
Entre rosas e Ceo's - vol 1
Capítulo 2
O Sol emergia, quando Melissa despertou e encontrou Noah observando-a sentado em um sofá de frente para a cama, imaginou que ele se quer tivesse tirado um cochilo. Talvez a ideia de dormir no mesmo quarto que ela o atormentasse. Quem ele pensava que era? Ela deveria se sentir enojada por respirar o mesmo ar que ele. Ele a comprou só pra se divertir. Só para debochar de seu padrasto.
— Você mora aqui? Perguntou encarando-o.
— Você acorda sempre tão arisca e rebelde? Debochou Noah.
— Por quê me comprou, pra se divertir me torturando? Minha família já fazia isso com frequência. Melissa parecia indignada — Família! A quem estou querendo enganar, eles nunca se importaram. Sorriu virando o rosto e escondendo as lágrimas. Não daria a Noah o prazer de vê-la ainda mais humilhada.
— Não moro aqui, pra ser sincero não sabia o que fazer e o Hotel Esplendor pareceu a ideia mais viável para alguém carregando uma maluca desmaiada. Ria Noah pensando na situação. — Liguei para o Dr. Fonseca porque confio em sua discrição e sabia que isso não viraria um escândalo de primeira página nos sites e revistas de fofoca. Ele concordou em atendê-la aqui e o resto você pode completar. E te aceitar como pagamento, foi uma ideia de momento. Pensei que você seria mais divertida... Mas...
— O que vem agora? Vai me prender numa coleira como um cachorrinho? Refutou Mellisa com desdém.
O telefone de Noah vibrou sobre a mesa e ele se levantou do sofá que estava de frente para a cama onde Melissa o encarava agora sentada sobre a cama e mal humorada.
— Cancele tudo Morgana, avise que estou indisposto e não irei a empresa hoje. E desligando o celular voltou a olhá-la.
— Mentir é um hábito para você “Senhor eu mando em todo mundo”?
— Já experimentou carregar um saco de batatas desacordado? Minhas costas doem, precisaria de um guindaste e 10 homens pra te levantar. Noah divertia-se com Melissa.
— Poderia ter mandado seu motorista me carregar. Gritou ela com raiva.
— E como eu poderia jogar na sua cara que fui eu que te carreguei? Ria Noah.
— Quero voltar pra casa. Posso trabalhar para você até quitar a dívida do meu padrasto. Eu já acabei o ensino médio. Propôs Melissa.
— Imagino que nem em um milhão de anos pagaria o que ele me deve. Ele perdia todas as noites. Só lhe restava as filhas para apostar... Respondeu Noah em tom sério. Se dirigindo à porta da suíte e trancando-a.
— O que está fazendo? Abra a porta. Gritou melissa assustada levantando e correndo até a porta.
— Não se canse gritando, todos nesse Hotel obedecem às minhas ordens, sou sócio majoritário. Noah calmamente sorriu e tomou uma dose de whisky, que descansava com cubos de gelo sobre uma mesa de canto. — Se quiser a chave pegue-a aqui! E com divertimento colocou a chave dentro de sua cueca box.
Melissa enfurecida investia contra ele em busca da chave, como não conseguia deu-lhe um tapa, então ele segurou seus pulsos firmemente e a jogou sobre a cama. Ela o encarava com medo engasgando em sua garganta, examinando Noah, que parecia furioso.
— Nunca mais repita isso. Disse em tom baixo ficando de costas para Melissa. — Se eu disser para você ficar de joelhos, você fica; se eu mandar você beijar meus pés, você fará, entendeu? Sua vida está nas minhas mãos, não vai querer me ver de mal humor.
Melissa se encolhia à medida que Noah a olhava. Com seu corpo musculoso e ágil, aqueles olhos gélidos, a voz compassada e emoções oscilantes a fizeram questionar sobre o que ele seria capaz de fazer com ela se ela o irritasse novamente. Seus pulsos ainda doíam e estavam vermelhos onde Noah havia apertado. Lágrimas brotaram em seus olhos. Por fim assentiu: — Sim, Senhor.
