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Capa do romance Envolva-me

Envolva-me

Eduardo e Mellanie vivem um romance marcado pela fuga de seus traumas. Em uma noite de entrega total, eles buscam esquecer a amargura em um encontro ardente e apaixonado. Contudo, ao amanhecer, a realidade os separa: ele enfrenta o estigma social de seu passado na prisão, enquanto ela se dedica inteiramente à sua vida sob os holofotes. Presos em mundos opostos, ambos tentam resistir ao sentimento que os une em meio a conflitos e preconceitos.
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Capítulo 2

- Calma, Samson - Mellanie Cooper murmurou, dando tapinhas no largo pescoço do belo garanhão árabe. - A prova de vestimenta é a próxima. Depois é a de exibição e a premiação. Então estaremos voltando para casa, doçura. Você esteve fabuloso. - Mellanie falava com o animal enquanto o vestia.

Sob o chapéu caíam em cachos os seus cabelos castanhos claros, que exibiam um suave reflexo dourado quando expostos ao sol. Na prova em que iriam competir o principal quesito era a elegância. Ela mesma havia desenhado a sua roupa e a de Samson, e a esposa do seu patrão se encarregava da costura. Usava apenas ouro e branco, e esperava que os juízes apreciassem, tanto quanto ela, o resultado que admirou no espelho, poucos minutos antes.

Samson soltou ar pelas ventas, inquieto enquanto ela o colocava em posição no paddock do Veteran's Memorial Coliseum in Phoenix, Arizona. Vários cavalos e cavaleiros aguardavam, lado a lado. Mellanie olhou para cima e verificou que seu número de inscrição aparecia no placar.

- Pronta? - perguntou Peter Latrop, seu amigo na competição, posicionado logo atrás.

- Pode apostar!

O garanhão levantou as orelhas em antecipação ao sinal para a entrada na arena.

Mellanie tinha participado de vários tipos de prova durante essa competição, um dos maiores concursos de inverno patrocinado pela International Arabian Horse Association. As disputas vinham acontecendo nos três últimos dias, e ela e Samson tinham se classificado em primeiro e segundo lugares em todas, com exceção de uma. Agora, no quarto e último dia da competição, estava certa de que era, junto com o seu negro cavalo árabe, uma forte candidata ao grande prêmio.

O valor em dinheiro do primeiro lugar não era nada desprezível e essa havia sido a principal razão de ela querer participar. Caso contrário, teria ficado no haras, cuidando das éguas prenhas.

No ano seguinte, pensava consigo mesma, inscreveria Samson em outras categorias. Talvez no Park Horse Class, onde a elegância vibrante do seu garanhão poderia ser mais bem evidenciada. É claro que isso tudo significava meses e meses de treino e dedicação.

Mellanie voltou sua atenção para a voz do locutor. Ao sinal, entrou na grande arena fechada, toda iluminada e rodeada por uma ansiosa platéia. Samson se portou com perfeição, atendendo de modo exato a cada leve movimento das rédeas ou sutil pressão dos joelhos de Mellanie contra o seu flanco.

Após três voltas em torno da arena, o locutor pediu:

- Galope, por favor.

Ela afrouxou as rédeas com discrição e Samson iniciou um galope solto e bonito.

- Trote, por favor.

E o garanhão passou a um meio galope suave e elegante. A cada nova instrução, cavalo e cavaleira se exibiam com rara beleza.

- Reverso, por favor.

Com uma ágil meia-volta, inverteram a direção.

- Marcha, por favor.

- Trote.

A mente esperta de Samson obedecia com rapidez aos sinais discretos de Mellanie. Ela tinha sido sua treinadora desde o seu nascimento e o conhecia como a si mesma. Talvez mais. Por isso era capaz de obter o melhor dele, conseguindo exibições perfeitas como aquela.

- Galope, por favor - pediu novamente o locutor. - Marcha, por favor. Agora se alinhe no centro, de frente para o corpo de jurados - orientou-a.

Logo todos os cavaleiros se alinharam no centro, aguardando o resultado final. Apesar da calma aparente, era óbvio que cada um se esforçava bastante para não deixar transparecer a tensão.

As colocações da disputa do dia foram anunciadas e a platéia aplaudiu entusiasmada quando ela avançou com Samson para receber o troféu e a faixa do primeiro lugar. Abandonaram a arena com uma dignidade aristocrática. Já fora do paddock, ela desmontou e sussurrou um agradecimento para o garanhão.

- Bela apresentação, Mell - a voz de Peter soou atrás dela. Após desmontar, ele foi abraçá-la.

- Obrigada, Peter. E parabéns para você também - disse, apontando para a faixa de terceiro lugar e o cheque que ele tinha na mão.

Ele sorriu.

- Estou satisfeito... Por enquanto.

Ela afagou o cavalo que bufou em resposta, agitado.

- Eu sabia que íamos conseguir. Trabalhamos para isso durante dois anos - ela disse. - Meu pai ficava sempre brincando comigo, dizendo que eu deveria arranjar um emprego de verdade, em vez de me divertir com cavalos. Quero ver só a cara dele se trouxermos a grande taça e o prêmio em dinheiro para casa - Mellanie completou, rindo e dando tapinhas no cavalo.

Meia hora depois, Peter veio avisá-la.

- Agora vão divulgar o nome do vencedor do grande prêmio do circuito, Mell. Deixe-me ajudá-la a montar.

Sem esperar ajuda, ela subiu com agilidade, ignorando a frustração estampada no rosto do amigo. Detestava ter que magoá-lo, mas não queria encorajar seus sentimentos. Peter havia se aproximado dela desde o começo daquela competição e ela tinha aceitado a sua companhia gentil, ignorando as insinuações que lhe fazia para que aprofundassem a relação.

