Capa do romance GAME OVER em CARUARAS // Conto Bradockiano //

GAME OVER em CARUARAS // Conto Bradockiano //

9.2 / 10.0
No agreste de um Pernambuco cyberpunk, Caruaras torna-se o palco de um inverno nuclear e da iminente Terceira Guerra Mundial. Sob um governo digital autoritário e pandemias infinitas, duas entidades tecnológicas disputam o destino de um bebê híbrido, gerado pela primeira ginoide grávida. Entre gangues e o mercado negro de membros mecânicos, a magia e as máquinas colidem em cinco contos interligados, revelando um cenário onde profecias e golpes virtuais definem o fim da humanidade.

GAME OVER em CARUARAS // Conto Bradockiano // Capítulo 1

Parte: I (Agreste/Punk)

A aproximadamente 637 metrôs de altitude, (acima do nível do mar) sobre as luzes do planalto da Borborema era o Morro da Onça Mecânica, (imediações da Pedra do Enterro, comandada por o lendário traficante Caveira), Mirante Norte...:

"Caruaras hoje tô na tua não, mas um dia, um dia vossa senhoria ficará na minha...".

Pensa Ciça do "Poico" lá do cume fitando as estrelas, (depósitos de almas) no firmamento roxeado da Princesinha do Agreste/punk:

- Tá o maior 'babado' visse? ‘Mulé’. - disse Rosinha arrumando os seus cabelos e reclamando do vento quente como estufa.

- Oxe! - exclama Ciça já curiosa como ninguém.

Nenhum vento mais batia em seus cabelos.

"Oxe! Cortaram o vento de novo foi?".

Pensa Ciça querendo se mostrar para a sua velha amiga de confidências.

- Eu também tenho um "babado" 'pra' te contar visse?

- Hum... O que? Fala porque hoje tô de "TPM" visse? Nem meu macho aguentou ficar em casa comigo hoje. Danou-se no mundo "pra" beber com aqueles amigos vagabundos que ele insiste em manter. - retruca Rosinha tirando uma selfie de ambas ali com toda aquela paisagem, ( Pata de Vaca, Pau Ferro, Ipê Roxo, aroeira/pimenteiras bioluminiscentes da cidade inteligente.

- Hum... Mas já? Quando é "pra" mim dizer qualquer coisa tu fica que nem uma quenga safada e menstruada.

"Eita P***".

Pensa.

- Eita! (...) - exclama Ciça com espanto. Depois comenta:

- Por mim! Eu botava 'pra' correr meio-dia em ponto, no nosso caso meia-noite eterna né?

- Calma Mulé! Oxe! - exclama Rosinha tentando amenizar.

- Três gangues tão se juntando aqui em Caruaras. - comenta Rosinha a boca pequena.

- E quais são? E quem disse? - indaga Ciça do “Poico” sem dar muita atenção para o caso 'fofocal'.

- Mulé a Gangue de Vendedores de Flores Artificiais, a Gangue dos Flanelinhas e Os Noiados Fantasmas. - Disse fitando os quatro cantos com medo de alguém mais ouvir aquele forte 'bochicho' e continua: - Quem me falou é que tu não vai acreditar. - completa Rosinha posicionando o seu decote.

- O espírito vingador de Nenzinha do Bonde "pra" o Crime? - indaga Ciça fitando os cabelos dreads com suas pontas coloridas da amiga.

- Ela 'merma' veio a mim depois de assassinada e falou comigo aqui. - confirma Rosinha no ato.

- Vixe! Minha Jaci da Placa Mãe. - exclama Ciça arrepiando-se na hora e fitando as cúpulas das torres da igreja holográfica de Santa Luzia dos Olhos Eletrônicos,

Ambas fitavam, [lá de cima] as imediações do anfiteatro, (situado no Marco zero de Caruaras) ao lado da Primeira Igreja Holográfica, essa de Santa Jaci da Conceição.

- Tô te falando ‘Mulé’, vá por mim!- retruca a amiga.

- Será que é verdade? - indaga novamente Ciça.

- Dizem que tão em missão 'pra' provar que podem ser melhor que a outra... Atacando direto em toda parte qualquer hora qualquer dia eterno. Mas a conversa que tá rolando que vão se unir. - disse Rosinha.

"Unificar três gangues? Sei... Isso vai dá merda!".

Pensa Ciça.

- Hum... 'Apoi' tem que se ligar ainda mais...

Comenta retocando o baton metálico a amiga.

- Pois é... - concorda Ciça do “Poico” acendendo um cigarro elétrico.

Ambas erguiam suas bocas loucas de baton e davam baforadas homéricas de fumaça artificial rumo ao firmamento da “cybercidade”.