Noah voltou a encará-la e então notou uma cicatriz enorme e profunda em seu rosto que descia da orelha até o queixo. O estresse das últimas horas impediu que ele notasse uma marca tão visível. Ele sentou-se ao lado dela na cama e ela se distanciou.
— Como conseguiu essa cicatriz? Questionou Noah curioso.
Melissa continuou em silêncio agora de cabeça baixa, de modo que Noah mal conseguia ver seu rosto. Apenas podia ver as lágrimas que molhavam o colchão da cama, as pequenas mãos trêmulas e o semblante pálido de Melissa indicavam que ele tinha entrado numa zona perigosa, mas ele era do tipo que estava preparado para qualquer ataque de raiva da moça.
— Responda Melissa.
— Foi Mariah. Minha irmã. Eu tinha 9 anos e ela tinha 8, estávamos brincando na escada da nossa casa no interior. Mariah queria o meu espelho e eu me negava a dar meu único brinquedo a ela. Ela sempre tinha tudo. Mariah ficou furiosa e me empurrou escada abaixo eu cai e bati a cabeça no degrau, e o espelho se partiu em vários pedaços se soltando da moldura. Mariah viu o sangue escorrendo do meu rosto, ela pegou um dos cacos de espelho e disse que eu nunca seria tão bonita quanto ela, então ela desfigurou meu rosto. Não fui ao hospital, mamãe temia que fizessem perguntas, alguns cortes não foram tão profundos e curaram com o tempo, mas esse... não podíamos pagar por uma cirurgia plástica e com o tempo mamãe e Mariah, pareciam ter esquecido e até se divertiam me culpando por não ter dado o brinquedo e fazendo piadas sobre a cicatriz.
— Ainda dói? Questionou Noah tocando levemente a cicatriz.
— Não fisicamente. Não, agora já não dói tanto. Antes sim. Ninguém queria fazer amizade com uma criança marcada como eu. Todos sussurravam baixinho quando eu passava. Na escola zombavam de mim e com o tempo deixei de ser Melissa e passei a ser Frankeinstein. Sussurrou Melissa de cabeça baixa e as lágrimas ainda fluíam. — Quando eu chegava em casa chorando mamãe me castigava e me chamava de monstrinho.
— Noah levantou o rosto de Melissa, ele agora exibia uma expressão visível de tristeza.
— Não pense que eu quero sua pena, essa é a expressão que mais me maltrata, as pessoas na rua sempre que me viam comentavam que eu seria tão bonita sem essa cicatriz, eu jurei que nunca mais deixaria que sentissem pena de mim. Nunca mais passaria os dias trancada no banheiro chorando e me atormentando.
Melissa se desvencilhou da mão de Noah que repousava em seu rosto e seguiu para o banheiro. Contemplou sua imagem destruída refletida no espelho. Fazia tanto tempo que ela evitava espelhos, que se quer percebera o quanto o tempo havia passado. Seu corpo havia mudado. E ela percebeu que não se parecia em nada com o corpo franzino de Mariah, ela tinha curvas e até mesmo o pijama as enfatizava. Ela se quer percebera antes por que sua mãe fazia questão de comprar roupas velhas em um bazar, geralmente eram feias e folgadas. Abriu a torneira da pia e deixou que o barulho de água abafasse seus soluços. Ela jamais se perdoaria por ter contado a Noah sobre a cicatriz. Ele usaria isso para torturá-la como todos faziam.
— Hermes, providencie roupas e produtos de higiene para Melissa. Ordenou Noah ao telefone desviando o olhar de Melissa que saía do banheiro como uma flor que acabava de murchar.
— Não quero nada seu. Sussurrou Melissa temendo contrariá-lo.
— Serei sincero mais uma vez, não pense que está em posição de opinar, não espere que eu desenvolva sentimento algum, não crie expectativas, e o único motivo pelo qual eu aceitei você foi para provocar meu avô, me livrar de Helen Rivas e abafar meus últimos escândalos na mídia, será uma jogada única para abater 3 coelhos de uma vez. Enquanto estiver ao meu lado não lhe faltará nada, entretanto sua vida não será fácil. Nos casaremos em 1 hora no cartório da rua Rivera, nós não teremos nenhum tipo de relação, eu estarei com quem quiser e quando quiser, não se iluda imaginando ter direitos sobre mim.
