
Envolva-me
Capítulo 3
Mellanie pensou em partir, mas ainda lutava para ficar bem desperta, quando ele reapareceu com um copo em cada mão. Ela havia tornado a se sentar no sofá e ele se acomodou ao seu lado. Dessa vez, a uma pequena distância.
- Agora, Mellanie - ele começou, oferecendo-lhe um coquetel de tequila e exibindo um sorriso, cinematográfico - Fale-me de você. Nasceu em Montana?
- Sim. - Ela se apegou ao assunto, tentando recuperar o raciocínio. - Cresci em Big Hole, mas agora trabalho em Hamilton. Já ouviu falar desses lugares?
- Andei procurando uma propriedade em Bitterroot, portanto, conheço a região. Alguns dos meus amigos da Califórnia têm terras em Paradise Valley. Conhece?
- Sul de Livingston, sudoeste de Bozeman - ela retrucou. - Li que uma porção de celebridades andou comprando ranchos por lá, para fugir dos impostos.
- Será que eu captei uma nota de desdém? Ela deu de ombros.
- Se eu fosse rica o bastante para precisar fugir dos impostos, faria o mesmo. - Ela riu. - A vida no campo faz parte de mim. Um dia, espero, eu... Afinal, estamos numa discussão de geografia ou planejamento de impostos?
- Nenhuma das duas - ele sorriu, cheio de malícia e escorregou mais uns centímetros para junto dela.
- E sobre você. Acho-a muito... Agradável. Onde Você trabalha em Hamilton? Num depósito?
- Eu trabalho com os cavalos de Lexy Ghelford.
- O criador de puro-sangue?
- Isso mesmo.
- Ele é um dos melhores no Estado. Comprei algumas éguas de Lexy Ghelford. Muito boas. O garanhão que você montou é dele?
- Claro que não! Samson é meu. É o começo do...
- Seu próprio haras?
- Sim. O seu... O dinheiro que eu ganhei hoje vai ser empregado na compra de uma égua para ele. - Ela fez um muxoxo. - Eu sei que deve parecer insignificante para você, mas todo mundo tem que começar de algum ponto, não é?
Jon soltou uma risada, um pouco encenada demais.
- Não me diga que é uma daquelas apaixonadas por cavalos desde menina, e que sonha em realizar as suas fantasias. - Ele pegou-lhe a mão e apertou-a. - Você é mesmo uma graça, Mell.
Ela sorriu um tanto embaraçada.
- Fique comigo essa noite, querida, e de manhã eu lhe mostro os meus cavalos.
- Cavalos de verdade? - ela perguntou com ironia, desprendendo a mão. - Creio que não, Jon. Tenho uma longa jornada pela frente. Preciso chegar em casa depois de amanhã. E estou sozinha.
Mellanie lamentou suas últimas palavras, mal tinha acabado de pronunciá-las.
- Se a sua preocupação é chegar em casa a tempo, posso mandar um dos meus empregados levar a sua caminhonete e trailer de volta. Depois, poderemos voar no dia em que a sua chegada está prevista.
Aproximou-se um pouco mais e prosseguiu insinuante:
- Existe um aeroporto em Hamilton? Tenho um jatinho, e o meu piloto está de prontidão. Que tal? Duas noites e dois dias para relaxar comigo...
Michelle pôs o copo sobre a mesinha de vidro fumê e se ajeitou na beirada do sofá.
- Não, acho que não.
- Por que não? - Abriu os lábios num sorriso cativante, mais uma vez buscando-lhe a mão.
- Não sou esse tipo de pessoa.
- Claro que não - ele murmurou. - Mas as aparências podem enganar, não? Quantos anos você tem?
- Fiz vinte e seis na semana passada. E sei muito bem o que quero - ela concluiu ríspida.
Um silêncio pesado caiu sobre os dois. Mellanie fitava o chão, constrangida. Tentou amenizar o clima de embaraço que pairava no ar.
- Mas eu adoraria ver os seus cavalos. Será que não poderia mostrá-los agora à noite, mesmo? - Levantou-se e forçou um sorriso.
Jonathan recostou-se no sofá e estudou-a por um momento. Parecia avaliar as possibilidades.
- Quero ver as cocheiras, não camas - ela arrematou. Por fim, dando risada, ele também se levantou e, tomando-a pela mão, seguiu por um corredor coberto que levava aos estábulos. Acendeu as luzes e ouviu-se o ruído de vários cavalos se agitando em suas cocheiras individuais.
- Fale-me a respeito do seu trabalho para Ghelford, - ele pediu, dando passagem para Mellanie.
- Está mesmo interessado?
- Sem dúvida. Mulheres sempre despertam interesse, e puros-sangues também. Levando isso em conta, mulheres que trabalham com cavalos árabes são simplesmente especiais!
Ela acariciou o flanco de uma égua cinza.
- Meu trabalho consiste em exercitar as éguas e acompanhar a gravidez delas até o fim. Quando entram em trabalho de parto, aviso o veterinário e dou assistência a ele. Também cuido dos potrinhos e dou-lhes os primeiros treinamentos quando eu e Lexy julgamos que estão preparados.
