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Capa do romance Indomável

Indomável

Após um término, Elizabeth Fabbri decide se distrair em uma balada, mas acaba atraindo Louis, um Don da máfia implacável. Acostumado a nunca ser rejeitado, ele se vê desafiado pela negação da jovem e decide arrastá-la para seu mundo perigoso. Em meio a assuntos obscuros no Brasil, um jogo de sedução e riscos se inicia. Elizabeth terá que enfrentar as consequências de cruzar o caminho de um homem sombrio em um romance dark intenso, repleto de temas polêmicos.
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Capítulo 2

Seria triste, se não fosse cômico, toda vez escutar a mesma pergunta.

— Seus pais são fãs de Jane Austen? Você tem apenas vinte e dois

anos, é o único motivo para...

— Para ter nome de gente velha? — cortei o garoto gay, abusado e

arrogante. Eu não gostava dele e podia sentir de longe a energia pesada que

ele emanava, mas pelo bom convívio, eu o suportava e fingia que aquilo não

me abalava. — Não. Elizabeth era o nome da minha avó e tenho muito

orgulho de ter o mesmo nome que ela.

Minha avó havia se fodido muito na vida, e eu parecia não ter só

herdado o nome, como também o gênio da mulher. Ela criou meu pai e meus

tios batendo de porta em porta, trocando faxina por um lugar para dormir e

algo para eles comerem. Assim que meu avô, um italiano que gostava de uma

boa cachaça, morreu atropelado enquanto ia para o trabalho, minha avó

perdeu tudo o que tinha, sendo expulsa da casa alugada logo em seguida.

Ela tinha sido um exemplo, e a saudade que deixou quando morreu

ainda era um rombo enorme no meu coração. Talvez, se não fosse sua

partida, eu não estaria aqui, sentada na cadeira da faculdade, estudando para

ser uma escritora decente e fazendo meu inglês melhorar para poder tentar

um intercâmbio.

Mesmo com três meses de faculdade atrasados, eu precisava dar um

jeito na minha vida, que vinha sendo uma montanha de emoções desde que

meu pai ficou doente e eu perdi o emprego. A última entrevista que fui

acabou comigo, me lembrei da felicidade de passar por todas as etapas,

quando, na semana passada, um dia antes de tudo começar, recebi um e-mail

dizendo que infelizmente a vaga a qual eu preencheria deixaria de existir por

um reajuste da empresa.

Todos os meus sonhos pareciam ir pelo ralo.

O intercâmbio, o namoro... Até mesmo minha imaginação

extremamente fértil andava me deixando na mão, e eu ainda estava ali,

sentada, para fazer uma prova substitutiva em uma matéria que eu havia ido

mal.

Eu rezei para não pegar uma bela pendência naquela merda.

— Ignora — recebi de Isabella, minha parceira nos últimos quatro

meses, batidinhas no ombro.

Tínhamos uma conexão bizarra, junto daquela sensação de “já te vi

em algum lugar”. Procuramos em tudo quanto é canto, mas a única coisa em

comum era que tínhamos casas de praia no mesmo lugar — o único bem

restante dos meus pais. De qualquer jeito, ela havia armado a loucura daquela

noite e era o motivo da minha mochila estar tão pesada, graças aos saltos que

eu ainda insistia em usar, mesmo sabendo que os pés estariam massacrados

pela manhã.

— Espero que seja a primeira balada hétero que preste, juro! Pelo

menos dizem que eles recebem muitos estrangeiros, vai que eu encontro uma

francesa ou uma americana querendo experimentar algo novo? — Isa piscou

para mim e me fez rir. — Boa prova! — ela me desejou antes de eu perceber

que a professora baixinha estava dentro da sala de aula.

-

— Escrevi uma bíblia inteira nos últimos setenta minutos, minha mão

está doendo pra caralho! — reclamei. Eu era um pouco boca suja, confesso,

mas palavrão era advérbio de intensidade, na minha concepção.

— Exagerada... — Isa cantou para mim, sorrindo com seus um metro

e setenta de bronzeado, pernas longas e corpo magro. Seus cabelos cacheados

iam até pouco abaixo dos ombros, e seus olhos eram enormes e quase pretos,

eu invejava isso nela. — Vamos logo para a casa das minhas amigas, vamos

nos trocar lá e esquecer essa merda de faculdade até semana que vem! — ela

me puxou pelas rampas da PUC como se a vida dependesse daquilo.

Sendo bem sincera, eu adoraria que aquela noite trouxesse minha

libertação.

-

O apartamento das amigas de Isa não ficava longe, era uma república

feminina. Eu conhecia de vista uma ou duas meninas, mas nenhuma era

realmente minha amiga. Em sua grande maioria, eram meninas do interior,

com pais multimilionários, mimadas a ponto de eu não conseguir conversar

meia hora com qualquer uma delas sem revirar os olhos ou falar algo que

faria Isabella receber olhares tortos por ter me convidado.

