
Ela Mereceu: A Amante Promovida
Capítulo 2
A música alta da festa de comemoração da empresa parecia um zumbido distante nos ouvidos de Laura, enquanto ela observava seu marido, Marcelo, no palco, o microfone na mão e um sorriso largo no rosto, um sorriso que não era para ela há muito tempo. Ele estava no centro das atenções, o CEO celebrando mais um projeto de sucesso, um projeto que Laura havia liderado, no qual havia trabalhado noites e fins de semana.
"E eu não poderia ter feito isso sem o apoio, a dedicação e a visão de uma pessoa verdadeiramente excepcional", disse Marcelo, sua voz ressoando pelos alto-falantes.
O coração de Laura deu um salto de esperança, uma esperança tola e teimosa que se recusava a morrer. Talvez, apenas talvez, ele a reconhecesse. Na frente de todos.
"Uma pessoa que se juntou à nossa equipe há pouco tempo, mas que já demonstrou um talento inegável. Quero chamar ao palco para receber um bônus especial e uma promoção a diretora de projetos... Patrícia!"
O nome ecoou no salão. Não era o nome dela. Laura sentiu o ar faltar em seus pulmões, enquanto Patrícia, a nova assistente de Marcelo, subia ao palco com um sorriso tímido e vitorioso. Ela usava um vestido vermelho caro, um que Laura sabia que Marcelo tinha comprado para ela. Ele a abraçou, um abraço que durou um pouco mais do que o profissionalmente aceitável, e entregou-lhe um envelope grosso. Os aplausos encheram a sala, mas para Laura, era um som oco e doloroso.
Ela não pensou. Ela simplesmente agiu. Levantou-se da sua cadeira, a taça de champanhe intocada na mesa à sua frente. Suas pernas tremiam, mas ela caminhou em linha reta em direção à saída de emergência, empurrando a porta com força. O ar frio da noite a atingiu como um tapa, trazendo-a de volta à realidade. Ela não pertencia àquele lugar. Não mais.
Momentos depois, a porta se abriu bruscamente atrás dela. Era Marcelo. O sorriso tinha desaparecido, substituído por uma carranca de raiva e confusão.
"Laura! O que diabos você está fazendo? Você está tentando me envergonhar?"
Ela se virou para encará-lo, a frieza em seu rosto era um espelho da frieza que sentia por dentro.
"Eu estou me demitindo, Marcelo."
Ele riu, um som áspero e sem humor.
"Se demitindo? Não seja ridícula. Você está sendo dramática por causa de uma promoção? Patrícia mereceu, ela trabalhou duro."
Laura olhou para ele, realmente olhou para ele, e viu a verdade que vinha ignorando por meses. Ele não a via. Ele não via as horas extras, os sacrifícios, a paixão que ela derramou naquele projeto, no trabalho deles, na vida deles. Ele só via Patrícia. Ele não estava apenas a traindo com outra mulher; ele estava roubando sua vida profissional, seu reconhecimento, sua identidade, e entregando tudo a ela em uma bandeja de prata. Aquele prêmio não era sobre mérito, era sobre eles. E ele fez isso publicamente, uma humilhação calculada.
"Sim", ela disse, sua voz surpreendentemente firme. "Ela trabalhou duro... em você."
A compreensão brilhou nos olhos dele, seguida por um lampejo de pânico, mas foi rapidamente substituído pela arrogância.
"Não sei do que você está falando. Volte para dentro. As pessoas estão olhando."
"Que olhem", Laura respondeu, dando-lhe as costas. "Eu estou indo para casa."
Ela começou a andar, sem olhar para trás. Ela o ouviu gritar seu nome, mas continuou andando. O som da festa desapareceu enquanto ela se afastava, cada passo a levando para mais longe daquela mentira.
Horas mais tarde, quando ele finalmente chegou em casa, ela estava sentada no escuro da sala de estar, uma mala ao seu lado. Ele acendeu a luz, piscando com irritação.
"Você ainda está acordada? Pelo amor de Deus, Laura, qual é o seu problema hoje?"
Ele jogou o paletó no sofá e afrouxou a gravata.
"Você não fez o jantar? E minhas camisas para amanhã, você as passou?"
Laura não respondeu. Ela apenas o observou, o homem com quem se casou, o homem que agora parecia um completo estranho. Ele não perguntou se ela estava bem. Ele não se importava com o motivo de sua dor. Ele só se importava com suas próprias necessidades, suas camisas passadas e sua refeição quente. Naquele momento, a última brasa de amor que ela sentia por ele se extinguiu, deixando apenas cinzas frias.
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