Ela sorriu com a lembrança dos animais.
- Adoro trabalhar com os potros. São tão doces... E cada um tem sua própria personalidade. Acho que são as minhas crianças.
Continuaram andando. Ela parava de quando em quando para observar algum cavalo com maior atenção.
- Lá eu tenho alguns privilégios. Samson, por exemplo, pode ficar de graça. No meu tempo livre eu trabalho com ele. Comprei-o de Lexy quando ainda era um filhotinho. Meu pai me deu o dinheiro. - Ela riu. - Hoje Lexy se morde de raiva por tê-lo vendido a mim. Samson se tornou um dos melhores animais do rancho.
- O seu rosto se ilumina quando você fala do seu garanhão.
- É a coisa mais importante na minha vida - ela assegurou. Chegaram ao fim dos estábulos. Durante toda a visita, Jon mantivera o braço sobre os ombros dela e, agora, deslizava a mão para a cintura. Mellanie virou-se de imediato.
- Acho melhor eu ir, agora.
Fingindo não entender a indireta, Jon atraiu-a para si. Mellanie sentiu o seu peito musculoso e firme.
- Mell - ele murmurou com voz rouca, olhando à face dela. - Eu quero você comigo essa noite. Vai ser bom, eu posso sentir.
Ela esboçou o gesto de se soltar, mas Jon foi mais rápido e pressionou os lábios contra a sua pele delicada, numa carícia quente. Mellanie sabia que não podia resistir, por isso soltou o corpo, numa posição passiva.
- Mas que droga? - ele reclamou, afrouxando o enlace.
- Eu avisei que não queria me envolver.
- Ora, você está só me provocando - ele insistiu. - Eu lhe mostrei os meus cavalos. Agora é hora de você retribuir, querida. Não passo uma noite com qualquer uma, sabia?
Ergueu-a nos braços, mas, em vez de tomar o caminho de volta, seguiu em direção à piscina e à área onde ficavam os quartos.
- Jon, ponha-me no chão - ela gemeu. - Não posso fazer essas coisas!
- Está querendo me dizer que é uma virgem? - ele perguntou, parando junto da piscina.
- Não, mas...
- Então, tudo bem. Não gosto de me meter em encrencas. Ela começou a se debater.
- Nem eu! Por isso, ponha-me no chão, já! E, com isso, desferiu-lhe uma forte mordida no pescoço.
- Ei! Pare com isso, está bem? - ele reclamou. - Você quer ser bem-sucedida no mundo dos criadores, e eu tenho os contatos que podem ajudá-la. Qual é o problema de uma ou duas noites juntos, se os resultados são valiosos?
Com raiva, ela o mordeu de novo. Dessa vez não teve dó.
- Ponha-me já no chão!
- Tudo bem, doçura. Mas não acredito que queira memo isso.
Ele se aproximou da beira da piscina.
- Não! - Ela se agarrou a ele.
- Mudou de idéia, querida?
- Não!
- Como preferir.
E, com isso, ele a soltou.
Michelle mergulhou na água tépida numa posição patética. Subiu à tona indignada.
- Como se atreve, Jhonas Deadpark? - ela se debatia como uma serpente, fazendo-o gargalhar.
- E agora, minha mocinha, quando tiver esfriado, saia daí e vá se secar. Pode encontrar toalhas ali nos vestiários. - Apontou para o outro extremo da piscina. - Logo você vai estar louca para aquecer esse seu corpinho bem-feito junto de mim. Vamos, rápido, Mellanie. Antes que eu perca a minha paciência.
E, assim, Jon deu-lhe as costas e desapareceu a passos decididos. Uma pequena luz se acendeu num cômodo, e ela desconfiou que ali fosse o quarto dele.
Fora da água, ela torceu um pouco a blusa e entrou na casa por outra porta. Deixou um rastro de água no carpete. Foi até o estúdio e pegou a bolsa. Então, correu para a caminhonete, decidida a sumir antes que Jon se desse conta de que não tinha a menor intenção de ir para a cama com ele.
Chegando no hotel, Mellanie correu para o seu quarto. Sua raiva tinha crescido a cada quilômetro que se afastava da casa do ator. Ao ver a mala num canto, tomou uma decisão.
Em vinte minutos estava em sua caminhonete, pronta para partir. Se o amoroso senhor Deadpark resolvesse vir procurá-la, encontraria apenas um quarto vazio. Mas será que sabia onde ela tinha se hospedado? Claro que não!
Mesmo assim, Mellanie achou melhor pegar a estrada e antecipar a viagem de volta. Não ia mesmo conseguir dormir aquela noite.
Então, seguiu para o estábulo onde havia alojado Samson durante os poucos dias em que tinham estado em Phoenix.
Sob a luz do luar ela tirou o cavalo da cocheira e conduziu-o para dentro do trailer. Uma lâmpada foi acesa e o guarda apareceu sonolento. Mellanie não precisou se demorar nas explicações, já que tinha deixado tudo pago.
Pouco depois entrava na estrada interestadual. Já tinha visto o bastante das grandes cidades e dos seus ricos criadores.
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