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Capa do romance Eu e o monstro

Eu e o monstro

Criados juntos desde a infância, Adrian e Adeline compartilham uma história profunda, mas marcada por percepções opostas. Para ela, ele sempre foi um homem gélido e indiferente que a evitava. No entanto, a realidade é sombria: Adrian nutre uma obsessão avassaladora por Adeline. Enxergando-a como sua propriedade exclusiva, ele está disposto a cruzar qualquer limite e manipular o que for necessário para garantir que ela jamais saia de seu controle.
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Capítulo 3

Adeline McConnell

Não fazia ideia de que a semana se passaria tão rapidamente, que eu em breve me veria sugada nesse casamento. Ajudei a mamãe com os preparativos porque era a única coisa que me fazia odiar um pouco menos esse momento.

Um vestido grande, rodado, as mangas cobrindo todo meu braço e estômago revirando como ondas do oceano. Não sei o que me espera do outro lado, e por que aquele homem quer tanto que eu seja a sua esposa, praticamente uma esposa de mentira.

Não achei que ele fosse monstro a esse ponto, não achei que Adrian passaria dos limites, mas ele passou. Meu coração está em pedaços e é ele que está causando tudo isso.

Adrian é um monstro para mim e eu não vou mudar de opinião nem se eu estivesse no inferno.

- Pronta, querida? - Mamãe me pergunta.

Me viro com os olhos marejados, a aparência não muito boa, ela me olhou e segura a minha mão. Passa os dedos nos meus olhos para não borrar a maquiagem. 

- Não fique assim, lembre-se, isso vai ser importante para as duas famílias.

É só nisso que eles pensam, nas duas famílias, na grana que isso vai gerar e não nos nossos verdadeiros sentimentos. Sempre foi assim com a minha família, desde pequena eles me tratam como se eu fosse uma mera mercadoria.

Achei que depois de adulta isso mudaria, mas eu estava enganada, eles não se importavam com isso, nunca se importaram. A única coisa que vale a pena é ver a bandeja de dinheiro em cima da mesa.

E é claro que o meu casamento com Adrian não seria diferente, deve ter sido tão bom para eles quando ele veio pedir a minha mão em casamento mesmo sem eu saber.

- Mas, mamãe, vocês sabem que isso não está certo. Quando acaba o contrato?

Precisava saber, eram um ano, dois anos? Tinha que ter um final.

- Acabar? É vitalício.

Meus olhos se arregalam com a notícia, vitalício? Não pode ser. Eles estão me entregando para um homem, pelo resto da minha vida?

- Pelo resto da minha vida presa a ele?

- Sim, ou até que um dos dois tenha um bom motivo para a separação.

Então terei que dar um bom motivo para ele não me querer, um motivo para fazê-lo me largar de uma vez por todas.

Passei a mão no rosto, me agachei e ela colocou o véu que cobria todo o meu rosto. Minhas mãos já estavam com a aliança que ele colocou no dia do noivado. Sério, Adrian? Não entendo.

- Seu pai, querida - minha mãe avisa.

Abro a porta do cômodo em cima da catedral onde vai ser o nosso casamento, foram dias de preparação até tudo ficar pronto.

- Você está me dando muito orgulho, querida - ele segura meu braço.

Eu só assinto sem dizer mais nada, tentei falar com ele a semana inteira antes de toda essa tragédia. Dei a ele o meu braço, segurei com força o ar nos meus pulmões para que eu não surtasse e então descemos.

As descidas nas escadas eram lentas, a cada segundo que se passava eu pensava em correr, fugir para bem longe, mas não fiz. Paramos em frente à grande porta, a porta se abriu e me arrepiei quando o vi.

Não vou mentir, ele estava lindo, o terno preto, a gravata, o cabelo que costuma estar bagunçado estava bem ajeitado. Os olhos me olham, esperando a cada passo meu para dentro da igreja.

Apertei o braço do papai com força, aquele homem podia até ser lindo, mas não era meu, nunca foi. Eu me declarei para ele quando tinha dezoito, disse que sentia algo, ele tinha vinte. Eu rio da situação.

Fui rejeitada, ele disse que não queria nada comigo e para eu não o ver daquela forma, e olha agora, estou me casando com ele, vou ser sua esposa.

Quando eu estava frente a frente dele, antes do meu pai se afastar, ele depositou um beijo na minha bochecha.

- Parabéns, querida - depois ele se foi.

Agora éramos só nós dois no altar, parei diante dele, ele varreu o meu corpo e voltou a olhar o padre. Sinceramente, não consegui dar atenção a nada do que o padre falava, meu coração estava apenas imaginando o meu futuro trágico.

- Pode beijar a noiva - o padre disse.

Me assustei, fiquei tanto tempo imaginando que não percebi que já estávamos no final. Como acabou assim? Não, não.

As mãos grandes do Adrian abriram levemente e com delicadeza o véu que cobria o meu rosto. Ele terminou de retirar todo o véu e o jogou para trás.

Quando viu o meu rosto, arregalou os olhos, mordi os lábios esperando pelo seu beijo. Suas grandes mãos tocaram a minha pele, segurando o meu rosto pelas bochechas, seu polegar roçou levemente nos meus lábios.

O polegar desenhou a minha boca, a apertou, Adrian inclinou o seu rosto em minha direção e eu fiz um bico, esperando pelo beijo. Senti seus lábios molhados, não na minha boca, mas na minha testa. Ele depositou um beijo na minha testa enquanto roçava o polegar nos meus lábios.

E então soltou o meu rosto, me olhando no fundo, minhas bochechas queimaram por alguns segundos, senti meu corpo estremecer com cada toque seu.

- Casados - o padre avisa.

Ele segura meu pulso e nós saímos da igreja, passando no meio da multidão que jogava arroz na gente. Não foi um casamento nada confortável e eu estava saindo sem saber o que me esperava.

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