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Capa do romance GAME OVER em CARUARAS // Conto Bradockiano //

GAME OVER em CARUARAS // Conto Bradockiano //

No agreste de um Pernambuco cyberpunk, Caruaras torna-se o palco de um inverno nuclear e da iminente Terceira Guerra Mundial. Sob um governo digital autoritário e pandemias infinitas, duas entidades tecnológicas disputam o destino de um bebê híbrido, gerado pela primeira ginoide grávida. Entre gangues e o mercado negro de membros mecânicos, a magia e as máquinas colidem em cinco contos interligados, revelando um cenário onde profecias e golpes virtuais definem o fim da humanidade.
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Capítulo 2

- Joga óleo vegetal nela. - exclama alguém dentro a plateia fria e carniceira.

- Água! Água! Joga água 'ni' mim. Tá queimando. Minha Jaci da Conceição! - exclama perdendo líquido em meio as chamas.

- Não existe mais água por aqui há décadas.

Retruca um dos “bots”.

- Apaga seu moço robô. Mim ajuda! Tá queimando! Aí! Aí! O que eu fiz? "Pra" merecer isso! O que fiz? (...) Indaga gritando aos quatro ventos quente da ‘cybercidade’ de Caruaras no agreste Meridional do estado de Pernambuco Assombrado.

O corpo inflamado da Trovadora/Poetisa caíra por fim bem no meio do Beco do Major Sinval, (hoje beco da pequena de Ouro e também da antiga livraria estudantil). Ninguém o ajudará por horas a fio... A vida híbrida quase seguirá normalmente...

Caruaras de carros elétricos abandonados... Carregadores pifados..., (Com carne em "3-D" colocada intencionalmente para dar pane nos próprios carregadores. Anti tecnologias?

Capotas e carcaças de flutuantes oxidados por quase todas as ruas... Lixo virtual, (Hologramas de balsas chia, chia repletas de comida enlatada e embutidos criados em

Impressora; "3D") e androides desatualizados comendo e catando lixo eletrônico também.

Caruaras da linha do trem...

***

- Nego tenho uma notícia triste pra tu. - disse Rosinha com olhos de choro.

- O que “Mulé” vai fala logo... - retruca Nego Ciborgue já prevendo a mais triste das notícias que se pode receber.

Tua mãe morreu, agora! Recebi a notícia da máquina de oxigênio. Ela não suportou a intubação.

- Minha ‘veinha’... Se foi... - murmura Nego chorando e baixando a cabeça.

- Calma meu gato! Força ela foi chamada pra as estrelas. - tenta confortar sua parceira/companheira.

"Que a santinha Jaci da Conceição seja por todos nós!".

Pensa Rosinha também chorando, porém, discretamente.

- Era a única renda da nossa casa. - comenta Rosinha fitando a porta oxidada do refrigerador científico, (antiga geladeira adaptada).

- Era minha única mãe. (...) - retruca o filho.

- Eu sei... Meu bebê eu sei. Me desculpa é que penso na gente.

- Tá! Eu sei... Ah minha veinha se foi... Minha guerreira... Minha rainha... Depois dela só meu bisavó que trabalha fixo. E por um breve tempo construindo a linha do trem aqui na cidade de antigamente. - disse Nego Ciborgue enxugando os olhos marejados.

"Terei que vender o único bem que me resta e vale algum nesse mundo facista/capitalista de uma merda"!

Pensa Nego Ciborgue fitando os próprios membros musculosos e mecânicos.

Três meses e alguns dias, (eternos)... Após o sepultamento de Nega Santa...

***

Nego Ciborgue, (já sem os braços) deitado:

"Tenho que levar o holograma da foto de porcelana da minha veinha, já faz mais de três meses".

Pensa Nego Ciborgue tentando reagir daquela "deprê".

Rosinha sentada só de calcinha e blusão do Caruaru Cite, retocando o esmalte e o “holovisor” ligado em um filme Sertão Punk, era o "CANGAÇO OVER DRIVE". no intervalo surgira um comercial do outro filme "Estranha Bahia".

- Uau! - Exclama a esposa de Nego.

Bá! Bá! Baaa! - alguém batera lá do outro lado da porta...

"Mas eu conheço essa batida... É... Mas não pode ser".

Pensa Nego Ciborgue, (sem os braços) deitado/deprimido na escuridão do seu próprio quarto.

Bá Bá!! Baaa!!! - insiste ainda do além porta.

"Essa batida não existe outra igual".

Pensa Rosinha.

"Só pode ser... Mãe?".

Pensa Nego arrepiando-se profundamente.

- 1...2...3...

