cima de mim como se eu fosse invisível.
— Ei, — eu chamei, fazendo ele se virar. — Não sei seu nome.
Novamente, um sorriso deslumbrante apareceu em seu rosto e a covinha que o transformava de bad boy para um fofo explodiu. — Blaine, — afirmou.
Blaine.
Era único e parecia estranho em toda a minha língua quando falei para mim mesma. Eu gostei. Combinava com ele perfeitamente. Misterioso e perigoso - sombrio e desconhecido.
Não. Não. Não. Tudo coisa ruim para uma garota como eu.
— Obrigado, Blaine, — eu disse, com meu rosto ficando vermelho mais uma vez.
— Prazer te conhecer, Chelsey.
Ele me aqueceu em uma maneira que eu nunca tinha experimentado antes - de uma forma que era proibida. Ele era a fruta que eu não ousava testar - a cor do pecado e o diabo. E eu já sabia antes mesmo dele desaparecer da minha vista que ele tinha me contaminado durante a pequena troca entre nós dois – me mudou de uma forma que os meus pais desprezariam.
Meus olhos se demoraram nele enquanto ele descia pelo corredor em direção as portas deixando a escola, como se ele não poderia se importar menos se ele chegaria a tempo na sua próxima aula. Descuidado e livre - algo que eu nunca seria.
Com um rosto vermelho e um sorriso que fez minhas bochechas doerem, abri a porta da sala do Sr. Masters e entrei, ganhando meu primeiro atraso.
* * *
MAIS TARDE, NA HORA DO ALMOÇO, descobri que eu era provavelmente a única garota da escola que não sabia quem era Blaine. Aparentemente, ele era muito popular com as mulheres e tinha dormido com a maioria das com que eu passeava no corredor todo dia.
Escorreguei meus óculos no meu rosto, já que eu não preciso deles se eu não vou ler, e olhei ao redor do refeitório. Pessoas estavam na fila esperando a sua comida, e os que não estavam esperando, estavam ocupados falando alto demais e enchendo o espaço com um rugido maçante.
Abrindo meu sanduíche, eu dei uma grande mordida antes de contar a Lynn tudo sobre meu problema com a mochila e o rapaz que me resgatou do rebanho de alunos no corredor.
— Ele parece legal. Você conseguiu seu nome? — ela perguntou.
Colocando um salgadinho em sua boca, ela lambeu o sal de seus lábios e dedos antes de beber seu refrigerante.
Terminei de mastigar e tomei um gole minha água. — Hum... Eu acho que ele disse que seu nome era Blaine.
O refrigerante cuspiu dos seus lábios e os olhos dela cresceram dois tamanhos. — Blaine? — ela sussurrou, engasgando e tossindo. — Como Blaine Wesley?
Olhando ao redor, notei pessoas nos olhando já que Lynn fez uma cena cuspindo sua bebida. Peguei um guardanapo e comecei a limpar seu refrigerante. Secando a bagunça, eu mantive minha cabeça para baixo. Eu odiava ter uma tonelada de atenção em mim. Era sufocante e enervante.
— Quem? — eu perguntei confusa.
Eu sabia que estávamos falando do mesmo cara. Blaine não era um nome comum. Eram quase nulas as chances de que havia duas pessoas na nossa escola com esse nome.
— É como se eu não te conhecesse, — ela disse, jogando seus braços para o alto. — Blaine Wesley, também conhecido como o cara mais sexy da escola. Cabelo escuro? Olhos claros? Um sonho molhado ambulante?
Ela acenou a mão ao redor como se tentando refrescar a minha memória. Ainda assim, não tinha ideia de quem ela estava falando. Eu nunca tinha ouvido o nome Blaine até esse dia. Embora, o cara que eu conheci no corredor antes combinava com todas essas descrições.
— Como pode você não saber estas coisas, Chelsey? Eu estou perplexa com o fato de que você é capaz de memorizar toda a porcaria que você lê nos livros, mas ainda não sabe o nome do cara mais quente da escola.
Ela estava totalmente chocada. O rosto dela foi hilário, e se eu estivesse com vontade de rir, eu teria rido.
— Sim, — arrastei a palavra para fora. — Nunca ouvi falar dele até hoje. — dei de ombros. — E deixe eu te dizer, a porcaria que leio nos meus livros é muito mais importante do que o nome de um cara que eu provavelmente nunca vou ver outra vez.
Ela me olhou do outro lado da mesa com a boca aberta antes de balançar a cabeça.
— Wow. Tenho certeza que você passe por ele todos os dias, Chels. — ela revirou os olhos e voltou a comer.
