
EVITANDO O AMOR
Capítulo 2
NARRAÇÃO DANIELLE
Respiro fundo vendo-o sorrir encantadoramente para Helen.
- Tem que ser mesmo ele?
Pergunto nervosa.
- Acha um cara com menos romance no corpo, porque quando eu tiver que dar o pé nele depois dos dez dias, não sofrerá e nem eu fico com dó.
Pedro começa a rir alto e todos em volta nos olham.
- Você realmente não tem coração.
- Eu tenho sim. Não quero que aquele pobre coitado se apaixone e fique muito abalado quando eu terminar com ele.
- Eu te conheço, Danielle. Você não o quer no seu pé, isso sim.
Tento não rir, mas é impossível.
- Detesto homem que não tem o amor próprio. Eles grudam demais e é insuportável. Ainda estou tentando me livrar do último que disse que me amava.
Pedro vira todo o whisky.
- Você quer ficar como editora de romances?
- Sim...
Coloca o copo sobre o balcão do bar.
- Daqui dez dias quero Leandro Reis apaixonado por você.
Pisca pra mim com um sorriso irritante.
- Boa sorte!
Se vira e vai andando até Helen e o meu futuro passaporte para o setor de romances.
- Que cara é essa?
Olho para o lado e vejo Eloisa.
- O que você conversava com o Pedro?
Tomo um gole da minha bebida.
- Acabei de fazer uma aposta com ele.
Eloisa me olha assustada.
- O que você apostou?
- O cargo de editora do setor de romances.
- O que você tem que fazer?
Coloco meu copo no balcão do bar.
- Fazer o novo escritor de romances se apaixonar por mim em dez dias.
Seus olhos se arregalam.
- Mas você nunca fica com um homem mais que uma noite.
Respiro fundo, muito irritada.
- Eu sei.
- Você vai quebrar todas as suas regras por causa de um cargo? Você já é editora.
Olho para Eloisa bem firme.
- Você sabe o que significa ser editora de romances.
- Sim...
- Eu quero e vou conseguir esse cargo. Movimentaria a maior venda da editora. Seria um passo para editora geral.
Eloisa olha em direção a Pedro e Helen.
- Quem é o escritor de romance, seu alvo?
- Esta do lado direito da Helen.
A boca dela se abre.
- Caramba, ele é lindo.
- Bonitinho.
- Bonitinho? Eu já estou apaixonada e se quer falei com ele.
- Você se apaixona fácil, Eloisa. Até hoje tem essa paixão pelo Pedro.
- Fala baixo.
Fica toda vermelha.
- Já tentei esquecê-lo.
Olho pra ela tendo uma brilhante ideia.
- Você vai me ensinar.
- Te ensinar o que?
- Essas coisas sem graça de romance. Como fazer as coisas cafonas de casais apaixonados.
Eloisa me olha brava.
- Por que eu tenho que te ajudar?
- Você é a rainha dessas coisas de coração. Já amou e sofreu por homem tantas vezes que deve entender disso.
Bate em meu braço.
- Eu falei alguma mentira? Nesse mês, quantas vezes você disse “estou apaixonada”?
- Duas...
Responde rindo.
- Dessas duas, quantas foram amor de verdade?
- Nenhuma.
Minha risada chega a ser escandalosa.
- Ninguém melhor que você pra me ensinar a ser assim, idiota.
Levo outro tapa no braço.
- Por favor, Eloisa! Não faço ideia de como se faz isso.
Ela respira fundo e sei que ganhei a ajuda dela.
- Vai fazer tudo que eu mandar?
- Sim...
- Promete?
- Sim...
Digo revirando os olhos.
- Primeira coisa é esquecer as suas regras.
- Todas?
- Sim.
- Mas assim eu fico vulnerável.
- Se quer minha ajuda, esqueça tudo.
Agora sou eu que respiro fundo me entregando a sua vontade.
- Certo!
Um enorme sorriso surge em seus lábios.
- Vou dizer minhas regras aos poucos. Hoje você só vai se preocupar em fazê-lo olhar pra você.
- Isso vai ser fácil.
Pisco para ela.
- Fácil?
Ela começa a rir.
- Vai fazê-lo olhar para você, mas não vai transar de cara.
- Como assim? Ele precisa se apaixonar por mim.
- Exatamente! Você vai poder beijar, brincar, mas não vai poder transar com ele antes do quinto encontro.
- Você esta de brincadeira, né?
- Não.
Estou assustada com a cara séria dela.
- Romance não é já dar a sua bolachinha de cara.
- Bolachinha?
Começo a rir da cara dela.
- Sim... não gosto de chama-la das formas vulgares.
- Não gosta de dizer buceta, xavasca, toca sombria, boca banguela.
Ela me bate rindo.
- Não... não gosto.
- Bolachinha! Se sou um cara e você diz pra mim: "Come gostoso a minha bolachinha". Pode ter certeza que meu pau morre.
- É fofo.
- Tenho medo de saber como chama um pau.
Ela fica vermelha.
- Salsichinha.
Explodo em uma risada estranha e todos me olham. Inclusive o tal Leandro.
- Bolachinha não combina com salsichinha. Por isso os caras não ficam muito tempo com você. Você fode qualquer sexo gostoso com isso, e sexo é tudo em um relacionamento.
