Capa do romance FABRIZIO CASTELLI - O CAPO QUE ME REIVINDICOU

FABRIZIO CASTELLI - O CAPO QUE ME REIVINDICOU

8.1 / 10.0
Vendida por dívidas, uma jovem é resgatada por Fabrizio Castelli, o príncipe da máfia italiana. Em FABRIZIO CASTELLI - O CAPO QUE ME REIVINDICOU, este mafia novel de ação e perigo mostra a luta pela liberdade. Leia este romance novel e descubra o preço da proteção no submundo.
Resumo de FABRIZIO CASTELLI - O CAPO QUE ME REIVINDICOU
Vendida pelo próprio pai para quitar dívidas alheias, fui lançada em um bordel sombrio. Minha primeira noite parecia o fim, até Fabrizio Castelli surgir. O implacável príncipe da máfia italiana não era um cliente comum; ele destruiu os responsáveis pelo meu sofrimento em um rastro de sangue e autoridade. Agora, sob sua posse definitiva, não sou mais uma mercadoria. Fabrizio me reivindicou, transformando meu destino em uma nova realidade sob sua perigosa proteção.
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FABRIZIO CASTELLI - O CAPO QUE ME REIVINDICOU Capítulo 1

A chuva caía pesada naquela noite, grossa e insistente, como se o céu estivesse decidido a esmagar a cidade inteira. As luzes dos postes se deformavam nas poças espalhadas pelo asfalto enquanto eu caminhava com o corpo exausto, os músculos ardendo depois de mais um dia lavando pratos, carregando caixas e engolindo humilhações no restaurante. Ainda assim, seguia em frente, porque não havia alternativa. Eu precisava voltar para casa. Precisava ver meus irmãos. Precisava garantir que eles tivessem algo para comer. Mesmo assim, uma parte de mim desejava que aquela noite fosse diferente, que eu encontrasse apenas silêncio, apenas meus irmãos dormindo, e não o inferno que vivíamos todas as noites, o adulto da casa que deveria nos proteger era um drogado, viciado em jogo.

Ainda assim, uma parte de mim desejava não abrir aquela porta, desejava que, por alguma intervenção divina, aquela noite fosse diferente.

Quando empurrei a porta, o cheiro me atingiu antes mesmo que meus olhos processassem a cena. Álcool, cigarro, suor, algo metálico que me fez engolir em seco. Meu estômago se contraiu imediatamente. Meu pai estava jogado em uma cadeira no meio da sala, o rosto inchado, um corte aberto acima da sobrancelha, sangue seco misturado com sujeira, os olhos perdidos demais para alguém só bêbado. Droga. Muito provavelmente drogado. À frente dele, dois homens que eu nunca tinha visto. Grandes. Corpos largos sob jaquetas escuras. Olhares frios. Armas visíveis.

Meu corpo reagiu antes da minha mente. Dei um passo para trás, depois outro, o instinto gritando para correr, para virar as costas, para desaparecer. Cheguei a girar o corpo, mas não cheguei a dar dois passos. Mãos grandes agarraram meu braço e puxaram meu cabelo com brutalidade, arrancando um grito da minha garganta e me fazendo perder o equilíbrio.

— Não tão rápido, belezura. Temos uma conversa com o seu pai… e você faz parte dela.

Meu coração começou a bater tão forte que tive a sensação de que iria desmaiar. Tentei me soltar, sentindo os dedos dele cravarem na minha pele.

— Eu não tenho nada a ver com os problemas dele — falei, a voz falhando, enquanto me debatia.

Um dos homens se aproximou devagar, com uma calma calculada que me apavorou mais do que qualquer grito. Ele ergueu a arma e passou o cano gelado pelo decote do meu uniforme, descendo lentamente, como se estivesse marcando território. O nojo me subiu pela garganta.

— Cale a boca, Beatrice, e aceite! — meu pai gritou, cuspindo sangue no chão. — Se você não aceitar, vamos acabar todos mortos. Inclusive seus irmãos. Você quer isso? Eu te criei e você me deve, sua ingrata!

Aquelas palavras me atingiram como um tiro. Meus joelhos fraquejaram. Meus irmãos eram inocentes em toda aquela crueldade. Precisavam de mim.

— Eu não tenho dinheiro… — murmurei. — Posso tentar pedir um empréstimo no trabalho… posso trabalhar mais…

O outro homem riu, um som baixo e cruel.

— Se acalma, garota. Você vai render muito mais de outro jeito.

Ele se aproximou por trás e apertou minha bunda com força. Gritei. Me debati. Tentei acertar um chute, tentei arranhar, tentei morder, mas eram dois contra uma. Punhos me atingiram. Meu cabelo foi puxado novamente. Meu corpo foi jogado contra a parede. A dor explodiu no meu rosto, mas nada doeu tanto quanto ver meu pai parado, assistindo, como se eu fosse apenas mais uma ficha perdida no jogo dele.

O último rosto que vi foi o dele.

