
Entre rosas e Ceo's - vol 1
Capítulo 3
Antes de saírem do quarto Noah subiu a camisa revelando um revólver preso à calça social e sussurrou: — Não me irrite hoje. Você dirá sim e será a esposa mais doce do universo. Acha que pode ser convincente?
— Si.. si.. quero dizer, sim senhor... Afirmou a moça tremendo e gelada, fitando o brilho cintilante da arma que ele agora girava na mão dele. Era incrível como ele ficava sedutor e ao mesmo tempo diabólico. Seus olhos azuis gelados, eram tão penetrantes que pareciam perfurar qualquer coisa. Melissa se sentia tão simples perto dele, seus olhos eram verdes, mas quem repararia em seus olhos com uma cicatriz tão grande no rosto? Seu cabelo negro que na infância era invejável, agora era curto e sem vida. Ela respirou fundo enquanto observava a paisagem a sua volta, São Paulo com seus prédios imponentes, o centro da cidade, ela nunca esteve ali, sua mãe sempre evitava que ela saísse de casa. O bairro que Melissa morava era quieto, as vezes ocorriam assaltos, porém não eram frequentes. O centro da cidade era caótico e a fachada do cartório já podia ser avistada. Seu coração saltava à ponto de rasgar o peito e quando pensava em olhar pra Noah seus olhos instintivamente se fixavam nos seus pés.
No carro Noah não disse uma única palavra e Melissa não estava disposta a irritá-lo. Não entendia de calibre de armas de fogo, mas se ele tinha uma, saberia usar. Ela não serviria de alvo. O plano seria obedecê-lo e fugir quando surgisse a chance. O cartório estava vazio quando eles chegaram e as testemunhas foram os seguranças de Noah. Melissa mal conseguia se concentrar nas palavras da juíza e evitou não rir ao ouvir o discurso de “o que Deus uniu ninguém separe e blá blá blá. Mas ao final disse sim. Ela e Noah colocaram as alianças e Noah a beijou no rosto.
A juíza parecia tão cansada quanto eles, que sequer notou o clima nada feliz da noiva. Na certa deve ter imaginado que o casamento era pra esconder uma gravidez indesejada ou já havia ouvido tanto sim em um dia, que pouco importava o sorriso da noiva em questão.
A ideia de retorno com seu esposo fazia a bile subir até sua garganta, o medo crescia e fazia ondas em seu sangue, à medida que o carro parava no sinal, ela sufocava.
Noah estava quieto, Melissa não pensou duas vezes, assim que o carro parou, ela abriu a porta e correu para o outro lado da avenida, na direção de uma pracinha. Ela correu, tanto que por um momento quase caiu. Conseguiu entrar em um bosque de árvores e sentou no chão. E então se permitiu desabar. Vomitou tanto que se sentia fraca. Sua mente não processava nada, aquela situação tinha a levado ao limite. Não conseguia nem mesmo fugir, suas pernas a traíram, seu coração doía tanto que por um segundo desejou um infarto fuminante. — Você é ridícula Melissa. Repetia para si mesma. Era a sua chance de ir embora, e daí se precisasse dormir na rua e pedir esmolas pra comer? — Vamos Melissa, corra, fuja! Sem sucesso ela tentava comandar suas pernas, se Noah a pegasse seria castigada e morrer não estava nos seus planos mesmo tendo uma vida tão medíocre.
— Você agora é Melissa Avelar, devia se sentir orgulhosa, muitas queriam estar no seu lugar. Ser a esposa de um dos homens mais ricos do mundo. Helen vai querer matar você, ela tem se tornado uma pedra no meu caminho, me perseguindo em todos os eventos, uma única noite de sexo fez ela pensar que seria a senhora Avelar. Disse Noah com desdém se inclinando e tocando levemente em seu ombro.
