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Capa do romance Filha Leiloada, Esposa Despedaçada

Filha Leiloada, Esposa Despedaçada

Traída por Heitor, seu marido bilionário, uma cirurgiã vê sua filha ser leiloada e enviada ao estado vegetativo após um erro médico da amante dele. Humilhada e com a mão destruída, ela sofre o horror de consumir as cinzas da própria filha e ver sua mãe ser morta. Diante de tanta crueldade e perda, a dor se torna um desejo gélido de vingança. Ao ser convocada para a festa de Heitor, ela aceita o convite, pronta para confrontar quem destruiu sua vida e família.
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Capítulo 3

Um vazio se abriu na mente de Clara. Seu coração parou. Tudo parou.

Então, um grito primal rasgou seus pulmões. Ela se debateu contra os guardas, uma criatura selvagem de pura e inalterada agonia. Ela se libertou, se arrastando, caindo, rastejando em direção à porta.

Ela correu. Pelo corredor, passando por enfermeiras e médicos atônitos, escada abaixo, suas pernas se enrolando sob ela, fazendo-a cair. Ela se levantou, seu corpo uma sinfonia de dor, e continuou correndo.

Ela irrompeu no pátio no momento em que os paramédicos estavam levantando um corpo pequeno e quebrado para uma maca.

Juliana.

A força deixou os membros de Clara. Ela desabou no pavimento frio, o mundo girando em seu eixo.

Então, ela a viu. Karine Lima. Vestida com roupas cirúrgicas, caminhando com propósito em direção à entrada da emergência para onde estavam levando Juliana.

"Não", sussurrou Clara. Uma força nova e aterrorizante surgiu através dela. Ela se levantou cambaleando e correu, agarrando o braço de Karine.

"Fique longe dela", Clara rosnou, sua voz um grunhido baixo. "Você não vai tocar na minha filha."

Karine olhou para ela, o rosto uma máscara de preocupação profissional, mas seus olhos continham uma centelha de triunfo. "Sra. Soares, eu entendo que você está chateada. Mas eu sou médica aqui. Sou a especialista de trauma de plantão. Preciso ir até a minha paciente."

"Você não é cirurgiã! É uma pesquisadora! Você não tem qualificação para isso!", Clara implorou, virando-se para Heitor, que os havia seguido. "Heitor, por favor. Não a deixe fazer isso. Chame o Dr. Evans. Ele é o melhor."

Heitor hesitou. Por uma fração de segundo, ela viu um lampejo do antigo Heitor, um fantasma do homem que as amara.

Mas então Karine se virou para ele, seus olhos se enchendo de lágrimas de crocodilo. "Heitor, querido, ela não confia em mim. Depois de tudo que você fez por mim... pela minha pesquisa... ela acha que eu faria mal à própria filha dela?"

O lampejo se foi. Seu rosto endureceu.

"Solte-a, Clara", disse ele, a voz ríspida e final. Ele empurrou Clara, a mão áspera em seu braço machucado.

Ele e Karine entraram na emergência, as portas se fechando atrás deles, deixando Clara sozinha no corredor estéril, a luz vermelha acima da porta um olho malévolo e pulsante.

Ela se lembrou de como Heitor ajudou Juliana com suas inscrições para a escola de artes, ficando acordado até tarde para revisar seu portfólio, dizendo a ela que era a artista mais talentosa que ele já conhecera. Ele estava tão orgulhoso.

Como poderia ser o mesmo homem?

A espera foi uma eternidade. Cada tique-taque do relógio era uma martelada em seu coração. Finalmente, a luz se apagou. As portas se abriram.

Karine emergiu, tirando as luvas ensanguentadas com um ar praticado de competência cansada. Heitor estava logo atrás dela.

"Ela está viva", anunciou Karine, um sorrisinho presunçoso brincando em seus lábios. "Mas os danos foram extensos. Trauma grave na coluna e na cabeça. Ela vai viver, mas... ficará em estado vegetativo permanente."

"O quê?" A palavra foi um suspiro engasgado. "Não. Isso não é possível. A queda não foi tão alta."

"Você está questionando meu diagnóstico profissional?", perguntou Karine, a voz afiada. "Você não é mais cirurgiã, Clara. Lembra? Você renunciou."

Clara a encarou, sem palavras. Ela procurou outros médicos, antigos colegas que ainda a olhavam com pena. Eles revisaram os prontuários, os exames. Todos confirmaram. A cirurgia salvara a vida de Juliana, mas houve... complicações. Danos sutis e irreversíveis. Sua filha se fora, uma casca que respirava deixada em seu lugar.

Bárbara estava acordada quando Clara voltou ao seu quarto. O rosto da mulher mais velha era uma máscara de dor.

"A culpa é minha", chorou Clara, seu corpo finalmente tremendo com soluços. "Eu deveria tê-la protegido. Eu o trouxe para nossas vidas." Ela cravou as unhas em seus próprios braços, querendo sentir dor, qualquer dor, para se distrair do abismo em sua alma.

"Não", disse Bárbara, a voz fraca, mas firme. Ela agarrou a mão de Clara, impedindo a automutilação. "A culpa não é sua. É dele."

Os olhos de Bárbara, geralmente tão calorosos, estavam duros como pedra. "Temos que ir embora, Clara. Temos que fugir dele."

"Não podemos", sussurrou Clara. "Ele vai nos encontrar. Ele controla tudo."

"Seu pai... ele era um diplomata. Ele tinha contatos", disse Bárbara, a voz baixa e urgente. "Ele sempre teve planos de contingência. Para nós. Existe uma saída. Eu prometo. Eu vou nos tirar daqui."

Uma semente minúscula e frágil de esperança criou raiz na terra árida do coração de Clara.

Enquanto ajudava Bárbara a arrumar uma pequena mala, ela ouviu duas enfermeiras cochichando no corredor.

"Você ouviu sobre a cirurgia da Cline? Aquela antes da garota Soares?"

"Aquela em que ela perfurou a artéria esplênica? Sim. O paciente quase sangrou até a morte na mesa. Disseram que ela foi imprudente. Entrou em pânico."

O mundo parou. Karine não era apenas desqualificada. Ela era incompetente. Ela era perigosa.

E Heitor a deixara operar sua filha.

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