— Por que eu Noah?
Batidas à porta, distraíram Noah. — Entre Hermes. Ordenou Noah com uma entonação agressiva.
—Aqui está Senhor! Com sua licença vou aguardar no carro. Falou Hermes colocando algumas caixas sobre a cama e como se estivesse pisando em brasas saiu às pressas, temendo um ataque de fúria do chefe.
— A resposta é simples, porque você é o oposto de Helen em todos os aspectos, e meu avô odiaria tudo em você. Eu tornarei seus dias perturbadores, e espero que me odeie, por que assim será mais fácil. Respondeu ao questionamento de Melissa aproximando-se dela.
— Eu nunca pensei que fosse casar e jamais nessas circunstâncias. Eu não posso aceitar. Você é repulsivo Noah. Gritou Melissa em tom agressivo. Respirar o mesmo ar que Noah era exaustivo, nem em sonhos ela tinha idealizado estar em uma conversa com alguém como ele. E agora ela o veria com frequência, seria a esposa dele e isso estava provocando certo mal-estar. Poderia argumentar que não tinha idade para casar, mas seria uma mentira, pois ela havia completado 18 anos 3 dias antes. Como escaparia dessa situação? — E se eu me recusar? Questionou com rispidez.
Noah chegou ainda mais perto, fazendo Melissa gelar. Sem expressão alguma ele começou a tocar os botões do pijama rosa que melissa trajava e puxou com agressividade exibindo seus seios volumosos, continuou rasgando enquanto Melissa pedia que ele parasse. Jogou-a sobre a cama e começou a abrir as caixas que Hermes havia deixado lá.
— Pare, por favor! Gritava Melissa em meio as lágrimas. Nua e constrangida. Então esses seriam os seus dias a partir de agora? Se questionava internamente temendo o que Noah faria com ela. Ela sabia que ele já a tinha visto nua, porque tinha trocado suas roupas enquanto estava desmaiada, mas agora era ainda pior.
— Vai se vestir ou prefere que eu faça? Perguntou Noah jogando as roupas sobre ela. — Estamos sem tempo Melissa.
Melissa assentiu à contragosto. — Eu faço. Mas eu não estou com meus documentos, acho que foram nas coisas da minha mãe e ela está no exterior.
— Estão comigo. Seu padrasto me entregou junto com o endereço. Acho que queriam se certificar de que você não iria atrás deles. Argumentou Noah, se suavizando.
— Eles sabem do casamento?
— Não mesmo. Riu Noah após responder ao questionamento de Melissa.
Melissa entrou na lingerie clara, depois no vestido branco às pressas e colocou um par de sapatos baixos ao invés dos de salto alto que estava numa das caixas, o vestido não era extravagante, era discreto, se limitava nos joelhos e ajustava-se as suas curvas recém descobertas, não haviam detalhes, mas destacava seus seios fartos. Quanto ao cabelo ela não podia fazer muito. Estava crescendo a alguns meses, entretanto não passavam do pescoço, sua mãe nunca permitia que crescessem para não ficarem mais bonitos que os de Mariah. Ela apenas fez um coque e decidiu não perder tempo com maquiagem, ela nunca usou nem mesmo um batom, sentia vergonha só por estar em um vestido. Hermes tinha trazido tantas caixas que ela se quer conseguiu abrir todas.
O brilho dourado de uma sacola chamou sua atenção, ela abriu e encontrou um perfume. Depois de sentir a fragrância decidiu usá-lo e se deliciar com o cheiro doce. Isso afugentava seus temores sobre a ideia de Noah querer consumar o casamento. Ela nunca beijou ninguém, e agora estava noiva de alguém que nem conhecia, um noivado e casamento instantâneos. A mãe dela preparou por meses Mariah, e ela teria que lidar sozinha com todo esse caos, sendo que ela nunca pediu por isso. Ela cofiaria nas palavras de Noah sobre não haver nada entre eles? Isso seria o bastante? Passar a vida como Noah a aterrorizava.
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