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Capa do romance Entre teus lábios

Entre teus lábios

Guiada por um sorriso provocante e um olhar intenso, aceitei o toque de sua mão enquanto a paixão nos consumia. Éramos jovens, indomáveis e movidos por uma eletricidade perigosa. Embora a ansiedade da idade me fizesse questionar o amanhã, o futuro pouco importava naquele momento. Nada apagaria a memória sensorial daquela entrega, marcada pelo gosto inesquecível de hortelã e canela que definia a nossa conexão proibida e ardente.
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Capítulo 2

Queria poder dizer que os raios pálidos do sol entraram pelas frestas da minha janela, refletindo a terna e amarelada luz sob minhas cortinas e me acordaram suavemente. Mas, a realidade era bem diferente disso. Acordei com o despertador antigo tocando às cinco e meia da manhã, neste horário não havia nem vestígio do sol e estava muito gelado, o que dificultava ainda mais pra sair da cama.

Tive que lutar mentalmente para não cair em tentação e usar algumas das minhas desculpas já preparadas para faltar ao trabalho. Normalmente dentre as mais usadas estava uma incomum e urgente consulta ao dentista, mesmo não tendo nada de errado com meus dentes e deixando a Dra. Edna desconfiada, me lançando um indisfarçável olhar de fadiga a cada vez que me via apontar na recepção do seu consultório.

Às vezes sentia falta de quando morava com meus pais, a vida de fato era confortavelmente mais fácil e sem grandes responsabilidades. No entanto, quando lembro todo o tradicionalismo e as rédeas curtas que freavam quaisquer liberdade que eu quisesse ter, não sinto mais tanta falta do conforto que tinha e rapidamente me levanto da cama com a determinação renovada, lembrando das razões que me fizeram sair de casa aos dezessete anos.

Aquela manhã seria um dia importante na Editora, onde os funcionários seriam apresentados ao novo CEO da Nova Escala e respectivamente às suas novas normas para a empresa. Sendo assim, apesar de não ser tão vaidosa, eu precisava usar algo melhor que meu jeans velho e minha camiseta surrada do Star Wars, precisava passar uma boa impressão se não quisesse ser dispensada no primeiro dia com o novo chefe, que segundo boatos, era extremamente rigoroso.

Coloquei minha saia lápis-lazúli que estava um pouco justa demais no meu quadril, já fazia algum tempo que eu não a vestia, certamente tinha ganho uns quilos a mais ao longo dos últimos meses e observei minhas curvas sendo acentuadas pelo caimento do tecido. Coloquei uma camisa social branca para combinar com o terno preto que usava em dias mais 'sérios' do trabalho, e me encarei no espelho com uma expressão carrancuda.

Não estava bom, mas teria de bastar. Procurei meus sapatos de salto alto nude, e me senti elegante quando dei meia volta analisando meu reflexo friamente. Terminei de pentear meus cabelos, que milagrosamente estavam bonitos e reluzentes esta manhã, peguei um pente para alinhar a franja que caía espetada acima dos meus olhos. Nunca gostei muito dos meus cabelos ruivos, pois realçavam algumas poucas sardas em meu rosto, bem como as profundas e arroxeadas olheiras. Eu definitivamente não era a típica ruiva exuberante que vemos na tv. Durante toda a minha adolescência eu pintava os cabelos de preto, mas decidi deixá-los da cor natural desde que os cortei radicalmente há cerca de cinco ou seis anos atrás. Agora eles eram longas cascatas cor de cobre que desciam até o meio das minhas costas. Então, já que decidi usá-los soltos, peguei um pouco de rímel e passei um pouco de corretivo abaixo dos olhos.

Suspirei profundamente enquanto dava uma última olhada no espelho e, atrevidamente, abri os dois primeiros botões da minha camisa de linho. Sorri com a imagem no espelho, me sentindo um tanto ousada ao subir um pouco mais a saia, encurtando sutilmente seu comprimento e escolhendo um batom um tanto mais avermelhado do que eu costumava usar. Estava pronta!

Assim que cheguei na empresa, já estava piamente arrependida pela escolha dos sapatos, já que tive que subir quatro lances de escada pois o elevador tinha que ficar emperrado justo no dia em que estava com o pior sapato e a saia mais desconfortável para caminhar. Quando finalmente abri a porta da minha sala, arfante e certamente corada, já me deparei com uma pilha de papéis sobre a minha mesa e uma colega de trabalho bem irritada à minha frente.

― Será que não podia ter atendido o celular, Emily? Marlene me obrigou a refazer todo o artigo do acidente daqueles skatistas idiotas! Artigo que por acaso já estava feito e você ficou de me enviar ontem a noite! ― podia ver as veias da testa de Júlia saltando a cada palavra ríspida que ela me lançava. Júlia certamente nunca foi um sinônimo de gentileza.

