Capa do romance ¡Mate!

¡Mate!

8.0 / 10.0
Gia, a talentosa filha de um alfa, vê sua rotina mudar quando o poderoso Gael passa a viver em sua casa. Sob a proteção dele, ela aprimora suas habilidades, até que um flagrante de traição com sua melhor amiga abala tudo. Embora a loba de Gia clame que Gael é seu companheiro de alma, ele rejeita veementemente qualquer laço romântico. Entre a negação dele e a certeza de seu instinto, Gia questiona se vive uma obsessão ou um destino negado.

¡Mate! Capítulo 1

A tensão é perceptível no ambiente da alcateia Lua Crescente, visto que, nesses dias, seus habitantes têm sofrido ameaças e ataques por parte dos lobos solitários, que andam como ermitãos e causam problemas em diferentes alcateias.

Enquanto uma parte dos lobos guerreiros cerca os limites de Lua Crescente, outro grupo foi enfrentar os intrusos que a assediam. O alfa, Mateus, também investiga as tentativas das bruxas sangrentas de romper as barreiras que os separam. Este último rumor mantém os membros da alcateia aterrorizados.

Naquela tarde de verão, a pequena Gia brinca com sua espada de madeira ao lado de sua amiga Lía, apesar de seu pai ter ordenado que não saísse de casa devido ao alvoroço na alcateia, causado pela ameaça de seus inimigos, o assédio dos lobos solitários e o rumor sobre as bruxas sangrentas.

«Gia, olha!» -Lía chama sua atenção-. «É o alfa, seu pai! Corre, antes que ele nos veja!»

Ambas as garotas fogem do parque a toda velocidade. Gia, que desde muito pequena desenvolveu uma velocidade impressionante, é a primeira a chegar em sua casa, seguida por Lía, que se dirige apressadamente para o seu lar.

Com sua espada de brinquedo nas mãos, seu vestido de tecido grosso e de cor marrom, e seu cabelo penteado em uma longa trança que sua mãe havia feito, Gia se esconde no armário da sala e, pela fresta, observa o que acontece ali. Naquele dia, o alfa havia saído com vários homens da alcateia e todos chegaram tão alterados quanto saíram.

Gia observa em silêncio enquanto oculta seu cheiro para que ninguém perceba sua presença. Ela é a única licantropa em toda a alcateia capaz de fazer aquilo, mas ninguém conhece seu dom, pois o mantém em segredo por medo de que os outros a vejam como uma ameaça.

Ela nota que há um menino que chora inconsolavelmente e, por alguma estranha razão que desconhece, sente sua dor. Além disso, experimenta um sentimento de desamparo que lhe faz brotar lágrimas salgadas dos olhos.

«Quem é esse menino?», pensa Gia.

De repente, percebe que ele a olha, e, de fato, seus olhos dourados se conectam com os dela, como se soubesse que ela está ali dentro. Gia se abraça ao se sentir descoberta, mas mais pela estranha corrente elétrica que lhe percorre o corpo. Seu coração bate com intensidade e seu olhar cinza não consegue se afastar do garoto, por mais que tente. Antes que alguém mais note a fixação do menino, e como consequência ela seja delatada, ele desvia o olhar.

Nesse momento, o sentimento gélido de desamparo e o vazio doloroso da desesperança no garoto diminuem, sendo substituídos pela necessidade de proteger a menina.

Os dias transcorrem, e com eles a curiosidade de Gia sobre o estranho garoto aumenta. Ainda se desconhece sua origem e o motivo pelo qual o alfa o levou para a alcateia.

«Você não vai me dizer quem é esse menino e por que papai o trouxe para Lua Crescente?» -pergunta Gia à sua mãe, intrigada, especialmente pelos estranhos sonhos que tem tido desde aquele encontro com o garoto de olhos dourados.

A luna da alcateia a observa com a testa franzida, como se também ignorasse o assunto que o alfa tem mantido em mistério.

«A única coisa que sei é que a alcateia Lua Dourada foi atacada pelas bruxas sangrentas. Como consequência, o alfa e a luna de lá morreram. Bem, na verdade, todos os lobos daquela alcateia foram assassinados», responde sua mãe.