Quando senti a picada da agulha no braço, um pânico absoluto tomou conta de mim. Tentei gritar, mas minha língua pesou. Minha visão começou a escurecer. Antes de perder completamente a consciência, ainda senti um tapa vindo da mão do meu pai e ouvi a risada dos homens que me seguravam.

Depois, só o vazio.

Acordei com a cabeça latejando, o estômago embrulhado, o corpo pesado demais para reagir. Estava sentada em um sofá dentro de um quarto iluminado por lâmpadas fortes demais, cercada por mulheres usando roupas minúsculas, maquiagem carregada, expressões cansadas. Algumas riam, outras conversavam, outras apenas encaravam o espelho como se não estivessem realmente ali.

Na minha frente, havia um homem que eu nunca tinha visto antes.

— Já era hora, bela adormecida. Aqui todas têm que trabalhar. Vista isto!

Ele jogou um pedaço de tecido no meu colo. Uma lingerie vermelha.

Eu ainda usava meu uniforme de trabalho.

Meu estômago se revirou.

— Houve um engano… — comecei, a voz fraca. — Eu nunca trabalhei assim. Eu sei que meu pai tem uma dívida. Posso limpar o lugar, posso trabalhar no bar…

Ele riu.

Não foi um riso divertido.

Foi um riso assustador.

— Com esse corpinho e ainda virgem? Garota, eu vou ganhar muito mais com você no palco do que esfregando chão. Vista-se.

Meu coração afundou.

Fiquei alguns segundos encarando o tecido nas minhas mãos, como se aquilo não fosse real.

— Ande logo. Se não obedecer, pode ser pior.

Uma das garotas se aproximou, tocando meu braço com cuidado.

— Sou Lia. Respira. Vamos.

Ela me levou até o banheiro, ajudou a tirar meu uniforme, ajudou a vestir a lingerie, passou um batom rápido, soltou meus cabelos.

— Eu não vou conseguir… — murmurei, sentindo as lágrimas queimarem.

— Todas viemos parar aqui por um motivo. Algumas escolheram. Outras não. No seu caso… foi pior.

Engoli em seco.

— Eu preciso sair daqui. Tenho dois irmãos.

Ela abriu a bolsa, tirou uma garrafinha de metal e encostou em meus lábios.

— Beba isto! É uísque. Vai te dar coragem.

Não queria. Mas bebi, estava sem saída, aqueles homens eram perigosos e eu precisava encontrar uma maneira de sair dali viva.

— Trabalhe direito e tenho certeza de que encontrara um cliente para tirar você deste lugar, use sua beleza e sua inteligência, principalmente se o cliente for importante...

Não tive tempo de rebater o absurdo que ela me dizia, a porta foi aberta revelando um dos meus sequestradores.

— Hora do show, boneca!

Meus irmãos surgiram na minha mente novamente e sem saída, assenti.

Eu não me importava com as ameaças, mas os meus irmãos dependiam de mim e precisavam ser salvos. Encarei o homem nojento que agarrava meu braço com força e simplesmente assenti com a cabeça. Nós atravessamos um corredor sombrio até chegarmos ao salão principal.

Ele apontou para o palco com um olhar cruel e eu, hesitante, subi os degraus, juntando-me às mulheres nuas e seminuas que dançavam ao som da música alta e exibiam seus corpos de maneira sensual. As luzes estavam todas focadas somente no palco, enquanto o resto do ambiente permanecia mergulhado na escuridão.

Fechei os olhos e comecei a dançar, tentando ser tão sedutora quanto as mulheres ao meu redor. As poucas vezes que eu abria os olhos, não conseguia ver claramente os rostos das pessoas que me observavam. Passei a mão pelo meu corpo, ensaiando o movimento de tirar a lingerie, mas nunca realmente o fazia; precisava de tempo, mesmo sabendo que precisaria fazer isso em algum momento. Eu não tinha escolha.

Apertei o tecido entre os dedos enquanto rebolava, equilibrando-me nos saltos vertiginosos. A dor do murro que eu levara ainda latejava em meu rosto, um lembrete constante de que as consequências seriam ainda piores se eu não obedecesse. A maquiagem escondia as marcas físicas, mas a dor não me deixava esquecer o verdadeiro motivo pelo qual estava ali.

Evitei encarar o público, mas um se destacou. Sentado a poucos metros, parcialmente oculto pela sombra, havia um homem à mesa iluminada apenas por um abajur carmim. A luz vermelha não revelava seu rosto com clareza, apenas recortava o contorno dos ombros e deixava os olhos intensos em destaque. Não consegui distinguir a cor, mas havia algo neles que me prendeu por um segundo além do necessário.

Ele me observava levando lentamente o seu copo nos lábios.

E, com a mesma calma, ergueu a mão e apontou discretamente para o palco.

Quando terminei a minha dança, escorregando pelo ferro gelado no meio do palco, o barman acenou para mim.

- Ei, garota. Desça do palco, você tem um cliente - Ele disse, apontando para mim.

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