― Eu sinto muito mesmo! Ia te enviar, mas estava tão exausta que acabei esquecendo ― já que a culpa cairia sobre mim de qualquer forma, não me restava outra alternativa a não ser me redimir do jeito que eu sabia que Júlia aceitaria, evitando assim, um estardalhaço desnecessário ― Farei seus próximos dois artigos pra te compensar ― disse, dando-me por vencida aos seus escândalos.

― Eu poderia falar para a Marlene, você sabe que ela não admite esquecimentos ― cuspiu a última palavra com um sorriso mesquinhos nos lábios ― Mas vou deixar passar desta vez, Emily ― me olhou com um ar pavoroso de superioridade ― Te envio por e-mail o tema dos artigos. ― Virou as costas sem sequer esperar uma resposta minha.

Revirei os olhos assim que o vislumbre dos pegajosos cabelos dourados de Júlia ficaram fora do meu campo de visão, ela sabia ser insuportável quando queria. Em geral eu sempre me dava bem com meus colegas de trabalho, mas Júlia abusava da minha paciência com as chantagens que vinha me fazendo ao longo das últimas semanas.

Mais uma vez, decidi ignorá-la e comecei trabalhar nos dois editoriais que estavam na primeira coluna à minha frente e enquanto estava imersa no trabalho, a manhã passou num piscar de olhos. Já tinha três rascunhos concluídos, dois artigos editados em um e-mail pronto para ser enviado ao designer e revisão final.

Guardei meu celular velho na bolsa antes de sair para o almoço, e enquanto caminhava devagar pelos corredores podia ver a agitação atípica do pessoal, que comentavam sobre os mais peculiares boatos a respeito da tão aguardada reunião com o novo CEO.

― Eu estou realmente com medo dessa reunião. E se pedirem pra mim dizer alguma coisa? ― Mirian me encontrou ao fim da escadaria, e nos dirigimos ao restaurante ao lado do escritório.

― Antes de tudo, respire ― notei que ela estava de fato muito apreensiva ― Eu acho que apenas o pessoal da liderança vai participar com opiniões, se não teríamos sido avisados. ― Dei de ombros enquanto sorria para a garçonete que se aproximava com nossos pedidos.

― Arroz, grelhado, salada e suco de laranja? ― assim que anunciou o pedido, Mirian estendeu as mãos, se identificando como a mais saudável da dupla ― Então o x-burguer e a Coca-Cola são seus. ― afirmou, me entregando a bandeja.

Agradeci enquanto Mirian criticava minha escolha de refeição, devia ser difícil pra ela, já que sempre estava de dieta, mesmo sendo bem mais magra que eu. Comecei a comer, rindo das carecas de Mirian enquanto eu fazia questão de exibir um gigantesco pedaço de bacon. Eu ria de suas expressões de repulsa enquanto eu mastigava toda aquela carne mergulhada em molho, e eu continuei sorrindo até que me dei conta de que Mirian agora olhava para mim verdadeiramente horrorizada.

Segui seu olhar, e antes que pudesse ver o que tinha acontecido, senti o molho quente escorregando pra dentro dos botões abertos da minha camisa, antes imaculadamente branca, agora terrivelmente manchada de mostarda.

― Ai meu Deus! Emily! ― Mirian pegou um guardanapo e tentou inutilmente me ajudar com a bagunça, mas seus esforços serviram apenas para piorar e aumentar a grande mancha amarelada.

― Isso está ficando pior! Tem mostarda pra todo lado e não está saindo! ― tentei umedecer um pano para me limpar, mas de nada adiantou. ― Eu vou precisar trocar isso... ― continuei esfregando enquanto checava as horas.

Ainda tinha cerca de meia hora, teria que dar tempo, pensei enquanto peguei minha bolsa e saía apressadamente.

― Qualquer coisa me liga, Emy! Eu te dou cobertura, invento alguma desculpa ― Mirian gritou às minhas costas enquanto eu saia correndo até o estacionamento.

Esbarrei em algumas pessoas que estavam paradas, ou melhor, empacadas pela calçada toda e quase caí umas três ou quatro vezes antes de chegar até o estacionamento e abrir a porta do meu velho Impala 67. Os sapatos não estavam ajudando muito e meus pés estavam doloridos, então os deixei de lado enquanto dava a partida e dirigia feito um ás no volante, agradecida por não ter pego trânsito.

A esta altura meu cabelo estava todo bagunçado, meu batom certamente borrado e minha expressão de desespero com certeza não estava sendo de ajuda. Eu acelerei um pouco mais, dando uma espiada nas horas que pareciam voar enquanto eu atravessava a principal avenida apenas há poucos minutos de casa.

