Capa do romance Desejo de Pecar

Desejo de Pecar

8.1 / 10.0
No catolicismo atual, o celibato clerical é visto como regra institucional, não como dogma, gerando debates sobre sua abolição. Enquanto diáconos permanentes conciliam o matrimônio com funções religiosas, padres permanecem restritos por leis dos Concílios de Latrão e Trento. O desejo por mudanças cresce no clero, propondo que a ordenação de homens casados seja permitida, mantendo a castidade apenas como escolha radical, desafiando normas seculares da Igreja.

Desejo de Pecar Capítulo 1

Saio do pequeno banheiro com a toalha presa em minha cintura, quando piso no quarto ela está sentada sob minha cama nua, se levanta e caminha até mim.

- Ísis, pare! É pecado isso.

Ela se ajoelha a minha frente e me olha de baixo com seu rosto de menina. Com suas mãos delicadas solta a minha toalha fazendo cair ao chão me deixando nu a sua frente.

- Me dá seu prazer absoluto em meu rosto Padre Matteo. ela diz colocando a língua fora da boca.

Acordo no meio da noite mais uma vez ofegante e suando. Estico meu braço e acendo o abajur no pequeno criado mudo ao meu lado passando a mão entre meus cabelos ajeitando meus fios bagunçados. Puxo o lençol e abaixo minha cueca, vejo o líquido branco viscoso que encharcou o tecido. Eu havia ejaculado enquanto dormia.

Me levanto da cama e vou pro chuveiro. Essa rotina estava se fazendo presente nos últimos tempos. Só eu sei o quanto tenho lutado contra isso. Saio do box e me enxugo em uma toalha, a prendo na cintura e saio do banheiro. Ainda é noite, o dia nem amanheceu. Quando entro de novo no quarto olho o crucifixo na

parede a cima da minha cama, me repreendo baixando meu olhar envergonhado.

- Me ajude Senhor! Me ajude a me manter firme e na sua presença divina.

Desligo o abajur e volto a dormir.

Me chamo Matteo Mazzini, 35 anos de idade, e sou Padre formado desde os 30 anos, nos dias atuais eu ministro na Igreja Esplendor, na cidade de São Paulo. Comecei minha vocação a igreja desde os meus 18 anos. Antes disso eu era um frequentador assíduo nas missas na minha adolescência. Quando entrei no seminário passei pelo período de propedêutico no primeiro ano, depois tive que estudar filosofia e teologia nos anos seguintes. Foram longos anos de estudo para que eu conseguisse me formar e poder entrar no clero da igreja católica. Estar no clero significa você pertencer ao grupo de sacerdotes católicos, sendo esses padres, bispos, arcebispos, cardeais e o Papa, e cada um possui sua própria função na hierarquia da Igreja, e são responsáveis pelos cultos.

O diaconato é o primeiro grau do sacramento da Ordem. O presbiterado padre é o segundo e o episcopado (bispos) é o terceiro. Portanto, todo diácono católico deve ser ordenado por um Bispo num ritual próprio.

Quando terminei os estudos me tornei diácono, ou eclesiástico, termo dado a essa denominação. Ser diácono é assistir o sacerdote ou bispo, pregar, batizar e distribuir a comunhão. Com minha devoção absoluta por anos, fui então nomeado pela Igreja Católica como Padre, eu poderia a partir daí ministrar missas em uma igreja.

O clero me designou para comandar a igreja do Esplendor, em São Paulo, fazem 5 anos que ministro desde então. O dever de um

Padre é segundo o concílio Vaticano II, pregar a Palavra de Deus contida, pelo cristianismo de denominação católica. E se entregar absolutamente a igreja e nada fora dela, principalmente a vida solitária, não é aceito manter uma relação com uma mulher.

Na minha adolescência eu frequentava as missas fielmente com meus pais. Eu costumava sentar sempre nos primeiros bancos e olhava com admiração o Padre que ministrava a igreja. Um dia depois dos ritos finais, eu fui até o Padre Antunes e contei a ele

minha vontade de um dia ser igual ele. Lembro-me muito bem das suas palavras.

- Determinação será o que você precisará para chegar até aqui garoto.

foi o que ele me disse.

Desde os meus 18 anos, vivi dentro do seminário, hoje em dia mesmo tendo me tornado Padre permaneço morando no seminário durante a semana, pois ensino os novatos propedêuticos a se prepararem para os anos seguintes e mantê-los focados nesse primeiro ano. Muitos desistem já no começo, a vida restrita é algo que muitos jovens não conseguem se adaptar. Uma vida reclusa, sem festas, bebidas e namoros. Se um seminarista iniciante consegue passar a etapa primária dos três primeiros anos no seminário, ele tem grandes chances de entrar no clero da igreja católica. Se você deseja ser Padre, você deve abdicar do mundo e da promiscuidade, e se manter no celibato absoluto.

