
GAME OVER em CARUARAS // Conto Bradockiano //
Capítulo 2
- Joga óleo vegetal nela. - exclama alguém dentro a plateia fria e carniceira.
- Água! Água! Joga água 'ni' mim. Tá queimando. Minha Jaci da Conceição! - exclama perdendo líquido em meio as chamas.
- Não existe mais água por aqui há décadas.
Retruca um dos “bots”.
- Apaga seu moço robô. Mim ajuda! Tá queimando! Aí! Aí! O que eu fiz? "Pra" merecer isso! O que fiz? (...) Indaga gritando aos quatro ventos quente da ‘cybercidade’ de Caruaras no agreste Meridional do estado de Pernambuco Assombrado.
O corpo inflamado da Trovadora/Poetisa caíra por fim bem no meio do Beco do Major Sinval, (hoje beco da pequena de Ouro e também da antiga livraria estudantil). Ninguém o ajudará por horas a fio... A vida híbrida quase seguirá normalmente...
Caruaras de carros elétricos abandonados... Carregadores pifados..., (Com carne em "3-D" colocada intencionalmente para dar pane nos próprios carregadores. Anti tecnologias?
Capotas e carcaças de flutuantes oxidados por quase todas as ruas... Lixo virtual, (Hologramas de balsas chia, chia repletas de comida enlatada e embutidos criados em
Impressora; "3D") e androides desatualizados comendo e catando lixo eletrônico também.
Caruaras da linha do trem...
***
- Nego tenho uma notícia triste pra tu. - disse Rosinha com olhos de choro.
- O que “Mulé” vai fala logo... - retruca Nego Ciborgue já prevendo a mais triste das notícias que se pode receber.
Tua mãe morreu, agora! Recebi a notícia da máquina de oxigênio. Ela não suportou a intubação.
- Minha ‘veinha’... Se foi... - murmura Nego chorando e baixando a cabeça.
- Calma meu gato! Força ela foi chamada pra as estrelas. - tenta confortar sua parceira/companheira.
"Que a santinha Jaci da Conceição seja por todos nós!".
Pensa Rosinha também chorando, porém, discretamente.
- Era a única renda da nossa casa. - comenta Rosinha fitando a porta oxidada do refrigerador científico, (antiga geladeira adaptada).
- Era minha única mãe. (...) - retruca o filho.
- Eu sei... Meu bebê eu sei. Me desculpa é que penso na gente.
- Tá! Eu sei... Ah minha veinha se foi... Minha guerreira... Minha rainha... Depois dela só meu bisavó que trabalha fixo. E por um breve tempo construindo a linha do trem aqui na cidade de antigamente. - disse Nego Ciborgue enxugando os olhos marejados.
"Terei que vender o único bem que me resta e vale algum nesse mundo facista/capitalista de uma merda"!
Pensa Nego Ciborgue fitando os próprios membros musculosos e mecânicos.
Três meses e alguns dias, (eternos)... Após o sepultamento de Nega Santa...
***
Nego Ciborgue, (já sem os braços) deitado:
"Tenho que levar o holograma da foto de porcelana da minha veinha, já faz mais de três meses".
Pensa Nego Ciborgue tentando reagir daquela "deprê".
Rosinha sentada só de calcinha e blusão do Caruaru Cite, retocando o esmalte e o “holovisor” ligado em um filme Sertão Punk, era o "CANGAÇO OVER DRIVE". no intervalo surgira um comercial do outro filme "Estranha Bahia".
- Uau! - Exclama a esposa de Nego.
Bá! Bá! Baaa! - alguém batera lá do outro lado da porta...
"Mas eu conheço essa batida... É... Mas não pode ser".
Pensa Nego Ciborgue, (sem os braços) deitado/deprimido na escuridão do seu próprio quarto.
Bá Bá!! Baaa!!! - insiste ainda do além porta.
"Essa batida não existe outra igual".
Pensa Rosinha.
"Só pode ser... Mãe?".
Pensa Nego arrepiando-se profundamente.
- 1...2...3...
Quando Rosinha, (seu companheiro/parceiro por suas costas) abrira a porta.
Nego Ciborgue arregalara os olhos... Era como se avista-se a mais aterrorizante visão, (...) visagem de um pavor tão desejado... Sonhado... Mentalizado... Aguardado.
