
JACK - O DANÇARINO DA NOITE
Capítulo 3
BLAINE
CHELSEY FORD.
Eu tinha visto ela na escola e passava por ela no corredor todo o dia entre as aulas. Ela era uma garota tranquila, rica — mais preocupada com seus livros e aulas do que qualquer outra coisa. Tivemos uma aula juntos no ano anterior, mas ela mal olhou para mim, muito menos falou comigo.
Metade do tempo ela tinha o rosto em um livro, escondendo suas bochechas e grandes olhos castanhos, mas, às vezes, e não muito frequentemente, ela olhava para cima quando ela descia pelo corredor. Seu cabelo castanho se movia com o seu andar, e de vez em quando ela iria sorrir.
Eu gostava do sorriso dela. Eu gostava muito.
Seus lábios eram carnudos e com uma inclinação natural que sempre a fazia parecer que ela tinha um segredo, e os olhos dela eram incríveis. Eles eram grandes e observadores, e nas ocasiões que ela olhou para cima, era como se ela pudesse ver tudo.
Seu corpo era pequeno, suas mãos minúsculas e a cintura dela ainda menor. Ela não se veste como o resto das meninas, e eu acho que é uma das coisas que me chamou a atenção. Ela se destacou, na tentativa de se misturar.
Ela era o oposto de todas as garotas com quem eu fodi, mas havia algo sobre ela - um aspecto proibido pelo qual fui inexplicavelmente atraído. Deu vontade de conhecê-la - ser uma parte de seu mundo - empurrá-la para fazer algo louco e selvagem. Isso era fodido da minha parte, mas não pude evitar.
Eu não estava obcecado. Eu não fico obcecado, especialmente por uma garota, mas ela era diferente. Ela não babava por cima do meu pau como todas outras garotas. Não percebi o seu olhar para mim como se eu fosse um pedaço de carne. Ela não me pagou por meu dia, e eu apreciei tanto essa merda. Não me interpretem mal, vendo suas doces bochechas rosadas e as estrelas em seus olhos quando eu a ajudei com a mochila dela foi legal, mas eu queria mais dela. Muito mais. Se o pouco que ela me deu foi bom, um pouco mais, seria melhor.
Depois que eu a ajudei com a mochila dela e a deixei na porta de sala de aula dela, deixei a escola. Eu entrei no meu carro, liguei o motor e descasquei pneus saindo do estacionamento. Procurando no rádio, eu parei quando a minha música favorita Blow Hole fluiu dos alto-falantes.
O ar quente da Geórgia passava através do meu carro, mexendo meu cabelo, enquanto eu andava com os meus vidros abaixados através da cidade. As casas semidestruídas e parques de trailers nas laterais da estrada passavam turvos enquanto eu acelerava para chegar ao meu destino.
Vivia no lado ruim da cidade, mas meus pais queriam que eu fosse para a escola no lado rico, então usamos o endereço de um amigo. Não preciso dizer, eu estive na escola com um monte vadias em cima de mim. A maioria delas implorando para se rebelar contra o pai e escalar meu pau. Pode crer que eu as deixei, também. Cada chance de merda que eu tive.
Trinta minutos depois eu estava virando em um estacionamento de trailers gasto na estrada de minha casa. Estacionando no pátio do Jay, deixei meu motor ocioso e buzinei uma vez antes de desligar meu carro e sair. Pierce, seu pit-bull, me encontrou no meu carro, pulando em mim e lambendo meus braços.
— Desça, Pierce! — eu disse, limpando meu braço na minha camiseta.
— Cara, onde diabos você foi? — Jay chamou de sua varanda.
Ele estava de cueca, tomando uma cerveja no meio do dia.
Maldito perdedor.
Seu longo corpo parecia sujo e estava coberto de cicatrizes, do estilo de vida bruto que levava. Não havia muito desse drama que acontecia no nosso bairro que não o envolvia. Um ano antes, ele acabou no hospital por duas semanas após ser baleado na panturrilha. Não preciso dizer que agora ele coxeava permanentemente.
Ainda, ele continuou a viver como se estivesse morrendo e sempre pronto para ter um bom tempo. Ele também era o homem que todo mundo procurava quando eles precisavam de um pouco de coisas boas.
— Eu tinha algumas coisas para terminar. Você entendeu? — eu perguntei, me referindo a ‘grama de verde’ que eu estava lá para pegar.
Ele se envolvia em tudo, mas eu estava lá para pegar um pouco. Eu tinha visto alguns dos caras malucos que deixaram seu trailer totalmente loucos e altos e com tudo mais que eles pudessem pôr as mãos. Eu não. Porra. Eu queria manter minha boa aparência, e fumar metanfetamina e o resto dessa merda te envelhecia rápido.
Mas, mesmo que eu não comprasse essa loucura, eu ainda era um dos melhores clientes do Jay. Ele sempre estava lá quando eu precisava de algo para a festa, e teríamos uma festa na estrada da minha casa mais tarde. Todo mundo ia me procurar por um saco gordo de Kush quando fosse hora de iluminar a noite. Eu conhecia essa vida. Era a única maneira de viver.
