
Enrico
Capítulo 2
ENRICO
Antonella estava muito zangada na reunião de família da minha despedida! Claro que eu não poderia me recusar a aceitar ir para o Brasil ser testemunha do casamento de Alessa e Paulo Henrique! Eles estavam juntos desde que a menina tinha 12 anos. Nos conhecemos quando ela tinha 14 e ele 16, ficamos amigos inseparáveis. Eu no Brasil e eles nos Estados Unidos. Quando eles vieram para o Brasil, eu tinha 15 anos e Alessa quem descobriu que eu era o herdeiro da Máfia. Começou o meu treinamento de defesa, e depois para ser capo. Naomi não aceitava de jeito nenhum isso, mas sabia que depois que eu fizesse 18, assumiria. As outras famílias estavam irritadas com a minha posse, mas eu vim pra Itália, resolvi algumas coisas, fui batizado e meu tio Fabrizio continuou sendo meu interino.
Nesses dez anos, muitas coisas aconteceram, mas eu não consegui mais visitar minha irmã. Meu pai Lorenzo, Alessa e Paulo Henrique vieram me ver algumas vezes, mas Bianca, nunca! Sentia falta dela, e ela me botava medo ainda, mesmo com 30 anos nas costas e sendo o capo ruim que não se preocupa em esmagar qualquer um que desafia minha autoridade.
Naquela reunião, estava alinhando tudo para que Fabrizio voltasse a ser meu interino, e a família estava em polvorosa com minha partida:
- Não é inteligente, Enrico! Estou velho, não presto mais para assumir seu cargo. E, meu filho, você precisa providenciar seu herdeiro, urgente! Ou daqui a pouco o conselho se manifesta para te depor!
Eu sabia que meu tempo de solteiro convicto estava se findando. Eu era de longe o melhor capo dos Sabatini e da Itália, com minha gestão ultrapassando até meu bisnono Giácomo, que foi quem elevou nosso nome para esse patamar, de família mais importante. Mas minha posição era passada de pai para filho e eu já tinha que estar com o bacuri correndo e treinando, mas protelei até onde quis e sabia que se eu fosse deposto, minha família seria extinta, porque Bianca e eu éramos os únicos herdeiros diretos de Giácomo Sabattini. E Bianca nem me perdoava por ter me envolvido com aquilo, jamais permitiria treinamento para Gabriel, que agora tinha 18 anos, ou Pietro, gêmeo da Elisa com 10!
- Quando voltar, vou resolver isso, tio. Não se preocupe. Quem sabe até não volto casado do Brasil e com o próximo capo encaminhado?
- Pretende engravidar a ninfeta que vai ser sua acompanhante?
- Isso não é de sua conta, Antonella! Eu acho que você deveria começar a se preocupar com sua vida, porque seu reloginho biológico ja está gritando tic-tac em nossos ouvidos e você vai acabar perdendo sua chance de ser mãe. E seus cunhados já são adultos agora, se resolvem parar de te sustentar porque você ficou duas horas casada com o irmão deles, eles estão no direito!
Antonella me fulminou com o olhar, como sempre fazia quando eu deixava bem claro perante a família que não ia assumir ela.
Deixei tudo alinhado e fui no avião pensando como realmente me estressei de saber que ia fazer par com uma das filhas de Thalles, de 19 anos. E era tudo o que eu sabia da ragazza, além de que ela era negra, e isso eu só sabia porque Thales adotou cinco crianças, todas pretas!
Quando cheguei no Brasil, avisei Bianca, como ela exigiu, e ela foi me buscar no aeroporto. Mafioso não pode ter rotina não, pra não acabar com a boca formigando. Então eu viajei pro Brasil um dia antes do que tinha avisado meus amigos e Bianca deu uma de maluca e arrumou uma viagem. E quando me abraçou, antes de eu entrar no carro dela, me senti aquele menino magrelo de vinte anos que saiu do Brasil emocionado!
Você pode gostar