- Mãe? (...) - exclama com os lábios trêmulos mudando de tom e cor.
- Meus Jesus Cristo Eletrônico! - murmura sua companheira/parceira pálida como um cadáver apesar da pigmentação afrodescendente.
- Não! Não pode ser... (...) Mas... Mas a senhora já morreu faz três ‘mês’. - dispara Ciborgue com a menina dos olhos nervosa como nunca.
- Meu filho! Eu voltei... Sua mamãe tá de volta...
Disse aquela senhora ainda melada de terra de cemitério... A visão que se segue... E grotesca, nefasta e horrorosa... Mas caberá ao leitor ou leitora tirar suas próprias conclusões.
- Mas tem, tem Tapurus descendo e subindo no seu rosto, minha mãe.
- Meu filho de minha vida. Abrace sua mãe.
- Não, acho que vou vomitar... Que nojo... A senhora tá fedendo a carniça mãe.
- Calma filhote mainha vai cantar uma ‘musiquinha’ “pra” acalmar meu nenezinho: disse e continua rodopiando no seu próprio eixo: - Na boca da mata... Eu encontrei um pássaro branco, avisando que cheguei... Na boca que vi dentro dela... - Canta dona Nega Santa.
- Mãe? É a senhora? (...). - indaga gelado fitando Rosinha que mais parecia que não estava ali...
- Quando... Passara na porta do cemitério seu moço não esqueça de olhar para trás... Vocês vou ver uma moça vestida de negro seu moço... Ela Maria Mariá... Ela é Maria Mariá... Matei com sete facadas dentro seu coração sou Pomba Gira... Sou pomba Gira menina na sexta-feira da paixão... Mas eu chorei... Eu chorei... O homem que eu amava com sete facadas eu matei... Chorei... Sexta-feira da paixão... O homem que amava eu matei... Cantarolava o tal ponto de candomblé Nega Santa.
- Mas meu filho sua mãe voltou, tá com vergonha de mim?
- Jamais mãe... Me desculpe! - disse abraçando aquele ser, (envolto em trapos/restos da mortalha) em decomposição/putrefação.
Sua mãe, (aquele ser derretera por entre os seus braços baratas e tapurus mecânicos correram para o interior de sua casa e também por a calçada sob os gritos de Rosinha... Na periferia da “cyberprincesinha” do agreste Meridional ‘cyberpunk’/distopico de Caruaras.
- Mãe! Oh! Mãe!! Mãe!!! - Logo acordara suado meio que desesperado por sentir/perceber ter uma pequena percepção, pois estava a sonhar.
- O que foi Neguinho meu! Sonhou com Nega Santa de novo foi? - indaga Rosinha lhe fazendo um carinho.
- Foi! (...) Mas dessa vez foi diferente tão real.
Retruca Ciborgue.
- Que fedor é esse Nego? - indaga sua esposa/companheira tapando as marinas e fitando os calçados do seu parceiro conjugal.
- Tô sentindo também... Deve ser merda.
- Parece que tu pisasse em carniça queimada.
Uma pequena procissão, (seres híbridos, androides, bots e ginoides, ciborgues) com dispositivos móveis em mini pedestais clamando o retorno/vinda da santinha/inteligência artificial Jaci, passara cantando louvores para a tal entidade espiritual/tecnológica.
***
- Ei, vocês aí, sabe dizer onde mora a ginoide Janaína? - Indaga um ser andrógino, (aparentemente sem gênero definido) talvez homem, mulher ou trans...
- Não senhor. - Retruca tremendo nas bases.
- Senhor tá no céu, 'filhinho'. - retruca aquele ser sobre patins com voz híbrida, (...).
Logo se juntara a uma pequena turma de patins procurara por Janaína, (a ginoide) por toda 'cybercidade', (...).
***
- Mataram Maria Meia-noite agora! - disse ofegante Ciço do Poico.
- Quem foi? (...) - Indaga Líbio Catito.
- Não se tem certeza ainda, mas estão dizendo a boca miúda que fora uma gangue. - Comenta baixinho, (quase no pé do ouvido) Darck Araújo.
- Que gangue? Fala logo! - indaga outro colega.
- Os Habitantes do Escuro? - Indaga Líbio tentando adivinhação.
- Não! (...) - Retruca Ciço do ‘Poico’.
Continua...
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