A escada de madeira para o trailer do Jay parecia que estava se deteriorando debaixo dos meus pés. Fiquei surpreso de que algum viciado não tivesse se matado enquanto estivesse saindo. A porta de alumínio guinchou como se estivesse a alguns segundos da queda de suas dobradiças quando abriu, e tive que me abaixar para entrar, desde que o teto era tão baixo. Ele vivia em uma espelunca, mas era dele. Isso conta para alguma coisa.
Saí uma hora mais tarde, alto pra caralho e pronto para começar a sexta à noite. Eu dirigi para nossa pequena casa de tijolo a vista e estacionei no outro lado da estrada em frente a entrada de nossa garagem. O pedaço de merda de caminhonete do meu pai estava na entrada e a minivan detonada da minha mãe estava ao lado dela.
Fechando minhas janelas, saí do meu carro e tranquei as portas. Todo mundo sabia que esse carro fodido era meu, mas apenas no caso de alguém ser estúpido, eu o mantinha trancado. Esperei por um carro passar e então corri do outro lado da rua para o nosso quintal.
Maddie, minha irmãzinha, estava correndo com nosso pai em seus calcanhares. Seus suaves guinchos de bebê aqueciam o meu coração. Me deixei cair sentado na grama, e quando ela me viu, veio correndo para mim.
— Blaine! — ela gritou meu nome.
As pernas dela tremiam um pouco enquanto ela corria pela grama em direção a mim. Era fofo. Ela não consegui dizer Blaine. A letra L era difícil para ela. Ela dizia ‘mo’ em vez de amor, era a minha palavra favorita dela.
— Maddie! — eu gritei de volta, combinando sua excitação.
Segurei meus braços abertos para ela, e ela caiu para eles em um ataque de risos.
Ela era mais alta que a maioria das crianças de três anos de idade, mas ela era linda como a minha mãe e de gênio forte como o meu pai. Maddie era minha pessoa favorita no mundo. Ela não me julga. Ela não tinha idade suficiente para entender quão fodido eu era, o que significava que ela me amava incondicionalmente. Eu aproveitava seu amor tanto quanto podia, já que eu sabia que um dia ela iria crescer e me conhecer melhor.
Pegando-a no colo, balancei-a acima da minha cabeça e fiz barulhos de aviões enquanto corria através do pátio para a porta da frente.
Quando eu entrei derrubando a porta com uma risonha Madison, minha mãe se virou de suas novelas e riu com ela. Papai veio atrás de mim, colocando uma mão no meu ombro.
— Você não deveria estar na escola? — ele perguntou.
— Eu poderia dizer o mesmo para você. Não deveria estar no trabalho? — perguntei.
Ele me empurrou divertidamente antes de sentar ao lado de minha mãe.
— Saí cedo, — ele disse.
— Sim, o mesmo que eu. — eu fui para a cozinha e peguei um saco de batatas fritas antes de descer o corredor para o meu quarto.
— Você continua a faltar à escola e vai acabar repetindo de ano, Blaine, — minha mãe gritou para o corredor atrás de mim.
Não éramos ricos. Nós vivemos em uma pequena casa de tijolos, de três quarto, em um bairro ruim, mas a coisa boa era que conhecíamos os traficantes e pessoas loucas pelos primeiros nomes. Vivíamos no bairro a mais tempo do que a maioria.
Meu pai tinha um emprego como mecânico e trabalhava duro. Ele não fazia nada louco e vivia uma vida honesta. Ele me apoiou e me empurrou para fazer o meu melhor, mas, basicamente, ele confiou em mim para fazer a coisa certa ou aprender com meus erros.
Minha mãe era uma dona-de-casa e mãe e ela era muito boa no que fazia. Ela tomava grande cuidado da casa. Não era muito, mas era limpa. Minha irmã era bem cuidada e limpa, e meus lençóis eram lavados uma vez por semana. A mulher estava sempre com tudo em ordem, o que significava que eu nunca precisei procurar por roupas limpas. Estávamos bem alimentados e muito amados e por isso eu a admirava.
Ela era muito parecida com meu pai - não muito insistente ou intrometida e sempre disposta a me dar espaço para cometer meus próprios erros. Ainda, quando a merda batia no ventilador, ela estava sempre lá para juntar os pedaços. Meus pais eram os melhores, mesmo se eles lutassem todos os dias para fazer face às despesas, faziam questão de lutar juntos.
Eu dormi na minha cama logo após me deitar, e, quando acordei, estava escuro lá fora. Separando algo para vestir, tomei um banho rápido e me preparei para a festa.
Eu beijei Madison na bochecha, seguida minha mãe, e então eu prometi a meu pai que estaria a salvo. Ele sempre me fez jurar que não iria beber e dirigir, ou outra qualquer merda louca assim.
— Tente estar em casa à meia-noite, por favor, — ele disse, nunca tendo seus olhos longe de seu jogo de futebol.
— Claro que sim, — eu disse, saindo para o alpendre de tijolo e fechando a porta atrás de mim.