— Qual a vantagem disso, eu deveria marchar sorrindo ao inferno? Sussurrou e vomitou novamente. — Me deixa com um dos seus seguranças ou sozinha. Não tenho para onde fugir, só não me faça ter que olhar pra você, ouvir, não suporto suas mãos em mim. Segundos atrás me senti patética, só agora percebo que você é ainda mais. O grande Noah Avelar, pra mim não passa de um idiota sujo, arrogante e inescrupuloso que brinca com a vida das pessoas para se sentir superior. Sussurrou Melissa admirada de sua própria coragem, ela se quer havia percebido Noah chegar e logo após vinham os dois seguranças que haviam testemunhado o seu fracassado casamento.
Noah ignorou um casal de idosos que passava com roupas de caminhada e uma garrafinha de água. Levantou Melissa que protestava aos gritos e a carregou nos braços até o carro que agora esperava no acostamento com Hermes buzinando freneticamente.
— Noah seu cretino! Repetia Melissa enquanto estapeava as costas de Noah que parecia estar levando uma pena sobre os ombros.
— Você não imagina o que te aguarda. E jogando-a no carro, sem nenhum esforço ou expressão no rosto, fechou a porta e ordenou que Hermes seguisse para o hotel.
O trajeto parecia que duraria uma eternidade, Melissa agora olhava para Noah, que encarava o relógio. E quando não estava atento ao relógio, olhava as notificações no celular. Parecia tão cansado quanto ela, ainda assim sua postura aristocrática era invejável. Os bancos de couro pareciam realçar seu terno preto, e a gravata vermelha de seda combinava com a expressão de raiva cada vez que olhava para Melissa, que agora havia quase desistido de lutar.
O dia foi estressante e passou rapidamente enquanto ela enchia Noah de perguntas, se quer almoçaram. O casamento ocorreu as 16 horas. E já eram 18 horas quanto retornaram ao hotel Esplendor.
Enquanto subiam o elevador com destino à cobertura, Noah parecia estar distraído, seus seguranças e motorista se divertiam com os últimos acontecimentos, algo que podia ser notado pela forma que se entreolhavam. Ao retornar ao apartamento o silêncio foi quebrado, Noah abriu porta e ordenou que deixassem-no sozinho com Melissa. Tirando o terno, atirou sobre o sofá da sala no andar de baixo. Desabotoou o relógio e lançou sobre o balcão do mini bar juntamente com o relógio e o revólver que puxou da calça. Pegou um copo, colocou whisky, gelo e virou de uma vez. A irritação era visível, ninguém jamais o contrariou como Melissa fez nas últimas horas.
Melissa esperava seu castigo como um coelho encurralado por um cão de caça. Noah veio até ela e com violência a puxou pela cintura, atirou-a no chão do quarto, abriu a porta do armário de roupas, e verificou o espaço, Melissa cabia ali perfeitamente. Quando ela levantava-se com os olhos marejados, seu esposo a jogou no armário e trancou. Por horas a moça bateu socou a porta de madeira pesada do armário e se quer se movia, fraca, com fome e sem forças ela adormeceu, a noite passava e ela sequer tinha noção das horas e tudo que havia comido foi na noite anterior. Ela despertou com o calor dentro do armário escuro, parecia estar sufocando, o ar-condicionado não entrava no seu confinamento, sua barriga roncava, ela se permitiu dormir novamente e não ouvia nem sussurros de Noah.
— O que quer? Estou ocupado agora. Noah falava com rispidez com o avô ao telefone. Desde que chegara do seu trágico casamento entrou numa sucessão de vídeo conferências para compensar as reuniões canceladas.
— Estava me perguntando em que tipo de escândalo você estaria metido agora. Prostitutas; drogas ilícitas; apostas? Inqueriu o avô.
— Nenhuma das hipóteses. Agora me deixe beber em paz. E Sem mais motivos para continuar o diálogo Noah desligou. E Voltou a beber outro copo de Whisky. Estava quase adormecendo quando ouviu gritos, eram os gritos de Melissa, mas havia algo diferente. Ele deixou o copo sobre a mesinha de revistas e seguiu para o quarto. Havia esquecido que a trancara no armário.
Quando abriu a porta. A moça estava encolhida no canto, e chorava desesperadamente, seu cabelo estava suado e colado na testa, ele tentou tirá-la do armário mas ela se debatia, febril, delirava e repetia coisas que fizeram Noah sentir que exagerou no castigo.
