Capa do romance O Amante Que Se Tornou Meu Assassino

O Amante Que Se Tornou Meu Assassino

8.0 / 10.0
Após oito anos erguendo um império mafioso, fui traída pelo homem que amava. Ele sacrificou nosso filho e me entregou à morte para proteger sua nova amante. Contudo, o destino me concedeu uma segunda chance: despertei no passado, exatamente no dia em que tudo começou a ruir. Com o conhecimento do futuro cruel que me aguarda, decidi mudar as regras do jogo. Não serei mais uma peça descartável; desta vez, lutarei pela minha sobrevivência e buscarei vingança.

O Amante Que Se Tornou Meu Assassino Capítulo 1

A primeira vez que sequestrei a amante do meu amor, ele me mandou matar. Eu dei a ele oito anos da minha vida, construí seu império tijolo por tijolo ensanguentado e, em segredo, carregava seu filho.

Mas por uma frágil estudante de artes, ele me dopou e me jogou numa maca.

Eu estava acordada enquanto um médico clandestino arrancava nosso bebê do meu útero. Ouvi o único choro do nosso filho, e depois, o silêncio.

"Qualquer coisa que a ameace, eu vou destruir", ele sussurrou, a voz vazia de qualquer emoção. "Até mesmo você. Até mesmo nosso filho."

Então ele me deixou para que seus homens me violassem e me descartassem. Meu último pensamento foi que eu era apenas a rainha que ele estava disposto a sacrificar por um peão bonito e novo.

Mas então, meus olhos se abriram num estalo.

Eu estava no meu carro, minha barriga lisa, minhas mãos agarrando o volante. A data na tela do meu celular queimou em minha mente. Eu estava de volta ao dia do primeiro sequestro.

Desta vez, eu não seria um sacrifício. Desta vez, eu iria sobreviver.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Alana Queiroz

A primeira vez que sequestrei Elisa Ferraz, meu amante — o pai do meu filho que ainda não havia nascido — mandou me matar por isso.

Oito anos. Eu dei a Ricardo Mendes oito anos da minha vida. Nós construímos este império juntos, tijolo por tijolo ensanguentado. Minhas mãos estão tão manchadas quanto as dele. Eu era sua estrategista, sua executora, sua outra metade. Eu levei tiros por ele, literalmente. A cicatriz prateada e fraca acima da minha clavícula era um lembrete permanente da noite em que me joguei na frente dele num negócio que deu merda. Éramos uma equipe. Uma unidade. Uma força.

Então veio o cheiro de lírios e tinta de aquarela grudado em suas roupas.

Foi sutil no começo. Um cheiro tão fora de lugar em nosso mundo de pólvora, colônia cara e dinheiro vivo que soou como uma sirene. Ele começou a chegar mais tarde em casa. Seu celular, que antes ficava largado na mesa de cabeceira, agora estava sempre no bolso, com a tela virada para baixo. Ele sorria para mim, mas o sorriso nunca alcançava seus olhos azuis como gelo. Aqueles olhos, que costumavam queimar com um fogo que só eu sabia acender, agora estavam distantes, olhando para algo — ou alguém — mais.

Coloquei meu pessoal para investigar. Não foi difícil encontrá-la. Elisa Ferraz. Uma estudante de artes. Toda olhos grandes e inocentes e uma estrutura frágil que parecia que uma rajada de vento forte poderia quebrá-la em duas. As fotos fizeram meu estômago revirar. Ela era tudo o que eu não era. Suave. Pura. Intocada pela sujeira em que vivíamos.

Meu braço direito, Marcos, confirmou meus medos.

"Chefe, ele arrumou uma cobertura pra ela na Zona Sul. Paga a faculdade, manda flores todo dia. O pacote completo."

Ele não precisou dizer mais nada. Ricardo nunca me mandou flores. Nós lidávamos com livros-caixa e munição, não com rosas. A cobertura era uma das propriedades seguras do nosso cartel, um lugar que eu mesma tinha liberado para ativos de alto valor. Saber que ele a estava mantendo lá, no nosso mundo, debaixo do meu nariz... foi uma traição com gosto de ácido.

Então eu fiz o que sabia fazer. Eliminei a ameaça.

Mandei que a trouxessem para um de nossos galpões. Amarrada a uma cadeira, ela parecia apenas uma garotinha assustada. Mas eu sabia que não era bem assim. Ela era um câncer, e eu era a cirurgiã.

Foi quando Ricardo invadiu o lugar, o rosto uma máscara de fúria que eu só tinha visto ele direcionar aos nossos inimigos. Ele nem sequer olhou para mim. Seus olhos estavam fixos nela, sua frágil Elisa. Ele a desamarrou com uma gentileza que fez meu sangue gelar.

Então, ele se virou para mim. O tapa foi tão forte que minha cabeça virou para o lado, meu ouvido zumbindo.

"Nunca mais encoste um dedo nela", ele rosnou, a voz um trovão baixo e perigoso. Ele segurava a garota chorando contra o peito, acariciando seu cabelo. "Ela é diferente."

As palavras pairaram no ar, uma sentença de morte para tudo o que havíamos construído.

Eu não dei ouvidos. Eu estava grávida de oito meses do filho dele, um segredo que eu estava esperando para revelar no aniversário da nossa parceria. Pensei que isso nos uniria, nos traria de volta. Pensei que o faria ver que eu era o seu futuro, não ela.

Eu estava errada.