Quando Rosinha, (seu companheiro/parceiro por suas costas) abrira a porta.

Nego Ciborgue arregalara os olhos... Era como se avista-se a mais aterrorizante visão, (...) visagem de um pavor tão desejado... Sonhado... Mentalizado... Aguardado.

- Mãe? (...) - exclama com os lábios trêmulos mudando de tom e cor.

- Meus Jesus Cristo Eletrônico! - murmura sua companheira/parceira pálida como um cadáver apesar da pigmentação afrodescendente.

- Não! Não pode ser... (...) Mas... Mas a senhora já morreu faz três ‘mês’. - dispara Ciborgue com a menina dos olhos nervosa como nunca.

- Meu filho! Eu voltei... Sua mamãe tá de volta...

Disse aquela senhora ainda melada de terra de cemitério... A visão que se segue... E grotesca, nefasta e horrorosa... Mas caberá ao leitor ou leitora tirar suas próprias conclusões.

- Mas tem, tem Tapurus descendo e subindo no seu rosto, minha mãe.

- Meu filho de minha vida. Abrace sua mãe.

- Não, acho que vou vomitar... Que nojo... A senhora tá fedendo a carniça mãe.

- Calma filhote mainha vai cantar uma ‘musiquinha’ “pra” acalmar meu nenezinho: disse e continua rodopiando no seu próprio eixo: - Na boca da mata... Eu encontrei um pássaro branco, avisando que cheguei... Na boca que vi dentro dela... - Canta dona Nega Santa.

- Mãe? É a senhora? (...). - indaga gelado fitando Rosinha que mais parecia que não estava ali...

- Quando... Passara na porta do cemitério seu moço não esqueça de olhar para trás... Vocês vou ver uma moça vestida de negro seu moço... Ela Maria Mariá... Ela é Maria Mariá... Matei com sete facadas dentro seu coração sou Pomba Gira... Sou pomba Gira menina na sexta-feira da paixão... Mas eu chorei... Eu chorei... O homem que eu amava com sete facadas eu matei... Chorei... Sexta-feira da paixão... O homem que amava eu matei... Cantarolava o tal ponto de candomblé Nega Santa.

- Mas meu filho sua mãe voltou, tá com vergonha de mim?

- Jamais mãe... Me desculpe! - disse abraçando aquele ser, (envolto em trapos/restos da mortalha) em decomposição/putrefação.

Sua mãe, (aquele ser derretera por entre os seus braços baratas e tapurus mecânicos correram para o interior de sua casa e também por a calçada sob os gritos de Rosinha... Na periferia da “cyberprincesinha” do agreste Meridional ‘cyberpunk’/distopico de Caruaras.

- Mãe! Oh! Mãe!! Mãe!!! - Logo acordara suado meio que desesperado por sentir/perceber ter uma pequena percepção, pois estava a sonhar.

- O que foi Neguinho meu! Sonhou com Nega Santa de novo foi? - indaga Rosinha lhe fazendo um carinho.

- Foi! (...) Mas dessa vez foi diferente tão real.

Retruca Ciborgue.

- Que fedor é esse Nego? - indaga sua esposa/companheira tapando as marinas e fitando os calçados do seu parceiro conjugal.

- Tô sentindo também... Deve ser merda.

- Parece que tu pisasse em carniça queimada.

Uma pequena procissão, (seres híbridos, androides, bots e ginoides, ciborgues) com dispositivos móveis em mini pedestais clamando o retorno/vinda da santinha/inteligência artificial Jaci, passara cantando louvores para a tal entidade espiritual/tecnológica.

***

- Ei, vocês aí, sabe dizer onde mora a ginoide Janaína? - Indaga um ser andrógino, (aparentemente sem gênero definido) talvez homem, mulher ou trans...

- Não senhor. - Retruca tremendo nas bases.

- Senhor tá no céu, 'filhinho'. - retruca aquele ser sobre patins com voz híbrida, (...).

Logo se juntara a uma pequena turma de patins procurara por Janaína, (a ginoide) por toda 'cybercidade', (...).

***

- Mataram Maria Meia-noite agora! - disse ofegante Ciço do Poico.

- Quem foi? (...) - Indaga Líbio Catito.

- Não se tem certeza ainda, mas estão dizendo a boca miúda que fora uma gangue. - Comenta baixinho, (quase no pé do ouvido) Darck Araújo.

- Que gangue? Fala logo! - indaga outro colega.

- Os Habitantes do Escuro? - Indaga Líbio tentando adivinhação.

- Não! (...) - Retruca Ciço do ‘Poico’.

Continua...

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