Quando terminamos de nos arrumar, aproveitei que estava sozinha e

me encarei no enorme espelho da sala. Eu era a mais baixa dali, com pouco

mais de um metro e meio. Também era a gorda do grupo, considerando que

até a garota mais magra dentro daquele apartamento queria fazer lipo porque

a barriga tinha dobrinhas quando ela se sentava.

Eu me sentia bem com meu corpo, e isso bastava. Havia herdado os

grandes seios da parte italiana da família e a bunda grande da parte brasileira.

Entretanto, por mais acinturada que eu fosse, sempre seria gorda, e por mim

tudo bem. A única coisa que me incomodava eram usar a palavra gordo como

ofensa quando aquilo não passava de um adjetivo como qualquer outro.

Estava vestida com uma combinação esquisita, mas que funcionava.

Uma mistura de botas overknee, meia-calça, shorts e uma camisa xadrez larga

por cima de uma regata branca. Meu cabelo liso e comprido estava na altura

da bunda, e tudo o que fiz foi um coque no alto da cabeça, prendendo o

cabelo em um nó com ele mesmo.

A maquiagem de olhos esfumados que Isa insistiu em fazer no meu

rosto só deixou meus olhos menores, mas eu não me importei, porque minha

marca registrada era o batom vermelho. Eu tinha uma boca bonita, bem

desenhada e cheia, com lábios inferiores mais carnudos do que os superiores.

Estava realmente gostando de me ver em frente ao espelho, até que

todas as garotas chegaram perto e eu pude perceber o quanto todas elas eram

mais atraentes do que eu. A insegurança foi sorrateira, e, por um minuto, o

pensamento de ter sido burra por terminar meu namoro me consumiu.

Respirei fundo e me olhei novamente no espelho antes de sair para chamar o

elevador, afirmando para o fantasma da baixa autoestima que ele não me

dominaria mais.

A liberdade de uma noite insana era o que tudo o que eu precisava, e

nada estragaria isso.

-

O letreiro ultra luminoso era bem maior do que eu imaginava, e as

pessoas me encaravam mais do que eu gostava de ser olhada.

— Por aqui, os VIPs não precisam esperar — a garota loira encarou a

fila com desprezo e mais uma vez eu revirei os olhos. Se continuasse nesse

ritmo, até o final da noite, eu estaria enxergando meu próprio cérebro.

O segurança pediu o RG de todas, para confirmar a idade, e me

encarou de um jeito sujo quando percebeu que eu era a mais velha do grupo.

— Que foi? Perdeu alguma coisa? — perguntei, erguendo a

sobrancelha e tirando o sorrisinho atrevido da cara do homem, que colocava a

pulseira no meu braço. — Obrigada — puxei o braço com mais violência do

que precisava e segui atrás de Isa.

-

Primeiro tudo estava escuro, e então eu comecei a sentir o grave do

som bater forte dentro de mim, no meu estômago ou no meu útero, eu não

sabia direito.

Meus olhos demoraram para se adaptarem a tanta luz neon. Tinha

muito mais gente do que eu esperava lá dentro e — obrigada, Deus — a

música era boa!

Eu amava dançar, amava demais me libertar daquele jeito, fazia um

bom tempo que isso não acontecia, mal conseguia me lembrar qual tinha sido

a última vez em que tinha feito aquilo.

— VEM! — eu li os lábios de Isa, e ela me puxou pela mão até o

camarote.

Ser VIP era realmente algo naquele lugar. Os convites foram

oferecidos pelo tio de uma menina chamada Camilla, eu não tinha certeza se

esse era o nome dela. Isa havia me contado que ele era o mais novo sócio do

lugar. Aos meus olhos, pela quantidade de gente ali dentro e pelas que

estavam esperando para entrar, o homem tinha feito um ótimo negócio.

Os camarotes eram na altura dos palcos e distribuídos pelo salão, o

chão de um carpete vermelho escuro quase se misturava com o estofado dos

sofás, que circulavam o que eu achei ser uma mesinha, mas logo percebi que

eram pequenos palcos de pole dance. A área tinha um parapeito transparente,

que nos permitia ver a pista. A minha vontade de dançar cresceu enquanto

ouvia as meninas conversando.

— Ei! Vamos esquentar! — Isabella me estendeu um shot com

alguma bebida, brindamos e colocamos para dentro. Eu não tinha ideia do

que era aquilo, mas desceu queimando pela garganta.

— Opa! — balancei a cabeça. — É bom que isso seja bem caro,

porque eu vou dar um prejuízo da porra! — E foi o que fiz, tomei mais uma

dose daquilo e peguei uma garrafa que deixaram em cima da nossa mesa.