Mellanie não tinha tempo para aventuras amorosas. Sua vida se concentrava exclusivamente no treinamento e na reprodução de puros-sangues. Os meses por vir seriam dedicados às éguas prenhas e aos seus potros, no Leskimeyer Arabian Center ao norte de Hamilton, Montana.

- Vamos, Peter - ela provocou, dirigindo-se para a arena para se juntar aos outros cavaleiros. Deram uma última volta no paddock e mais uma vez se puseram em linha no centro.

Mellanie lutou para não se entregar ao cansaço que ameaçava dominá-la. Aquele era o último de seis shows de que tinha participado naquele circuito. Havia sido uma longa viagem desde a sua casa em Hamilton, no coração do Bitterroot Valley até ali. Seus pais, duas irmãs mais velhas e um irmão gêmeo ainda viviam no rancho de gado da família, do outro lado das montanhas ao norte de Wisdom, uma pequena comunidade em Big Hole Basin. As duas irmãs estavam casadas e seus maridos trabalhavam com o pai de Mellanie, cuidando das quatro mil cabeças de gado do rancho. Aliás, bem que seu pai gostaria que ela escolhesse um dos homens fortes e trabalhadores da comunidade para marido e sossegasse. Mas, aos vinte e seis anos de idade, Mellanie sabia o que queria. E isso com certeza não incluía alguém que lhe desse ordens e um punhado de bebês.

Muitas de suas amigas já estavam casadas e sua prima favorita também tinha se entregado à vida doméstica. Tinha ajudado a tomar conta de muitos afilhados e sobrinhos e trocado fraldas até se cansar.

Não, não queria um bando de crianças dependendo dela e muito menos o trabalho exaustivo de uma fazenda de gado. Se era para se cobrir de suor, seria trabalhando com os melhores cavalos do mundo.

Quando o pai de Mellanie finalmente aceitou que ela tentasse realizar o seu sonho de menina, comprou-lhe o seu primeiro puro-sangue árabe. Mais tarde, quando ela juntou o bastante para pagá-lo, em vez de aceitar o dinheiro de volta, disse-lhe que o usasse para reinvestir.

Mellanie aceitou o conselho e, somando com os ganhos deste concurso, poderia adquirir o seu segundo animal. Seria uma bonita égua para Samson; uma que cruzasse com ele e não degenerasse num filhote Palomino. Palominos, com sua cor clara e manchas brancas, eram ótimos para outras raças, mas não para puros-sangues árabes de exibição, onde a cor contava muito. Ela já havia inclusive colhido informações sobre uma bela égua vermelha de um haras a oeste de Bozeman.

Mellanie cruzou os dedos quando o locutor começou a falar. Os nomes do sexto e quinto colocados foram anunciados. Peter obteve o terceiro lugar. Mellanie prendeu o fôlego.

- A faixa do segundo lugar e o cheque de dez mil dólares vai para... Theresa Sanchez, de Santa Fé, Novo México.

A platéia aplaudiu.

- Bem - ela murmurou para si mesma -, é o grande prêmio ou... Nada. Não pode ser nada.

As mãos dela estavam molhadas de suor. Tentou manter uma aparência de despreocupação.

- O grande prêmio e o cheque de quinze mil dólares vão para... Oh, um minuto, por favor. - O locutor cobriu o microfone e três cabeças se juntaram à dele para cochichar.

- Que coisa! - Mellanie queixou-se.

Peter, alinhado com seu cavalo ao lado dela, sorriu de modo encorajador. Com o rabo do olho ela examinou os outros concorrentes. Tentou ser imparcial; havia um cavaleiro que ela achou que tinha se saído tão bem quanto ela. Seria mesmo capaz de julgar com imparcialidade a atuação dos outros?

- E agora - recomeçou o locutor -, o ganhador do nosso troféu, do cheque da Arabian Horse Breeders Association do Arizona, e um cheque adicional no valor de... Dez mil dólares...

O locutor se interrompeu e o público explodiu em novos aplausos.

- Com os cumprimentos do nosso filho nativo, o ator de renome internacional, *Jhonas Deadpark*, proprietário do Jonsey Arabian Center, que se tornou um dos maiores criadores de puro-sangue árabe... Cujos estábulos produziram...

- Por favor, chega de comerciais - Mellanie gemeu, com gana de chacoalhar o locutor.

- O vencedor do grande prêmio de todas as provas de inverno é... O número cento e vinte e cinco, Mellanie Cooper, de Hamilton, Montana, montando o maravilhoso garanhão de cinco anos, Sidi Samson!

Mellanie deixou escapar um grito de vitória, e a platéia explodiu em fortes aplausos. Ela avançou até o júri para receber os três prêmios.

- Obrigada - disse. Algumas lágrimas emocionadas romperam, enquanto ela recebia os cheques das mãos de Jhonas Deadpark. Ele se recusou a soltar-lhe a mão, depois de cumprimentá-la.

- Será que essa vitória não merece um beijo? - ele sugeriu.

- Oh... Claro. - Sorrindo, confusa, ela se inclinou para receber o beijo. Não notou o olhar malicioso do ator, pois pensava apenas em Samson. Deu mais uma volta na arena para receber os aplausos do público e abandonou o paddock.

Duas horas mais tarde, depois de cuidar de Samson e deixá-lo com todo o conforto no estábulo. Mellanie estava de volta ao hotel, se deliciando num banho bem quente.

Mal havia se secado e vestido um hoby aconchegante, bateram à porta.

- Quem é? - perguntou.

- Peter Latrop.

Ela girou a chave e abriu a porta.

- Entre, Peter. Ouvi tantas histórias de cretinos batendo nas portas dos hotéis dessa cidade que fiquei com medo. Não é como estar em casa.

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