
Enredada na Teia Manipuladora Dele
Capítulo 2
A mensagem de Caio vibrou no meu celular: 'Onde você está? Na cantina da faculdade?'
Digitei de volta: 'Acabei de sair da aula. Indo encontrar a Carla no Centro Acadêmico.' Meus dedos pairaram sobre o botão de enviar. Eu ainda sentia um nó no estômago desde a manhã.
Um momento depois, ele estava lá. Não na cantina, mas atravessando o gramado central, seus olhos varrendo a multidão. Quando me viu, um leve sorriso tocou seus lábios, e ele acenou. Ele veio direto, ignorou minha mão estendida e pegou meu pulso, seu aperto firme.
"Pensei que poderíamos ir àquela galeria de arte na Vila Madalena", ele sugeriu, sua voz surpreendentemente suave. "Você sempre disse que queria ver a nova exposição."
Eu pisquei. Uma galeria de arte? Caio? Ele geralmente considerava qualquer coisa fora de sua pesquisa "fútil". *Ele está tentando te compensar, Lia. Viu como ele é fofo?* As Vozes já estavam aplaudindo.
Mas uma parte pequena e desafiadora de mim se lembrou da última vez que sugeri a galeria. Ele estava ocupado demais, absorvido demais em seu trabalho, me deixando vagar sozinha pelas ruas desconhecidas, sentindo-me perdida e deslocada.
Tentei soltar minha mão, um pequeno gesto de resistência. "Ah, não sei, Caio. Eu realmente disse à Carla que a encontraria."
Seu sorriso vacilou, um lampejo de irritação em seus olhos. Ele apertou meu pulso, seu polegar pressionando minha pulsação. "Tudo bem, você pode apenas mandar uma mensagem para ela. Isso é importante." Ele começou a me guiar, seu passo rápido.
A luz do sol estava quente na minha pele, mas sua mão parecia uma pinça gelada. Eu odiava essa sensação, essa sensação de ser arrastada. O calor de sua pele contra a minha, geralmente um conforto, agora parecia uma jaula.
"Me desculpe, Lia", disse ele, parando de repente. Sua voz era sincera, seus olhos fixos nos meus. "Sobre esta manhã. E sobre estar tão ocupado ultimamente. É que... o doutorado é exigente, sabe? Mas eu prometo, vou arranjar mais tempo para nós. Vou até manter distância da Amanda se é isso que você precisa. Ela é apenas uma colega. Você é minha namorada."
Suas palavras soaram tão sinceras, tão convincentes. *Ele está falando sério desta vez! Ele realmente se importa!* As Vozes gritaram de alegria. Mas um sussurro arrepiante de uma parte mais profunda de mim recordou todas as outras vezes que ele fez essas promessas, cada uma quebrando um pouco mais que a anterior. Ele sempre dizia que "arranjaria mais tempo", apenas para eu encontrá-lo almoçando com Amanda, ou trabalhando até tarde no laboratório com ela, ignorando minhas ligações.
Meus olhos dispararam ao redor, procurando. Lá, perto da fonte, estava Carla, acenando com seu cachecol colorido. Eu dei a ela um pequeno e urgente aceno de cabeça.
"Eu não posso, Caio", eu disse, tentando manter minha voz firme. "Eu realmente prometi à Carla. Temos planos. Você sabe como ela é."
Ele pareceu surpreso novamente, então seu aperto em minha mão se intensificou, seus nós dos dedos brancos. "Lia, não seja ridícula. Apenas diga a ela que surgiu um imprevisto."
"Não!" Eu puxei minha mão com força, esfregando meu pulso. "Eu vou com a Carla." Virei-me e praticamente corri em direção à minha amiga, deixando-o parado lá, sozinho, no meio do gramado.
Enquanto corria para Carla, pensei naquela galeria de arte. Eu tinha ido sozinha naquele dia, exatamente como ele havia planejado. Acabei chorando no banheiro, encarando meu reflexo no espelho barato. A arte se borrou através das minhas lágrimas, uma confusão de cores e formas. Tinha sido uma das tardes mais solitárias da minha vida, um lembrete gritante de que mesmo quando eu fazia coisas que gostava, o vazio de sua ausência ainda me seguia. A memória era uma pedra fria e dura no meu peito.
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