— Vocês vão pra pista? — perguntei para as meninas, que já tinham

sentado no sofá vermelho como se estivessem em uma casa de chá.

— Não mesmo, a vista está muito boa daqui... — Carol me respondeu

e logo em seguida mordeu o canudo de seu drinque, encarando algo atrás de

mim. Quando me virei para ver, por sorte, meus cabelos se soltaram e

desceram pelas minhas costas, escondendo parte do meu rosto.

Os homens eram bonitos, do tipo que nunca iriam olhar para mim.

Então depois de apreciar a vista e me recuperar, dei de ombros e chamei a

única pessoa ali que eu sabia que não estaria interessada naqueles caras, a não

ser que eles tivessem uma boceta. Peguei Isabela pela mão e fomos para a

pista, ficando na frente da área VIP, para que ninguém se perdesse ou

encontrasse alguma confusão.

Parecia que o DJ havia recebido de alguma forma celestial a

informação que eu estava dançando e colocou para tocar uma sequência de

músicas que eu adorava. Eu dançava de olhos fechados, às vezes sentia mãos

em minha cintura, mas tudo o que fiz foi empurrar seja lá quem fosse.

Eu ainda não estava pronta para beijar outra boca que não fosse do

meu ex-namorado. Era triste saber que aquela coisa de “não namoramos, mas

estamos juntos” começava a desmoronar, e eu contava os dias até o momento

de perder meu ex-namorado-melhor-amigo. Então, mesmo estando em uma

briga particular com Deus a uns belos dois meses, eu orei.

Orei no meio de uma balada, quase bêbada por não ter comido nada e

cheia de mágoa dentro do meu coração. “Deus, se você ainda ouve quando eu

te chamo, por favor, faça meu coração parar de doer tanto”. E foi nessa hora

que resolvi abrir os olhos, enquanto o refrão de Enjoy the Silence tocava alto,

e vi uma quantidade absurda de seguranças em volta de um único homem

passando em direção ao camarote.

Quem será que tinha tanto dinheiro para precisar levar os seguranças

na balada? Revirei os olhos e voltei a dançar, com raiva por saber que em

casa meus pais estavam desesperados, esperando a resposta de um processo

sair. Eu estava com risco de não conseguir continuar a faculdade por conta

dos atrasos, com o nome fodido no banco, sem meu pai saber, e então um

riquinho metido à besta esbanjava o dinheiro em baladas daquele tipo e

precisava ter quinhentos seguranças gorilões. Será que ele limpava a bunda

com dinheiro também?

— Preciso beber alguma coisa mais forte, já volto — disse no ouvido

de Bella antes de sair de perto dela e voltar ao camarote.

Fiquei surpresa ao ver que as meninas tinham conseguido atenção de

um dos homens da outra mesa, eles pareciam mais velhos, e confesso que

bem intimidadores.

Sem falar nada, eu me ajoelhei na frente da mesa e me servi de uma,

duas, três doses de tequila. Aquilo ia dar merda, mas eu não precisava ir para

casa naquela noite. Tudo o que fiz foi dar de ombros e ter certeza de que não

vacilaria ao me levantar, mas não deu muito certo.

— Você está bem? — o cara que estava sentado entre as meninas

falou, e eu entendi que aquele grupo todo era gringo.

Dei risada, fazendo ele ficar sem entender.

Peguei seu copo cheio de uísque de modo atrevido, levantei no ar e

brindei antes de dar um gole na bebida. Devolvi o copo, pisquei para o cara e

saí andando de volta para a pista com uma garrafa de uma dessas cervejas

novas que tem gosto de tudo, menos de cerveja.

-

Não percebi a hora, mas logo a garrafa em minha mão já havia se

esvaziado e eu via o mundo de um jeito muito mais legal. Enquanto dançava

com Isa, tentando me equilibrar em cima do salto toda vez que me sentia

vacilar, tomei consciência da mulher que dançava em uma plataforma no

meio da pista. A garota estava quase sem roupa e se mexia de um jeito muito

sensual junto de um outro dançarino.

Eu nunca liguei muito para gênero, desde que eu gostasse da pessoa, e

graças a coragem desenfreada que o álcool causava, estendi minha mão para

que o homem me puxasse lá para cima.

Ouvi os gritos de excitação que as pessoas em volta deram quando

viram uma terceira pessoa no palco. Vi o rosto de Isabella rindo e li seus

lábios: “sua louca”. Encarei o grupinho de meninas mimadas, que me

olhavam irritadas por perderem momentaneamente a atenção do gringo, e

então parei meus olhos no homem que havia chegado com os seguranças.

