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Capa do romance Entre o amor e o sangue - Na cama com o inimigo

Entre o amor e o sangue - Na cama com o inimigo

Alessandro Montenegro Leone e Gabriella De Lucca são forçados a um casamento de conveniência para selar a paz entre dois clãs mafiosos influentes. Em meio a um cenário de perigo e segredos obscuros, uma atração intensa surge, desafiando as rivalidades históricas de suas famílias. Encurralados em um jogo de traições e conspirações, eles enfrentam um dilema cruel: priorizar a paixão que os conecta ou a lealdade ao sangue que dita suas vidas violentas.
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Capítulo 2

CAPÍTULO 1

"Em meio à tormenta entre o amor e o dever, questiono-me se poderei reconciliar essas duas partes de mim."

Julho 2020

Gabrielle De Lucca

O espaço era deslumbrantemente vasto, muito mais do que eu jamais poderia ter imaginado. Havia meses que eu ansiava por explorar aquela boate, mas meu pai jamais permitiria que eu me embrenhasse num antro como aquele. Especialmente considerando as circunstâncias que me cercavam atualmente. Olhei para minha mão trêmula e respirei fundo.

— Certamente você não está pensando em fugir agora, está? — Alice me lançou um sorriso enigmático, passando-me um coquetel delicado.

Não, eu não tinha planos de recuar. Desafiar a vontade de meu pai e me arriscar desta forma não seria em vão. Peguei a bebida da mão dela e bebi quase todo o conteúdo do copo, saboreando o ardor da liberdade temporária.

— Vim para me perder na noite e é exatamente o que farei. Retornar agora é inimaginável. — Com determinação, puxei minha amiga para a pista de dança, que fervilhava de energia.

Nesse instante, permiti que a música me arrebatasse. Esqueci minha identidade, minha linhagem, e mais importante, o destino sombrio que me aguardava em poucos dias. Porém, à medida que me perdia na melodia e observava os rostos anônimos ao meu redor, uma dor penetrante alastrou-se em meu peito.

— Você tem um ritmo impressionante. — Um sussurro inesperado fez-se ouvir em meu ouvido, me arrancando da minha introspecção.

Virei-me para encontrar o dono da voz profunda que me chamara. Um homem alto, loiro e de sorriso encantadoramente genuíno, que demorou um instante a mais avaliando meu decote.

— Obrigada. — Retribuí o sorriso, arriscando um flerte sutil.

Não tinha certeza se estava sendo convincente. Na verdade, eu me destacava das outras mulheres da minha idade. A maioria já tinha vivido aventuras sensuais que, aos vinte anos, são consideradas quase que um rito de passagem. Eu era uma anomalia, protegida e preservada para um destino específico: ser a esposa de um mafioso.

— Que tal nos conhecermos melhor na área VIP? Estou com alguns amigos lá...

Olhei ao redor e vi Alice a poucos metros, dançando com um homem que segurava firmemente sua cintura. Ela me deu um aceno de aprovação. Estava prestes a ceder ao convite do desconhecido, quando uma mão firme segurou meu braço.

— Você não tem o direito de estar aqui! — A voz de Alessandro soou como um trovão, fazendo o tempo parar ao meu redor.

Ele era imponente, o tipo de homem que intimidava apenas com sua presença. Não só por sua estatura e musculatura, mas também por sua posição como "Capo" da família Montenegro Leone. Ele era a definição do perigo, mas eu não me deixaria ser dominada por ele.

— Você não manda em mim. Tenho exatamente dois dias de liberdade e pretendo aproveitá-los. — Retruquei.

— Você já é minha, Gabrielle.

A raiva me consumiu. Fui dominada pelo impulso de esbofeteá-lo, mas ele segurou meu pulso antes que minha mão atingisse seu rosto. Alessandro se inclinou sobre mim, o calor de sua respiração misturando-se ao meu ar.

— Você já extrapolou os limites da audácia esta noite, Gabrielle.

— Se você teve a coragem de me seguir, saiba que não baixarei minha cabeça tão facilmente, por mais prudente que isso pudesse ser. — Disparei de volta, com olhos faiscantes.

Sem nenhum esforço, ele me ergueu e me colocou sobre seu ombro, saindo da boate como se eu fosse um troféu de caça. Ninguém com amor a vida tentaria impedi-lo, todos sabiam quem ele era.

Chegando ao seu carro esportivo estacionado na frente da boate, ele me colocou cuidadosamente no banco do passageiro e disparou:

— Seja boazinha e fique quieta.

