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Capa do romance Herdeira Desprezada, Vingança Conquistada

Herdeira Desprezada, Vingança Conquistada

No meu aniversário de dezoito anos, a festa virou um caos. Ana Lúcia, a bolsista protegida por meu padrasto, forjou um acidente para me culpar. Fui humilhada pelo Sr. Mendes e atacada por Pedro, que defendeu a rival cegamente. Após uma briga física, acabei ferida e sangrando no chão, traída por quem deveria me amar. Entre a dor e o desprezo, percebi a farsa em que vivia. Agora, é o momento de assumir meu lugar de direito e buscar justiça contra todos eles.
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Capítulo 2

A música alta e as risadas enchiam o salão luxuoso da mansão, mas para Sofia, tudo soava distante e abafado. Era sua festa de aniversário de dezoito anos, um evento que seu padrasto, o Sr. Mendes, e o filho dele, Pedro, insistiram em organizar. Eles disseram que era para celebrar sua entrada na vida adulta, mas Sofia sentia que a festa era mais para eles do que para ela. O centro das atenções, na verdade, era outra pessoa.

Ana Lúcia, a bolsista que a família "apadrinhava", brilhava em um vestido caro, um presente do Sr. Mendes. Ela se movia entre os convidados com uma graça ensaiada, recebendo elogios e sorrisos, enquanto Sofia estava encostada perto da mesa de bebidas, sentindo-se uma estranha em sua própria casa.

A relação era clara para todos: Ana Lúcia era a protegida, a menina pobre e talentosa que o Sr. Mendes e Pedro adoravam exibir como um troféu de sua generosidade. Sofia, a filha da verdadeira dona de tudo aquilo, era apenas um detalhe inconveniente na paisagem.

O conflito que estava se formando há meses finalmente explodiu quando Sofia tentou pegar uma taça de champanhe. Ana Lúcia, passando por perto, "tropeçou" e derramou a bebida no chão, perto dos pés de Sofia.

Imediatamente, ela começou a chorar.

"O que foi, Ana?" Pedro correu para o lado dela, o rosto cheio de preocupação.

"Não foi nada, Pedro", disse Ana Lúcia com a voz trêmula, olhando para Sofia com os olhos cheios de lágrimas. "Acho que a Sofia ainda está brava comigo. Ela me empurrou."

A música parou. Todos os olhares se voltaram para Sofia. O ar ficou pesado, carregado de acusações silenciosas. Sofia ficou paralisada, a taça ainda na mão. Ela não havia tocado em Ana Lúcia.

"Sofia!" A voz do Sr. Mendes cortou o silêncio, dura e fria. "Eu não posso acreditar que você fez isso. Na sua própria festa?"

"Eu não fiz nada", respondeu Sofia, sua voz saindo mais baixa do que ela pretendia. "Ela está mentindo."

"Mentindo?" Pedro riu, um som feio e debochado. "Ana Lúcia nunca mente. Você sempre teve ciúmes dela, desde o dia em que ela chegou aqui. Ciúmes porque ela é talentosa, porque meu pai e eu gostamos dela."

A humilhação era pública, servida fria para todos os convidados. Amigos da escola, parentes distantes, todos a olhavam com uma mistura de pena e desaprovação. Ela era a vilã da noite.

"Peça desculpas a ela. Agora", ordenou o Sr. Mendes, seu rosto vermelho de raiva. "Ou você pode esquecer sua mesada este mês. E o carro que eu prometi."

Sofia olhou para o rosto choroso e falsamente vulnerável de Ana Lúcia, depois para Pedro, que a defendia com uma fúria cega, e para seu padrasto, um homem que ela nunca sentiu que a amava de verdade. Ela sentiu uma náusea. Ameaçá-la com dinheiro, como se isso pudesse comprar sua dignidade.

Ela sabia a verdade sobre aquela família. Uma verdade que eles escondiam sob a fachada de riqueza e poder. O Sr. Mendes, cujo nome verdadeiro era José Silva, não era o dono de nada. Ele era apenas um dos muitos parceiros de sua mãe, Dona Clara, a verdadeira matriarca, a mulher que construiu o império que eles desfrutavam. E Pedro não era seu irmão, era apenas o filho de José de um relacionamento anterior. Sua mãe, Dona Clara, a verdadeira dona da casa e da fortuna, estava supostamente doente e viajando para tratamento, uma mentira conveniente que José usava para controlar tudo.

Sofia baixou os olhos, não por vergonha, mas para esconder a chama de desprezo que sentia. Ela não ia dar a eles o prazer de uma briga. Ainda não.

Mais tarde, enquanto a festa continuava com um clima tenso, Sofia encontrou Ana Lúcia sozinha perto da varanda. A outra garota tinha parado de chorar e agora a olhava com um sorriso vitorioso.

"Você viu? Eles me amam mais do que a você", disse Ana Lúcia, a voz baixa e cheia de veneno. "Seu padrasto, seu 'irmão'. Eles me defendem. Eles me dão tudo."

Sofia permaneceu em silêncio.

Ana Lúcia se aproximou, o sorriso se alargando. "Eu vou conseguir tudo, Sofia. Esta casa, o dinheiro, o status. Eu vou ser a verdadeira herdeira desta família, e você não vai ser nada. Eles já me preferem. É só uma questão de tempo até que eles percebam que você não serve para nada."

Sofia finalmente levantou o olhar e encarou Ana Lúcia. Para a surpresa da outra, não havia lágrimas nem raiva em seus olhos, apenas um frio e divertido desprezo.

"Você realmente acredita nisso?", Sofia perguntou, a voz calma. "Você acredita que um motorista e o filho dele têm algum poder nesta casa?"

O sorriso de Ana Lúcia vacilou. "Do que você está falando?"

"Você é ambiciosa, Ana Lúcia, mas é burra", continuou Sofia, dando um passo à frente. "Você acha que o poder aqui vem do José ou do Pedro? Eles são apenas peões. A rainha não está no tabuleiro agora, mas ela ainda é a dona do jogo. E quando ela voltar, você e sua mãe interesseira vão ser as primeiras a serem varridas para fora."

Sofia sorriu, um sorriso genuíno pela primeira vez na noite. "Aproveite a festa. Pode ser a sua última nesta casa."

Ela se virou e deixou Ana Lúcia na varanda, pálida e confusa. A batalha havia apenas começado, e Sofia sabia exatamente qual peça moveria a seguir.

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