Ela tinha desistido de mim anos atrás, depois de perceber que eu não tinha nenhum desejo de ser alguém importante no ensino médio. Era um tempo muito pequeno, tanto quanto eu estava preocupada. O ensino médio era um rito de passagem. Não era o lugar em minha vida onde eu queria atingir meu máximo.
Jogando um salgadinho no meu rosto, ela riu quando eu rebati ele longe.
— O que eu vou fazer com você? — ela perguntou.
O sorriso dela era lindo e radiante. Claro, Lynn sempre tinha sido a bonita - a social. Seus olhos azuis e cabelo ruivo davam a ela um olhar clássico que eu invejava. Fiquei com o mais monótono olhos e cabelos castanhos que qualquer pessoa poderia nascer.
Não ajuda que eu muito raramente preciso conhecer alguém e, portanto, não tinha vida social fora Lynn. Éramos melhores amigas desde o nascimento, portanto nunca tive que trabalhar para ganhar a sua amizade. Nossos pais eram amigos e frequentavam o mesmo country clube, que foi a única razão pela qual nós crescemos juntas. Ainda, nós éramos opostos totais.
Socializar sempre tinha sido a última coisa na minha mente - Universidade de Columbia e minha média, sendo a primeira. Meu pai era um ex-aluno de Columbia e estava entranhado em mim desde o momento que podia falar que iria frequentar a mesma universidade que ele e teria uma carreira maravilhosa quando eu fosse mais velha.
O pai de Lynn era o mesmo, mas enquanto minha mãe estava completamente ao lado do meu pai, a mãe dela era uma fashionista. Eu estava focada em meus estudos acadêmicos e Lynn estava na moda. Eu a amava, mas enquanto eu estava planejando ir para a universidade para um mestrado em ciência para um dia me tornar uma médica, o objetivo final de Lynn era se tornar uma esposa troféu.
Essa não era uma das minhas aspirações se você me perguntasse.
Ainda, mesmo com a gente sendo completamente incompatíveis, eu a amava. Ela era minha melhor amiga - aquele que ficava do meu lado não importa o que alguém dissesse. Ela era a garota que me defendeu quando os alunos me provocavam no ensino fundamental. Ela era uma ruiva furiosa à espera de alguém apertar os botões dela, e ela me compreendia melhor do que ninguém.
— Então, há uma festa hoje à noite, — Lynn começou.
— Não, — eu disse antes mesmo que ela terminasse.
— Vamos lá, Chelsey. É só uma festa. Faria bem você sair um pouco.
— Não, — eu repeti.
Mordendo meu sanduíche, virei a página do meu livro de economia e comecei a estudar.
— Blaine poderá estar lá, — ela cantou, mordiscando um salgadinho.
Olhei por cima do meu livro, levantando uma sobrancelha em sua tentativa de me enrolar.
— Você percebe que, mesmo que eu queira ir nessa festa, meu pai nunca deixaria?
E ele não deixaria.
Meu pai era severo - desde que caí da bicicleta quando eu era pequena e quebrei meu braço. Mas enquanto a maioria das garotas de dezessete anos de idade se rebelaria contra seus pais, eu me empenhava na disciplina. Era a desculpa perfeita para quando Lynn tentava me levar em algo social que eu não tinha nenhum desejo de fazer parte.
— Você percebe que existe tal coisa como sair ás escondidas, certo? — ela rebateu.
Maldita seja.
— Não saio de mansinho para fora, Lyn.
— Você está saindo de mansinho, Chelsey, — ela argumentou. — Por favor. Faça isso por mim. Prometo que eu vou te levar para casa a hora que você quiser ir.
Sempre ganhei estes argumentos, mas eu podia ver nos olhos dela que ela não ia desistir tão facilmente desta vez. A bandeira branca habitual que ela acenava após alguns minutos discutindo comigo foi aparentemente encaixotada com a roupa de ontem.
A boa notícia foi que esta foi a primeira vez que ela já tinha prometido me levar para casa assim que eu pedisse. Valeria a pena te dar uma chance. Além disso, havia o bônus de que eu poderia ficar olhando para Blaine do outro lado da sala por alguns breves segundos.
— Tudo bem, — eu disse, ganhando um olhar arregalado de Lynn.
— Sério?
— Sim. Sério. A que horas devo sair às escondidas?
O sorriso que ela me deu, ardeu no estômago. Se eu soubesse do problema que estava no meu caminho, eu nunca teria concordado em ir em festa nenhuma estúpida com ela.
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