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Capa do romance Filha Leiloada, Esposa Despedaçada

Filha Leiloada, Esposa Despedaçada

Traída por Heitor, seu marido bilionário, uma cirurgiã vê sua filha ser leiloada e enviada ao estado vegetativo após um erro médico da amante dele. Humilhada e com a mão destruída, ela sofre o horror de consumir as cinzas da própria filha e ver sua mãe ser morta. Diante de tanta crueldade e perda, a dor se torna um desejo gélido de vingança. Ao ser convocada para a festa de Heitor, ela aceita o convite, pronta para confrontar quem destruiu sua vida e família.
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Capítulo 2

A promessa de Heitor era uma mentira.

Ele disse que Juliana estava segura, que a mandara para casa. Mas quando Clara finalmente cambaleou de volta para casa, machucada e quebrada, a mansão estava vazia. Silenciosa. Juliana não estava lá. Suas ligações iam direto para a caixa postal. O pânico, frio e agudo, arranhou sua garganta.

Horas depois, quando o sol começava a manchar o céu de um cinza doentio, a porta da frente rangeu ao se abrir.

Juliana estava ali.

Suas roupas estavam rasgadas. Seu cabelo era um emaranhado de nós. Havia hematomas em seu pescoço, seus braços, suas pernas. A tinta dourada e prateada estava manchada de sujeira, lágrimas e sangue. Seus olhos, aqueles lindos olhos artísticos, estavam ocos. Vazios. Ela olhou para Clara, mas era como se estivesse olhando através dela, para algo horrível do outro lado.

Bárbara, a mãe adotiva de Clara, que estava passando um tempo com elas, desceu correndo as escadas. Ela viu Juliana e soltou um grito estrangulado, a mão voando para o coração antes de desabar no chão em um desmaio profundo.

O mundo se dissolveu em um borrão de sirenes, corredores de hospital e o cheiro estéril de antisséptico. Bárbara foi estabilizada, um leve problema cardíaco causado pelo choque. Mas Juliana... Juliana estava em estado catatônico, recusando-se a falar, seu corpo um mapa dos horrores que ela havia suportado.

Clara sentou-se ao lado da cama de sua filha, uma tempestade de dor e fúria assolando seu interior. Ela ligou para Heitor de novo e de novo, mas ele não atendeu. Ele era um fantasma.

Na manhã seguinte, ele apareceu. Entrou no quarto particular de Juliana no hospital como se estivesse fazendo uma visita casual. Ele parecia impecável em seu terno sob medida, nem um fio de cabelo fora do lugar.

"Você chamou a polícia?", ele perguntou, a voz desprovida de emoção.

"Sim", Clara cuspiu, a voz tremendo de raiva. "Eu contei tudo a eles. O que você fez. O que Karine armou. O que aqueles homens fizeram com ela."

A expressão de Heitor não mudou. "Cancele a denúncia."

"Nunca."

"Foi apenas um mal-entendido", disse ele, acenando com a mão de forma desdenhosa. "Karine estava apenas tentando... animar as coisas. Ela não achou que iria tão longe. Os homens se empolgaram."

"Ela tem dezesseis anos, Heitor! Dezesseis! Ela é uma criança!"

"Eu te compenso", disse ele, o tom entediado. Ele pegou seu talão de cheques. "Um milhão? Cinco? Diga um preço."

O som foi ensurdecedor. Não o do talão de cheques, mas o do tapa. A mão de Clara atingiu seu rosto, a força do golpe liberando uma fração de sua agonia.

Ele nem sequer vacilou. Apenas olhou para ela, um sorriso lento e frio se espalhando por seus lábios. "Você não deveria ter feito isso, Clara."

Ele pegou o celular. Apertou o play.

E a sala se encheu com o som. O som dos gritos de Juliana. O som de homens rindo. O som de tecido rasgando.

Clara se lançou para o telefone, um grito de animal selvagem rasgando sua garganta, mas os guardas dele, que haviam se materializado silenciosamente na porta, a agarraram, segurando-a.

"Veja bem", disse Heitor, sua voz um sussurro venenoso sobre os sons da violação de sua filha. "Se você não retirar as acusações, este vídeo se torna público. Pense na reputação da Juliana. No futuro dela. Na prestigiosa escola de artes em que ela acabou de entrar. Eles não vão querer uma aluna com esse tipo de... bagagem."

Ele estava usando a dor de sua filha como uma arma contra elas. De novo.

De repente, houve um pequeno som vindo da cama. Um gemido.

A cabeça de Clara se virou bruscamente.

Juliana estava sentada. Seus olhos não estavam mais vagos. Estavam fixos no telefone na mão de Heitor, arregalados com um horror novo e mais profundo. Ela tinha ouvido tudo.

Ela olhou para Clara. Seus lábios formaram uma única palavra. "Mãe."

E então ela se moveu.

Aconteceu tão rápido. Num instante, ela estava na cama. No outro, no parapeito da janela. A janela estava aberta, uma brisa fresca da manhã entrava.

"Juliana, não!", Clara gritou, lutando contra o aperto dos guardas.

Mas era tarde demais.

Com um olhar final, desoladoramente vazio, Juliana se inclinou para trás e desapareceu de vista.

Os gritos do pátio lá embaixo foram a última coisa que Clara ouviu antes que seu mundo ficasse completamente silencioso.

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