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Capa do romance Esmeralda, a Luna Humana

Esmeralda, a Luna Humana

Esmeralda é uma jovem muçulmana de beleza rara que sonha em ser cantora, mas acaba presa em um casamento abusivo. Ao fugir, é capturada por seres sobrenaturais e levada para um novo mundo. Lá, encontra Ares, um Alfa temido e solitário que nasceu sob uma maldição e acreditava não ter uma alma gêmea. Ao ver a humana, seu lobo a reconhece instantaneamente. Contrariando profecias, essa mulher rebelde torna-se a luz para a escuridão dele: a improvável Luna humana do clã.
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Capítulo 3

Terminei de preparar o almoço e servi à mesa. A minha sogra chegou com a mesma cara de nojo de sempre e fez um muxoxo antes de sentar.

Peguei um prato para servi-la primeiro, escolhendo a fatia de cordeiro mais bonita e gordurosa para ela, arroz com nozes, e quando estava prestes a pegar o purê de abóbora, ela deu um tapa na mesa.

- Não me sirva essa coisa horrorosa que você fez, parece lavagem! E coloque outra peça de cordeiro no meu prato, não seja sovina com a mãe do seu marido!

Respirei fundo e obedeci sem reclamar. Entreguei o prato a ela, que comia como se não houvesse amanhã. Servi-me do que mais gostava e sentei na cadeira de frente para ela.

Ela mastigava ruidosamente e reclamou de tudo o que tinha na mesa, botando defeito em todos os pratos, embora tenha repetido quase todos. Quando estava satisfeita e com a boca cheia de gordura, tamborilou os dedos sobre a mesa me observando comer. De repente, ela levantou.

- Não deve comer tanto, está ficando gorda e o meu filho não gosta de gordas! - Vociferou ao tirar o meu prato de comida da minha frente e atirar o conteúdo no lixo. - Limpe tudo antes do meu filho chegar, ele gosta de encontrar a casa em ordem!

Após terminar as tarefas domésticas, levei o meu violão para o quintal dos fundos. A minha não tão amada sogra estava dormindo e eu queria aproveitar o pouco tempo livre para me distrair.

Não tínhamos televisão nem rádio, pois a família do meu marido acreditava ser "haram".

Sempre achei engraçado como as pessoas mais hipócritas se escondem atrás de uma falsa postura religiosa quando lhes convém. Não gosto de julgar a religiosidade de ninguém, Allah sabe o coração de cada um, mas pessoas fingidas me tiram do sério!

Sentei no banco de madeira e dedilhei as cordas do violão com os olhos fechados. Buscava afastar os pensamentos ruins e atrair boas vibrações através da música. Não sou boa musicista, arranho um pouco no violão, mas adoro cantar. O meu pai costumava pedir-me para cantar canções antigas enquanto ele lia o jornal pela manhã. Ele dizia que a minha voz era abençoada pelos anjos.

- A minha mãe informou-me que você não estava desperta para a "salat-ul-fajar "e ela teve que te chamar repetidas vezes para o desjejum...

A voz do meu marido interrompeu a canção.

Amir era bonito, para quem gosta de rostos delicados, como de príncipes encantados de contos de fadas. Cabelos castanhos como os seus olhos, nariz fino e corpo esbelto. Se ele vestisse um Niqab e usasse alguma maquiagem, poderia se passar por uma mulher.

Mesmo sujo de terra e suado, como estava diante de mim, ainda tinha boa aparência. Porém, o seu jeito abusivo de filhinho de mamãe escroto e o sexo ruim mataram qualquer atração que eu poderia via a sentir por ele.

Calma, Esmeralda, falta pouco! Logo estará livre, "Inshallah"!

Respirei fundo, encarnei a personagem doce e submissa que criei para lidar com ele, e sorri docilmente.

- Boa tarde, marido, que bom que voltou cedo! - Deixei o meu violão de lado, levantei ainda sorridente e o abracei.

Ele sorriu e abraçou-me de volta, o semblante mais leve diante da minha postura submissa.

- Desculpa, esposa, acho que te sujei um pouco. - Ele se afastou e apontou para as manchas de terra na minha blusa. - Eu ajudei os trabalhadores no plantio.

- Não se preocupe, marido! Deve estar cansado, quer que prepare um chá? Ou prefere uma limonada bem geladinha?

- Uma limonada serve. - Ele respondeu satisfeito e sentou no banco onde eu estava sentada antes.

Que casal romântico, não é?

Piada!

Mas acho que o meu jeitinho submisso funcionou para fazê-lo esquecer da fofoca da minha sogra sobre ter perdido a oração da manhã.

Descobri a duras penas que, quanto mais submissa eu me comporto, menos problema tenho com ele. Se a jararaca sabe ser fingida, eu também sei!

Trouxe o jarro de limonada e dois copos, servi o primeiro para ele e entreguei nas suas mãos.

- Quando é a sua próxima consulta com o ginecologista? - Ele perguntou assim que me sentei ao seu lado.

- Amanhã. Vou ao consultório assim que terminar o café da manhã.

Ele segurou a minha mão e o seu rosto ficou sério.

- Hum... Espero que finalmente esteja grávida, para evitar problemas. Sabe o quanto eu desejo ter um filho homem!

- Se for a vontade de Allah, estarei. - Allah, não queira, por favor! Estou tomando as pílulas certinho, Deus misericordioso, cuida para não estar!

Espero que ele não tenha notado o quão forçado era o meu sorriso. Se tudo der certo, amanhã me livrarei dele.

Ele apertou a minha mão com força, machucando as juntas dos meus dedos até eu me encolher de dor.

- Não se atrase para a oração novamente, esposa! Não dê motivos para a minha mãe reclamar de você, não me envergonhe na frente dela!

- Eu sinto muito, Amir, me solte, está me machucando!

Ele afrouxou o aperto e beijou o meu pulso vermelho.

- Não gosto de machucar você, Esmeralda, então, não me obrigue a ter que agir como não quero!

- Me desculpe, não te envergonharei mais...

- Assim que eu gosto. Agora vá preparar um lanche para mim, estou com fome, e faça o chá para a minha mãe beber quando acordar. Quero que peça desculpas a ela na minha frente dessa vez.

- Claro, farei como deseja.

Ele sorriu e gesticulou para que eu saísse. Estiquei o braço para pegar o meu violão, mas ele foi mais rápido.

- O violão fica comigo, já te disse que não gosto que cante fora de casa sem a minha presença.

- Não tem ninguém aqui...

- Algum homem poderia chegar e ver a minha esposa se exibindo como uma vagabunda, a minha cara ficaria no chão.

- Mas...

- Sem mais, Esmeralda, sabe que não gosto quando discute comigo!

Tudo o que eu queria era uma vida pacifica, com um homem que gostasse de mim do jeito que eu sou, que me amasse e me respeitasse. Um homem que fosse sincero som os seus sentimentos, não esse sorriso falso e cruel de Amir. Queria poder rir alto, cantar ao meu contento, ser livre e sentir-me amada num lugar que pudesse chamar de lar.

Levar uma limonada para o meu marido cansado do trabalho não é problema algum, mas ser obrigada a comportar-me como uma escrava feliz para um homem e a sua família, simplesmente por ter um útero, não desce por minha garganta.

Respirei fundo e prendi o choro.

Só mais um dia....

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