«Papai participou dessa batalha?», volta a perguntar Gia com tom curioso.

«Mateus se viu envolvido por acaso, já que se encontrava perto daquele território junto aos guerreiros de nossa alcateia. Ele não me explicou como chegaram a esse lugar nem como encontraram o menino. Muito menos sei qual é o plano que ele tem para ele.»

Gia pega uma das bolachas que sua mãe havia posto para esfriar e lhe dá uma mordida. A luna a observa sorridente e busca o xarope de chocolate para decorar o aperitivo recém-assado.

Nesse momento, o alfa Mateus entra na cozinha com o menino, a quem não tinham visto desde o dia em que o trouxe para a alcateia. Junto a eles, entram dois guerreiros. Os dois meninos se olham com nervosismo e timidez, mas Gia cora e lhe evita o olhar.

«Katrina» dirige-se à sua esposa, a mãe de Gia, «diga à servidão que prepare um quarto para Gael, que a partir de hoje viverá conosco e será parte de nossa família», informa o alfa.

O rosto de sua esposa se desfigura pela surpresa, e o receio é evidente em sua expressão.

«Sei o que você está pensando, e não, este menino não é meu», esclarece o alfa com diversão em seus gestos. «Nós o encontramos oculto nos escombros. Ele nos disse que não se lembra de nada além de seu nome. Essa é a razão pela qual o tivemos no centro de cura da alcateia por alguns dias. Segundo o doutor, sua amnésia se deve ao trauma que experimentou, portanto, sua memória pode voltar a qualquer momento, embora possa demorar anos.»

Gia observa sua mãe, que relaxou seu semblante, embora ainda sinta desconfiança.

«Olá, sou Gia», cumprimenta a filha do alfa enquanto se aproxima do menino com passos nervosos.

«Olá, Gia, meu nome é Gael», responde ele com amabilidade. Está assustado e desorientado; no entanto, o sorriso da menina lhe transmite segurança.

«Quantos anos você tem?», pergunta ela, mas ele enruga o rosto ao tentar lembrar esse detalhe.

«Uns doze anos. Sei pelo tom de voz dele», responde o alfa por ele. É normal que os alfas conheçam esse tipo de informação, pois é parte de sua habilidade como líder.

«Eu tenho dez. Sou menor que você», comenta Gia.

O garoto lhe sorri e ela sente que o coração lhe bate com força.

«Quer bolacha?», pergunta Katrina ao menino com um sorriso amável.

Ele assente envergonhado. Ela lhe passa uma porção da sobremesa, que o garoto ataca com avidez, como se tivesse passado vários dias sem comer.

«Você o preparará para ser um guerreiro?», indaga a luna, ainda sem entender por que o menino deve viver com eles.

«Mais do que isso, Gael será criado para ser minha mão direita, aquele filho que nunca tive. Ele herdará minha liderança e se casará com uma loba de uma alcateia influente, que nos torne mais poderosos», responde o alfa, iludido.

Katrina assente triste e decepcionada, pois sabe que sua filha deveria ser quem herde o cargo de alfa, não um menino desconhecido. Não obstante, compreende que esta decisão responde ao seu machismo.

«Por que não se torna meu companheiro?», solta Gia de repente, chamando a atenção de todos. «Se ele se unir a mim como esposo, ambos lideraríamos esta alcateia e assim sua liderança ficaria dentro de sua descendência.»

Para ninguém é surpresa que Gia fale como se fosse uma adulta, pois demonstrou essa inteligência desde muito pequena. Mas para Gael, o que ela disse é fascinante.

«De maneira nenhuma!», expressa o alfa com exaltação. «Você e Gael não se verão como um casal nunca, porque, de hoje em diante, serão como irmãos», sentencia, deixando sua filha confusa e triste.

«Não se preocupe, Alfa, Gia e eu seremos irmãos, e eu a protegerei com minha vida», intervém Gael com expressão firme e decidida. No entanto, suas palavras partem o coração da menina, assim como a atitude de seu pai.

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