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Capa do romance Esmeralda, a Luna Humana

Esmeralda, a Luna Humana

Esmeralda é uma jovem muçulmana de beleza rara que sonha em ser cantora, mas acaba presa em um casamento abusivo. Ao fugir, é capturada por seres sobrenaturais e levada para um novo mundo. Lá, encontra Ares, um Alfa temido e solitário que nasceu sob uma maldição e acreditava não ter uma alma gêmea. Ao ver a humana, seu lobo a reconhece instantaneamente. Contrariando profecias, essa mulher rebelde torna-se a luz para a escuridão dele: a improvável Luna humana do clã.
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Capítulo 2

Vinte e seis anos depois...

- Acorda, preguiçosa! Mulher casada não dorme até essa hora não!

"Bom dia, flor do dia!" Era a frase que a minha mãe usava para me despertar todas as manhãs antes de ir à escola.

Quando foi que a minha vida mudou tanto? E para pior...

- Eu, na sua idade, acordava antes do sol nascer para preparar o café da manhã dos meus sogros!

"Blá, blá, blá! Quem liga para como você tratava os seus sogros, sua megera?"

Pensei, ao jogar o cobertor para o lado e me levantar. Infelizmente, não tinha coragem de falar esse tipo de coisa para a minha sogra na cara dela. Não desejava outra punição do meu marido por desrespeitá-la.

Tomei um banho para despertar o meu corpo para os desafios do meu sério dia de mulher casada.

O meu chamado marido saiu bem cedo pela manhã para administrar a fazenda, deixando para trás o meu corpo dolorido por mais uma noite em que ele fez o possível para me engravidar.

Olhei-me no espelho, para ajeitar o hijab, e saí do quarto em direção à cozinha. A minha sogra estava separando as folhas que usaria para preparar molho de menta e levantou a cabeça ao me ouvir chegar. Ela revirou os olhos e fez cara de nojo ao ver-me, como de costume.

- Esmeralda, por que demorou tanto para levantar? Sua inútil, preguiçosa!

- Não estou me sentindo bem, o seu filho mal me deixou dormir a noite e o meu corpo está dolorido.

Revelei o que poderia ter sido deixado em segredo entre o meu esposo e eu porque esse tipo de coisa sempre a fazia inflar o peito de orgulho do filho "viril" e diminuia sua animosidade contra mim.

- O meu filho é um homem saudável e vigoroso, e quer ter um filho, que você insiste em falhar em produzir! É a sua obrigação de esposa servi-lo! Onde o meu filho estava com a cabeça quando te comprou?

Odeio quando ela joga na minha cara que fui comprada, mas de certa forma, ela não estava errada. Após a morte da minha mãe, meu pai casou-se novamente com uma mulher pouco mais velha do que eu. Para poder se exibir com uma esposa tão bonita e jovem, o meu não tão dedicado pai gasta mais do que ganha na empresa onde trabalha, contraindo muitas dívidas. O seu principal credor era Amir Ashtar, o filho mais velho da mais rica família da nossa cidade.

Amir, administrador dos bens da família aos trinta e oito anos e ainda solteiro, foi cobrar o meu pai, que devia uma quantidade absurda de dinheiro a ele, e foi aí que entrei na equação.

Trinta e oito anos, solteiro, precisava de esposa e filhos para perpetuar a linhagem de seu nome. Quando servi chá a ele, que estava sentado como um paxá na nossa poltrona, a proposta saiu da sua boca como a coisa mais natural do mundo:

" Me entregue a sua filha em casamento e perdoarei a sua dívida"

A minha madrasta só faltou soltar fogos, o meu pai tagarelou elogios em agradecimento, e eu não tive escolha. No mês seguinte, em meio a lágrimas de desespero, tive que dizer três vezes que aceitava Amir como esposo diante do Imã, na Mesquita.

Nos dias que precederam o casamento, Amir era paciente, doce e gentil. Apesar e bem mais velho do que eu, que mal acabei de completar vinte e um anos, ele não era feio e me tratou como uma princesa. Trazia doces, presentes e poemas. Pedia permissão para segurar a minha mão e fazia promessas de amor e dedicação. Foi um exemplo de noivo durante a cerimônia, me enchendo de elogios e sorrisos.

Eu quase acreditei que pudesse via a gostar dele um dia...

Foi na noite de núpcias que descobri que toda aquela "gentileza!" das bodas era uma encenação.

Eu era virgem, mas ele não se importou. Abriu as minhas pernas, ainda vestida, chegou a calcinha para o lado e me penetrou sem me preparar, sem beijo, abraço ou a carícia que fosse. Ficou em cima de mim por alguns minutos, enfiando aquela coisa na minha intimidade, invadindo o meu corpo e gemendo como um porco, enquanto eu chorava de dor.

Ele fez o que quis, usou-me como um objeto e ejaculou dentro de mim. Quando o torpor do ápice o deixou, ele levantou, guardou a coisa dentro da calça, retirou o lenço com as manchas de sangue que provaram a minha pureza, e saiu do quarto sem olhar para trás.

Deixou-me aos prantos, sangrando, vestida de noiva, o Hijab ainda cobria a minha cabeça. Ele havia tirado a minha virgindade e nem sequer sabia a cor dos meus cabelos, ou se eu era careca...

Pude ouvir os membros da família dele aplaudirem a apresentação do lenço de núpcias e celebrarem até tarde o princípio do meu infortúnio.

O meu marido não retornou naquela noite. Soube no dia seguinte que ele tinha um quarto separado quando quisesse descansar sem a minha presença.

Senti-me tão suja e usada, que corri para o chuveiro e fiquei horas me lavando debaixo da água fria.

Dou graças a Allah pela pílula do diz seguinte. Eu que não vou engravidar desse escroto! Após o café da manhã, fui ao consultório da minha ginecologista, tomei uma injeção para prevenir gravidez e marquei a introdução do DIU.

Não sou e nunca serei um casulo para criar filho de homem escroto nenhum!

Quer saber de uma coisa? O que está ruim, sempre pode piorar.

Com duas semanas de casada, meu sogro faleceu e minha "bendita" sogra veio morar em nossa casa. De uma esposa negligenciada e desprezada, me tornei a esposa e nora maltratada e humilhada.

A primeira vez que Amir levantou a mão para mim, foi para agradar à mãezinha dele. Aquela megera desgraçada derramou chá quente no próprio pulso e mentiu dizendo que eu a queimei de propósito, apenas para me provar que quem mandava na casa agora era ela.

Ele acreditou, deu-me uma bofetada e me colocou de castigo no quarto por dias.

No terceiro dia do meu castigo, ele repetiu o ato de todas as noites desde que nos casamos, mas dessa vez, deitou-me de bruços. Disse no meu ouvido, quando me invadia por trás, que não queria ver o meu rosto, pois uma esposa desobediente como eu o enojava.

Doeu muito, sempre dói quando ele me usa. Ele diz que é assim mesmo, que uma boa mulher, serva de Allah, não sente prazer durante o sexo, o prazer é para os homens.

Odeio quando ele e a sua mãe usam o nome de Deus para propagar as suas mentiras e deturpações. Nenhum deus digno compactuaria com a maneira em que me tratam.

Mas Allah vai-me ajudar a mostrar-lhes que essa vida não é o plano dEle para mim!

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