Nosso vizinho, Brian, parou na porta da casa, em seguida, o baixo rugiu alto em seus alto-falantes no seu porta-malas.
— Ei, Blaine! Aonde vai, mano? — ele perguntou, baixando a música dele.
— Festa na fazenda, — eu disse, abrindo a porta do carro e entrando.
Dez minutos depois, estava estacionando no grande terreno onde todo mundo estava. O campo normalmente estava cheio de milho, mas agora estava vazio com apenas algumas cascas velhas jogadas. Iriamos construir uma grande fogueira, embebedar nossos traseiros, e fumar mais Kush do que qualquer um de nós poderia pagar. Não demorou muito tempo para sentir as cervejas que estava bebendo e o fumo eu tinha fumado até agora. Foram duas horas, e eu já tinha um zumbido decente.
Eu estava sentado em uma cadeira dobrável longe do fogo. Meus olhos queimavam, tornando a terra em volta de mim turva. Eu peguei meu copo plástico e bebi o resto da minha cerveja. A garota no meu colo, Amy, acho que esse era seu nome, acariciou meu pau através de minha calça jeans, mas eu não estava sentindo isso.
A festa foi um fracasso, e eu sabia que se eu não estivesse totalmente fodido, eu estaria pronto para ir. A música parou quando a bateria no Mustang de Al morreu, e ficou muito tranquilo. Pessoas estavam sentadas ao redor do fogo, passando baseados e rindo, mas eu estava escondido no canto assistindo.
E então eu a vi. Chelsey Ford.
Ela usava jeans e uma camiseta. Totalmente simples, que chamava mais atenção do que o resto das meninas que estavam vestidas para o sexo. O cabelo dela estava para solto, cobrindo a maior parte das bochechas. Ela ficou ao lado do fogo, o brilho das chamas destacando ela.
Ela mordiscava o lábio inferior nervosamente, o que eu notei que ela faz muito. Me fez pensar em beijá-la e acalmar as partes mordidas da carne dela. Não foi até que a vi que meu pau começou a endurecer sob os dedos da Amy.
Meus olhos foram para ao redor de Chelsey, percebendo que ela estava sozinha, e eu me perguntei o que no mundo ela estava fazendo lá. Obviamente, pelo olhar no rosto dela, ela não tinha nenhuma vontade de ficar na festa.
E então ela olhou para cima, e seus olhos piscaram para mim e seguraram nos meus. Algo se moveu então no meu estômago. Ela nunca tinha olhado para mim antes, mas ela estava me vendo agora. Ela não estava vendo meu carro ou meus olhos azuis. Ela não estava olhando para minha virilha ou se atirando para mim. Ela estava simplesmente olhando. E pela primeira vez, senti como se alguém pudesse ver através de mim.
Escorregando Amy do meu colo, ela choramingou irritantemente quando me levantei e caminhei em direção ao fogo. Chelsey ficou tensa quando fui chegando mais perto, nunca tirando os olhos longe dela. Ela abaixou sua cabeça e colocou seu cabelo atrás da orelha, e então outra vez ela me observava vigiá-la.
Parei ao lado dela, o fogo aquecendo a frente do meu corpo e estalando no ar da noite fresco ao nosso redor.
— Você está se divertindo? — eu perguntei.
Estupido.
Certamente eu poderia ter pensado algo melhor para perguntar.
— O que você acha? — perguntou ela, olhando em torno da festa moribunda.
Estudei o perfil dela. O formato de sua maçã do rosto. O queixo dela e a maciez dos seus lábios carnudos. Seus olhos eram grandes e profundos, mais escuros que a noite ao nosso redor, e eu sabia, eu sabia, que eu precisava tê-la.
— Eu acho que eu quero te beijar. — as palavras bêbadas saíram dos meus lábios chocando até a mim.
Droga.
Definitivamente eu tinha bebido muito.
Ela se virou e olhou para mim com os olhos arregalados, e, antes que ela pudesse dizer alguma coisa, me virei e a beijei.
Meus lábios vibraram contra os dela, sua respiração suave espanando a minha bochecha e me fazendo queimar por dentro. Ela gemeu contra meus lábios, e eu pressionei mais forte, meus lábios se abrindo. Tão rapidamente como começou, seu sabor revestiu a minha língua, ela se afastou. Usando a parte de trás do braço dela, ela limpou forte seus lábios, me cortando com um olhar duro. E então a palma da mão pequena acertou minha bochecha com um tapa alto.
Meu rosto balançou e ardeu.
Todos à nossa volta pararam e olharam para nossa pequena cena. Eu cobri minha bochecha aquecida onde pequena palma da mão me bateu, e eu não aguentei e sorri para ela. Minha pequena, tranquila menina era um pouco feroz. Porra, isso foi sexy.
Ela se virou e começou a caminhar em direção onde os carros estavam estacionados. Fiquei observando-a, o sorriso preso na minha cara fazendo minhas bochechas arderem. Pode não acontecer esta noite, amanhã, ou este mês, no entanto, cedo ou tarde Chelsey Ford será minha. Agora que eu tive um gosto dela, eu precisava tê-la.
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