Minha dança foi inteiramente para ele, passei minhas mãos pelo corpo

da mulher enquanto rebolava no homem e permiti que ela colocasse as mãos

em mim também. O cara me segurava pela cintura, e eu podia sentir o

membro duro dele roçando bem no meio da minha bunda. Eu ri, sentindo

cada parte do meu corpo latejar. Senti também culpa de estar sem transar a

pelo menos um mês, culpa por estar querendo algo que ninguém entendia e

podia dar. Querendo realmente ser, uma vez na vida, Elizabeth de Jane

Austen e ter um Sr. Darcy para entender quando eu fosse uma filha da puta,

ogra, no ápice no meu mau humor e que me amasse, me cultuasse e me

quisesse para sempre.

A música acabou, minha vontade de estar ali em cima também, mas o

show precisava terminar do modo certo. Sabia que os olhos do homem que

provoquei estavam sobre mim, então puxei o rosto dos dançarinos e pisquei

para o desconhecido antes de darmos um belo beijo triplo, que levou o

público da casa à loucura.

Quando desci do palco, me esgueirei até Isabella, e ela me abraçou.

— Sua maluca! Foi a coisa mais sensual que eu já te vi fazer! — ela

ria. — Não me faça querer te dar uns beijos também!

Então foi minha vez de rir, eu sabia que não fazia o tipo dela, nem ela

o meu. Nós éramos mais parceiras de alma do que de corpo.

Estávamos dançando, aproveitando o restante da noite, quando eu

senti duas mãos na minha cintura, quase entrando pelo meu short. Tentei dar

uma cotovelada para trás, mas a pessoa não se moveu, continuou com as

mãos em mim.

— QUE CARALHO DE PARTE VOCÊ NÃO ENTENDEU QUE É

PRA TIRAR SUAS MÃOS DE MIM? — gritei por causa do som alto e

também pela raiva.

Eu era forte e dei um jeito de conseguir afastar o cara o suficiente para

poder me virar e encarar o armário em forma de gente vestido de azul.

— Qual é, você estava se divertindo ali em cima e provocando tanto...

Eu sei o que você quer — o cara se aproximou de novo e me travou contra o

peito dele, o cheiro de cigarro em sua camisa me fez querer vomitar.

— Me solta, agora! — eu sabia me defender, agradeci mentalmente a

minha maluquice de querer emagrecer fazendo lutas.

Não emagreci, mas aprendi a dar alguns golpes.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, dois seguranças surgiram

do nada, segurando o homem e o fazendo tirar as mãos de mim. Agradeci por

estar livre, mas não antes de levar meu joelho com toda força que tinha bem

no meio das pernas daquele merda.

— Nunca mais encoste em nenhuma mulher sem que ela queira,

entendido? — falei bem próximo ao ouvido do cara, que havia se encolhido

pela dor.

Achei que naquela hora os seguranças iam me levar embora, afinal,

em São Paulo ou em qualquer lugar do mundo, a regra é clara, não? Arranjou

confusão, vai para rua. Mas os homens olharam em direção ao camarote e

tudo o que eu vi foi o branquelo de cabelos castanhos indicar com a cabeça a

porta dos fundos. Os seguranças pareciam não me ver e saíram arrastando o

cara pelo caminho indicado.

Eu me virei para encarar o homem que ainda me olhava e cheguei

bem perto da grade de divisão de áreas, empurrando sem jeito as pessoas no

caminho.

Quando próxima dele, falei no meu melhor inglês bêbado.

— Eu não preciso da sua ajuda — virei e saí puxando Isabella, que

me olhava chocada, em direção ao bar.

— Senta aí! — ela mandou, e eu me larguei em um dos bancos. —

Você está bem?

— Estou, preciso beber mais algumas doses e vou ficar ótima!

— Então vamos lá! — Isa não era o melhor exemplo quando se

tratava de sobriedade, nem de maturidade, mas aquela noite nós podíamos

tudo.

As pulseiras da área VIP nos davam acesso a todas as bebidas, e nós

duas ficamos experimentando drinques de nomes bizarros até a hora que

percebi que precisava urgentemente usar o banheiro.

Quando me levantei, precisei sentar de novo.

A bebida tinha feito seu efeito. Eu estava tão bêbada, que mal

conseguia andar.

— Ei, Bella! Vou mijar, me espere be-em aqui! — disse e me virei,

deixando Isa dando risada sozinha no bar.

Quando cheguei na porta do banheiro feminino, vi que a fila estava

enorme e senti o cheiro nojento que vinha do lugar. Bêbada daquele jeito, eu

não tinha condições de me segurar para não encostar no vaso, e ainda usando

aqueles saltos... Então olhei para os lados, meio atrapalhada, e empurrei a

porta do banheiro masculino.

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