Desta vez, quando fui atrás de Elisa, Ricardo estava pronto. Ele não ficou apenas com raiva. Ele sorriu. Foi o sorriso mais frio que eu já tinha visto. Ele me elogiou por minha iniciativa, disse que eu fiz a coisa certa ao trazer um problema em potencial à sua atenção. Ele mesmo me serviu um copo de água.

A droga bateu rápido.

Acordei amarrada a uma maca naquele mesmo galpão. Um médico clandestino estava sobre mim, o bisturi brilhando sob a luz fraca. Ricardo estava lá, segurando a mão de Elisa, observando.

"Você não aprende, Alana", ele disse, a voz vazia de qualquer emoção. "Eu te disse que ela era diferente. Eu te disse para não tocar nela."

Tentei gritar, mas minha garganta estava paralisada. Lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto o médico me cortava. A dor era ofuscante, uma agonia branca e quente que consumia tudo. Senti eles puxarem meu filho do meu útero. Ouvi um único e pequeno choro.

Depois, silêncio.

Ricardo se inclinou, o rosto a centímetros do meu.

"Agora você entende. Qualquer coisa que a ameace, eu vou destruir. Até mesmo você. Até mesmo nosso filho."

Ele beijou Elisa suavemente e eles se viraram para sair.

"Divirtam-se, rapazes", ele disse por cima do ombro para seus homens que se reuniram nas sombras. "Só garantam que ela suma até de manhã."

Eles caíram sobre mim como abutres. Enquanto meu mundo se desvanecia em uma escuridão cheia de dor e violação, meu último pensamento coerente foi amargo. Em seu mundo, Ricardo era um rei. Eu era apenas a rainha que ele estava disposto a sacrificar por um peão bonito e novo. Eu nunca tive chance.

Escuridão.

Então, uma luz súbita e ofuscante. O cantar de pneus no asfalto.

Meus olhos se abriram num estalo. Eu estava no banco do motorista do meu carro, minhas mãos agarrando o volante. Meu coração batia descontrolado no peito, meu corpo escorregadio de suor frio. O cheiro de couro e do meu próprio perfume encheu minhas narinas.

Olhei para baixo. Minha barriga estava lisa. Sem barriga de grávida. Sem cicatrizes cirúrgicas. Procurei meu celular, desajeitada. A data na tela queimou em minha mente. Era o dia do primeiro sequestro. O dia em que tudo começou a dar errado.

O galpão estava logo à frente. Meus homens esperavam meu sinal. Lá dentro, Elisa Ferraz estava amarrada a uma cadeira, esperando por mim.

Minha respiração falhou. A dor fantasma do bisturi, o eco do choro do meu bebê, os rostos lascivos dos homens de Ricardo — tudo era tão real. Uma onda de náusea me atingiu.

Não. De novo não.

Eu não ia ser um sacrifício. Não desta vez.

Respirei fundo, trêmula, e peguei o rádio.

"Soltem ela", eu disse, minha voz rouca.

"Chefe?", a voz de Marcos soou do outro lado, confusa.

"Você me ouviu. Desamarre-a, coloque um saco na cabeça dela e a deixe a algumas quadras do apartamento dela. Apague as imagens de segurança. Apague qualquer vestígio de que estivemos lá. Agora."

Silêncio. Então, "Entendido."

Encostei a cabeça no banco, meu corpo tremendo. Uma ameaça neutralizada. Agora, a outra. A pequena e inocente que crescia dentro de mim. Aquela que tinha sido usada como arma para me destruir.

Peguei meu celular novamente, meus dedos tremendo enquanto eu procurava no Google o número da clínica particular mais discreta da cidade.

Mas desta vez, eu não iria ao galpão. Deixaria Ricardo resgatar sua donzela em perigo sozinho. Deixaria ele bancar o herói.

Eu queria ver com meus próprios olhos.

Das sombras de um beco do outro lado da rua, eu observei. Não demorou muito. Um sedan preto cantou pneu ao parar. Ricardo saltou antes mesmo do carro parar completamente, seu rosto marcado por um pânico que eu nunca tinha visto antes. Ele correu para dentro e, alguns momentos depois, saiu, carregando uma Elisa soluçante em seus braços.

Ele a segurava como se ela fosse feita de vidro, sussurrando em seu cabelo, seu corpo inteiro um escudo ao redor dela. Ele a colocou gentilmente no carro e, pouco antes de entrar, olhou para cima, seus olhos varrendo a escuridão. Por um segundo aterrorizante, pensei que ele tinha me visto. Seu olhar parecia perfurar as sombras, cheio de uma raiva assassina. Ele estava procurando pela pessoa que ousou tocar em sua garota preciosa.

Aquele olhar não era para um inimigo. Era para mim.

Meu mundo, que eu pensei que já tinha se estilhaçado, quebrou-se em um milhão de pedaços a mais. Eu os vi ir embora, um retrato perfeito de um herói e sua princesa resgatada.

E naquele momento, eu soube. Os oito anos, a lealdade, o amor que eu pensei que compartilhávamos — tudo era uma mentira.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, quentes e silenciosas. Fiquei ali pelo que pareceu uma eternidade, o ar frio da noite se infiltrando em meus ossos. Então, com uma determinação forjada nos fogos de uma morte horrível, eu me virei. Minha mão foi para minha barriga lisa.

Eu fiz a ligação.

"Preciso marcar uma consulta", eu disse, minha voz assustadoramente calma. "O mais rápido possível."

A vida que eu tinha com Ricardo acabou. Minha vida como Alana Queiroz, sua rainha, acabou. Agora, apenas uma coisa importava.

Sobrevivência.

E o primeiro passo era apagar cada último pedaço dele do meu corpo e da minha vida, começando com nosso filho.

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