Vários homens bem-vestidos cercavam o carro, armados sob os ternos finos e caros. Eu podia reconhecer essa característica de longe.

Rapidamente, peguei meu celular da bolsa e enviei uma mensagem cifrada para minha amiga. Quando ergui o olhar, Alessandro conversava com os homens à volta do carro.

Uma ruiva com um minivestido e maquiagem extravagante aproximou-se dele e o abraçou. Ele sussurrou algo em seu ouvido, e ela me olhou com indiferença.

Quando ele se afastou da mulher e se encaminhou para o carro, apressei-me em afivelar o cinto de segurança, tentando mascarar meu nervosismo.

— Quem te deu permissão para sair de casa? — ele perguntou, visivelmente irritado ao assumir o volante.

— Já sou adulta há bastante tempo.

Ele riu sarcástico enquanto acelerava para entrar na estrada. Alessandro era um Montenegro Leone, um assassino nato, cruel e impiedoso.

Mas era também devastadoramente atraente. A maioria dos homens de sua família possuía um charme fatal, mas ele era, indiscutivelmente, o mais belo. Ainda assim, eu o detestava.

Eu era uma mulher forjada na máfia, criada para aceitar um casamento arranjado. Ele poderia desistir, mas, ao contrário, parecia mais do que disposto a cumprir o pacto entre nossas famílias.

— Apenas aceite, Gabrielle. Será mais fácil para você.

— Vou ter que me casar com você, vou ter que tolerar sua vida promíscua...

Seu olhar se desviou da estrada por um segundo, fixando-se em mim com uma expressão de surpresa.

— Estudou a lição de casa, não é, querida?

— Precisamos conhecer nossos inimigos, especialmente se esse inimigo é um Montenegro Leone. Fui treinada para isso desde a infância.

O carro freou bruscamente a poucos metros da minha casa. Meu corpo estava tenso, mas me esforcei para não revelar nenhum sinal de medo. Alessandro desafivelou o cinto e inclinou-se sobre mim.

— Acredite... — ele disse, os dedos tocando levemente meus lábios. — ... também me repugna a ideia de me casar com uma De Lucca. Mas temos uma missão para cumprir, um pacto de sangue a honrar entre nossas famílias. Portanto...

Ele se aproximou, e por um momento eu senti o calor de seus lábios e a tensão em seu corpo poderoso.

— Desista disso. Não quero ser sua — implorei, buscando seu olhar gélido.

— Entenda, você já é minha. E a partir de agora, serei implacável. Você chegará virgem à nossa lua de mel. Respeite isso; o único sangue a ser derramado será o seu. A escolha de como acontecera é sua: ser possuída por mim com todo o prazer ou ser morta por um Montenegro.

Ele recuou com um sorriso sinistro, como se tivesse feito uma promessa romântica, quando, na realidade, acabara de me ameaçar.

A obsessão pela minha virgindade era quase mística, como se o sangue derramado em nossa noite de núpcias fosse selar uma trégua entre nossas famílias violentas. Era espantoso que Alessandro também compactuasse com essa tradição nefasta.

Ao chegarmos ao pátio da mansão da minha família, meu pai, meu tio e o consigliere de meu pai nos esperavam.

O olhar de desaprovação de meu pai foi como uma adaga em meu coração. Sem esperar que Alessandro dissesse mais nada, desafivelei o cinto e saí do carro.

— Buona Notte, Alessandro — meu pai disse, forçando um sorriso.

— Buona Notte, Giuseppe. Darei mais uma chance para você manter minha noiva em segurança. Se eu a encontrar vagando por aí novamente, vou reivindicá-la antes mesmo das bençãos e a colocarei onde é seu lugar: na minha casa, na minha cama.

Meu pai permaneceu em silêncio, mas meu tio logo mostrou sua subserviência ao homem que controlaria minha vida.

— Se acalme, Alessandro. Ela fugiu, mas isto não vai mais acontecer, garantiremos que ela esteja segura até o dia do seu casamento.

Alessandro nada respondeu a ele, seu olhar foi para mim.

— Fique segura e comporte-se. Nós nos veremos no altar — disse Alessandro, antes de se afastar.

Meu inferno estava apenas começando. A partir daquele momento, fui inundada por críticas e reprimendas da minha própria família.

Papai repetia que sentia muito, mas nada poderia fazer, a família precisava disto, daquele maldito casamento e não me restava alguma solução. Quanto mais eles falavam enquanto adentrávamos a casa, mais os meus pensamentos iam para o homem que quase tinha me beijado naquele carro.

Ele poderia ser sedutor, mas não passava de um assassino implacável e sem coração.

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