Pisei ainda mais fundo no acelerador na última esquina antes do meu apartamento, e se àquela altura eu achava que o dia estava sendo um verdadeiro desastre, podia esperar pois ele acabaria ficando muito, muito pior mesmo.

Não me dei conta de que estava próxima demais do último semáforo, e muito menos percebi que o sinal acabara de fechar pra mim. Tudo o que eu pude perceber foi o chacoalhar violento e o barulho alto da batida no lado direto do meu carro. Senti todo meu corpo se retesar, paralisada enquanto tomei coragem para abrir os olhos que nem notara que os tinha fechado com tanta força.

Uma pressão estranha na cabeça fazia zunir meus ouvidos, mas aos poucos fui retomando os sentidos e comecei a ouvir as primeiras vozes do lado de fora. Ergui os olhos, piscando algumas vezes um pouco confusa, notando para minha total falta de sorte o magnífico, e absurdamente caro, Audi novo! O qual acertei em cheio e amassei toda a parte da frente da lataria.

― Mas que merda!

Soltei o cinto, observando pela primeira vez que havia um homem ao lado da minha porta batendo repetidas vezes no vidro tentando chamar minha atenção. Ele parecia furioso, e com razão, pensei enquanto finalmente consegui abrir minha porta e equilibrar-me no asfalto quente, lembrando tarde demais de que ainda estava descalça.

― Moça, você está bem? ― a tom hostil não combinava com a pergunta preocupada.

À medida que olhava ao redor, pude ver alguns espectadores curiosos me encarando enquanto conversavam e faziam perguntas sobre o ocorrido ao dono do Audi ― do Audi caro e novo que eu havia arruinado.

Ele ignorava a pequena multidão de curiosos enquanto ainda perguntava se eu estava bem, e depois da segunda ou terceira vez, eu consegui apenas assentir sem muita certeza de como eu realmente estava.

Percebi para minha desgraça que havia batido a porta na perna do homem que me olhava com uma fúria incontida, enquanto eu apenas me encolhia, mortificada de vergonha.

― O que te deu na cabeça pra fazer isso? O sinal estava fechado pra você! ― ele agora gritava enquanto era incentivado pela multidão que concordava com ele.

― Eu... bem...

― Podia ter se matado, sabia? Dirigindo feito uma louca do jeito que estava! ― Ele olhava para mim, os olhos queimando de raiva.

E foi naquele instante, tão rápido e de um jeito tão confuso, que eu o reconheci.

Meu coração deu um salto me deixando de repente sem reação quando de fato encarei seu rosto. O maxilar estava mais marcado e uma barba meticulosamente aparada agora desenhava o contorno do seu queixo, seus lábios continuavam os mesmos assim como os olhos.

Comecei a tremer, sentindo minhas pernas fraquejarem e minha boca tornar-se seca à medida que a realidade do que estava bem diante dos meus olhos me atropelava. Era ele. Parado bem na minha frente. Eu o reconheceria em um milhão de anos, e pelo lampejo em seus olhos naquele exato segundo, soube que ele também me reconheceu.

― Emily? ― foi ele quem quebrou o silêncio, parecendo tão afoito e desestabilizado quanto eu mesma estava.

Ele levou uma das mãos até o cabelo e deslizou os dedos entre as mechas douradas e curtas, um hábito antigo que eu costumava notar, e ele ainda fazia aquilo, do mesmo jeito, deixando-me ainda mais desestruturada. Ouvir sua voz era desconcertante, mas ouvir sua voz dizendo o meu nome, era demais pra mim.

Lutava contra as lágrimas e com a vontade que eu tinha de socá-lo bem no meio do nariz. Me concentrei apenas em respirar por alguns instantes, e me forcei a respondê-lo.

― E-eu vou pagar pelo conserto do seu carro, eu... ― peguei minha bolsa revirada no banco e comecei a vasculhar minhas coisas a procura do cartão com o número do meu seguro.

Eu vi quando ele ergueu as sobrancelhas em surpresa, se aproximando mais de onde eu estava.

― Mas o que? Não, não precisa... Você... ― ele colocou uma das mãos em meu braço, me fazendo parar no mesmo segundo.

Seu toque parecia tão igual, as mesmas mãos suaves e quentes que costumavam me derreter. Eu olhei para sua mão ainda segurando um dos meus braços e me desvencilhei de seu toque com raiva.

― ... Você não está me reconhecendo? ― ele me olhou, abaixando a cabeça para tentar perscrutar meus olhos também.

Havia sinceridade em sua pergunta. Ele estava intrigado, e parecia realmente furioso ao concluir que eu não o reconheceria, podia ver isso em seu olhar nos breves instantes em que eu erguia a cabeça em sua direção.

― Aqui está o telefone do meu seguro, eles vão consertar tudo e...