- Já que sabe tanto de relacionamento, vai sozinha conquistar aquele cara.
Eloisa sai brava e ando rápido até ela, segurando seu braço.
- Desculpa! É que isso é muito estranho pra mim. Realmente vou precisar de você, nunca fiz isso.
Ela me olha ainda brava.
- Se aproxime dele. Quando vocês estiverem saindo, começamos a agir como uma mulher romântica.
- Obrigada!
- Preciso ir embora.
Diz se aproximando de mim.
- Nada de sexo Danielle, ouviu!?!?!?
- Sim, bolachinha!
Tenta não sorrir, mas não consegue. Se vira pra ir embora.
- Até amanhã, salsichinha.
Passo a festa toda apenas próxima ao Leandro, no mesmo grupo de pessoas. O tempo todo trocamos olhares. Escuto atenta as coisas que ele diz às vezes e parece inteligente.
O jeito que me olha, deixa a certeza que fisgou a isca. Agora é a hora do ataque.
- Preciso ir.
Digo ao grupo onde estamos.
- Amanhã é dia de muito trabalho.
Apenas abraço Pedro.
- Que os jogos comecem.
Sussurro antes de soltá-lo e nós dois estamos rindo. Passo por todos e não olho para o Leandro, mas posso sentir seus olhos sobre mim. Saio do local da festa e paro na calçada. Poderia facilmente pegar um táxi, mas tenho algo em mente. Pego meu celular na bolsa e deixo o número da Eloisa a postos para ligar. Fico de costas para a porta de entrada da festa, com o celular no ouvido. Meu corpo todo se arrepia e chegou a hora da encenação. Disco pra ela que atende rapidamente.
- Fala, Danielle!
- Como assim não vai poder me buscar?
Digo brava ao telefone.
- Como assim? Não combinei nada com você sobre te buscar e acabei de sair dai.
- Agora vou ter que pegar um táxi, porque simplesmente esqueceu de me pegar.
Fecho meus olhos para dar mais drama à coisa, ignorando Eloisa na linha.
- Você bebeu? Estou meio perdida aqui.
Abro meus olhos e vejo Leandro.
- Eu me viro, não preciso mais de você.
- O que?
Desligo o telefone nervosa e me segurando para não rir.
Eloisa vai surtar.
- Oi!
- Oi!
Leandro sorri.
- Não pude deixar de ouvir.
- Pois é! Um amigo ficou de me pegar aqui no evento, mas parece que esqueceu.
- Se quiser eu te dou uma carona.
Isso!!!! Caiu feito um patinho.
- Não precisa, pego um táxi.
- Eu te levo! Mora aqui perto?
- Uns dez minutos.
- Te levo.
- Tem certeza? Não quero causar problemas pra você.
- Seria um prazer.
Sua voz rouca me arrepia. Merda!!!! Não posso transar com ele, então é melhor parar de me arrepiar assim.
- Tudo bem!
Andamos até seu carro. É um belo carro por sinal. Ele abre a porta pra mim e entro. Leandro fecha a porta e segue para o lado do motorista. Enquanto ele entra, coloco o cinto. Se arruma e sorri pra mim.
- Podemos ir?
- Sim...
Liga o carro e segue para a avenida principal. Coloca uma música calma e apenas indico o caminho. Em pouco tempo estamos em frente ao meu prédio. Solto meu cinto assim que para o carro e me viro pra ele.
- Obrigada pela carona!
- De nada!
Seus olhos nos meus estão tão intensos. Merda!!!! Quero dar pra ele, mas não posso.
- Quer subir para uma bebida?
O que estou fazendo? Sei muito bem que não quero beber, mas sim sexo com ele.
- Quero.
- Quer?!?!?
Digo meio assustada com sua resposta. Achei que os românticos dissessem: "deixe para outro dia". Como forma de prolongar o encontro.
- Sim... eu quero.
- Certo!
Saímos do carro e seguimos para a portaria do prédio. O porteiro que já me conhece, sorri como se eu fosse me dar bem hoje. Nem sabe que vou ter que me fazer de difícil por cinco dias. Entramos no elevador em silêncio, aperto o botão do meu andar e o elevador sobe. Posso ouvir a respiração dele baixa ao meu lado. O elevador chega ao meu andar e as portas se abrem. Saímos do elevador e seguimos pelo corredor. Paro em frente a porta do meu apartamento, coloco a chave na porta e sinto ele atrás de mim. O que vou fazer com ele dentro da minha casa que não seja sexo? Eu nem sei o que falar. Eloisa filha da mãe! Tinha que me fazer prometer fazer as regras dela!? Abro a porta e dou passagem a ele. Assim que Leandro entra, fecho a porta e respiro fundo. O que vou fazer agora? Me viro e levo um susto. Ele empurra meu corpo com o dele e avança em minha boca com tudo. Seus lábios devoram os meus e suas mãos percorrem meu corpo. Solto a chave e a bolsa, minhas mãos agarram seu cabelo com força. Meu beijo se torna desesperado como o dele. Sua boca solta a minha e desce para o meu pescoço. Beija e chupa com força, sinto meu sexo contrair de tesão. Que porra de boca é essa?
- Seu quarto?
- Fim do corredor.
Sussurro sentindo sua mão em minha bunda.
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