Ele esqueceu que não haviam tido refeição alguma o dia inteiro, e que na noite anterior o médico havia dito que ela estava anêmica e desidratada. Sem hesitar tomou o corpo da garota nos braços e colocou-a sobre a cama. Havia hematomas em suas mãos provavelmente ela teria dado murros para tenta sair do armário.
— Mamãe, eu tenho medo, por favor me tire do freezer, está frio e escuro. Mamãe eu prometo que não trarei nenhuma amiga aqui, por favor mamãe. Estou congelando! Os gritos aumentavam e chegavam a ser insuportáveis. — Mamãe por que você está me chutando? Mamãe você me odeia? Mamãe o meu nariz está sangrando... Repetia Melissa em seus delírios e apertava os braços ao redor de Noah que não sabia o que fazer. Ele sentou na cama, envolveu-a nos braços abraçou forte.
— Tudo bem Melissa! Você está segura. Noah sussurrou em seu ouvido diversas vezes e os gritos pareciam se dissipar.
Pela primeira vez em anos ele sentiu compaixão, esse sentimento o deixava vulnerável e ele já não se sentia tão humano desde que foi morar com seu avô aos 7 anos, após a morte de sua mãe. Raissa era uma professora de música clássica e seu avô nunca aceitou que o filho Felipe Avelar abandonasse tudo para casar com ela, por 7 anos se esconderam de seu avô Fernando Avelar, até que uma noite ele encontrou o filho trabalhando em uma lanchonete no subúrbio. Desesperado para ir até a família o pai de Noah fugia dos seguranças no carro da lanchonete quanto capotou e veio à óbito. Sua mãe desesperada foi até o rio próximo da sua casa e se afogou, Noah foi levado até o avô pelos seguranças e desde então preparado para assumir o lugar de seu pai. Agora sua maior vingança era repetir os passos de seu pai, casando com uma moça pobre e estava jogando tão sujo que se quer considerou os sentimentos da garota.
— Eu espero que um dia você me perdoe, Melissa por te arrastar para toda essa bagunça. Está certa em tudo, serei o seu maior inferno. Você é tão bonita mesmo com essa cicatriz, mas não teve muita sorte na vida. Sussurrou tirando a franja do rosto dela e colocando atrás da orelha. Acomodou a cabeça dela no travesseiro e ligou para o médico, que parecia levemente irritado por ter sido incomodado fora de horário novamente.
Após o Dr. Fonseca administrar o medicamento antitérmico injetável, Noah retornou a sala. Não queria discutir novamente com ela e seus olhos pesavam. Ordenou que trouxessem uma refeição ao quarto da garota, se jogou no sofá, sentiu as chaves incomodando no bolso, tirou o molho de chaves e jogou sobre a mesa de centro à frente do sofá.
Melissa acordou e olhou para o relógio do criado mudo marcando 3 horas da manhã, observando à sua volta, encontrou comida e água no quarto. Ela juntou alguns produtos de higiene e decidiu tomar banho, seu cabelo emplastado exalava o odor de suor e sua cabeça doía. Ela olhou para uma receita médica sobre a cama, mas logo ignorou e seguiu para o banheiro. A sensação de limpeza era maravilhosa e relaxante. Quando saiu do banho vestiu uma camisola preta de seda que estava sobre a cama e comeu a refeição deixada para ela. Depois de escovar os dentes desceu as escadas da suíte a procura de Noah para saber como ela saiu do armário e dizer pra ele que fugiria na primeira oportunidade. Na verdade, ela estava inquieta e precisava de respostas.
Ele descansava no sofá com uma calça moletom e camisa branca. Daquele jeito não parecia nada com o mar tempestuoso que era. Por minutos ela observou sua respiração, se aproximou, e sentiu seu perfume que lembrava madeira e chuva. Então veio a imagem dele beijando seu rosto no cartório ela se aproximou dele, olhá-lo assim tão sereno era algo que despertava sua curiosidade.
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