― Emily! ― Ele me segurou pelo pulso não muito delicadamente, virando-me em sua direção ― Pare e olhe para mim! ― ergueu a voz, soando ríspido, impaciente e talvez desapontado com minha reação.

― Tire as mãos de mim! ― Novamente movida pelo desespero de sair dali imediatamente, eu o empurrei bruscamente me afastando ― Eu tenho que sair daqui, agora!

Dito isso, me enfiei dentro do carro sem sequer ver os danos causados no meu próprio veículo. Eu estava prestes a chorar, odiosamente as lágrimas estavam muito perto de despencar e eu não podia aceitar que ele me visse desmoronar desse jeito. Prendendo um soluço no fundo da minha garganta bati a porta do carro com força e o deixei para trás enquanto acelerava para longe.

Eu tinha de fugir dali, fugir dele, fugir da dor que aquele homem me causava. Dentro do carro sozinha, foi impossível não me entregar ao choro. Eu queria gritar, gritar muito. Gritar com ele!

Por um momento a cortina de lágrimas me roubou a clareza, quase havia me esquecido de que estava indo para a casa trocar a roupa manchada. Então me obriguei a manter calma, mesmo que parecesse impossível, e continuei dirigindo movida pelo choque, pela fúria e confusão em que estavam meus pensamentos.

Quando entrei em casa de modo automático peguei a primeira blusa que encontrei na gaveta, e fui rapidamente ao banheiro jogar água fria em meu rosto, uma tentativa medíocre de melhorar minha aparência desastrosa. Teria mais alguns minutos para me recompor no caminho de volta, então me apressei e juntei forças que nem sabia que tinha para retornar.

Durante todo o trajeto mantive uma batalha árdua para não voltar a chorar. Patético! Meus sentimentos de dor e tristeza cedendo espaço à ira cega que nutria por aquele homem. Ele já havia arruinado minha vida uma vez, eu não podia permitir que destruísse o que restou dela.

Respirei fundo, e senti certo alívio ao deduzir que as chances de vê-lo novamente seriam nulas. Pelo menos neste mesmo dia. Ainda tinha que pensar em como entraria em contato com ele para tratar do conserto do carro, mas quando este dia chegasse eu não seria pega desprevenida outra vez.

E foi com essa postura determinada que entrei correndo na Editora, chegando à sala de reuniões bem na hora em que se iniciaria a próxima conferência.

Mirian estava sentada no fundo da sala, olhando para mim com um misto de espanto e alívio ao notar que apesar do infortúnio eu havia conseguido não me atrasar tanto.

― Ainda bem que você chegou, vem senta ao meu lado, o Daniel reservou um lugar pra gente aqui. ― apontou na cadeira vazia ao seu lado direito e na outra ponta, Daniel sorria ao me comprimentar.

Eu assenti de modo ligeiro, enquanto seu sorriso aumentava. Daniel era um dos funcionários mais respeitados dali, e foi de grande ajuda quando eu ainda estava em fase de adaptação e treinamento na Editora, e eu era grata por isso, apesar das gentilezas dele sempre me parecerem um tanto exageradas demais.

― Você está muito quieta... ― Miriam olhou para mim, me encarando.

Dei de ombros torcendo para que a maldita reunião começasse logo para impedi-la de fazer mais deduções.

― Você andou chorando? ― ela falou baixinho para que apenas eu escutasse.

― Está tudo bem. ― afirmei sem muita convicção.

Em qualquer outra ocasião ela teria me arrancado a verdade com muitas perguntas intrusivas, mas no instante em que ia abrir a boca para fazê-las, Marlene entrou na sala com sua postura imponente e logo o silêncio reinou enquanto ela anunciava a presença do tal presidente, mais conhecido como Sr. Grosseirão e também atrasado, visto que todos já estavam esperando a alguns minutos, como Miriam havia me contado.

Muitos boatos eram sussurrados a respeito do novo presidente, já que sua fama o precedia. Arrogante e prepotente foram alguns dos adjetivos mais mencionados naquela semana, mas para ser franca, eu não me importava com nada daquilo. Não mudaria em nada meu trabalho ou minha postura ali dentro.

E eu estava certa de que definitivamente nada mudaria e de que minha vida pacata e tranquila continuaria sendo a mesma, até erguer os olhos e ver de quem era a mão que Marlene apertava com tanta empolgação.

Meu coração acelerou de uma forma que não fazia mais há tanto tempo. De uma forma que só reagia quando ele o provocava. Foi impossível não soltar um suspiro, e revirar os olhos quando Rob me encontrou naquela sala. Mais uma vez seus olhos nos meus como se tivessem imãs nos conectando, mais uma vez eu me perdendo em seu olhar e pulando em um precipício que só ele me fazia saltar.

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