Celibato é o estado em que sacerdotes da igreja católica se comprometem em não se casar ou manter relações sexuais com outra pessoa. Por norma, o celibato é uma prática comum entre alguns religiosos, que abdicam dos prazeres mundanos para se dedicar exclusivamente a servir a Deus.

Nunca namorei na minha adolescência, eu era um rapaz tímido nos tempos de escola, e sempre focava em estudar e ter boas notas, tão pouco tive relações sexuais. Hoje com 35 anos ainda sou virgem e puro, nunca me entreguei a uma mulher, tampouco senti o sabor de um beijo nos lábios. Entreguei minha vida a igreja e a Cristo nosso Senhor no momento em que pisei no seminário no meu primeiro dia de aprendizado para me formar Padre.

Costumo dormir nos dias da semana no seminário, possuo um quarto aqui. E nos fins de semana vou para minha casa descansar. É uma casa confortável, e fica localizada em um condomínio

tranquilo próximo da igreja Esplendor. Foi a herança deixada pelos meus pais antes de falecerem. Lugar que até meses atrás era o meu retiro e sossego espiritual, mas depois disso se tornou o local onde evito ao máximo ficar por longos períodos. Já não posso estudar e ler minhas palestras que vou dar aos seminaristas, não consigo mais me concentrar em minha própria casa.

A poucos meses chegou ao lado da minha residência uma nova família, mais especificamente uma garota e um senhor de aproximadamente 60 anos, seu pai. Garota essa que mais parece o diabo em forma de mulher, e tenho motivos comprovatórios para afirmar dessa maneira a denominação que dou a essa garota. Estou tentando com todas as minhas forças me manter firme em Cristo.

Tenho conseguido, mas ela é audaciosa demais.

Quando chega o fim de semana, e sei que vou para minha residência, quando estou próximo do condomínio minhas mãos chegam a suar enquanto seguro o volante. Suas atitudes são as mais perversas para chamar minha atenção, ela não tem timidez alguma, não tem pudor, não me respeita como deveria respeitar. Quando ela se dá conta que estou chegando e vou passar meu fim de semana em minha casa, ela junta suas munições de pecadora e me ataca descaradamente.

Quanto mais me afasto, mas ela se aproxima. Quanto mais a evito olhar, mas ela se mostra presente. E quanto mais me repreendo, mas constante ela está nos meus sonhos. Meus malditos sonhos.

Seu nome, Ísis ... Ísis Roosevelt!

8 da manhã ...

O despertador toca, abro meus olhos que estão pesados, eu havia acordado de madrugada e tive que ir de novo pro chuveiro me limpar da promiscuidade dentro do meu sonho, que resultou em acordar sujo. Sento na cama e desligo o despertador me sentindo sonolento.

Vou ao pequeno banheiro logo a frente da minha cama e me olho no espelho, estou cansado, dormi pouco essa noite. Fecho o cenho quando lembro do motivo. Enxáguo o rosto com água gelada e escovo os dentes, observo que minha barba está crescendo, não gosto dela assim. Puxo na gaveta do armário o barbeador e aparo ela deixando rente e sutil, prefiro assim, me sinto bem. Depois de toda minha higiene matinal troco de roupa e visto uma das minhas roupas sociais e por cima coloco minha batina sagrada.

A batina é a vestimenta mais ansiada pelos seminaristas. Ela é sagrada, veste-se a roupa comum por baixo e colocamos ela por cima. Ela é preta, o que significa a morte para o mundo, tem 33 botões, que é a idade de Cristo, e 5 abotoaduras, as chagas de Jesus.

Hoje era dia de dar aulas para os seminaristas, o Diácono Martin iria me ajudar. Abro a porta do meu quarto e sigo reto o longo corredor gigantesco. Haviam outros cômodos de quartos onde muitos seminaristas dormiam. Desço a escadaria e vou até a sala de palestras no primeiro andar. O Diácono Martin já está na sala organizando as folhas, entro e me aproximo.

- Bom Dia Padre Matteo.

- Bom Dia Martin.

Ele me entrega as apostilas e vou colocando uma a uma em cada mesa. Era o conteúdo sobre teologia, os seminaristas iriam estudar a apostila de duzentas folhas que eu redigi em minha casa, e entregariam na semana seguinte para avaliarmos com teste oral cada um deles. Eles iriam responder alguns temas abordados nela.

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