Mais a frente, (em outro espaço/local) do morro; um grupo reza fervorosamente por a tal vinda da santa Jaci da Conceição.

***

Os estrondos da Princesa do Agreste não eram mais terríveis que os pingos da chuva/fina ácida de inverno nuclear, (queimando os Tecidos das vestes nos varais das casas e casebres com telhados de placas solares e lâmpadas bioluminiscentes ao som da rabeca do triângulo e sanfona virtual/instrumental/clássico tema do nordeste/agreste/punk... faz brotar/acionar um holograma de um trevo de quatro folhas por entre as fendas da terra seca/rachada... [Vez por outra chuva/forte ácida] Carroças de burro com musculosas pernas mecânicas, (fruto de uma hibridização com o DNA da raça boi/touro mitológico: "Miura") e monomotocicletas abandonadas... automóveis flutuadores/híbridos e suas oxidadas carcaças, eis tua face oh! Caruaras... Independente/emancipada/iluminada de um Pernambuco Assombrado... ex Capitania/Estado... Terra da cana de açúcar artificial e do holograma de plantações de algodões, (ouro branco). dos muros altos e espessos do Grupo Condomínio partindo do Morro da Onça Mecânica ao (antigo Campo de Monta) Parque 18 de Maio.

Três dias antes...

***

Rua 15 de novembro, [antiga Rua da Frente] imediações do terminal de ônibus flutuante.

A poetisa/Trovadora fora despejada de uma quitinete imunda e vagabunda junto com a também poetisa Magally que rumara para a Praça do Rosário Velho, (seu antigo lar, embaixo do banco de concreto inteligente lá na parte leste), setor da gangue; "Bonecas Siliconadas"... Já no oeste a outra gangue; 'Travestis Amputados'. Já Maria não tinha mais aquela mesma relação com a amiga. Que também estava em situação de rua.

Certa hora aberta da noite eterna/madruga alta a trovadora estava deitada, (enrolada com um grosso cobertor com suas tramas feitas de resíduos de algodão sintético colorido; 'abafa-bufa') sob um alpendre de certa loja, [de cascas de camarão, revolucionário/alternativo/produto invés do plástico que também um dia fora revolucionário em substituição a estopa feita da planta sertaneja Caroá ainda no início do século XX.] Loja essa com sua frente toda gradeada. Um barulho ficando cada vez mais próximo, (...) era zuada de rodas, pequenas rodas em rápido movimento... De rodinhas/rolimãs de patins..., (...).

Quando um alguém, (sexo indefinido) aproximara-se e jogara algo, (uma espécie de líquido inflamável) em uma garrafa pet de um refrigerante raro, (existente somente no mercado paralelo) de uma marca vagabunda qualquer.

- Ei, cara faça isso não! O que eu fiz? 'Pra' você vir dá um banho em mim? Heim? - indaga a poetisa sem crer no que havia acontecido com sua pessoa.

"Será um 'cara mermo'? Não dar "pra" definir é tão andrógino".

Pensa em meio a uma aflição ímpar.

"Isso é gelado, parece 'gasosa'".

Pensa Maria a Poetisa ainda sem acreditar, mas as cenas que se segue não se tem nem palavras:

- Toma isso aqui puta safada! - exclama um jovem, [pré adolescente] cabelos longos, pintado de branco neve, as laterais de suas têmporas com designer feita na régua, [corte de duas faces]. Sacara uma caixa de fósforo, (coisa rara naqueles dias de reset econômico e sociedade desigual/distópica.

Fogo no corpo da Trovadora Maria Meia-noite. Agonia, dor e gritos! (...)

- Aí. Por que você fez isso? Não fiz nada com você, nada. Socorro! Tá queimando...

Seu corpo, (da poetisa/Trovadora realmente estava em chamas... Ao olhos de ‘bots’, andróides, ciborgues, híbridos e até puro sangue, (humano da gema).

Maria saíra correndo, (sua pele em chamas, derretendo) abanando os braços em claro sinal de dor e desespero por as ruas da Zona Central. Tipo aquela lendária cena da menina correndo nua depois de mais um bombardeio com napalm por os americanos na guerra do Vietnã.

- Eu tô no inferno! Tô queimando. Me ajuda! Ajuda eu. - grita sentindo seu corpo encolher, (perdendo água) definhar em meio a tanta dor.

Correria de uns ‘Bots’ com Coração para apagar aquelas chamas da poetisa por as ruas com asfalto fino e esburacada... A risadagem de seres eletrônicos, (sem nenhum sentimento ou código de ética ou moral).

Continua...

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